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São Paulo sofre com obras ineficazes contra enchentes

Olá.

Desculpem mais um sumiço.

Ocorre que surgiu mais um frila lá no Agora São Paulo e estou na equipe cobrindo eleições para o jornal. Uma pena que comprometeu o andamento do blog Notícias da América Latina. Mas não dá pra reclamar, já que o que manda nessa vida maldita é o dinheiro. E em breve eu volto com o outro blog.

Aproveito o retorno para indicar a primeira matéria que saiu das especiais que tô fazendo. O tema foi enchente e ela foi publicada na última segunda-feira. Abaixo publico os textos do especoal, sem a edição final, já que não a tenho aqui comigo (foi uma complicação o fechamento dessa matéria, fiquei doente, fiz de casa, as definições demoraram, um rolo) e certamente são menores que esses, até porque eu escrevi sem ter o tamanho das retrancas e o formato da página. Na próxima segunda, será publicado um especial sobre educação. Aguardem:

São Paulo sofre com obras ineficazes contra enchentes

Apesar do investimento crescente da prefeitura no combate as enchentes em São Paulo, os resultados tem se mostrado ineficazes. É o que dizem especialistas ouvidos pelo Agora, que criticaram as medidas como a construção de piscinões, canalização de córregos e demais ações como soluções superficiais e paliativas, que não atacam o problema de forma profunda.

Dados fornecidos pela Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras informam que, de 2005 a 2011 foram aplicados cerca de R$ 840 milhões. Entre as últimas obras estão as intervenções nas bacias dos córregos Aricanduva e Pirajussara e no Jardim Pantanal, e, também, da construção de nove piscinões – dois em parceria com o governo do Estado – 11 em execução e sete em licitação. Além de 106 córregos recuperados, em uma parceria com o Governo do Estado e com a Sabesp, segundo informações da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. A secretaria informa também que foram retirados do rio Tietê um volume de 3.280.266 metros cúbicos entre 2011 e junho deste ano e 4.390.367 metros cúbicos de seus afluentes.

No entanto, segundos especialistas, as medidas adotadas pela prefeitura e Estado não resolvem o problema das enchentes em uma cidade historicamente urbanizada de forma desordenada e de pouco solo livre para absorver a água das chuvas. “Costumam apontar o assoreamento, o acúmulo de lixo nos córregos, a falta de galerias e de manutenção nas existentes. Tudo isso é importante. Mas são apenas razões superficiais, pontuais, de curto prazo”, analisa o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis.

Os piscinões também são questionados. De acordo com o professor da disciplina de Urbanização e Meio Ambiente, Edilson Pissato, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo), o piscinão serve apenas em curto prazo, mas pode se tornar obsoleto, caso não haja uma manutenção frequente, e, principalmente, outras medidas para evitar as enchentes. “Os rios são poluídos, com sedimentos e dejetos que se acumulam nos piscinões, então isso precisa ser retirado, com transporte adequado para um aterro de resíduos perigosos. Tudo isso gera um custo muito alto”, diz.

A canalização de córregos, procedimento comum ao longo dos anos e ainda hoje, também é criticado, por apenas empurrar o problema para áreas mais baixas. “A canalização, que serve para escoar água mais rápido das regiões mais altas, acumula mais rápido essa água nas baixadas”, afirma o professor José Giroldo, do Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana).

Drama

Enquanto o problema não é resolvido, histórias crescem de pessoas que sofrem com as enchentes. É o caso da população da região próxima à confluência entre os córregos Águas Vermelhas e Oratório, na Vila Industrial, na divisa com São Caetano e Santo André. Segundo os moradores, quando o Oratório enche, o nível do córrego Águas Vermelhas também sobe, invadindo a rua e as casas.

O aposentado José Carlos da Silva, 56 anos, diz já ter feito diversas reclamações, inclusive com a entrega de abaixo-assinado, sem resposta. “Eles alegam que a obra já foi feita. Mas as canaletas colocadas nas ruas Fruta de Guariba e Jacarandá Preto não têm caída, a água não corre e o esgoto volta pela tubulação. Se minha casa não tivesse um portão alto, a água tinha entrado na minha sala. Mas muitas famílias aqui já perderam tudo”, reclama. (Rodrigo Herrero)

Resposta: ‘Fiscalização foi ampliada’

Além dos investimentos em obras no sistema de drenagem, a Prefeitura informa que promoveu alterações na legislação e aumentou a fiscalização para combater o descarte irregular de entulho na cidade. De acordo com a legislação vigente, o descarte irregular entulho é crime ambiental sujeito à multa de R$ 13,5 mil. As ações resultaram em 352 multas emitidas, com 297 veículos apreendidos. Como resultado, em 2010, foram descartados irregularmente 1,4 mil toneladas, contra 2,4 mil em 2009.

A SIURB (Secretaria de Infraestrutura Urbana) diz ainda que cresceu a procura pelos Ecopontos, locais destinados para o descarte voluntário de resíduos e grandes objetos. Outra ação para a coleta desses materiais é a Operação Cata-Bagulho, realizada pelas subprefeituras. Segundo a SIURB, foram realizadas 1.040 ações nas 31 Subprefeituras, que ao todo retiraram mais de 24 mil toneladas de inservíveis, recolhendo em média 500 toneladas de objetos sem utilidade por final de semana

Com relação à limpeza do córrego Aricanduva, a Subprefeitura de São Mateus informou que realiza operações de limpeza manual e mecanizada sempre que é constatada a necessidade. Ainda segundo a subprefeitura, esse ano foram retiradas 4.730 toneladas de detritos do córrego. Os novos trabalhos de limpeza e desassoreamento do local estão programados para serem realizados na segunda quinzena de setembro.

Com relação à ponte de madeira sobre o córrego Aricanduva, a SIURB explicou que a ponte não foi construída pela secretaria e que um técnico da SIURB irá fazer uma vistoria no local. Sobre a água com barro que desce pela avenida Ragueb Chohfi em dias de chuva, A SIURB informou que estão previstas obras de drenagem para a região.

Questionada a respeito das obras do córrego Águas Vermelhas, a SIURB explica que a obra de 2009 incluiu sim a canalização do córrego, que serviu para aumentar a vazão da água. De acordo com o órgão, “as cheias na região serão resolvidas com a construção de um piscinão”, que está sendo projetado para a região do córrego do Oratório. No entanto, o projeto encontra-se ainda em fase de elaboração e não tem previsão de execução (RH).

Especialistas defendem mudança de paradigma no combate às enchentes

Segundo especialistas ouvidos pelo Agora, um dos principais problemas apresentados por São Paulo é a ocupação das várzeas e a canalização dos córregos e rios, que cede lugar às vias marginais. A saída para alguns deles é a renaturalização desses locais.

“Muitos rios deveriam ser descanalizados e terem a sua várzea de volta. Essa é a tendência na Europa. Na Alemanha, por exemplo, eles não só devolveram o rio à cidade, como despoluíram suas águas, devolvendo o salmão a muitos córregos urbanos”, afirma o professor da disciplina de Urbanização e Meio Ambiente Edilson Pissato, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo).

