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Orientação vocacional ajuda quem está na dúvida

E, no encerramento das publicações do caderno especial sobre profissões que fiz para o jornal Agora São Paulo, do Grupo Folha, o texto de hoje trata da orientação vocacional como ferramenta auxiliar na busca por uma profissão, e o que a pessoa pode fazer por si só para encontrar o seu próprio caminho.

ESCOLHA CERTEIRA

ORIENTADORES VOCACIONAIS DÃO SUGESTÕES PARA QUEM AINDA NÃO DECIDIU SUA PROFISSÃO

A adolescência é uma fase da vida que surgem várias dúvidas, ao mesmo tempo em que algumas decisões precisam ser tomadas. Isso fica evidente na escolha da profissão. É preciso, portanto, tomar alguns cuidados para evitar caminhos que possam causar arrependimento.

“Mesmo a pessoa tendo uma ideia do que quer fazer, ela precisa ampliar as possibilidades de escolha. Ela deve refletir bem, definir os objetivos de vida e se informar sobre as profissões”, afirma Regina Sonia Gattas do Nascimento, coordenadora de Orientação Vocacional da Clínica de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).

A consultora Maria Cândida Baumer de Azevedo, da People & Results, acredita que as pessoas devem investir no autoconhecimento e também em ouvir as pessoas. “Procurar saber delas o que faz bem, o que deve melhorar e ser maduro o suficiente para assimilar a resposta”, defende.

O orientador vocacional pode ajudar os jovens indecisos. “Às vezes a situação é bem clara, mas a pessoa não consegue ver. Então, a visão de alguém de fora pode esclarecer. Hoje em dia a internet tem muita coisa, mas também pode se tornar num mar de bobagens se você não souber procurar. Nós orientamos a buscar as respostas”, pondera Paulo Motta, coordenador de Orientação Profissional da UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Assis (434 km de São Paulo). (Rodrigo Herrero)

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O que o mercado de trabalho quer de você

Na continuação da série de publicações do caderno especial sobre profissões que fiz para o Jornal Agora São Paulo, do Grupo Folha, publico mais duas matérias, que enfocam no que o mercado almeja em um profissional.

Tem até o segundo texto, meio alternativo, porque acabou sendo editado de uma tal forma que o que foi publicado no jornal é bem diferente deste. Mas, como não tenho guardado nos meus arquivos o original, vai a primeira versão. Já o primeiro texto é o mesmo do jornal. Efemérides e peculiaridades de uma redação. O texto de ontem mesmo tem uma parte aqui que acabou ficando de fora lá.

Vamos ao texto!

MUITO ALÉM DA TÉCNICA

PERFIL COMPORTAMENTAL É IMPORTANTE PARA DESLANCHAR NA CARREIRA

Além do conhecimento técnico inerente a cada profissão, o mercado de trabalho tem cada vez mais voltado suas atenções às características comportamentais que vão definir se o candidato se encaixa no perfil exigido pela empresa.

“O mercado considera o jovem dentro de um mesmo grupo, independente de ter estudado economia, administração, psicologia. As empresas estão buscando muito qualificações e comportamentos que possam ajudar essa pessoa a permanecer um tempo maior na empresa”, afirma Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

Especialistas em recursos humanos afirmam que as características comportamentais são as mais difíceis de adquirir, pois levam tempo e prática para que a pessoa possa desenvolver o que necessita.

“Queremos o cara prático, que tenha atitude, vontade. E mesmo que às vezes não tenha maturidade para reconhecer algo, possua abertura para obter um ‘feedback’ a respeito. Um cara que tem empatia com a empresa, com boa cultura, vence qualquer excelente formação de graduação. Tem prevalecido o cara do bem”, destaca Felipe Camacho, da consultoria Hays, especializada em recrutamento e seleção.

Além do comportamento, a empresa quer saber mais sobre o candidato e a sua relação com a profissão escolhida. “Ela quer entender o que ele gosta de fazer, o que o engajaria em um ambiente de trabalho. Após isso é que serão observadas as qualidades mais gerais”, ressalta Elaine.

Outro ponto valorizado pelos recrutadores é a pessoa que saiba transitar em mais de uma área. Conhecer apenas uma função é um risco, caso a pessoa tenha problemas na carreira escolhida ou queira mudar de emprego. (Rodrigo Herrero)

JOVENS PRECISAM FICAR ATENTOS

Os jovens que desejam investir em uma carreira e ingressar no mercado de trabalho devem prestar atenção para situações específicas de seu comportamento que estão sendo avaliadas pelos consultores em recursos humanos.

