Archive

Posts Tagged ‘Equador’

Alguns rabiscos sobre a ácida comédia Special Correspondents

Acabei de ver Special Correspondents (Netflix, 2016) e achei que valia rabiscar (que Deus o tenha, Rabisco!) algumas linhas. Escrito e dirigido por Rick Gervais (The Office, O Primeiro Mentiroso, Uma Noite no Museu), a história se passa em Nova Iorque, em que um jornalista e um engenheiro de som são enviados para o Equador para cobrir uma suposta guerra civil no Equador. Só que Finch (Gervais), o técnico, está chateado pela sua recente separação e, sem perceber, acaba jogando fora as passagens, passaportes e dinheiro que estavam num envelope. Com isso, ele e Frank (Eric Bana) resolvem forjar a cobertura do conflito em estúdio improvisado em um apartamento em cima de um restaurante em frente à rádio na qual trabalham.

O cômico da história é que todos acreditam nos relatos e, a cada entrava ao vivo que passa, Frank inventa novos fatos para atender a seu chefe sedento por novidades. Assim, uma história totalmente falsa vai sendo costurada – o fato do Equador ter sido o país escolhido parece mais um item nesse castelo de cartas marcadas montado por Gervais, pois lá não há guerra, muito menos civil. E todos acreditam. Até repórteres que estão em Quito compram a história, não há checagem e, pela sede de audiência e por vaidade, passam para a frente. É uma crítica escancarada ao jornalismo feito nos Estados Unidos e que pode valer para qualquer parte do mundo. Inclusive se encaixando perfeitamente como uma luva no Brasil.

Uma passagem é peculiar: uma apresentadora pergunta ao enviado especial de uma televisão o porquê ele ninguém sabia antes que o suposto líder do suposto grupo guerrilheiro equatoriano seria Emilio Santiago (não é o cantor, já falecido), Alvarez, nome criado por Finch e Bana. O repórter respondeu que já sabia de rumores dele, mas não tinha noticiado confirmação das ações dele na guerrilha. Enquanto isso, Finch e Frank assistem e caem na gargalhada.

Além da incompetência jornalística e da espetacularização (e manipulação) da notícia, outra veia abertamente atacada por Gervais é a glamourização do acontecimento, das tragédias, enfim, de qualquer coisa, tudo para gerar audiência e fazer as pessoas consumirem – o conceito de “disfunção narcotizante” dos funcionalistas que analisam a comunicação não analisaria melhor isso.

Ao saber que o marido (Finch) havia sido sequestrado, a esposa Eleanor (Vera Farmiga) se aproveita da situação para se lançar como cantora e fazer uma campanha de arrecadação para o pagamento do resgate aos supostos sequestradores – e ficar com a grana, claro. Com isso ela emociona o país e passa a frequentar todos os talk shows e programas de auditório dos Estados Unidos, vira capa de várias revistas e jornais e se torna popular em todo o país. Uma crítica hilária a essa necessidade que a sociedade e a própria comunidade tem de criar ídolos e pessoas a quem consumir, admirar e mesmo em quem projetar uma outra vida, que às vezes acreditam ser melhor.

Enfim, como não poderia deixar de ser, uma comédia feita por um inglês não ficaria nas piadas rasas e simples, de duração instantânea. Há toda uma teia reflexiva em torno de como nossa sociedade está projetada nos dias de hoje, em que nada se verifica, tudo é vazio, frágil e fútil e ao mesmo tempo espetacular e glamouroso, pronto para ser consumido e esquecido no próximo tuíte, post ou link.

Ps: post escrito ao som de King Crimson. Conhecendo ainda a sonoridade citada pelo Renato Russo como influência na elaboração do álbum V, da Legião Urbana, lançado em 1991 e com uma baita pegada progressiva.

Dois simpatizantes de Rafael Correa são mortos em comício no Equador

Um homem matou duas pessoas e feriu outras cinco, ontem à noite, durante comício em prol da campanha à reeleição do presidente Rafael Correa na cidade de Quinindé (há 226 km da capital Quito), província de Esmeraldas, noroeste do Equador.

