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Os arautos da hipocrisia

Tudo o que você disser poderá ser usado contra você no tribunal. Nunca essa frase, tão comum em filmes ou em flagrantes policiais se encaixou tão perfeitamente nos dias de hoje, principalmente na internet.

As redes sociais transpuseram o limite do público e do privado e muita gente ainda não entendeu que o que você escreve na internet (desde os tempos do blog) poderá ser lido por milhares de pessoas e, consequentemente, alvo de opiniões contrárias e, muitas vezes, críticas.

Logo, tudo aquilo que você escrever em sua rede social será avaliado e, certamente, criticado, com grande risco de você ser escorraçado pela opinião pública, com grande repercussão na imprensa. Há também situações que suscitam embate entre o direito de dizer o que bem entender e as possíveis consequências daquilo. Como exemplo, há casos e mais casos de tweets preconceituosos contra os nordestinos, negros, judeus, gays, mulheres, etc.. Muitos exemplos bastante recentes, que nem se faz necessário ficar recordando.

Esse é um ponto, que evidencia o outro: o mundo sempre foi cercado de pré-conceitos que, muitas vezes, se transformaram em preconceitos, que foram alvos de crítica. Ocorre que, com uma maior visibilidade do que ontem era restrito a um bate papo pessoal entre amigos, sua repercussão ganhou ares de Big Brother.

Diante disso, vivemos atualmente o boom do politicamente correto, que abre espaço apenas para os bons moços, que nunca se posicionam, apenas douram a pílula e utilizam de frases feitas para agradar os amigos ou o seu público em algum canal de TV ou em algum blog.

O que não invalida o fato de que há muita gente falando bobagem, destilando todo o seu preconceito em seus perfis sociais, revelando o quanto ainda é preciso evoluir a humanidade para poder conviver com a tal harmonia que os profetas da felicidade tanto apregoam estarmos próximos.

Enfim, não é só o mundo que anda chato demais. São algumas pessoas que usam as redes sociais para patrulhar a vida dos outros. Como sempre foi. Só que antes as donas de casa ficavam nas janelas olhando a movimentação na rua, na praça. Hoje, as pessoas vasculham na internet o que as outras dizem e passam a criticar, assumindo para si o papel de arauto dos preceitos do universo. De qualquer forma, a patrulha é a mesma.

Música letárgica

Começo este texto com um dilema. Ao mesmo tempo em que pretendo começar a destilar uma série infindável de críticas à “Melhor Banda dos últimos Tempos da Última Semana”, me sinto compelido a rever meus próprios pré-conceitos. Vamos à primeira parte.

Em meio às correrias com um problema de saúde na família, tenho acessado o computador só de vez enquando e desde ontem vejo citações a uma tal de “Banda Mais Bonita da Cidade”, tanto no Facebook, quanto no Twitter. Pensava: “que porra é essa?”, enquanto a curiosidade aguçava, mesmo que repulsiva. Mas os meus melindres sempre me impedem de acessar certas porcarias de imediato.

Mas hoje não teve jeito: gente xingando muito no Twitter, gente elogiando, resolvi assistir ao clipe de “Oração”. Vamos às amenidades. A música é bonita, a frase única da canção é bacaninha, tem uma boa sacada, o clipe é bem inventivo, afinal de contas, articular o rumo da música com o rumo do clipe, seus instrumentos, indo de cômodo em cômodo da casa, é surpreendentemente bem feito, com pitadinhas de inspiração cinematográfica, tudo num suposto plano sequência – não me estenderei aqui, pois não é da minha área. Com um adendo atualizado: a ideia do clipe é copiada da banda Beirut, como a própria banda sinaliza no vídeo do You Tube.

Quem gostou da banda, é melhor parar de ler aqui. Porque o rock and roll vai começar.