Segundo Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, os jovens têm comportamentos difíceis para a empresa lidar. Para ela, é importante que eles compreendam o ambiente corporativo.

“A empresa busca pessoas que aceitam que talvez possam crescer de forma mais lenta, que estejam dispostas a aprender. Também são valorizados os jovens que tenham bom relacionamento tanto com pessoas de sua faixa etária, quanto com pessoas mais velhas”, explica. (RH)

Profissões em alta

Como eu havia comentado, mês passado eu produzi um caderno especial sobre profissões para o jornal Agora São Paulo, como você pode ver aqui: http://www.agora.uol.com.br/trabalho/ult10106u1128281.shtml.

Como já passou um tempo, resolvi publicar os textos que foram para as páginas do jornal no já longínquo 30 de julho.

Abaixo segue o primeiro e principal texto do especial, que trata sobre as profissões em crescimento, tanto de demanda quanto de procura. Tem também um texto menor – que no jornal a gente chama de sub – com uma personagem que investiu em uma das profissões novas e em destaque.

Nos próximos dias, eu publico o resto. Boa leitura.

PROFISSÕES EM ALTA

NOVAS CARREIRAS E ANTIGOS OFÍCIOS GARANTEM OPORTUNIDADES DE TRABALHO E SALÁRIOS

A proximidade da Copa-2014 e das Olimpíadas, os investimentos estatais em infra-estrutura e os empreendimentos imobiliários aquecem o mercado de trabalho e criam novas profissões.

“No último ano o curso de engenharia civil teve forte ascendência, além de arquitetura”, aponta Cristiane Alperstedt, diretora de Qualidade Acadêmica da Universidade Anhembi Morumbi. “Há muita dificuldade em encontrar bons engenheiros”, acrescenta o professor José de Oliveira Franco, do curso de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Cidade de São Paulo.

Especialistas também destacam a área de tecnologia, com expansão para várias profissões, desde design digital, de games, mídias digitais. Turismo, gastronomia e serviços tem garantido intensa procura dos jovens.

Os cursos tecnológicos tem média de empregabilidade de 93%, segundo o professor Ângelo Cortelazzo, coordenador de Ensino Superior do Centro Paula Souza, responsável pela Fatec-SP (Faculdade de Tecnologia). “Em função do pré-sal, a área de soldagem de materiais está aquecida e com bons salários”, afirma.

Nas escolas técnicas, cursos como o de açúcar e álcool, garantem retorno profissional. “A área de química viveu forte expansão no Estado nos últimos anos. E agora com o ‘boom’ de infra-estrutura, o curso de edificações voltou a ter maior procura”, diz o professor Homero de Araújo, coordenador de Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza.

Apesar da onda de novas profissões, consultores sugerem que a pessoa goste da carreira que deseja seguir. “A pessoa deve perceber uma vocação, um interesse legítimo pela área”, opina Marcia Hasche, da Valor Pessoal, consultoria em recursos humanos. (Rodrigo Herrero)

SUSTENTABILIDADE MOTIVA JOVEM A INGRESSAR EM NOVA CARREIRA

O meio ambiente tem aberto várias possibilidades para quem quer ingressar em uma profissão. É o caso da estudante de engenharia ambiental, Cecília de Oliveira Sampaio Garcia, 22, que está no último ano do curso na UNESP e já está empregada na área.

Mas ela confessa que não imaginava seguir a carreira antes do vestibular. “Eu estava perdida, não sabia o que escolher. Mas eu queria prestar o vestibular da UNESP para ver como era. Comecei a pesquisar sobre engenharia ambiental, vi que estava crescendo e decidi tentar. Hoje eu vejo que teria me dado mal se tivesse feito química, minha primeira opção. E o campo é vasto, a sustentabilidade é preocupação de muitas empresas hoje”, conta. (RH)

Caderno especial Profissões

No início do mês, eu produzi uma série de reportagens sobre o mercado de trabalho para um caderno especial do jornal Agora.

E eis que o especial saiu na edição impressa desta segunda-feira: http://www.agora.uol.com.br/trabalho/ult10106u1128281.shtml.

“Confira na edição impressa do Agora desta segunda-feira o “Especial Profissões”, que mostra quais carreiras estão em alta, onde conseguir ajuda para escolher uma profissão e o que o mercado de trabalho procura em um profissional”.