Os simpatizantes do mandatário pertencentes à Aliança País o aguardavam próximos a um palanque, quando um homem sacou uma faca e começou a apunhalar as pessoas. O agressor só foi contido quando simpatizantes de Correa devolveram o ataque com paus e pontapés.

Para ler a notícia completa, visite o blog Notícias da América Latina!

Unasur, un proyecto a largo plazo y de aceleración continua

Bom dia aos amigos do blog!

Informo a todos que tem post novo no Notícias da América Latina.

Publiquei hoje uma entrevista com o secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez Araque, originalmente postada pela Prensa Latina.

O conteúdo é bem interessante e aponta os caminhos do bloco no âmbito internacional, além de tratar que questões pontuais, como a disputa Equador x Reino Unido no caso Julian Assange e o gole parlamentar no Paraguai. Boa leitura e um ótimo domingo a todos nós!

Para ler o pingue-pongue, clique aqui!

Movimento dos Não-Alinhados valoriza processos de integração na América Latina

Oi amigos do blog!

Informo que postei um texto novo no Notícias da América Latina.

Abordo a respeito do término do Encontro do Movimento dos Não-Alinhados, no Irã, mas com foco em especial à participação da América Latina dentro do grupo e a importância concedida à região pelos países presentes.

Não deixe de ler! Está bem bacana, muitos pontos para debate.

Clique aqui e boa leitura!

Argentina sinaliza que Bolívia poderá ingressar no Mercosul em breve

Olá!

No ar, mais um post no blog http://noticiasdaal.wordpress.com.

E o tema de hoje é integração regional, em particular, a possível entrada da Bolívia no Mercosul.

O texto tem uma primeira parte noticiosa, com informações sobre as negociações bilaterais entre Argentina e Bolívia e o crescimento do consumo de gás boliviano por Brasil e Argentina. Numa segunda parte, faço uma análise a respeito da possível entrada da Bolívia no bloco, as dificuldades para o êxito desta empreitada e o que está em jogo na América do Sul neste atual momento.

Para ler o texto, clique aqui!

Visite o site, conheça mais sobre o assunto e deixe o seu comentário!

Te aguardo lá.

Golpe tira Fernando Lugo da presidência do Paraguai

Bem, como muitos sabem, a noite desta sexta-feira foi negra para os povos latino-americanos, com a consolidação do impeachment do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, num claro golpe de Estado perpetrado pelos parlamentares oposicionistas, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Até os liberais que foram eleitos na coalizão de Lugo – incluindo o então vice-presidente Fernando Franco, que assumiu a presidência após o impedimento de Lugo – se voltaram contra o presidente e, por isso, permitiram a ação impetrada pelo partido Colorado de formular e dar andamento ao processo de julgamento político de Lugo.

Após a confirmação da troca de comando no Paraguai, os governos da Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia declararam oficialmente que não vão reconhecer o presidente Fernando Franco, instituído pelos congressistas paraguaios, como mandatário do país vizinho. Até o momento, o Brasil não divulgou a sua posição oficial, embora alguns endereços de twitter e alguns sites de notícias da América Latina (caso da @teleSURtv) tenham informado de que a presidenta Dilma Roussef teria dito durante a Rio+20 de que o Paraguai deveria ser afastado do Mercosul e Unasul caso consolidasse o golpe. Por enquanto, prevalece a posição da Unasul de ressaltar a importância do respeito às cláusulas democráticas dos dois organismos de integração e que seriam avaliadas a possibilidade de continuação da cooperação entre os países no marco da integração sul-americana. Por outro lado, os Estados Unidos reconheceram o processo de impeachment no Paraguai e pediram calma aos manifestantes. Em retaliação ao golpe por parte do grupo Anonymous, desde a tarde desta sexta, o site da Presidência do Paraguai está fora do ar.