Desculpem-me, mas que porra é esse nome “A Banda Mais Bonita da Cidade”? Vivemos em uma sociedade muito babaca ultimamente, não? Tudo colorido, tudo bonito, tudo legal, as pessoas são fantásticas, o Brasil é o país do presente, sem pobreza, somos fodas. Ah, tá. Como o @Alerocha falou, o Brasil é a vanguarda do atraso, com 40 anos de atraso o movimento hippie chega à música brasileira. Acrescento que isso é fruto de cantores sem culhão, de bandinhas emo que cobram pra fã entrar no camarim, de cabelinhos lambidos chorarem dor de amor de 15 anos e tocarem o foda-se para o resto. E de uma MPB desconectada da realidade, apolítica, desmobilizada e mediana qualitativamente. De tudo isso surge uma banda gigante, cantando uma frase por seis intermináveis minutos, com um ar meio oba-oba, rimando penteadeira e despensa com amor e coração, em uma clara contribuição losermaniana, utilizando dos piores momentos de Camelo e companhia. Muitos elogiaram a letra. Que letra?  Uma frase repetida ad nauseam

Todo esse movimento que vejo na música há uns 15 anos me faz ter saudade dos tempos em que o artista, se não era engajado, ao menos se posicionava perante a sociedade, não se sujeitava a certas coisas, batalhava por um espaço dignamente e criticava quando algo o incomodava. Hoje todos são tão apáticos, tão… alegres.

A alegria meio forçada no clipe “Oração” forjada da necessidade em aparecer algo suave, cool, positivo, me enraivece de tal forma que estou aqui ouvindo Rage Against the Machine, com saudade de bandas como Clash e Legião Urbana (especialmente nos primeiros anos e em alguns momentos inspirados dos últimos), que tinham algo a dizer e sentiam, se insatisfaziam, com os rumos do mundo. Parece que vivemos hoje em um lugar em que quase ninguém tem algo a dizer. A não ser coisas floridas, amenas, supostamente alegres. E quando alguém se posiciona, é taxado de preconceituoso, exagerado, ideológico, ultrapassado. Azar. Prefiro seguir com meus ideais a subvertê-los e um nome de um mundo e sociedade “felizes”.

Um contraponto

Por outro lado, o texto datado de hoje no blog Febre Alta me fez pensar quanto aos meu próprios preceitos e, posso dizer, que encaixo em boa parte dele. Como exemplo: “E ouvir essa musiquinha me mostrou o que eu não queria ver: eu não sei mais ouvir música. Eu não consigo mais. Tá lá o clipe, tudo o que eu preciso é ouvir e me deixar levar, mas não. Fico tentando encontrar a picaretagem, quem trabalha em alguma agência de publicidade, quem tem pai cineasta ou dono de banco, quem é da turma do Marcelo Camelo, fico tentando entender qual é “a jogada”. Tá, e se não tiver jogada nenhuma?”.

Eu acho que me sinto assim às vezes. Toda vez que vou ouvir algo novo começo a comparar, fazer relações com o passado, pensar se não é alguma jogada de marketing, etc. Não consigo mais gostar de música, é um verdadeiro parto para eu gostar de algo, tanto que após mais de ano ouvindo Them Crooked Vultures fui gostar, e nem é uma banda com frescor jovem, já que é feito por velhacos do rock. Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs e Strokes eu gosto de um disco cada e nada mais.

Mas tem muito a ver com isto daqui: “A Banda Mais Bonita da Cidade me mostrou o que eu não queria ver, que eu me tornei tão escravo dos meus preconceitos, a ponto de simplesmente não conseguir mais me entregar a algo tão singelo quanto ouvir uma musiquinha inocente sem pensar em outras coisas que absolutamente não interessam. É uma vontade de ter a minha inocência de volta, misturado com a preguiça de ter que encontrar mais lugar no IPod pra mais gente entrar na casa do Dylan, Chico, Bowie, Clapton, Lennon, McCartney, George, Springsteen, Ben, Melodia, Novos Baianos, Luís Gonzaga, Chet e Ella e Cole e Thelonious e… simplesmente não cabe. Estou cheio”.

E, tal e qual o autor do texto do blog Febre Alta, ouvir essa tal banda bonita (desculpa, mas puta nome idiota…) me fez ter uma “necessidade quase física de ouvir The Clash e pensar noutro tipo de juventude, uma outra postura, um outro contexto”. E estou eu aqui ouvindo Rage Against the Machine, achando que isso sim tem muito mais a ver com o tipo de sociedade que eu quero estar inserido e viver do que uma bobalhagem feita por estudantes de Ciências Sociais da PUC que moram em Perdizes e estiveram no churrasco da gente diferenciada – eu sei que exagerei.

Ok, apesar do mea-culpa feito acima, continuo com o pensamento de que esse tipo de música e atitude não faz parte do meu universo. Por isso, eu poderia ignorar, etc., mas não dá, porque parece que é só essas baboseiras que as pessoas buscam hoje em dia. Cada vez mais me sinto desconexo do mundo atual. Mas eu não prefiro ser essa metamorfose ambulante não, prefiro ter convicção pelos meus ideais e prosseguir lutando por eles, adaptando-os, mas nunca deturpando-os em nome de preceitos e da cultura oba-oba que para mim são furados.

Estação Angélica: exageros, preconceitos e superficialidades

A polêmica em torno da construção da estação de metrô Angélica da Linha 6 – Laranja na esquina da avenida Angélica com a rua Sergipe transcendeu a discussão sobre a necessidade da ampliação do transporte público de massa na cidade de São Paulo e partiu para uma aparente discussão entre classes sociais, mesmo que não haja mobilização de fato da classe mais interessada: os trabalhadores que poderão utilizar do benefício de haver uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, região central da capital paulista.

De início, o projeto apontava a construção tanto da estação Angélica e, também, da estação Pacaembu, situada na praça Charles Miller. Esta última sumiu das projeções seguintes. Coincidência ou não, após a Associação Defenda Higienópolis iniciar protestos contra uma estação na avenida Angélica, o metrô acabou retirando a estação do desenho original, devolvendo a estação Pacaembu ao trajeto da linha.

Em nota em seu site, o metrô defende que está reavaliando a posição da estação Angélica devido a esta estar próxima somente a 600 metros da futura estação Higienópolis-Mackenzie, da linha 4, prevista para 2014, e que irá integrar a linha 6 ao sistema metropolitano. Enquanto isso, a estação seguinte à Angélica – PUC-Cardoso de Almeida – ficaria desta a 1.500 metros de distância. De fato, há um desequilíbrio e o argumento do metrô é válido. Tanto que a mesma nota – além de declarações do próprio presidente da companhia, Sérgio Avelleda, em diversos veículos – indica que a “área técnica do Metrô estuda a melhor localização de uma nova estação que atenda à FAAP, Av. Angélica, Praça Vilaboim e Estádio do Pacaembu”.

Acredita-se hoje que a melhor solução seja mesmo uma estação na região da Praça Vilaboim, com saída para a porta da Faap, atendendo tanto o público da universidade, os visitantes do Museu do Futebol e torcedores em dias de jogos, como aqueles que seriam atendidos diretamente com a estação Angélica. Do ponto de vista racional, essa parece ser a melhor solução, diante dos impasses provocados de lado a lado.

O problema de foi a condução desse processo, que revela que não é apenas uma questão técnica que está em jogo. Todos os veículos de comunicação usaram e abusaram do palavreado enojado de alguns moradores de Higienópolis que temem ver suas calçadas parisienses contaminadas de pobres, mendigos, ladrões e toda a sorte de desprivilegiados. Atônito com a repercussão, restou ao metrô dizer que o possível cancelamento da estação Angélica foi uma decisão de caráter “exclusivamente técnico”, o que, sendo ou não, não “cola” mais. Vai ficar marcado na História que a estação deixou de ser construída – caso seja mesmo retirada do local inicial – devido à forte pressão de alguns moradores do bairro, que preferem não ter metrô, e, como argumento, utilizaram de arquétipos preconceituosos para tratar do tema.