Sugiro que quem está afim de ir atrás de novas profissões ou ainda não decidiu qual carreira seguir, que vá até a banca e compre o Agora. : )

Educação, meio ambiente e sustentabilidade – Parte II

Oi. Publico a segunda parte da reportagem que produzi sobre educação, meio ambiente e sustentabilidade, postada originalmente no Blog Educação www.blogeducacao.org.br. A segunda etapa da matéria trata de boas práticas em educação ambiental.

Boas práticas em educação ambiental

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

O sinal de que as pessoas têm passado a olhar e a agir em prol de um desenvolvimento mais sustentável está em algumas práticas realizadas Brasil afora. Em Miraí (MG), município da Zona da Mata mineira, foram organizadas pelo Parceria Votorantim pela Educação – PVE, em conjunto com as secretarias de Educação e do Meio Ambiente, atividades comemorativas do Dia do Meio Ambiente (5 de junho), que envolveram todas as escolas da cidade.

“A gente montou um estande na praça principal e fez uma blitz educativa. Todo carro que passava ganhava um ‘lixocar’, com mensagem sobre a importância da coleta seletiva. Em paralelo, ocorreu a caminhada ecológica  com mais de 400 estudantes dos seis colégios do município, com faixas, apito e muito barulho. Quando chegaram à praça, onde ocorria a blitz, foi feito um concurso de paródia e cada escola apresentou uma música sobre o meio ambiente. Todos os alunos foram muito criativos e dinâmicos”, conta Larissa Marinho, analista ambiental da área de Saúde e Segurança do Trabalho da Votorantim Metais, de Itamarati de Minas.

A ampla participação dos moradores de Miraí em resposta às ações em prol do meio ambiente revelam como o projeto foi bem visto não pela comunidade. “Até municípios vizinhos, como Cataguases e Muriaé, acharam a ideia interessante e querem repetir as ações. Foi um ótimo trabalho de conscientização. Acho que conseguimos conquistar nosso objetivo. Nada melhor que trabalhar com crianças para que elas possam crescer com essa mentalidade de preservação”, diz a secretária de Educação de Miraí, Maria do Carmo Oliveira e Silva Trota.

Arte e meio ambiente

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Outro exemplo de ação local é o Coletivo Aliança Libertária Meio Ambiente – ALMA, que atua na Cohab José Bonifácio, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Formado na maioria por moradores do conjunto habitacional, o Coletivo observou um grande desperdício de materiais por parte dos moradores, o que fez o grupo desenvolver uma ideia de incentivar os moradores a separar o lixo em seus prédios e a doar para uma cooperativa de reciclagem. A iniciativa cresceu, exigindo um trabalho mais contínuo e, assim, foi criado o projeto Cohabitarte, desenvolvido entre 2011 e 2012, com verba do Especial do Meio Ambiente, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo.

Nesse projeto foram realizadas oficinas artísticas sobre meio ambiente para crianças e adultos, com atividades nos prédios, contação de histórias, apresentações teatrais, musicais e de artes plásticas. “Queríamos incentivar os moradores a criar e a cuidar dos jardins, integrando os moradores para aquele fim. Também levamos grupos dos prédios para visitar parques estaduais, como o da Cantareira e do Jaraguá, que a maior parte da população não conhecia. O mote usado foi o lazer, mas aproveitamos para falar sobre urbanização, falta de áreas verdes e da fauna. E a gente sentia que causava um envolvimento grande nas pessoas”, descreve Alexandre Falcão de Araújo, integrante do Coletivo ALMA.

O projeto, financiado pelo poder público terminou em abril, mas rendeu frutos que vão proporcionar a continuidade a partir de crianças e jovens que estiveram nas oficinas. “Surgiu um grupo que vai visitar novos prédios para criar multiplicadores. Os próprios jovens vão conosco para conhecer outras realidades e fazer a sensibilização junto aos moradores. O projeto se chama ‘Vai brincar lá fora” e tem como mote usar a história de infância dos pais e avós para pensar a história do lugar, em um momento de integração entre as pessoas do bairro. Nesse espaço aberto, queremos pensar a questão do meio ambiente”, relata Alexandre, ressaltando a importância de abordar o meio ambiente sob a esfera local. “A temática ambiental tem um significado global, mas só se torna concreta quando é tratada sob a ótica da realidade local”, diz.

Contato com a natureza desde cedo

Realizado em duas escolas municipais de ensino infantil no bairro da Lapa, na zona oeste paulistana, o projeto Dedo Verde na Escola é financiado pelo Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – FEMA, da prefeitura de São Paulo. A ideia é trabalhar com professores e crianças da comunidade a educação para a sustentabilidade, por meio de atividades como o cultivo de hortas escolares e criação de jardins de pássaros e borboletas, transformando o ambiente escolar em local símbolo de práticas sustentáveis. “Dialogamos com os professores para saber como eles visualizam o trabalho com esse conteúdo ambiental. Inserir educação ambiental na escola não é uma coisa que vem de fora pra dentro; tem que construir com os educadores. O primeiro desafio do projeto foi lidar com o diagnóstico de que os professores não se sentiam parte do meio ambiente”, conta Mônica Pilz Borba, coordenadora institucional do Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade.

O problema seguinte foi inserir o espaço externo da escola nas atividades das aulas. “Uma das escolas é muito arborizada, o espaço ao ar livre é maravilhoso. No entanto, diagnosticamos que os professores não saiam da sala de aula com os alunos, porque não entendiam que esse espaço da natureza, da grama, da terra, é um espaço educador. Então, a gente vem propondo uma série de atividades educativas com pais e professores, sempre ao ar livre, aproximando-os da natureza. É o andar descalço, plantar, conhecer as minhocas, o processo de decomposição, trazer a vida para o processo de aprendizagem”, detalha Mônica.

Projetos como esse mostram a importância de trabalhar com crianças e adolescentes as questões relativas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, com a intenção de formar gerações que tenham uma melhor consciência ambiental e uma maior participação e ação em prol do planeta. “As crianças amam as atividades. Propomos brincadeiras com a terra, com as plantas, com pequenos seres vivos; fazemos tintas com plantas e colagens com esse universo da natureza. As crianças são muito receptivas e temos mais dificuldade de trabalhar com os adultos”, finaliza Mônica.

Saiba mais!

Educação para o Desenvolvimento Sustentável: visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta, utilizando métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente, além de promover o respeito às necessidades humanas, compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta. Seu objetivo é fazer com que os cidadãos possam ter capacidade de agir por mudanças sociais e ambientais positivas por meio de uma ação participativa. Fonte: UNESCO.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Educação, meio ambiente e sustentabilidade

Olá pessoal. Publico mais um post da série de colaborações que estou fazendo para o Blog Educação www.blogeducacao.org.br. É uma grande reportagem dividida em duas que fala sobre educação, meio-ambiente e sustentabilidade. Boa leitura!

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Educação e desenvolvimento sustentável: uma união que o meio ambiente agradece


A Rio+20 termina no Rio de Janeiro esta semana, tendo retomado com força a temática da sustentabilidade em termos globais, na tentativa de avaliar as políticas em prol do meio ambiente, realizadas desde a Eco 92, e de intensificar a luta por um mundo que considere na prática o desenvolvimento sustentável. Dentro desta discussão, um ponto importante é o da Educação para o Desenvolvimento Sustentável – EDS, assunto que também faz parte dos encontros e palestras do evento carioca, e que ocorre desde as negociações da Rio+20, em março, quando mais de 70 representantes participaram de um painel específico organizado pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – UNESCO, em Nova Iorque. ambiente agradece

A educação já havia sido escolhida nas negociações da Rio+20 para estar no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs, independentemente das negociações em torno do texto final do encontro, fato comemorado pelo governo brasileiro. Esse trabalho faz parte de um processo mais amplo, que é a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, o que impõe ações diretas da UNESCO nesta área no período designado entre 2005 e 2014. O desejo é aumentar a qualidade e abrangência da educação e reorientar seus objetivos para reconhecer a importância do desenvolvimento sustentável.

No entanto, o assunto é conflitante, já que as críticas costumam recair na impossibilidade de conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, tendo em vista a forma com que o mundo cresceu nos últimos séculos à custa dos recursos naturais usados de forma desmedida. “A crítica é relevante, especialmente quando se foca nas formas cruéis de supervalorização do lucro e desvalorização dos trabalhadores e do ambiente, mas tende a nos jogar no buraco do pessimismo, como se a história e as possibilidades humanas tivessem acabado. A prática mostra que existem experiências a partir das quais é possível garantir emprego e renda para muitas pessoas com formas menos agressivas”, explica Swamy de Paula Lima Soares professor de Sociologia da Educação na Universidade Federal da Paraíba, que desenvolveu mestrado sobre escolas rurais sustentáveis em Vicência (PE). “Por exemplo, se o padrão de consumo dos cidadãos norte-americanos fosse universalizável, não existiria espaço no planeta para os detritos produzidos. Entretanto, também podemos vislumbrar, hoje, vários movimentos de consumidores que exigem um ‘selo verde’ em diversos produtos. Isso força as empresas a pensarem sobre a questão dos resíduos e novas tecnologias de produção que colaborem mais com a preservação ambiental”.

Outra dificuldade verificada por especialistas é o alcance dos resultados desses encontros entre agentes governamentais. “Embora todas estas possibilidades tenham apoio e incentivo pelos diversos níveis de governo, não há indicações de que elas sejam prioritárias. Isso porque a maioria dos governos ainda tem colocado em segundo plano a questão ambiental, frente à necessidade de crescimento econômico. Esta opção tem sido predominante de 2008 para cá, em nível internacional, com a crise das economias norte-americana e europeia. No Brasil, infelizmente, é notório que a questão ambiental não está no grupo de ações prioritárias do governo federal, mesmo com o Brasil sendo sede da Rio +20. Exemplos recentes são as alterações do Código Florestal, as construções de grandes hidrelétricas na região Norte e o incentivo ao consumo através da redução de juros nos empréstimos”, critica Maurício Anaya, professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Cidade de São Paulo.

Ações no Brasil

No âmbito nacional, o Brasil só passou, de fato, a ter uma Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA a partir de 2002. A regulamentação da lei que criou o PNEA, possibilitou a criação do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, que começou a tomar forma em 2004, por conta das várias reuniões e da consulta pública que recebeu contribuições de mais de 800 educadores ambientais de todo o país.

Segundo o Ministério do Meio ambiente, o ProNEA desempenha a função de orientar agentes públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que almejem a sustentabilidade, ressaltando o bom exemplo das boas práticas e experiências exitosas.

Uma ação dentro do ProNEA é o Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental – SIBEA, no qual é possível acessar informações sobre educadores ambientais e instituições ligadas à Educação Ambiental no Brasil, um ponto de contato importante para quem deseja incorporar esta ação em sua comunidade ou até mesmo em sua escola. Outro exemplo é o Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar, criado em maio por meio de portaria assinada pela ministra Izabella Teixeira, que tem como objetivos contribuir para o desenvolvimento sustentável e fomentar processos educacionais críticos e participativos, que promovam a formação, capacitação, comunicação e mobilização social em prol de práticas sustentáveis. Além dos Coletivos Educadores, iniciativa que almeja a reunião das instituições que atuem de forma articulada com a intenção de formar educadores ambientais populares na região aonde atuam.

Educação ambiental nas escolas

Em relação à escola, a Educação Ambiental pode ser abordada como tema ou conteúdo transversal desde o ensino infantil até a graduação, não podendo, no entanto, constar nos currículos como disciplina. “O problema dessa ideia é a execução. A educação ambiental nas escolas sofre com os mesmos problemas crônicos que a educação, de uma forma geral, sofre no país. Agora, com a implantação de uma cultura de avaliação, poderíamos verificar se a orientação oficial em EA é cumprida pelas escolas. Mas entendo que isso está em risco, pois não foi dada a ênfase devida à educação ambiental no Plano Nacional de Educação – PNE 2011-2020. Corretamente, este documento inseriu a promoção da sustentabilidade socioambiental como uma de suas diretrizes. O problema é que o incentivo a essas práticas desapareceu das metas e estratégias”, ressalta o professor Mauricio.

ma2Contudo, a cada dia, temas relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade se fazem urgentes na sociedade e, principalmente, nas escolas, com o envolvimento de pais, professores e alunos. “Hoje, mais do que nunca, educação ambiental é importante devido à superpopulação mundial, às elevadas concentrações urbanas e às múltiplas e extremas formas de exploração dos recursos naturais em toda parte. Quando eu era criança, no Nordeste do Brasil, escutava de pessoas de origem rural, acerca do descarte do lixo, a expressão: ‘joga no mato’. Ainda hoje, nas zonas urbanas, as pessoas seguem descartando o lixo em qualquer parte, mesmo com lixeiras próximas”, afirma Maria Eulina Pessoa de Carvalho, professora da Universidade Federal da Paraíba, que coordenou projetos de educação ambiental em bairros carentes de João Pessoa.