Um julgamento expresso, que não durou mais que 30 horas, em que Lugo foi acusado, mal pôde se defender e sua destituição do cargo foi votada de forma ultra veloz, impedindo qualquer articulação dos movimentos sociais contra essa ação, muito menos alguma movimentação por parte dos países vizinhos que, por meio de seus chanceleres e em nome da Unasul, estiveram em Assunção para tentar reverter um quadro já bem orquestrado, tornando impossível qualquer reviravolta.

Por mais que a ação esteja plenamente de acordo com a Constituição do país, não é legítima, como bem disse Rafael Correa, presidente do Equador, tanto por permitir a defesa de Lugo – sem a presença do mesmo no Congresso – de forma protocolar, quanto pela rapidez do processo e, inclusive, das razões que levaram a esse julgamento político apartado do povo. O que só corrobora a mando e a interesse de quem esse impeachment foi executado.

Fernando Lugo teria acusado o empresário Horacio Cartes, pré-candidato do partido Colorado, de estar por trás desse golpe. Só para ficar mais claro, as eleições vão acontecer este ano no Paraguai e o Colorado estava no poder há de 60 anos antes da vitória de Lugo e é o partido que representa as elites paraguaias, comprometidas com o latifúndio, que tem provocados conflitos como o que ocasionou a morte de policiais e sem-terra, e que os partidos Colorado, Liberal e outros contra Lugo o acusaram de ser responsável. E sim, pessoal, é golpe, por mais que esteja disfarçado de um verniz constitucional e por mais que boa parte da imprensa brasileira tente negar.

Até por esse motivo, resolvi publicar uma série de links que procuram explicar o que aconteceu no Paraguai de ontem para hoje, na tentativa de auxiliar aos interessados o conhecimento de fatos que certamente vão passar ao largo dos noticiários tupiniquins. Ao final, um artigo quentinho do pensador argentino Atilio Boron, escrito ainda no calor dos acontecimentos, após a confirmação do impeachment do presidente Lugo.

Notícias em tempo real no twitter sobre o golpe a Lugo: @teleSURtv

Senado paraguaio destitui Lugo e golpe relâmpago é consolidado

Fernando Lugo acata decisión del Senado y se despide de los paraguayos

Lugo aceita decisão do Senado e diz que “democracia paraguaia foi ferida”

Federico Franco assume Presidência do Paraguai dizendo que mudança é legítima

Reprimen a manifestantes frente al Congreso tras destitución de Fernando Lugo

OEA se surpreende com “sentença rápida” no Paraguai

Comunicado da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) sobre a situação no Paraguai

Alba: movimentos sociais condenam golpe no Paraguai e pedem mobilização por Lugo

Lugo colocou o dedo na ferida da oposição, diz partidário do presidente

Parlamentares paraguaios fazem cinco acusações contra Lugo

O impedimento de Lugo é um ataque contra a democracia

Golpe contra Lugo pode provocar expulsão do país do Mercosul, diz cientista político

Impeachment de Fernando Lugo foi, sim, um golpe

¿Por qué derrocaron a Lugo?

 Por Atilio Boron

Hace unos minutos se acaba de consumar la farsa: el presidente del Paraguay Fernando Lugo fue destituído de su cargo en un juicio sumarísimo en donde el Senado más corrupto de las Américas -¡y eso es mucho decir!- lo halló culpable de “mal desempeño” de sus funciones debido a las muertes ocurridas en el desalojo de una finca en Curuguaty.

Es difícil saber lo que puede ocurrir de aquí en más.Lo cierto es que, como lo dice el artículo de Idilio Méndez que acompaña esta nota, la matanza de Curuguaty fue una trampa montada por una derecha que desde que Lugo asumiera el poder estaba esperando el momento propicio para acabar con un régimen que pese a no haber afectado a sus intereses abría un espacio para la protesta social y la organización popular incompatible con su dominación de clase.

Pese a las múltiples advertencias de numerosos aliados dentro y fuera de Paraguay Lugo no se abocó a la tarea de consolidar la multitudinaria pero heterogénea fuerza social que con gran entusiasmo lo elevó a la presidencia en Agosto del 2008.