O aumento da vegetação na área urbana, para proteger a infiltração da água no solo, também é bem visto pelos estudiosos. Os parques lineares são uma solução que tem sido adotada inclusive pela prefeitura. Mas o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, faz uma ressalva. “Quase metade das favelas estão na beira de rios e córregos. Então, não adianta tirar as famílias da favela e colocar no lugar um parque, senão eles vão voltar a construir favela ali ou em outro ponto. É preciso resolver também a demanda habitacional”, acrescenta.

Há também formas menos radicais de intervenção urbana apontadas pelos especialistas. A implantação de legislação ambiental e o aumento da fiscalização são algumas medidas práticas, que podem trazer o cidadão para contribuir no combate às enchentes, como incluir caixas e cisternas nas casas e condomínios. “Tinha que implantar a lei de piscininhas, obrigando aos empreendimentos imobiliários de recolherem a água no próprio lote, ajudando a diminuir a água que escorre pelo meio fio durante as fortes chuvas”, aponta Nakano. Pissato vai mais longe e defende que nos códigos de obra conste uma taxa de permeabilidade de 30%, 40%.

Onde a ocupação já está consolidada e não há como criar áreas permeáveis, a geógrafa Katia Canil, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), defende a realização de estudos da bacia para buscar alternativas ao problema.

Outra frente de ataque é o combate à erosão de encostas nas áreas de cabeceira, que acabam por assorear os rios e córregos. “Nas áreas periféricas, onde não há infraestrutura e o loteamento ocorre em altos declives, em terrenos íngremes, isso faz com que a cobertura vegetal da área seja retirada, deixando o solo exposto. É preciso estabilizar a erosão e recuperar essas áreas”, diz a geógrafa. (RH)

Moradores reclamam de enchentes no Aricanduva

Quando chove no Jardim São Benedito (zona leste), os moradores sofrem com a invasão de água de dois lugares. Por cima, a enxurrada com lama desce da avenida Ragueb Chohfi e atinge as casas que margeiam a avenida e também as da rua Ilha Caviana. Por baixo, eles reclamam que o córrego Aricanduva enche com qualquer chuva mais forte.

“Um dia fiquei segurando o portão para evitar que a água chegasse, mas mesmo assim ela invadiu a casa e foi os andares debaixo, derrubou o muro. Meu marido tem refeito tanto essa casa”, conta a dona de casa Gedalva de Lima Romão, 67 anos, enquanto mostra os canos levantados e os cômodos aterrados para evitar enchentes futuras.

Um de seus filhos que moravam na parte debaixo da casa se mudou para fugir do prejuízo. “Tinha um computador em cima de um hack que ficou boiando e só parou na parede. Meus netos quando viam a chuva já choravam. Perdemos o gabinete da cozinha. Olha, eu já perdi tanta coisa. A gente nem sabe mais o que fazer”.

Os moradores reclamam que não há limpeza naquele trecho do córrego Aricanduva há anos e que, toda vez que chove, a água leva tudo o que vê pela frente “Minha família veio para cá em 1988, a gente pescava nesse rio, era limpo. Agora botaram a favela em cima e deixou o rio estreito”, critica o mecânico Edvaldo Ievenes, 42 anos.

Obstáculo

O jovem Danilo Ribeiro Gomes, 19 anos, vive na cadeira de rodas há dois anos, quando tomou um tiro nas costas. Desde então é paraplégico e necessita dos vizinhos para sair de casa. Ele mora do outro lado do córrego Aricanduva e, para ir à rua, a ponte de madeira dificulta o trajeto. “Para o meu filho passar do outro lado da ponte tem que chamar quatro pessoas pra carregá-lo. A maca da ambulância não passa, precisa pegá-lo no colo”, conta a mãe de Danilo, Rita de Cássia Ribeiro, 36 anos. Sem ter mais condições de caminhar, a rotina de Danilo é ficar o dia dentro de casa. “Passo o dia deitado no sofá assistindo televisão”, lamenta Danilo. (RH)

Ajuda em pesquisa

Amigos,
Preciso da ajuda de vocês.
Preciso entrevistar leitores dos jornais escolhidos para a minha pesquisa de dissertação no Prolam/USP sobre as políticas exteriores de Brasil e Venezuela sob os governos de Hugo Chávez e Lula. Logo, preciso arrumar pessoas que leiam regularmente a Folha de S. Paulo.
Não precisa ser assinante, nem ler todo o santo dia. Mas o cara tem que acompanhar o jornal com certa regularidade. Não será uma amostra representativa, mas sim aleatória, só pra saber se a mensagem chega no leitor.
Se vocês puderem repassar isto para quem vocês conhecem e me indicar umas pessoas, agradeço muito.
É só mandar um e-mail apra: rodrigo.herrero@gmail.com.
Será uma entrevista aberta, não questionário fechado, mas é coisa simples, uns 15 minutos e tá ok.
Abraços!

Rodrigo Herrero

Entrevista com o marqueteiro da campanha da Dilma

Vale a pena ler esta extensa entrevista que João Santana concedeu à Folha de S. Paulo semana passada. É muito bom para entender os meandros da campanha eleitoral nestas eleições e conhecer um pouco mais de Dilma e de sua transformação, até a vitória nas eleições presidenciais de 2010.

João Santana: “Não subestimem Dilma Rousseff”

O responsável pelo marketing da campanha de Dilma Rousseff, em rara entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, comenta os aspectos principais e os momentos decisivos da batalha eleitoral pela Presidência da República, ressaltando os papeis do presidente Lula e da candidata. É material jornalístico de grande interesse, pelas informações que contém e por revelar o pensamento de um dos responsáveis diretos pela vitória.

Folha – O sr. fez o marketing das duas últimas campanhas presidenciais vitoriosas no Brasil. Quais as diferenças e semelhanças?
João Santana – Foram campanhas profundamente dessemelhantes.

Destaco alguns dos pontos que tiveram em comum: o profundo desdém da oposição aos candidatos Lula e Dilma nas pré-campanhas; o susto que eles tomaram no início dos dois primeiros turnos com o crescimento rápido e vigoroso dos nossos dois candidatos; a falsa ilusão de vitória que eles criaram na passagem do primeiro para o segundo turno, e a desilusão e desfecho finais.

Entre os vários pontos de dessemelhança, eu gostaria de frisar apenas um, e que diz respeito diretamente à minha área: apesar das aparências, a campanha de 2010 foi de uma complexidade estratégica, e principalmente tática, imensamente maior do que a de 2006. Eu diria, até, que do ponto de vista do marketing, esta talvez tenha sido a campanha presidencial mais complexa dos últimos tempos no Brasil.

A percepção da oposição, então, segundo sua avaliação, foi equivocada?
Na pré-campanha de 2006, a oposição imaginou, erroneamente, que Lula estivesse destruído com o escândalo do mensalão. Imaginou que um discurso udenista, neurótico e tardio, pudesse influenciar amplas camadas da população na campanha. Não perceberam o incipiente, porém já vigoroso, movimento de ascensão social e de gratificação simbólica e material que vinha sendo produzido pelo governo Lula.

Na pré-campanha de 2010, houve um erro porque menosprezaram o valor pessoal e o potencial de crescimento de Dilma e, também, a capacidade de transferência de Lula. É o período da arrogante, equivocada e elitista ‘teoria do poste’.

O grande crescimento que Lula, em 2006, e Dilma, em 2010, tiveram no final das pré-campanhas, e especialmente no início do primeiro turno, deixou-os atordoados. Só se recuperaram um pouco quando foram favorecidos por fatores extracampanhas, o caso dos aloprados e o escândalo Erenice.

Por que Dilma não venceu no 1º turno? Lembro-me que as previsões internas eram de que ela teria de 56% a 57% dos votos…
Por vários fatores, alguns já facilmente percebidos e explicados. Outros que levarão ainda algum tempo para serem corretamente analisados. Começo indo na contramão da maioria dos analistas: o eleitorado brasileiro é, hoje, um dos mais maduros do mundo. E cada dia sabe jogar melhor.

Uma das provas desse amadurecimento é a consolidação, cada vez maior, da “cultura de segundo turno” nas eleições presidenciais. E ela atua, paradoxalmente, junto com a consolidação de um outro comportamento aparentemente antagônico: a consagração do princípio da reeleição. O de deixar um bom governo continuar, mas, ao mesmo tempo não aceitar passivamente tudo o que ele faz. Este conflito é uma forte demonstração de amadurecimento do eleitor brasileiro. No fundo é aquele maravilhoso conflito humano entre a reflexão e a decisão, entre a fé a descrença, entre a confiança e a suspeita, entre a entrega e a autodefesa.

Nas últimas eleições, parte do eleitorado tinha um fabuloso atalho, que era a candidatura Marina, para praticar o “voto de espera”, o voto reflexivo. E utilizou este ancoradouro, este auxílio luxuoso que era a candidatura Marina, para mandar alguns recados para os dois principais candidatos. Por essas e por outras razões houve segundo turno.

Que recados foram estes que os eleitores mandaram para Dilma e para Serra?
No nosso caso foi: “Olha, eu aprovo o governo de vocês, mas não concordo com tudo que acontece dentro dele; adoro o Lula mas quero conhecer melhor a Dilma”.

No caso do Serra: “Seja mais você mesmo, porque desse jeito aí você não me engana; mas afinal, qual é mesmo esse Brasil novo que você propõe?; me diga lá: você é candidato a prefeito, a pastor ou a presidente?”.

Os candidatos, no segundo turno, deram respostas eficientes a esses recados dos eleitores?
Nenhuma campanha, em nenhum lugar do mundo, responde a todas as perguntas, preenche todas dúvidas, nem atenua, completamente, os conflitos racionais e emocionais dos eleitores. Uma campanha será sempre um copo com água pela metade, meio vazio pra alguns, meio cheio pra outros.

No nosso caso, acho que respondemos algumas perguntas. A prova é que não apenas crescemos quantitativamente, como houve uma melhoria, mais que significativa, na percepção dos atributos da nossa candidata.

Em que se sustenta a tese de que essa foi a mais complexa campanha, estratégica e taticamente dos últimos tempos?

Por várias características atípicas, originais e exclusivas desta campanha. Para não me alongar muito, vou comentar apenas alguns fatores do nosso lado. Nós tínhamos um presidente, em final de mandato, com avaliação recorde, paixão popular sem limite e personalidade vulcânica.

Um caso único não só na história brasileira como mundial. Uma espécie de titã moderno.

Do outro lado, tínhamos uma candidata, escolhida por ele, que era uma pessoa de grande valor, enorme potencial, porém muitíssimo pouco conhecida.

Tínhamos o desafio de transformar em voto direto, e apaixonado, uma pessoa que chegava à primeira cena por força de uma escolha indireta, quase imperial. Tínhamos que transformar a força vulcânica de Lula em fator equilibrado de transferência de voto, com o risco permanente da transfusão virar overdose e aniquilar o receptor.

Tínhamos a missão de fazer Dilma conhecida e ao mesmo tempo amada; uma personagem original, independente, de ideias próprias e, ao mesmo tempo, uma pessoa umbilicalmente ligada a Lula; uma pessoa capaz de continuar o governo Lula mas também capaz de inovar.

Tudo isso dentro de um curtíssimo prazo e dentro do cenário de uma das maiores, mais vibrantes e maravilhosamente mal construída democracias do mundo, que é a democracia brasileira. E que tem um dos modelos de propaganda eleitoral, ao mesmo tempo, mais permissivo e restritivo do mundo; um calendário eleitoral hipocritamente dos mais curtos, e, na prática, dos mais longos do mundo. Isso é dose. É um coquetel infernal.

O que mais facilitou e atrapalhou o trabalho?
Acho que o que mais nos ajudou foram as lendas equivocadas que a oposição, secundada por alguns setores da mídia, foi construindo sistematicamente. E se aferrando desesperadamente a elas, mesmo que os fatos fossem derrotando uma após outra.

No início, construíram quatro lendas eleitorais: que Lula não transferia voto, que Dilma ia ser péssima na TV, que Dilma ia ser um desastre nos debates e que Dilma, a qualquer momento, iria provocar uma gafe irremediável nas entrevistas. Nada disso ocorreu, muito pelo contrário.

Construíram, pelo menos, quatro lendas biográficas: que Dilma tinha um passado obscuro na luta armada, que era uma pessoa de currículo inconsistente, que teve um mau desempenho no governo Lula, e que o fato de ter tido câncer seria fatal para a candidatura. Nada disso se confirmou.

E construíram lendas políticas. As principais eram que Dilma não uniria o PT, não teria jogo de cintura para as negociações políticas e que não saberia dialogar com a base aliada. Outra vez, tudo foi por terra.

Ora, com tantas apostas equivocadas, o resultado não podia ser outro. Se você permitir, eu gostaria adiante de comentar sobre novas lendas equivocadas que já estão começando a construir em relação ao futuro governo Dilma.

Na fase final, a oposição apostou numa guerra moral e religiosa, no mundo da ética e dos valores. Isso não atrapalhou?
De forma irreversível, não. Acho, inclusive, que no final o feitiço virou mais contra o feiticeiro. As questões do aborto e da suposta blasfêmia foram apenas vírgulas que ajudaram a nos levar para o segundo turno. Repito, apenas vírgulas.

O caso Erenice foi o mais decisivo porque atuou, negativamente, de forma dupla: reacendeu a lembrança do mensalão e implodiu, temporariamente, a moldura mais simbólica que estávamos construindo da competência de Dilma, no caso a Casa Civil.

Por motivos óbvios, vínhamos ressaltando, com grande ênfase, a importância da Casa Civil. Na cabeça das pessoas, a Casa Civil estava se transformando numa espécie de gabinete paralelo da presidência. E o escândalo Erenice abalou, justamente, esse alicerce.

Voltando à questão da moral religiosa: como a oposição abusou da dose, provocou, no final, rejeição dos setores evangélicos que interpretaram o fato como jogada eleitoral e afastou segmentos do voto independente, principalmente de setores da classe média urbana, que se chocou com o falso moralismo e direitização da campanha de Serra.

Mas essa opção às vezes à direita da oposição, em certa medida, era algo esperado. Ou não?
Eu alertei sobre isso, inclusive, em um seminário interno da Folha que participei em maio. Este é um fenômeno que infelizmente vem acontecendo, na América Latina, com alguns setores desgarrados, que antes de autointitulavam de socialdemocratas e se inclinaram perigosamente para a direita.

Passaram a utilizar, em suas campanhas, um mix de técnicas do Partido Republicano americano, mais ferramentas da direita espanhola e de operadores antichavistas da Venezuela.

Eu me defrontei com este aparato na campanha que fiz para o presidente Mauricio Funes, em El Salvador. Fomos vítimas de uma das mais insidiosas e obscuras campanhas negativas. Mas vencemos. O ideário é o mesmo, os conceitos manipulados semelhantes, as técnicas de medo iguais. O que varia é a dosagem e os instrumentos.

Aqui a direitização ficou mais circunscrita a certos tabus morais e religiosos. Mas também trafegou, principalmente na internet, no obscurantismo político de pior extração. Quem estuda este fenômeno e viu um vídeo que circulou na internet, intitulado a ‘Dama de Vermelho’, sabe do que estou falando. Por sinal, este vídeo é uma réplica de alguns que foram produzidos contra Mauricio Funes, em El Salvador, e a favor da campanha de Felipe Calderón no México.

No início da entrevista, o sr. disse que iria comentar o que considera ‘novas lendas equivocadas’ projetadas para o governo Dilma. Do que se trata?
Eu acho necessário um humilde alerta: não subestimem Dilma Rousseff. Este alerta vale tanto para opositores como para apoiadores da nova presidente.

Dentro e fora do Brasil já começam a pipocar análises apressadas de que Dilma dificilmente preencherá o grande vazio sentimental e simbólico que será deixado por Lula. E que este será um problema intransponível para ela. Bobagem.

Não há dúvida de que a ausência de Lula deixa uma espécie de vazio oceânico. Lula é uma figura única, que uma nação precisa de séculos pra construir. Mas Dilma, em lugar de ser prejudicada por este vazio, será beneficiada por ele. Basta saber aproveitar –e acho que ela saberá– a oportunidade única e rara, que tem nas mãos, de se tornar conhecida e amada ao mesmo tempo.

É preciso também estar atento para o fato de que as paixões populares são múltiplas porque o povo não é politicamente monogâmico. O povo é, por natureza, sincretista e politicamente polígamo. E há na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia, que chamo metaforicamente de “cadeira da rainha”, e que poderá ser ocupada por Dilma.

A República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal. Dilma tem tudo para ocupar esse espaço. O espaço metafórico da cadeira da rainha só foi parcialmente ocupado pela princesa Isabel. Para um homem sim, seria uma tarefa hercúlea suceder a Lula. Para uma mulher, não. Em especial, uma mulher como Dilma. Lula sabia disso e este talvez seja o conteúdo mais genial da sua escolha.

Quando ficou claro que haveria 2º turno? No dia?
No dia da apuração. Havia fortes indícios de perda de substância da nossa candidata, porém, os indicadores nos davam uma relativa segurança de que ganharíamos no primeiro turno.

Ao contrário da eleição de 2006, quando eu fui o primeiro a alertar o presidente Lula de que iríamos para o 2o turno, desta vez eu fui um dos últimos a admitir isso. Acompanhando a apuração no Alvorada, ao contrário de 2006, eu era um dos poucos que ainda acreditava que ainda ganharíamos por uma margem estreita.

A receita do 2º turno deste ano se assemelha à de 2006: acusar os tucanos de serem privatistas e contra o patrimônio nacional. Mas desta vez o efeito não foi tão forte como há quatro anos. Essa fórmula está perto do esgotamento?
É reducionismo dizer que a receita do segundo turno foi a de acusar os tucanos de privatistas. Se você rever os programas e comerciais, vai constatar que discutimos modelo de política econômica, políticas sociais, modelo de desenvolvimento, entre outros temas.

Fui o responsável pela introdução do tema privatizações em 2006. Na verdade, não estava muito apaixonado pela ideia de utilizá-lo outra vez nesta campanha. Inclusive porque, ao contrário de certos homens marketing, não gosto de repetir fórmulas. Mas havia um consenso, na cúpula da campanha, de que o tema ainda estava vivo. Meu convencimento final veio quando decidimos acoplá-lo, de forma mais que justa, ao futuro do pré-sal.

Essa abordagem sobre ‘tucanos privatistas X petistas defensores do patrimônio nacional’ não seria uma exploração indevida do imaginário popular?
Já falei sobre isso e não fui muito bem interpretado. Tucanos e petistas divergem, de fato, profundamente neste tema. A sociedade brasileira sempre acompanhou com o máximo de interesse, receio e com muita cautela essa discussão.

O debate continua vivo. Por que é manipulação reacender ou esquentar esse debate? A propaganda eleitoral brasileira é um espaço bastante democrático, e mais que apropriado para este tipo de discussão. Nela, cada um pode expor seu pontos de vista e estabelecer o contraditório. Com fatos e argumentos. Sem medo e sem timidez.

Por que o Vox Populi, contratado pela campanha de Dilma, não captou a queda nas pesquisas de maneira mais precisa?
Essa é uma pergunta que o instituto pode responder melhor do que eu.

Quando as pesquisas diárias (‘trackings’) começaram as ser feitas? E os grupos de análise qualitativa? Dilma assistiu a alguns desses grupos?
Os trackings começaram uma semana antes da propaganda eleitoral. Os grupos de pesquisas qualitativas começaram também nesse período, e eram quase diários.

No segundo turno, os grupos de qualis eram diários. Eram 12 grupos, distribuídos pelas várias regiões do país. Em São Paulo, eram sempre quatro grupos, variando entre capital e interior. Duas empresas faziam esse trabalho. Em São Paulo, a Oma Pesquisas. No restante do país, a Síntese. A candidata Dilma não assistiu aos grupos por falta de tempo e de interesse direto.

Foi um erro a forma como Lula fez alguns comícios na parte final do 1º turno, falando em extirpar o DEM da política e dizendo que ‘a opinião pública somos nós’?
Como eu já disse, o presidente tem uma personalidade vulcânica. Sua intuição emocional faz com que ele acerte bastante, e às vezes cometa erros. Mas o saldo nesta e em outras campanhas sempre foi muito positivo.

Mas houve uma certa overdose de Lula no final do 1º turno, com ele aparecendo não de forma exaltada em comícios?
Na propaganda eleitoral, não. Desde o início, eu sabia que uma das coisas mais difíceis era a modulação da presença de Lula. Fiz um desenho estático que considero correto. Dividi a campanha com base nos 45 dias de TV e rádio em três fases iguais de 15 dias cada. A primeira, consistiu em colar bastante Lula a Dilma. Depois, seria preciso atenuar um pouco a presença dele no meio da campanha. E, por fim, voltar a colá-los fortemente no final.

Na primeira fase, era preciso mostrar aos eleitores que havia afinidade, respeito e confiança entre eles. Consumado isso em 15 dias, como eu esperava, com êxito, era então necessário reforçar a identidade própria de Dilma. Isso só seria possível se as pessoas conseguissem enxergá-la sem a sombra luminosa de Lula. Assim, os segundos 15 dias da campanha tiveram a troca da persona Lula pela intensificação da representação simbólica do governo Lula.

Só que no final dessa segunda fase ocorreu uma trágica coincidência: o escândalo Erenice.

E o que foi feito?
Fomos forçados a fazer uma reaproximação entre Lula e Dilma de emergência.

Mas Lula não se excedeu nos comícios?
De certa forma, sim. Mas isso é até explicável. A presença de um político no palanque permite certo tipo de arroubo que a propaganda eleitoral não comporta. Acontece que alguém quando está no palanque esquece que trechos editados de sua fala podem aparecer em telejornais de grande audiência.

Na passagem do 1º para o 2º turno, ele deu uma sumida. Por quê?
Foi por um período muito curto. Foi intencional por dois motivos. Primeiro, porque era necessário dar um certo refresco para a imagem do presidente por causa do uso excessivo em todas as campanhas em todas as unidades da Federação. Os candidatos em todos os níveis usaram e abusaram da imagem de Lula de forma excessiva e até irresponsável como nunca ocorrera antes.

Segundo, estávamos fazendo um reposicionamento estratégico, e antes que as transições conceituais ficassem claras, era importante preservar o nosso principal trunfo, que era o presidente. Foi uma operação tão delicada e corajosa que o próprio presidente Lula, na passagem do primeiro para o segundo turno, chegou a me questionar a respeito.

Muitos temeram a derrota nessa fase?
Temer a derrota é inerente a qualquer um envolvido em uma campanha. Sobretudo quando há uma quebra de expectativa, que foi o que ocorreu com a ida para o segundo turno.

De certa maneira, esse mesmo sentimento perpassou a campanha de 2006, no início daquele segundo turno.

Quando Dilma teve câncer, o que a área de marketing da pré-campanha fez?
Primeiro, foi um susto. Uma situação insólita. Iniciar uma campanha com uma candidata pouco conhecida e enfrentando um desafio dessa magnitude. Só havia então um caminho que era buscar o máximo de transparência. Todo o tratamento foi ampla e livremente noticiado pela mídia. Num caso como este não se pode, nem se deve inventar ou maquiar nada. A verdade é o melhor remédio. Até porque ela sempre prevalece.

A sua contratação ocorreu a partir de quando?
O PT me contratou para dar consultoria e fazer as propagandas partidárias em 2009.

Como Dilma reagiu à necessidade de fazer operação plástica no rosto e na região do pescoço, mudar o vestuário, treinar oratória, aceitar cabeleireiro e maquiadora sempre perto?
Variou. A decisão de fazer a operação plástica, por exemplo, foi dela. Como toda mulher, quando se trata de estética, ela gosta de ela mesma tomar iniciativa. Ou, pelo menos, de pensar que foi dela a decisão.

Por que Dilma tem dificuldade para falar em público, às vezes não completando um raciocínio?
Durante toda a sua vida, Dilma foi treinada mais para fazer do que para falar. Além disso, ela é daquelas pessoas que tem raciocínio mais rápido do que a verbalização. E algo ainda mais complexo: imagine uma pessoa que nunca foi candidata a nada inaugurando sua vida eleitoral sendo candidata a presidente de um país do tamanho do Brasil?

Tudo isso provoca um tipo de tensão e ansiedade que obviamente repercute na maneira de se comunicar. Porém, o mais surpreendente, é que Dilma superou todos esses obstáculos de maneira brilhante. O mérito maior é dela.

Como era sua equipe na campanha?
Tive a felicidade de formar um “dream team”. Cerca de 200 pessoas estiveram envolvidas. Alguns já trabalhavam comigo há muito anos como Eduardo Costa, meu braço direito e um dos grandes responsáveis pelo sucesso da campanha. Outros se reaproximaram e foram fundamentais como Marcelo Kértesz, Lô Politi e Giovani Lima, como diretores de vídeo. Sem falar da presença essencial de Mônica Moura, minha mulher e sócia.

Como presidente Lula interagiu com Dilma durante a campanha?
Em termos presenciais, o contato foi muito menor do que quando ela estava no governo.

Haveria alguma forma de o PSDB usar de maneira positiva, em nível nacional, a imagem de FHC em uma campanha presidencial?
Num período muito curto de campanha, seria muito difícil, quase impossível. Se eu estivesse no lugar de Luiz Gonzalez [publicitário da campanha de José Serra], que considero um dos melhores marqueteiros do Brasil, talvez eu fizesse o mesmo que ele fez.

O uso da imagem de FHC só seria viável eleitoralmente depois de um trabalho consistente ao longo de um período de vários anos. Seria preciso recuperar uma narrativa do governo tucano, que teve méritos, mas ficou com a imagem avariada por causa do final da administração FHC.

Creio ter havido um desleixo da parte do próprio Fernando Henrique, com uma atitude olímpica. Quem sabe, por vício acadêmico, ele esperava um resgate histórico que viesse apenas por gravidade. Mas, no seu caso, seria necessário mais do que isso. Ele e seu partido teriam de se esforçar para defender a imagem daquela administração, deixando de lado a timidez ou o medo que demonstram ter.

Teria sido possível neste ano eleger José Serra ou algum candidato de oposição? Com qual estratégia?
Muito improvável. A menos que cometêssemos alguns erros e a oposição milhões de acertos

Aécio Neves teria tido condições de vencer Dilma?
Poderia ter feito uma campanha mais bonita e mais vibrante do que Serra. Mas mesmo assim seria derrotado.

Como foi e com qual frequência se deu neste ano sua relação com o publicitário de Serra, Luiz González?
Sempre tivemos uma boa relação. Admiro o González tanto por sua competência como por seu caráter. E é sempre uma parada dura enfrentá-lo numa campanha. Nos falamos várias vezes durante esta campanha para negociarmos regras de debates e outros detalhes envolvendo participações dos nossos candidatos.

A negociação mais insólita foi quando liguei, pra ele, na véspera do Círio de Belém, sugerindo que abríssemos mão da propaganda eleitoral na TV no dia da festa, no Pará. Ele pediu pra consultar o Serra e topou. Tenho certeza que os paraenses gostaram muito desta atitude e Nossa Senhora de Nazaré, com certeza, abençoou os dois candidatos.

Esta eleição teve dez debates. Quais foram os mais úteis eleitoralmente? Os da Globo, pela alta audiência?
Todos foram importantes, mas nenhum decisivo.

Todos os debates foram engessados por regras impostas pelos candidatos e seus assessores. O que seria necessário para haver debates mais livres?
Os debates, como algumas regras da propaganda eleitoral, têm de ser revistos. O problema dos debates é que dependem da vontade dos candidatos. E vontade dos candidatos é a coisa mais difícil de administrar.

E no caso do horário eleitoral, o que pode ser feito?
Eu acho que a lei de propaganda eleitoral é uma das mais modernas do mundo. Porém, há situações anômalas que devem ser corrigidas. Por exemplo, a legislação sobre pré-campanha. Outra, a legislação do segundo turno.

No caso do segundo turno, como está concebido, é uma violência contra os candidatos, contra os partidos, contra os eleitores e contra as equipes que produzem os programas eleitorais. Deveria haver menos propaganda, mais debates obrigatórios, mais liberdade de entrevistas nos meios de comunicação eletrônicos e a eleição em si ser mais próxima da do primeiro turno.

Qual foi a importância da internet na campanha?

Ao contrário do que se fala, a internet teve um papel importante nesta eleição. Pena que tenha sido usada, muito fortemente, para veicular campanha negativa raivosa, anônima e, muitas vezes, criminosa. Isso terminou por diminuir muito a credibilidade do material que circulava na web. Mas a cada dia o papel da internet será maior nas eleições brasileiras. E isso é muito bom para a disputa eleitoral e para o avanço democrático.

Nos EUA, a web é usada na difusão de propaganda negativa, mas também na arrecadação de fundos. Quando haverá isso aqui?
Como já disse, houve um predomínio de propaganda negativa. Mas a mobilização nas redes sociais foi também intensa. Esta é a grande chave, no futuro, para aumentar o impacto da web nas eleições.

Qual foi o saldo da contratação de técnicos que trabalharam na campanha da web de Barack Obama?
A participação deles ficou praticamente restrita à transferência de tecnologia e de ferramentas. Não participaram da estratégia nem da conceituação da campanha em nenhum nível. Mas são profissionais bem competentes em sua área.

Teria sido possível eleger algum outro ministro técnico como Dilma usando a mesma estratégia?
Acho que seria muito difícil. A escolha de Dilma foi uma das maiores provas da intuição e da genialidade política do presidente Lula. Eu tive o privilégio de ser uma das primeiras pessoas a saber da decisão do presidente e a fazer estudos sobre isso, a pedido dele.

Desde o início ficou claro que a transferência de votos se daria de forma harmônica e fluídica. Está provado que a transferência, na maioria das vezes, se dá mais pelas características do receptor do que do doador. De todos os possíveis candidatos, Dilma reunia as melhores condições para isso. Era mulher, ocupava um papel-chave no governo, tinha passado e presente limpos, era competente, firme, corajosa, combativa e tinha fidelidade absoluta ao presidente.

Além disso, por causa do tipo de personalidade de Lula, era muito mais natural e com maior poder de sedução junto ao seu eleitorado, ele pedir voto para uma mulher do que para um homem.

Em 2014, os parâmetros de exigência da população estarão elevados para outro patamar e o Bolsa Família terá menos importância?
Primeiro é bom esclarecer, que no campo da psicologia do voto, o Bolsa Família é percebido pelos seus beneficiários como um detalhe importante, porém um detalhe, de uma coisa ainda maior e mais forte para eles que é o olhar social do governo Lula.

O programa, em si, tem apelo eleitoral? Tem. Porém menos do que se apregoa. E, como já disse, não funciona de forma isolada. Acho que poucos governos, como o do presidente Lula, e, tenho certeza, o da presidenta Dilma, reúnem tantas condições de poder acompanhar o que você chama de elevação de parâmetros de exigência da população.

Na verdade é mais do que isso. Quando o governo Lula retirou 28 milhões de pessoas da miséria e levou 36 milhões para a classe média estava, ao mesmo tempo, dando vida digna e cidadania a estas pessoas, elevando seu nível de vida e, simultaneamente, elevando os seus ‘parâmetros de exigência’. Ou seja, as políticas públicas de Lula e de Dilma são maiores do que qualquer tipo de pragmatismo eleitoral.

Se quiser vencer, o que deve fazer a oposição daqui até 2014?
Não me sinto apto a dar conselhos à oposição. Ela tem consultores mais competentes do que eu para isso.

O sr. foi convidado a continuar prestando assessoria de imagem e marketing para Dilma Rousseff?
A presidenta eleita não me falou nada sobre isso e eu tenho uma agenda internacional carregada, nos próximos três anos, que atrapalharia bastante um trabalho deste tipo.

Uma ala do PT, entre os quais José Dirceu e Fernando Pimentel, desejava a sua saída e a volta de Duda Mendonça. Como foi essa disputa?
É natural que na política, nos negócios e no amor as pessoas queiram se associar com quem têm afinidade. Até hoje, não sei exatamente quem participou dessa articulação. Só sei que foi um grupo muito pequeno e que não contava com o apoio da cúpula da campanha nem do PT. Lula e Dilma sempre me apoiaram integralmente. O ex-presidente do PT Ricardo Berzoini e o presidente atual da legenda, José Eduardo Dutra, sempre me deram todo apoio.

Quais são os seus planos profissionais a partir de agora?
Eu tenho muitos clientes fora do Brasil e provavelmente me dedique mais a eles, nos próximos dois anos. Estou examinando também, com carinho, uma proposta de sociedade de uma empresa americana de marketing político para atuação junto ao eleitorado latino, nos Estados Unidos.

Quero ver, também, se tenho tempo de terminar dois livros que estou escrevendo, um romance e outro sobre marketing político. Além disso, quero ver se volto a me dedicar à música.

Quanto o sr. cobrou para fazer a campanha de Dilma Rousseff?
O custo total da área de propaganda e marketing, incluindo as pesquisas qualitativas e as quantis estratégicas, foi de R$ 44 milhões.

O Brasil é o país latino-americano no qual as campanhas políticas são as mais caras?
O custo das campanhas no Brasil está diretamente relacionado ao tamanho do eleitorado, à força de sua economia e à qualidade e sofisticação do seu marketing eleitoral. Sem dúvida, um dos melhores do mundo.

Continua a existir uma imagem negativa dos marqueteiros. Esse é um problema de marketing que os principais envolvidos não conseguem solucionar?
Acho que esta suposta imagem negativa está circunscrita a determinados setores da sociedade que não entendem –ou não querem entender– o verdadeiro papel do marketing político.

Para a maioria da população ocorre exatamente o contrário: há uma profunda curiosidade e atração pelo nosso trabalho. Assim como somos um país com dezenas de milhões de técnicos de futebol, estamos também nos transformando num país com milhões de marqueteiros.

É incrível como hoje todo mundo discute e “entende” de marketing político. Chega a ser pitoresco, nos grupos de pesquisa qualitativa, como eleitores de todas as camadas sociais comentam, opinam e desvendam os segredos do marketing. É uma escola de prática de política.

Há semelhanças entre a transferência de poder do russo Vladimir Putin para Dmitri Medvedev, em 2008, e agora no caso dos brasileiros Lula e Dilma?
Li sobre isso na mídia internacional. É um equívoco absoluto, uma leitura caricata e ligeira. A democracia no Brasil é mais complexa e sofisticada. Mas isso me faz lembrar uma história curiosa.

Como a eleição brasileira chama a atenção em vários países, no início de maio, um emissário não oficial do governo russo mandou um recado para a campanha de Dilma. Essa pessoa queria oferecer o que seria uma técnica que dizia ser infalível de transferência de votos baseada na experiência exitosa de Putin para Medvedev.

Demos muita risada e é claro que recusamos. Mas tenho a impressão que um ou outro integrante da nossa campanha chegou a ficar tentado em pelo menos ouvir o que os russos tinham a dizer. Mas é óbvio que nenhum contato foi feito, embora o episódio demonstre como era imprevisível para alguns a capacidade de Lula de transferir votos para Dilma.

Jornal, Instituto de Pesquisa, ou Instituto de Opinião?

Desculpem o sumiço, mas sigo em viagem pelo Brasil. Para saber mais, acesse o meu twitter: @rodrigoherrero.

Aproveito o ensejo sobre o twitter e reproduzo abaixo (com alguns acréscimos) pensamentos após ler a nova pesquisa Datafolha, que dá 38% para Serra e 28% para Dilma. Enquanto todos os outros institutos de pesquisa mostram evolução da candidata petista, o instituto da Folha de S. Paulo aponta estagnação e uma distância de quase 10%.

A cara de pau de jornalistas (e professores, mestres e doutores da área) em acreditar na “verdade acima de tudo” e na “isenção acima de qualquer coisa” é irritante. Como alguém pode acreditar em isenção jornalística se um jornal tem um instituto de pesquisa?

Parto do pressuposto tão claro como água de que os institutos de pesquisa no Brasil influenciam o brasileiro na hora de votar, muito mais que, por exemplo, na Europa. Quem nunca ouviu a expressão: “brasileiro vota em quem tá na frente”? Eu mesmo tive exemplos dentro da minha família disso inúmeras vezes.

Por outro lado, é necessário constatar que os institutos de pesquisa costumam servir a interesses diversos. O jogo de empurra é forte quando uma pesquisa “sem querer” distorce os fatos e acaba por influenciar uma disputa eleitoral – a História revela múltiplos exemplos.  Agora, alie-se isso a um instituto pertencente a um jornal…

Ou seja, temos um pandemônio. Enquanto o jornal “informa” e traz sua “opinião”, o instituto de pesquisa faz aquilo que seu nome manda: pesquisa a opinião das pessoas, no caso, dos eleitores.

A razão do pandemônio? Vamos lá: e se o jornal, ao invés de informar (quantos não desinformam todos os dias?), costuma, por meio de sua credibilidade, tentar convencer seu leitorado de alguma posição? Ou, pior, de que candidato A é mais preparado que B, mesmo que isso não se dê de forma declarada no veículo (e que seria bem mais honesto com os leitores e prestaria um grande serviço à sociedade, mostrando realmente de que lado cada um está – isso porque, ao desmerecer o papo de não há lado para tomar parte, proporciona que, nos meandros do poder, se coloque desta forma sem ônus)?

Será que não há no mínimo um conflito de personalidade de uma empresa que tem como compromisso a “isenção” fazer pesquisas de opinião que ajudam a influenciar os rumos de uma eleição? Não adianta dizer que ambas as empresas (jornal e instituto) são independentes. No cotidiano pode ser, mas qual é o primeiro jornal que divulga a pesquisa em sua primeira página?

Se estamos em uma sociedade que se diz compartimentalizada, em que o jornal informa e o colunista opina e o instituto de pesquisa, pesquisa, isso cai por terra quando uma empresa reúne tudo isso em seu conglomerado, podendo influenciar diretamente a opinião pública.

O fato mais próximo da realidade é que jornal nunca foi independente, pois as influências e disputas via jornal sempre existiram. Desde os tempos do The New York Times (o livro “O Reino e o Poder de Gay Talese é emblemático)  é perceptível o peso que o veículo pode colocar em favor ou contra uma causa. Conheci de perto outro exemplo esta semana em Goiânia, em que o editor do jornal Diário da Manhã, Batista Custódio, publicou durante seis meses reportagens contra as dragas, que acabavam com a reprodução de peixes no rio Araguaia e destruía toda a mata ciliar, prejudicando todo o ecossistema de uma Área de Proteção Ambiental doada pelo próprio, inclusive. Se há motivação para o bem comum ou para a natureza, há também para posições políticas e de poder. Sem falar em questões econômicas, um buraco mais complicado de provar, mas passível de investigação.

Percebo hoje, no entanto, que as posições nos jornais estão mais escancaradas, mesmo que as ações permaneçam revestidas de “jornalismo”. Isto é: as reportagens “batem” mais nos, digamos, desafetos do veículo, enquanto que afagam aqueles que estão mais próximos de suas convicções. Ocorre, no entanto, que isso não é declarado nas páginas do jornal, sendo perceptível mais aos olhos mais intelectualmente apurados, como, por exemplo, dos próprios jornalistas, ou mesmo de acadêmicos que estudam o jornalismo. Para a maioria das pessoas não faz tanta diferença. Só que não é bem assim: já dizia o ditado: uma mentira dita várias vezes vira verdade. Por mais que as pessoas tenham opinião própria e influam nos veículos e na sociedade, quem tem o poder de atingir mais e mais pessoas segue na frente das decisões do país.

Agora, quando é unido este cenário sórdido em um jornal que, ao mesmo tempo, possui um instituto de pesquisa, como fica a independência deste instituto e a lisura de seu trabalho? Só na credibilidade dos seus donos? E se uma pesquisa é direcionada, o quanto esta informação compromete a reportagem do veículo do mesmo grupo, embasada em números que não condizem com a realidade?

Estas perguntas nos remetem a outras, mais de cunho procedimental: em quem acreditar? Por quê acreditar? Como e onde o eleitor deve se informar? Por meio de propostas dos candidatos, através de um veículo de comunicação, por institutos de pesquisa? Há alguma outra forma de procurar se informar e abastecer de subsídios que possibilitem formar uma opinião que faça jus à democracia representativa que vivemos e não apenas uma democracia (não seria uma autocracia?) de eleições?

Pequenos pitacos

Olá.

A vontade de escrever neste espaço prossegue intensa, mas falta-me tempo para colocá-la em prática da forma que desejo. Estou envolto na produção de um dos capítulos da dissertação, enquanto resolvo pendências sobre a marcação do Exame de Qualificação e corro atrás de bolsa de estudo. Não está nada fácil.

Mesmo assim, gostaria de escrever sobre duas coisinhas:

– A SPIndy300 ocorrida no Anhembi no último fim de semana foi uma mistura de fiasco e glória. Fiasco por conta do péssimo piso da pista, pois, além das ondulações absurdas do asfalto, o concreto da passarela do samba tornava a dirigibilidade impraticável, fazendo os carros literalmente sambarem na pista. Com 20 milhões de reais gastos, sendo 12 mi só para propaganda para a Bandeirantes, em uma previsão inicial de 8 milhões gastos no total, o evento foi uma incógnita na arrecadação, pois,sse 30 mil pessoas estiveram no Anhembi, a garantia dos 120 milhões arrecadados, chutaço do prefeito Gilberto Kassab, não tem fonte confiável de checagem. Sem falar em outros problemas, como sinalização falha nos arredores, falta de água para ser vendida ao público, queda de luz no sambódromo que deixou os jornalistas gringos malucos e dificuldade para chegar à região. A glória foi que, apesar de tudo isso, a corrida foi boa e divertida, com a emoção aumentada pela chuva e pelos acidentes, comuns em pistas de rua. O saldo geral foi positivo, mas muita coisa precisa ser corrigida para o ano que vem, principalmente o amadorismo como que esse Grande Prêmio foi tratado, até pelos parcos 4 meses para se fazer uma pista. Mas os organizadores dos Estados Unidos toparam, os resultados contraditórios estão aí.  Bom de um lado, princicpalmente o da competição, ruim partes da organização.

– Outro tema que gostaria de abordar é a estréia da terceira temporada do CQC, ontem, na Band. Gostei muito, fazia tempo que não ria tanto, principalmente com a visita de Rafael Cortez ao Chile, com as palhaçadas de Marco Luque e até mesmo com a Môniza Iozzy, que, à parte sua inferioridade na cobertura de Brasília (porque o Danilo Gentili é insuperável), a mulher da trupe foi de uma acidez fantástica, com vários comentários na “lata” dos entrevistados. A querela do “Proteste Já” censurado deu pano pra manga (a liminar caiu nesta terça-feira, inclusive), um verdadeiro absurdo que só é possível graças a nossa “Justiça” brasileira. A matéria da SPIndy300 foi um tanto fraca e laudatória, pra puxar um pouquinho o saco da Band,  não tocou nos problemas da corrida, previsível. Dos quadros novos, “Marco Luque Responde” achei fraquíssimo, não há necessidade de se dar um quadro solo pro ótimo Luque, sei lá, fica superficial. Prefiro as palhaçadas dele ao vivo na mesa, são engraçadíssimas. “Cidadão em Ação” achei bem interessante, exceto a parte de fazer a PM atender ocorrência falsa, lembrada no twitter pela repórter Vanessa Ruiz, da Revista ESPN. No geral foi boa, a maioria do público elogiou muito, mesmo com algumas críticas que li aqui e acolá na internet, principalmente dos tais jornalistas e órgãos “especializados”.

– Por fim, gostaria de indicar uma entrevista recente que Ciro Gomes, presidenciável pelo PSB, concedeu à Folha de S. Paulo. Desconsidere o título preconceituoso e editado ideologiacamente sobre o PT ser um desastre, pois o que vale é a entrevista completa, em que o candidato (que pode ser até para governador de São Paulo) comenta diversas situações, põe o dedo na ferida do PSDB (por que esse não foi o ponto destacado da entrevista?) e coloca sua posição estratégica no jogo da sucessão, demosntrando como o PT está confuso, especialmente na candiddatura para o governo paulista, que começa a ganhar corpo com senador Aloizio Mercadante. Clique aqui e leia a entrevista.

Um grande abraço e até a próxima!

Glauco, Geraldão e nossa desumanidade

Como você pode ver, caro leitor, esta semana dei folga para o blog. Falta de assunto, indisposição para escrever e muito trabalho no mestrado foram algumas das razões para este breve hiato.

Mas há pouco tive uma vontade súbita de escrever. Pena que a motivação é inversa à razão desse post. Hoje morreu o cartunista Glauco, autor de várias tirinhas da Folha de S. Paulo, onde ficou mais conhecido pelo público em geral, com Geraldão, Geraldinho, Casal Neura, Dona Marta, Netão, Zé do Apocalipse, e muitos outros. Se destacou ao lado de Laerte e Angeli no conturbado período de abertura política do Brasil, vivendo resquícios de ditadura e de censura, mas soube driblar tudo isso com um humor crítico, inteligente e sagaz.

Não posso ir além. O que está acima eu li hoje na internet. A verdade é que nunca fui muito ligado em ler quadrinhos (mesmo gostando de muitos personagens) e como eu parei há tempos de ler o jornal em seu estado físico, deixei de acompanhar as tradicionais tirinhas dos jornais. Mas conhecia a maioria dos personagens do Glauco. E os adorava. Todos têm um traço (único do Glauco) que remete na minha cabeça os anos 80, e, consequentemente, à minha infância. Mas achava meio absurdo o Geraldão com tudo aquilo nas mãos, cabeça, até pés – minha racionalidade me impede muitas vezes de ver a beleza no absurdo, na poesia, é terível, eu sei. Mesmo assim, gostava demais quando tinha a oportunidade de ler.

Acontece que pelo meu desinteresse crônico por quadrinhos fez com que eu nunca me preocupasse a quem era o autor daquilo. Devo ter visto aqui e ali, mas nunca guardei o nome. Desafortunadamente, hoje descobri quem é. Era. De uma forma trágica, péssima. A morte de Glauco, da maneira estúpida como foi, seja por uma tentativa frustrada de sequestro, assalto ou por uma morte imbecil causada por um conhecido da família, apenas revela a forma futil e desprezível com que nós tratamos nossa própria humanidade, há muito transformada em desumanidade.

A cada hora que passa deste dia 12 de março a ficha vai caindo, caindo, caindo… E tudo vai desabando… Ficando mais feio, triste, chato.

Tudo o que dá neste momento é para prestar homenagens a um grande cartunista, que alegrou milhares de pessoas, sem deixar de criticar o que lhe incomodava, de forma leve, sutil, alegre. E desejar, mais uma vez, que nosso desapego por nós mesmos e pelo próximo seja substituído, algum dia, por alguma coisa que deixamos perdido em algum buraco do tempo.

Vale a pena visitar o Blog Universo HQ, que faz uma homenagem linda, tocando e emocionante. Para ver, clique aqui.

O site do Glauco também é uma forma de conhecer mais seu trabalho e rir um pouco com sseus personagens eternizados por seus desenhos. Clique aqui.

O outro lado do outro lado…

O post de ontem me levou ao blog que indico hoje neste espaço. Trata-se do blog do jornalista Rodrigo Vianna, que atua na Record e na Record News. Um programa bem legal dele é o Record News Internacional, em que ele entrevista especialistas sobre diversos temas ligados às relações internacionais, vale a pena.

Mas enfim, além desse programa, coincidentemente eu descobri esse blog muito interessante, crítico, ácido até, sobre as coisas que o jornalista vê no dia a dia. Vi uns dois posts dele descendo o cassete na Folha, na oposição e noutras coisas com uma liberdade que faz corar a pretensa (e mentirosa) imparcialidade da imprensa brasileira.

Isso porque, o tom das críticas é intenso, mas não gratuito. Tem argumentação e observação clara da descarada falta de compromisso da imprensa tradicional (ou, como todos conhecem, a grande imprensa, mas aqui, tratada de tradicional, que preserva algo de forma conservadora, mas tmabém para dar uma conotação futura de obsoleta, devido à forma arcarica, ideológica e, por isso, arraigada em interesses e joguetes de poder, afastada da democracia, da voz popular e da luta por melhorias do país) com uma informação que possa servir de apoio aos leitores e não como uma verdade absoluta, que dista da realidade, por não viver perto desta. E, pior, é ideologizada, evidenciada por interesses políticos, econômicos.

Alguém pode falar que a Record está do lado do Lula ou que a Folha bate na IURD (que banca a Record) e o repórter faz trabalho baixo num blog pessoal. Pode até ser, e é bom ter esse contexto na hora de ler coisas desse porte. Mas, ao menos, o jornalista se posiciona criticamente e não inventa ser imparcial, isento, objetivo e todas essas falácias apregoadas pela imprensa tradicional.

Pelo menos, Rodrigo Vianna, independente de lado, mostra claramente a preocupação com um mínimo de aproximação da verdade propriamente dita, pois o que a imprensa de fachada faz é aviltar, deslegitimar e desqualificar o governo atual, colocando-o como burro, fraco, incompetente , em gerir um país do porte do Brasil.

Mas, com todos os seus deslizes e defeitos (e quem me acompanha desde a graduação sabe minhas amplas restrições ao PT que se afasta de sua base social desde os anos 90, portanto, não é de hoje), o governo tem seus pontos positivos e isso não pode ser jogado para escanteio, enquanto a grita volta-se para a discussão do terceiro mandato e para as obras de José Serra (o queridinho dos tradicionalistas e reacionários paulistanos, a grande maioria, bem entendio, senão não teriam elegido Gilberto Kassab como pefeito) como faz a imprensa comprometida com a direita.

Por mais que direita e esquerda sejam conceitos vazios hoje, é difícil acreditar nisso com algumas movimentações que observamos na sociedade brasileira, exemplificada na nossa mídia fajuta.

Enfim, por tudo isso, é louvável ver um blog corajoso de um repórter de uma TV se colocando contra procedimentos globais, folhísticos, reacionários. Normalmente o jornalista se esconde na redoma da isenção para não se posicionar. Enfim, é uma verdadeira agulha num palheiro de mediocridade que vive o jornalismo há muitos anos.

http://www.rodrigovianna.com.br.

Atualizado às 16h55.

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