Personagens nada diferenciados

Do outro lado, surgiu uma manifestação brincalhona, irreverente, mas esquisita. De um encontro organizado de brincadeira no Facebook, milhares de pessoas foram no último sábado ao bairro de Higienópolis fazer churrasco e posar para fotos, demonstrando toda a sua “indignação” com as “elites” de Higienópolis que não querem a estação para os trabalhadores que vão até o bairro. Suponho que poucos dos manifestantes tomam metrô além do circuito Vila Mariana-Trianon-Masp aos fins de semana, alguns estudam nas faculdades da região e chegaram até o local estacionando seus carros nas quadras adjacentes à manifestação. Pelo que eu li no Twitter, no Facebook e nos sites noticiosos no dia da manifestação, boa parte daquele público advém de uma classe média que acha que uma rede social será capaz de revolucionar nossa sociedade – maldito exemplo subvertido do Egito.

Apesar da motivação ser válida e importante, o movimento de sábado aparentou ser nada mais nada menos que uma reunião de gente que queria aparecer, fazer farra, beber, fazer piada, ver e ser vista, para contar todas as aventuras do “protesto” aos amigos. Não teve uma vocação ideológica, reflexiva, profunda. Foi apenas um movimento que, de ajuda, serviu para manter o tema em pauta. Mas não procurou, com ele, pensar na viabilidade desta linha que, se vai atender ao desassistido público da zona noroeste da cidade, também vai passar por áreas cuja presença do metrô é amplamente questionável, em comparação com outras de maior prioridade e urgência.

O que quero dizer aqui é que nem a associação supostamente pró-Higienópolis, tampouco os manifestantes de classe média que fazem protestos nas suas folgas e depois debatem as “aventuras” na balada ou na escola nos dias seguintes, são representativos das parcelas menos favorecidas da sociedade. Não dá pra dizer que 3.500 assinaturas de um abaixo-assinado representam a totalidade de um bairro com 55 mil moradores, menos ainda achar que mil pessoas que acham que churrascão marcado por uma rede social representam a vontade da sociedade.

Isto é, a suposta discussão entre classes nada mais é que um ranço entre grupos mais bem favorecidos. Enquanto um quer evitar ser “contaminado” pelos efeitos colaterais do progresso (enquanto se diverte em viagens de metrô pelos EUA e Europa), o outro grupo posa de pseudoidealista e pseudoengajado, tentando mostrar estar antenado com os mais pobres, ajudando o “coitadinho” que não pode ficar sem metrô para trabalhar, mas não está aqui para protestar. Ou seja, a aparente divisão de classes nessa disputa a respeito do metrô nada mais é do que uma briguinha de poucas parcelas não-representativas da sociedade, uma querendo evitar aparecer, a outra, procurando holofotes. O povo mesmo, o real interessado, mais uma vez, foi pouco e mal ouvido.

Bairro “higienizado”?

Para terminar, uma percepção prática a respeito do comentário de uma das moradoras do bairro que gerou tanta indignação de tanta gente. A tal expressão #gentediferenciada, que virou, como se vê, até hashtag de Twitter, bradando contra a chegada do metrô, que levaria também pessoas de má estirpe. Como se não houvesse mendigos, ladrões e outras coisas no bairro atual – estou supondo que a tal mulher não foi tão preconceituosa a ponto de referir-se também aos trabalhadores que vão até a região, o que de fato, já acontece, ela querendo ou não, já que existem ônibus, metrôs ao redor, enfim, Higienópolis não é uma ilha. Saí hoje para caminhar a esmo e acabei indo parar em Higienópolis, o que me levou a seguir até o Pacaembu, e pude constatar como a tal senhora não anda pelo bairro que tanto venera – e se esse é o único argumento da Associação Defenda Higienópolis, idem.

A poucos passos do cruzamento entre as avenidas Higienópolis e Angélica, há uma quadra da improvável estação de metrô, uma mulher sentada com uma criança implorava por uma esmola, sob um frio de 14 graus.  Do outro lado, já na avenida Angélica, outra senhora jazia na rua fria. Após cruzar a mesma avenida, mais alguns metros depois e outra mulher, com um bebê ao colo e uma pré-adolescente ao seu lado, a pouquíssimos metrôs do Shopping Pátio Higienópolis, onde o protesto “diferenciado” começou.

Segui caminhando pelas ruas do bairro e saí numa ruela que desembocava na FAAP, para a minha surpresa. Desci até o estádio do Pacaembu, dei a volta pela faculdade e voltei a subir rumo a minha casa, sem antes deixar de ver uns oito homens fumando maconha na parte debaixo da praça Esther Mesquita, ali no bairro europeu de Higienópolis, tão bem protegido por seguranças na própria praça ou, mais à frente, no Colégio Sion. Ou seja, o mundo perfeito daquele bairro existe mesmo na cabeça de algumas poucas aberrações que lá residem.

Ciclos e passagens

O sumiço destes dias no blog não foi por falta de vontade de postar. Uma verdadeira tragédia aconteceu com o adeus de um parente de uma querida amiga muito próxima a mim. Foram dois dias que ficarão marcados para todo o sempre, de um extremo pesadelo que ainda não acabou e ainda vai levar um tempo para amenizar, quiçá passar para quem vive o tormento. Abaixo reproduzo algo escrito a partir do Twitter, um singelo desabafo e reflexão da nossa insignificância na Terra.

Estou destroçado física e emocionalmente, nem as horas de cochilo mesclado com sonhos e pensamentos ruins mudaram muita coisa. Quando acontecem tais coisas a gente pensa em muitas outras, nos traz à uma realidade duríssima que lutamos em nosso cotidiano para fugir.

Nossa crença na eternidade é tão vã, que quando uma tragédia dessas ocorre, a gente se vê sem chão e percebe o quão tênue é a linha entre a vida e a morte e o quão estamos dependentes de tudo e vulneráveis. Não temos direito a nada aqui.

Não é alarde, nem revolta, mas é uma triste constatação: a de que “viver é uma dádiva fatal no fim das contas ninguém sai vivo daqui”. Tudo fica meio sem sentido, viver, amar, procurar crescer, trabalhar, sair, etc., porque você sabe que tudo acaba mais cedo e surpreendentemente do que imaginamos, mesmo que saibamos que tudo tem um fim. E a cada “surpresa” dessas você também morre um pouco. Com aquele que amamos se vai uma parte de nossa rápida existência. E dói.

Mas, como diz o próprio poeta: “vamos com calma”. O jeito é seguir vivendo, tentando achar um motivo, manter-se firme em homenagem e agradecimento a quem já foi, mas também a quem aqui está. É duro, mas é preciso. Ainda não sabemos porquê, mas é preciso.

Dizem que o homem comeu a maçã da sabedoria e desde então adquiriu conhecimento. Mas faltou o conhecimento da vida e da morte, para que ele pudesse viver mais em paz, despreocupado e menos angustiado com suas perdas.

Mas assim é a vida e seu ciclo: nascemos, vivemos, procriamos, outros assumem nosso postos, antes de morrermos, para que o ciclo prossiga. E assim a vida caminha, entre alegrias e tristezas, lágrimas e sozinhos, dor e paz…

Espero apenas que tenhamos calma e força a cada manhã para seguirmos em frente…

Para concluir esta reflexão em homenagem a quem fez muita gente feliz e também deixou muitas saudades, deixo uma canção que tem a ver com o tema: “For Martha”, da banda The Smashing Pumpkins, pertencente ao álbum Adore de 1998.

For Martha
Para Martha

whenever I run

Sempre que procuro

whenever I run to you, lost one

Sempre que te procuro, desaparecida

it’s never done

Nunca consigo

just hanging on

Apenas aguardo

the past has let me be

O passado fez me ser

returning as if dream

Solícito como se num sonho

shattered as belief

Destroçado como a fé

if you have to go, don’t say goodbye

Se tiveres que ir, não diga adeus

if you have to go, don’t you cry

Se tiveres que ir, não chores

if you have to go, I will get by

Se tiveres que ir, eu aceitarei

someday I’ll follow you and see you on the other side

Um dia te seguirei e te verei no outro lado

but for the grace of love

Mas pela benção do amor

I’d will the meaning of

Eu desejaria o sentido do

heaven from above

Paraíso lá de cima

your picture out of time

Seu velho retrato

left aching in my mind

Doendo em minha memória

shadows kept alive

Sombras mantidas vivas

if you have to go, don’t say goodbye

Se tiveres que ir, não diga adeus

if you have to go, don’t you cry

Se tiveres que ir, não chores

if you have to go, I will get by

Se tiveres que ir, eu aceitarei

someday I’ll follow you and see you on the other side

Um dia te seguirei e te verei no outro lado

but for the grace of love

Mas pela benção do amor

I’d will the meaning of

Eu desejaria o sentido do

heaven from above

Paraíso lá de cima

long horses we are born

Longa-Marchas nós nascemos

creatures more than torn

Criaturas mais que dilaceradas

mourning our way home

lamentando nossa volta ao lar

Em branco

Olá. Há muito não apareço por aqui. Mas hoje venho com algo diferente: o primeiro conto que escrevo esse ano, em meio a um mestrado que me conseome avassaladoramente. Espero que gostem. Até mais.

Em branco

Hugo Luiz enxerga a sua direita uma pilha de livros caindo da cadeira da cozinha que serve de apoio em seu quarto. Sem esboçar a menor reação, continua observando um a um os livros irem de encontro ao piso gelado: uma rajada de vento vinda da janela foi a responsável pela quebra da harmonia no quarto de Hugo Luiz.

Concentrado, olhos fixos para a tela do computador, aturdido, não foi capaz de fazer qualquer movimento. Sua preocupação é outra: a falta de inspiração que lhe aflige há dias, impingindo uma angústia enorme em si ao permanecer com olhar petrificado para a página em branco do editor de textos.

Mesmo assim, fugiu de sua tormenta mental e recolheu todos os livros de volta à cadeira. Mas se deteve em um em específico: um livro sobre política que falava sobre esperança, determinação, ação. Folheou um pouco, lembrou-se da parte da sua vida que estava atrelada àquelas páginas e se estremeceu com o que lhe vinha à memória. As crenças mais simples quando se é jovem e a vontade na ponta dos cascos não passava do que hoje é um conceito genérico de um teórico francês.

Hugo Luiz, num balançar rápido de cabeça para afastar tais pensamentos, voltou-se para sua tela em branco: já estava há quatro dias sem sair daquele quarto, sem idéias, sem perspectivas, sem o que preencher aquele espaço em branco. Desligara-se do mundo e, com ele o Msn permaneceu fechado, assim como o Google Talk e o Skype. O Orkut abria apenas para ver suas próprias fotos antigas de vez enquando, como que em um arroubo patético de querer voltar àqueles momentos e congelá-los para sempre, sem viver a dor cotidiana da rotina e da negação a amedrontar sua alma.

Apenas o Twitter continuava aberto, para prosseguir com o ritual insólito desta humanidade em saber o que se passa com a vida dos outros, o que as pessoas fazem, com quem saem, o que lêem, o que escrevem, como se já não bastasse cada um preocupar-se com a própria vida. Mas se ocupar do microcosmo do cotidiano de celebridades e pessoas comuns serve como uma ótima droga para narcotizar-nos enquanto esquecemo-nos das mazelas desta sociedade mal construída. De repente, um recado em “caixa alta”: “vou comprar o celular tal, tô super feliz”. Outro perfil transcreve o pronunciamento do presidente e “ainda bem que não há mais perfis on line, assim não me ocupo com essas baboseiras a cada aviso do programa”, alivia-se Hugo Luiz, pois até em seus momentos toda essa encheção chateia, entedia os viciados por desinformação.

Sentia-se deslocado, descolado de tudo aquilo. Esse sentimento de não-pertencimento fazia mal dentro de si. Não conseguia sentir-se parte nem de sua própria vida ou de seu corpo. Sentia-se despedaçado por dentro, como se tivesse tentado lutar tanto para sair dali e alcançar outro espaço que o preenchesse.

Após passear seus olhos cansados pelos perfis dos outros, Hugo Luiz volta para sua tela em branco para tentar dar seqüência à sua missão, apesar de não saber mais de onde buscar para preencher uma linha que seja daquilo. Ao mesmo tempo, uma ansiedade consome seu coração e mente, na espera de um e-mail que pode facilitar ou complicar sua vida. Enquanto não chega, a ansiedade transforma-se em uma angústia virulenta que quase o leva a uma depressão desesperada.

E entre e-mail e o editor de textos, entre uma agonia e outra, o tocador de música repete insistentemente a mesma voz, as mesmas notas, a mesma canção de 15 minutos durante toda a noite. O violão é repetitivo, a voz é aguda, a qualidade é baixa também por ser uma gravação ao vivo do que parece um bar. Há muita gritaria e conversação. Mesmo assim, a canção permanece vitoriosa no tocador, falando de uma garota má e de conversas de bar, da cidade, das ruas, de qualquer coisa que ele não entende.

De repente, o Twitter começa a infernizar com tantos avisos de mensagens novas. E, como forma de fuga, Hugo Luiz volta-se a todo o momento para a página do programa para saber quem escreveu o quê e porquê, como que em uma necessidade obsessiva de se desviar do que precisa fazer, mascarada por uma pseudo-preocupação em obter novas informações, alguma novidade, ou notícia importante sobre qualquer coisa.

O desespero é tanto que ele fecha o programa para tentar se concentrar no seu dilema. Muda a canção no tocador e finalmente obtém uma centelha de inspiração, alguma idéia passa por sua mente e ele a segura com todas as suas forças, fazendo daquilo seu momento máximo em dias. É uma música que fala de amor, mas não é isso que chama atenção. O que lhe importa é o retorno da sensibilidade e gana necessárias, por um instante, para voltar a escrever. E começa.

14 de dezembro de 2009.

Twitter

Quer saber alguma notícia sobre mim?

Acesse meu twitter: http://www.twitter.com/rodrigoherrero.

Tenho andado realmente muito ocupado nos últimos tempos com o mestrado que está em fase final do Relatório de Qualificação e não consigo arrumar tempo e assunto para escrever com calma por aqui.

Mas em breve eu trago novidades.

Abraço!

Fiscalização do Rio 2016 via Twitter

Olá.

Perdão pelo sumiço. Muitas atribuições no mestrado, surgimento de frilas, cansaço, preguiça, medo. Enfim, muitas coisas aconteceram nesse período, que nem vale a pena me desculpar pela longa ausência.

E para minha surpresa, as visitações ao site caíram pouco, mantendo alguns picos de acesso bem interessantes. O que só me anima a tentar diminuir o tempo das pausas.

Vinte dias depois estou aqui com muito conteúdo acumulado para publicar, mas também uma preguiça para explicá-lo. Para ganhar tempo, este post será mais de “olá”, “desculpe-me”, etc. Mas com uma dica  interessante retirada do Twitter.

Esta tem muito a ver com esse clima de Olimpíadas que tomou conta do Brasil após a escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos de 2016. É o @FiscalizaRJ2016, que tem como objetivo fiscalizar o desenvolvimento e gastos com as obras para o Rio 2016.

São publicadas notícias, entrevistas, informações, de diversas fontes, todas relacionadas aos Jogos, com alguns pitacos, incluso, cumprindo o papel que a sociedade deve fazer, de fiscalizar e cobrar as promessas feitas no Caderno de Encargos e seus respectivos gastos, para que as Olimpíadas sejam benéficas ao povo e à cidade carioca e não apaenas aos bolos dos organizadores, empreiteiras, etc., evitando a chuva de desperdício que o PAN-2007 causou.

Para seguir este perfil, clique aqui.

Outro perfil que possui objetivo semelhante – apesar de, em princípio, ser meramente informativo – é o @CPFrio2016. Como o próprio perfil informa, por meio de um de sesu tweets, “a Comissão Popular de Fiscalização Rio 2016 foi criada com o intuito de acompanharmos, fiscalizarmos cada passo dos projetos para 2016”.

Para seguir este perfil, clique aqui.

Como se vê, nem só do besteirol “Yes We Créu” (até engraçado, que foi top do trending topics no dia da escolha do Rio como cidade-sede dos Jogos Olímpicos) vive a rede social.

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