Su gravitación en el Congreso era absolutamente mínima, uno o dos senadores a lo máximo, y sólo la capacidad de movilización que pudiera demostrar en las calles era lo único que podía conferirle gobernabilidad a su gestión.

Pero no lo entendió así y a lo largo de su mandato se sucedieron múltiples concesiones a una derecha ignorando que por más que se la favoreciera ésta jamás iría a aceptar su presidencia como legítima. Gestos concesivos hacia la derecha lo único que hacen es envalentonarla, no apaciguarla.

Pese a estas concesiones Lugo siempre fue considerado como un intruso molesto, por más que promulgara en vez de vetarlas las leyes antiterroristas que, a pedido de “la Embajada”, aprobaba el Congreso, el más corrupto de las Américas.

Una derecha que, por supuesto, siempre actuó hermanada con Washington para impedir, entre otras cosas, el ingreso de Venezuela al Mercosur. Tarde se dio cuenta Lugo de lo “democrática” que era la institucionalidad del estado capitalista, que lo destituye en un tragicómico simulacro de juicio político violando todas las normas del debido proceso.

Una lección para el pueblo paraguayo y para todos los pueblos de América Latina y el Caribe: sólo la MOVILIZACIÓN y ORGANIZACIÓN POPULAR sostiene gobiernos que quieran impulsar un proyecto de transformación social, por más moderado que sea, como ha sido el caso de Lugo.

La oligarquía y el imperialismo jamás cesan de conspirar y actuar, y si parece que están resignados esta apariencia es enteramente engañosa, como lo acabamos de comprobar hace unos minutos en Asunción.

Fonte: http://www.atilioboron.com.ar/2012/06/por-que-derrocaron-lugo.html

O DEBATE DA POLÍTICA EXTERNA: OS CONSERVADORES

Muito bom esse texto do grande teórico José Luís Fiori, professor de Economia Política Internacional no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O DEBATE DA POLÍTICA EXTERNA: OS CONSERVADORES

JOSÉ LUÍS FIORI

“É desconfortável recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado recente de luta contra a ditadura, e firmamos na Constituição de 1988 os ideais de democracia e direitos humanos. Uma coisa são relações diplomáticas com ditaduras, outra é hospedar em casa os seus chefes”.

José Serra, “Visita indesejável”, FSP, 23/11/2009

________________________

Já faz tempo que a política internacional deixou de ser um campo exclusivo dos especialistas e dos diplomatas. Mas só recentemente, a política externa passou a ocupar um lugar central na vida publica e no debate intelectual brasileiro. E tudo indica que ela deverá se transformar num dos pontos fundamentais de clivagem, na disputa presidencial de 2010. É uma conseqüência natural da mudança da posição do Brasil, dentro do sistema internacional, que cria novas oportunidades e desafios cada vez maiores, exigindo uma grande capacidade de inovação política e diplomática dos seus governantes. Neste novo contexto, o que chama a atenção do observador, é a pobreza das idéias e a mediocridade dos argumentos conservadores, quando discutem o presente e o futuro da inserção internacional do Brasil.

A cada dia aumenta o numero de diplomatas aposentados, iniciantes políticos e analistas que batem cabeça nos jornais e rádios, sem conseguir acertar o passo, nem definir uma posição comum sobre qualquer dos temas que compõem a atual agenda externa do país. Pode ser o caso do golpe militar em Honduras, ou da entrada da Venezuela no Mercosul; da posição do Brasil na reunião de Copehague ou na Rodada de Doha; da recente visita do presidente do Irã, ou do acordo militar com a França; das relações com os Estados Unidos ou da criação e do futuro da UNASUL. Em quase todos os casos, a posição dos analistas conservadores é passadista, formalista, e sem consistência interna. Além disto, seus posicionamentos são pontuais e desconexas, e em geral defendem princípios éticos de forma desigual e pouco equânime. Por exemplo, criticam o programa nuclear do Irã, e o seu desrespeito às decisões da comissão de energia atômica da ONU, mas não se posicionam frente ao mesmo comportamento de Israel e do Paquistão, que além do mais, são Estados que já possuem arsenais atômicos, que não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas, e que tem governos sob forte influencia de grupos religiosos igualmente fanáticos e expansivos.