Para o professor Swamy, se faz necessário que esses atos que parecem naturais no cotidiano, como jogar um pedaço de papel na rua ou no córrego, sejam colocados no ambiente escolar e problematizados para que as crianças e jovens se conscientizem da consequência de suas ações para o meio ambiente. “A minha geração, por exemplo, não se preocupava de onde vinha a água encanada e para onde ela iria. Se a educação escolar contribuir para que as crianças e os jovens de hoje possam, pelo menos, questionar essas ações, dará uma grande contribuição para se repensar e praticar um desenvolvimento com sustentabilidade”, observa.

A professora Eulina concorda e vai além, ao sugerir a criação de coleta seletiva do lixo nas escolas, a criação de hortas ou um espaço em sala de aula para a criação de vasos, além de as próprias crianças ajudarem na manutenção da limpeza da escola. “Uma noção horrível que ainda temos no Brasil é que a minha casa é mais limpa e mais bem cuidada do que o espaço público”, comenta.

Esse tipo de iniciativa cresce em importância na medida em que a geração atual se preocupa com o tema meio ambiente, mas pouco faz, efetivamente. Pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional da Indústria – CNI, em maio deste ano, revela que é crescente a preocupação com questões ambientais, embora as mudanças sejam mais difíceis de se materializar. Dos 2002 entrevistados, 52% afirmaram que pagariam mais por produtos ambientalmente corretos, mas somente 18% declararam que modificaram seus hábitos de consumo em favor do meio ambiente.

Apesar desses números, aos poucos o cenário avança. “Em quase 20 anos como biólogo, tenho notado que a preocupação ambiental tem sido incorporada no dia a dia das pessoas, embora de maneira muito lenta, mas com mudanças perceptíveis. Considerei positivas a mudança comportamental e toda a movimentação que assistimos, inclusive pelas redes sociais, contra as mudanças no Código Florestal. No entanto, questões que mexem mais com o nosso cotidiano, como a obrigatoriedade da inspeção veicular, o fim da distribuição das sacolinhas plásticas nos mercados e a necessidade de adotarmos medidas de consumo consciente ainda são polêmicas e de aceitação mais difícil pela maioria da população”, constata o professor Maurício.

Fique atento! Na próxima segunda-feira, dia 25 de junho, publicaremos a segunda parte desta reportagem, com exemplos de boas práticas no ensino ambiental.

Saiba mais!

Educação para o Desenvolvimento Sustentável: visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta, utilizando de métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente, além de promover o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta. Seu objetivo é fazer com que os cidadãos possam ter capacidade de agir por mudanças sociais e ambientais positivas por meio de uma ação participativa. Fonte: UNESCO.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Bolívia em debate

Crescimento econômico e integração transformam meio ambiente em novo problema para a Bolívia

Opera Mundi

Junte o forte crescimento da economia boliviana sob o governo Evo Morales com a integração continental rumo ao Pacífico. Acrescente a necessidade brasileira por mais energia, também por conta do crescimento econômico. São boas notícias que trazem um novo problema: conciliar a necessidade da realização de obras de infraestrutura na Amazônia boliviana com a preservação ambiental e um maior equilíbrio social.

A expansão territória da atividade econômica da Bolívia foi debatida no seminário “Ordenamento Territorial Boliviano: questões agrárias, econômicas e sociais”, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP (Universidade de São Paulo). Os debatedores comentaram como essa conjuntura continental, que inclui também a pressão por novas terras para a criação de gado pelo agronegócio, afeta a Bolívia.

A gestão dos recursos naturais e o conflito com a autonomia conquistada pelos povos indígenas é outra marca da questão fundiária boliviana. Essa disputa é reflexo do aumento do número de obras de infraestrutura no país. Na província de Santa Cruz, há pressão para acelerar a exploração de gás natural. Na chamada Amazônia boliviana, acontecem as obras do complexo de hidrelétricas do Rio Madeira, em conjunto om o Brasil.

De acordo com Suzana Lourenço, engenheira florestal e mestranda do Programa de Integração da América Latina da USP (Prolam), “grande parte das obras realizadas na região estão localizadas sobre reservas de recursos naturais”. Segundo ela, a estrutura governamental boliviana enfraquece o poder do Ministério do Meio Ambiente local, que tem dificuldades para frear obras que podem gerar graves danos ambientais.

A legislação boliviana, explica Lourenoço, permite que outros seis ministérios autorizem a realização de obras, e o MMA do país muitas vezes acaba apenas homologando as obras. A pressão pela exploração dos recursos naturais é especialmente forte no país, que é economicamente dependente dessas exportações.

Segundo Juliana Dal Piva, jornalista e autora do livro Em Luta pela Terra sem Mal, que aborda a escravidão dos índios guaranis na região do Chaco boliviano, a ascensão de Evo Morales ao poder (Evo assumiu a presidência em janeiro de 2006) deu respaldo institucional a um processo de maior conscientização das populações indígenas.

Exploração – Em 2009, a jornalista catarinense esteve na região do Chaco boliviano para reportar as condições de trabalho dos guaranis naquela região. Muitos desses trabalhadores viviam em condições semelhantes à escravidão, explorados pelos produtores agropecuários locais. “Em muitas fazendas, não há documentos comprovando os pagamentos aos trabalhadores ou mesmo o registro trabalhista dessas pessoas”, diz Dal Piva.

A partir de 2008, o governo começou a regularizar os registros das fazendas e, nesse processo, encontrou indícios da exploração, conta Dal Piva. “Junto com a parca documentação existente, os fiscais encontravam cadernetas com as dívidas dos trabalhadores com os fazendeiros. Muitos proprietários, para fugir das denúncias de trabalho escravo, faziam contribuições previdenciárias e de seguro-saúde para os trabalhadores.” Esses gastos, contudo, eram transformados em dívida dos trabalhadores para com os patrões, e anotados nas “cadernetas” que os amarram às propriedades.

Heloisa Gimenez, pesquisadora na área de Relações Internacionais e também mestranda do Prolam, relaciona a exploração dos recursos bolivianos e a questão de terras a um processo geopolítico maior. Para Heloisa, “há influência do Brasil no agronegócio do país vizinho, e as obras de infra-estrutura devem ser pensadas no contexto da integração continental e da ascensão da União das Nações Sulamericanas (Unasul)”.

Divisão nacional – De acordo ela, “para entender a questão fundiária boliviana precisamos analisar como a economia boliviana se desenvolveu nos últimos 50 anos”. Oitenta porcento dos recursos obtidos pela Bolívia com exportações vinham do estanho. “Em 1952, acontece a Revolução Nacional e, no ano seguinte, começa uma reforma agrária. A Bolívia é o único país sul-americano a redistribuir suas terras”, diz Gimenez.

Esse processo “dividiu” a Bolívia, explica: “As terras do oeste do país e do altiplano ficaram com pequenos produtores e com a agricultura de subsistência. Já as terras do leste do país – principalmente na província de Santa Cruz – foram destinadas ao agronegócio. Por causa dessa escolha, as obras de infraestrutura foram feitas nessa região, para facilitar a exportação para o Brasil e a Argentina.”

No entanto, somente nos anos 1980, o agronegócio boliviano ganhou impulso, com a chegada de brasileiros, japoneses e imigrantes do Leste Europeu. A fragilidade da economia boliviana, a pouca disponibilidade de terras agriculturáveis e a necessidade de capital eram as dificuldades encontradas. De acordo com Gimenez, “a chegada dos estrangeiros foi crucial para acelerar o desenvolvimento do agronegócio na Bolívia”.

Gimenez aponta um dilema a ser resolvido na questão fundiária boliviana: em 2006, o presidente Evo Morales assinou um decreto para reversão da posse da terra em casos de escravidão e não cumprimento do seu uso econômico-social (terra improdutiva). “No entanto, a Bolívia faz uma opção pelo desenvolvimento baseado na exploração de recursos naturais e exportação de produtos agrícolas. Isso só faz aumentar a concentração de terras”, diz.

A lei agrária boliviana limita a propriedade da terra a 5 mil hectares. Mas o decreto não é retroativo, diz Gimenez. Isso dificulta o combate à concentração de terras, pois os latifundiários usam “laranjas” para comprar terrenos vizinhos sem caracterizar latifúndio, explica. “Será difícil para o governo central achar uma solução adequada para essa questão”, concluiu ela.

*Matéria originalmente publicada no Opera Mundi

Retirado do site da Carta Capital

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