Ainda na mesma linha, criticam o autoritarismo e o continuísmo “golpista” da Venezuela, Equador e Bolívia, mas não dizem o mesmo da Colômbia, ou de Honduras; criticam o desrespeito aos direitos humanos na China ou no Irã, e não costumam falar da Palestina, do Egito ou da Arábia Saudita, e assim por diante. Mas o que é mais grave, quando se trata de políticos e diplomatas, é o casuísmo das suas análises e dos seus julgamentos, e a ausência de uma visão estratégica e de longo prazo, para a política externa de um Estado que é hoje uma “potência emergente”.

Como explicar esta súbita indolência mental das forças conservadoras, no Brasil? Talvez, recorrendo à própria história das idéias e das posições dos governos brasileiros que mantiveram, desde a independência, uma posição político-ideológica e um alinhamento internacional muito claro e fácil de definir. Primeiro, com relação à liderança econômica e geopolítica da Inglaterra, no século XIX, e depois, no século XX – e em particular após à Segunda Guerra Mundial – com relação à tutela norte-americana, durante o período da Guerra Fria. O inimigo comum era claro, a complementaridade econômica era grande, e os Estados Unidos mantiveram com mão de ferro, a liderança ética e ideológica do “mundo livre”.

Depois do fim Guerra Fria, os governos que se seguiram adotaram as políticas neoliberais preconizadas pelos Estados Unidos e se mantiveram alinhados com a utopia “cosmopolita” do governo Clinton. A visão era idílica e parecia convincente: a globalização econômica e as forças de merca¬do produziriam a homogeneização da riqueza e do desenvolvi¬men¬to, e estas mudanças econômicas contribuíram para o desaparecimento dos “egoísmos nacionais”, e para a construção de um governo democrático e global, responsável pela paz dos mercados e dos povos. Mas como é sabido, este sonho durou pouco, e a velha utopia liberal – ressuscitada nos anos 90 – perdeu força e voltou para a gaveta, junto com a política externa subserviente dos governos brasileiros, daquela década.

Depois de 2001, entretanto, o “idealismo cosmopolita” da era Clinton foi substituído pelo “messianismo quase religioso” da era Bush, que seguiu defendendo ainda por um tempo o projeto ALCA, que vinha da Administração Clinton. Mas depois da rejeição sul-americana do projeto, e depois da falência do Consenso de Washington e do fracasso da intervenção dos Estados Unidos a favor do golpe militar na Venezuela, de 2002, a política externa americana para a América do Sul ficou à deriva, e os Estados Unidos perderam a liderança ideológica do continente, apesar de manterem sua supremacia militar e sua centralidade econômica. Neste mesmo período, as forças conservadoras foram sendo desalojadas do poder, no Brasil e em quase toda a América do Sul. Mas apesar disto, durante algum tempo, ainda seguiram repetindo a sua ladainha ideológica neoliberal.

O golpe de morte veio depois, com e eleição de Barack Obama. O novo governo democrata deixou para trás o idealismo cosmopolita e o messianismo religioso dos dois governos anteriores, e assumiu uma posição realista e pragmática, em todo mundo. Seu objetivo tem sido em todos os casos, manter a presença global dos Estados Unidos, com políticas diferentes para cada região do mundo. Para a América do Sul sobrou muito pouco, quase nada, como estratégia e como referencia doutrinária, apenas uma vaga empatia racial e um anti-populismo requentado. Como conseqüência, agora sim, nossos conservadores perderam a bússola. Ainda tentam seguir a pauta norte-americana, mas não está fácil, porque ela não é clara, não é moralista, nem é binária. Por isto, agora só lhes resta pensar com a própria cabeça para sobrevier politicamente. Mas isto não é fácil, toma tempo, e demanda um longo aprendizado.

%d blogueiros gostam disto: