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Creches são o principal desafio na educação

Ressurjo das cinzas de meu inferno particular para publicar mais uma matéria que saiu no Agora São Paulo mês passado. Tá meio antigo, mas vale a pena, porque debate a educação e o déficit de vagas em creche na cidade. O bom é que aqui dá pra por os textos inteiros, maiores, e até uns personagens que acabaram cortados da página, que teve muita “arte” com detalhamento de outras informações, infográficos, etc.

Creche é o maior desafio na educação para SP

A fila das creches é o grande desafio da área da educação para o próximo prefeito de São Paulo. Com mais de 145 mil crianças na espera, Gilberto Kassab (PSD) não cumpriu a promessa de zerar a fila.

A Secretaria Municipal da Educação se defende: afirma que uma das marcas da gestão é ter investido bastante e gerado vagas em creches em número recorde.

Na campanha eleitoral de 2008, Kassab disse: “Estamos dando prioridade a esse tema para a próxima gestão e é evidente que vamos eliminar o problema de vagas em creche em São Paulo. Esse é um compromisso nosso.’

Ao longo da administração, o discurso mudou: “Tínhamos compromisso de elevar de 60 mil para 100 mil as vagas em creche, ultrapassamos em muito e sabemos que o número de vagas precisa ser ainda mais aumentado”, falou na última quinta-feira, em inauguração de creche no Itaim Paulista (zona leste).

Propostas

Os candidatos estão mais “precavidos” neste ano. Nenhum fala em acabar com a fila. José Serra (PSDB), por exemplo, diz que vai “trabalhar firme para atender a demanda”. Celso Russomanno (PRB) promete aumentar as vagas. Fernando Haddad (PT) fala em acabar com a fila _mas somente para alunos de quatro e cinco anos.

A procura por uma vaga é grande na capital. Em 2010, por exemplo, a população de crianças de zero a quatro anos era de 711 mil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Naquele ano, foram matriculadas 130 mil crianças.

Soluções

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a espera pela creche não é um problema só de São Paulo e que zerar a fila é um trabalho difícil, a longo prazo _não só para quatro anos.

“O déficit nacional é enorme. É um atendimento caro e nenhum país no mundo tem um atendimento 100% realizado”, afirma o especialista em política educacional Rubens Barbosa de Camargo, professor da USP (Universidade de São Paulo).

Segundo especialistas, a solução é investimento pesado, com prioridade à administração direta de creches, já que unidades administradas pela prefeitura têm mais qualidade do que a rede conveniada. “Os convênios deveriam existir como transição enquanto as creches estão sendo construídas e não se tornarem política central da prefeitura”, afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP.

A sociedade civil também reclama. “A prefeitura amplia os convênios e corre o risco de não considerar aspectos importantes para o atendimento, superlotando as salas”, critica Antonia Almeida Barros, do Movimento de Mães sem Creche. Para Denise Carreira, da ONG Ação Educativa, é necessário que a prefeitura retome a expansão da rede direta, com foco nas áreas mais carentes. (Rodrigo Herrero)

CEU não é para todos

Os 45 CEUs (Centros Educacionais Unificados) atendem mais de 84 mil alunos e recebem 60 mil pessoas por mês nas demais atividades. Porém, especialistas afirmam ser necessário aumentar a abrangência a toda a rede. “Vejo os CEUs com bons olhos, mas deveriam ser para todos”, defende Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP.

“A iniciativa de instalar unidades sofisticadas em áreas mais carentes não é política curricular do ensino municipal como um todo. Tem muita escola que não tem acesso direto ao CEU. Nem mesmo a proximidade física garante o incremento das atividades curriculares”, afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP.

A autônoma Francisca Alves, 39 anos, celebra que o filho Marcelo Alves do Rego, 13 anos, está no CEU Caminho do Mar, no Jabaquara (zona sul). “Duas vezes por semana ele faz futsal e natação. Se ele não estudasse lá não teria como fazer, porque é caro”, diz.

Quando esse CEU foi aberto, em 2008, a dona de casa Márcia de Brito Rabelo, 36 anos, achou melhor manter a filha Ana Beatriz de Brito Freitas, dez anos, na Emef Cacilda Becker. Mas admite: “Se tivesse como minha filha fazer essas atividades e cursos que existem no CEU seria bom.”

Os CEUs foram criados no governo de Marta Suplicy (PT) em 2003 e ampliados na gestão Gilberto Kassab (PSD). (RH)

Resposta: “Meta foi cumprida”, fiz prefeitura

Segundo a Secretaria Municipal da Educação, a meta de zerar a fila da creche feita na campanha de 2008 foi cumprida. Segundo a secretaria, a promessa de Gilberto Kassab (PSD) levava em conta a fila registrada em dezembro daquele ano (57 mil crianças). Até junho deste ano foram matriculadas mais de 207 mil crianças até quatro anos. Ou seja, são quatro vezes mais vagas do que a fila de 2008.

De acordo com a secretaria, em 2004 foram aplicados R$ 170 milhões, enquanto que o orçamento de 2012 aponta mais de R$ 1 bilhão em creches. Hoje são 1.505 creches.

Sobre a qualidade da rede conveniada, a secretaria diz exigir os mesmos padrões da rede direta, e informa aumento do investimento às conveniadas em mais de 100% em relação à 2004. A pasta justifica que a expansão dos convênios se deu pela dificuldade em obter terrenos nas áreas de maior demanda.

Quanto a crítica de que o CEU não inclui toda a rede de ensino, a pasta afirma que os CEUs estão abertos a toda comunidade e que, eventualmente, um morador do entorno pode não encontrar vaga em alguma atividade.

Com relação à queda na Prova São Paulo e a distância da meta do Ideb, a pasta destaca o crescimento no Ideb no 5º e no 9º ano: 63,3% das escolas tiveram médias entre 4,6 e 5,5. Em 2005, 15,3% da rede alcançou tal marca.

Sobre os uniformes, a pasta informa que as escolas estão coletando as fichas com as medidas dos alunos para 2013. A aquisição das peças tem início previsto para outubro. O investimento com uniforme, em 2012, foi de R$ 80 milhões, diz a secretaria.

Com respeito ao Plano Municipal de Educação, a secretaria diz valorizar o plano e que este será enviado à Câmara Municipal assim que “equacionadas algumas questões técnicas e financeiras ainda pendentes”. (RH)

Movimento pela educação no Chile leva mais de 150 mil pessoas às ruas de Santiago

Opa!

Tem mais um post prontinho no blog Notícias da América Latina!

Hoje eu abordo a marcha no Chile pela educação pública, gratuita e de qualidade, com declarações dos dirigentes estudantis e do governo a respeito da manifestação e do desenrolar do debate sobre o tema.

Para acessar o texto, clique aqui!

Incentivo à leitura

Olá pessoal. Indico mais uma reportagem da série que produzi para o Blog Educação www.blogeducacao.org.br, desta vez sobre ações que incentivem a leitura em uma cidade do Espírito Santo. Bem legais as iniciativas. Confiram!

Conceição da Barra (ES) mobiliza a comunidade para a 

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importância da leitura

Incentivar a leitura e ampliar os horizontes do conhecimento para além da sala de aula e para todas as idades. É com esse objetivo que a cidade de Conceição da Barra, integrante do Parceria Votorantim pela Educação – PVE do litoral norte do Espírito Santo, está se mobilizando. A ideia é desenvolver projetos que despertem crianças, jovens e adultos para a riqueza contida nos livros, hoje um tanto quanto esquecida por conta de um mundo cada vez mais tecnológico, repleto de informações rápidas e pouco reflexivo.

Essa demanda pela leitura surgiu durante as reuniões do PVE em vários níveis. Os diretores de escola externaram a sua preocupação quanto ao desejo de incrementar a leitura, fato corroborado tanto pelos técnicos da Secretaria Municipal de Educação – SME da cidade quanto pelo grupo de mobilização externa. “Nossa cidade tem uma biblioteca municipal que tem ‘ficado de enfeite’. Diretores e secretaria comentaram,  e o público externo concordou, que as pessoas só querem saber de internet, computador e  games; não têm mais o prazer de ler um livro, da contação de histórias e não há interesse pela história da cidade. Vimos a necessidade de resgatar tudo isso”, afirma a mobilizadora Ane Teixeira Barbosa, da Fibria de Conceição da Barra.

Tal desejo veio ao encontro dos anseios do grupo de escoteiros da cidade, que, inclusive, já tinha uma ideia para tentar mudar esse quadro. “Sou um leitor inveterado e comecei a perceber as dificuldades com relação à leitura no município. As bibliotecas, por exemplo, são insuficientes, pois não atendem as necessidades e possuem horários limitados. Tivemos a ideia de criar uma feira do livro, mas achamos que não dava para começar já com uma feira. Então, pensamos em montar uma banca para a troca de livros usados”, conta Dalmar Alcoforado Lacerda, chefe do Grupo Escoteiro Foz do Cricaré.

A comunidade abraçou o projeto formulado pelos escoteiros, que agora estão buscando recursos para a concretização. Ao mesmo tempo, foi organizada pelo grupo de mobilização do PVE uma campanha de doação de livros para abastecer a futura banca. “Todo mundo que participa do grupo de mobilização externa está arrecadando livros. Aqui na empresa, os funcionários estão trazendo vários exemplares. No dia 15 de agosto, vamos fazer uma reunião na praça principal da cidade para levar os livros arrecadados e fazer uma seleção”, diz a mobilizadora Ane.

A expectativa é inaugurar a banca de livros no feriado nacional de sete de setembro, quando se comemora a Independência do Brasil, e depois circular  pela cidade, por praças, escolas e festas. “A ideia é você levar um livro seu e escolher outro por um valor simbólico de R$ 3 para renovar a leitura e a biblioteca da sua casa. Com o dinheiro arrecadado, queremos criar um fundo para comprar os uniformes de crianças carentes. Jovens escoteiros, entre 15 e 18 anos, serão os responsáveis pela banca, o que também é um ganho, porque eles vão ter que ler para orientar as pessoas, passando a enxergar o livro de uma forma diferente”, acredita Dalmar.

Ações em massa em prol da leitura

Em ação complementar, está sendo desenvolvida pelo poeta Salomão da Silva Pinto, mais conhecido como Sossó, uma oficina de dramaturgia com os jovens da Associação Esportiva Palmeirinhas, uma das entidades participantes do PVE. A partir desse trabalho será ensaiada uma peça para ser exibida no dia do lançamento da banca, como uma forma de atrair as pessoas ao evento. Segundo Sossó, o objetivo é levar essa e outras oficinas – dança de roda, poesia e leitura – para as escolas de Conceição da Barra, formando grupos interessados em participar do projeto.

Para isso se tornar possível, foi criado um questionário, aplicado aos alunos da escola, que está em fase de análise. “Nós queremos saber a opinião do aluno sobre a importância da leitura; se ele lê apenas por obrigação ou para adquirir conhecimento; que tipo de literatura gera interessa; se ele conhece a história da cidade e seus autores. Por fim, perguntamos a eles se há interesse em participar. A partir das respostas, vamos iniciar as oficinas, convidar pessoas mais antigas da cidade para falar, incentivar a história oral e os demais temas do projeto”, explica Sossó, que também é coordenador do Programa de Promoção de Leitura Plantando Leitores, da SME de Conceição da Barra. “Esse trabalho será muito importante para motivar os alunos a descobrirem o sabor da leitura”, completa.

Para aprimorar o trabalho, o grupo de mobilização visitou dois projetos apoiados pelo Instituto Votorantim, em regiões próximas à Conceição da Barra, que desenvolvem atividades culturais voltadas a crianças e jovens: o Araçá, em Pedro Canário, e o Centro Comunitário Franco Rossetti, em São Mateus. Um dos objetivos é travar, futuramente, um intercâmbio entre as oficinas de teatro e de literatura para a troca de experiências.

Outra ação que visa ampliar o interesse pela leitura, especialmente das crianças, é a criação de uma biblioteca itinerante que visitará as escolas que tiverem salas de leitura. Para abastecer a biblioteca, a prefeitura adquiriu recentemente um grande acervo de livros.A SME de Conceição da Barra também nutre a expectativa de realizar eventos nas escolas nos finais de semana, envolvendo as famílias e toda a comunidade do município.  “Temos tentado lançar um olhar mais amplo sobre esse despertar para a literatura dentro do nosso município. Sabemos que é por meio dessa dinâmica de motivar a criança a ler na idade certa, que vamos transpor várias questões, como a reprovação e o analfabetismo”, defende Sandra Ângela Rocha, gerente pedagógica da SME.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Educação, meio ambiente e sustentabilidade – Parte II

Oi. Publico a segunda parte da reportagem que produzi sobre educação, meio ambiente e sustentabilidade, postada originalmente no Blog Educação www.blogeducacao.org.br. A segunda etapa da matéria trata de boas práticas em educação ambiental.

Boas práticas em educação ambiental

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

O sinal de que as pessoas têm passado a olhar e a agir em prol de um desenvolvimento mais sustentável está em algumas práticas realizadas Brasil afora. Em Miraí (MG), município da Zona da Mata mineira, foram organizadas pelo Parceria Votorantim pela Educação – PVE, em conjunto com as secretarias de Educação e do Meio Ambiente, atividades comemorativas do Dia do Meio Ambiente (5 de junho), que envolveram todas as escolas da cidade.

“A gente montou um estande na praça principal e fez uma blitz educativa. Todo carro que passava ganhava um ‘lixocar’, com mensagem sobre a importância da coleta seletiva. Em paralelo, ocorreu a caminhada ecológica  com mais de 400 estudantes dos seis colégios do município, com faixas, apito e muito barulho. Quando chegaram à praça, onde ocorria a blitz, foi feito um concurso de paródia e cada escola apresentou uma música sobre o meio ambiente. Todos os alunos foram muito criativos e dinâmicos”, conta Larissa Marinho, analista ambiental da área de Saúde e Segurança do Trabalho da Votorantim Metais, de Itamarati de Minas.

A ampla participação dos moradores de Miraí em resposta às ações em prol do meio ambiente revelam como o projeto foi bem visto não pela comunidade. “Até municípios vizinhos, como Cataguases e Muriaé, acharam a ideia interessante e querem repetir as ações. Foi um ótimo trabalho de conscientização. Acho que conseguimos conquistar nosso objetivo. Nada melhor que trabalhar com crianças para que elas possam crescer com essa mentalidade de preservação”, diz a secretária de Educação de Miraí, Maria do Carmo Oliveira e Silva Trota.

Arte e meio ambiente

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Ação do Coletivo Alma na Cohab II

Outro exemplo de ação local é o Coletivo Aliança Libertária Meio Ambiente – ALMA, que atua na Cohab José Bonifácio, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Formado na maioria por moradores do conjunto habitacional, o Coletivo observou um grande desperdício de materiais por parte dos moradores, o que fez o grupo desenvolver uma ideia de incentivar os moradores a separar o lixo em seus prédios e a doar para uma cooperativa de reciclagem. A iniciativa cresceu, exigindo um trabalho mais contínuo e, assim, foi criado o projeto Cohabitarte, desenvolvido entre 2011 e 2012, com verba do Especial do Meio Ambiente, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo.

Nesse projeto foram realizadas oficinas artísticas sobre meio ambiente para crianças e adultos, com atividades nos prédios, contação de histórias, apresentações teatrais, musicais e de artes plásticas. “Queríamos incentivar os moradores a criar e a cuidar dos jardins, integrando os moradores para aquele fim. Também levamos grupos dos prédios para visitar parques estaduais, como o da Cantareira e do Jaraguá, que a maior parte da população não conhecia. O mote usado foi o lazer, mas aproveitamos para falar sobre urbanização, falta de áreas verdes e da fauna. E a gente sentia que causava um envolvimento grande nas pessoas”, descreve Alexandre Falcão de Araújo, integrante do Coletivo ALMA.

O projeto, financiado pelo poder público terminou em abril, mas rendeu frutos que vão proporcionar a continuidade a partir de crianças e jovens que estiveram nas oficinas. “Surgiu um grupo que vai visitar novos prédios para criar multiplicadores. Os próprios jovens vão conosco para conhecer outras realidades e fazer a sensibilização junto aos moradores. O projeto se chama ‘Vai brincar lá fora” e tem como mote usar a história de infância dos pais e avós para pensar a história do lugar, em um momento de integração entre as pessoas do bairro. Nesse espaço aberto, queremos pensar a questão do meio ambiente”, relata Alexandre, ressaltando a importância de abordar o meio ambiente sob a esfera local. “A temática ambiental tem um significado global, mas só se torna concreta quando é tratada sob a ótica da realidade local”, diz.

Contato com a natureza desde cedo

Realizado em duas escolas municipais de ensino infantil no bairro da Lapa, na zona oeste paulistana, o projeto Dedo Verde na Escola é financiado pelo Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – FEMA, da prefeitura de São Paulo. A ideia é trabalhar com professores e crianças da comunidade a educação para a sustentabilidade, por meio de atividades como o cultivo de hortas escolares e criação de jardins de pássaros e borboletas, transformando o ambiente escolar em local símbolo de práticas sustentáveis. “Dialogamos com os professores para saber como eles visualizam o trabalho com esse conteúdo ambiental. Inserir educação ambiental na escola não é uma coisa que vem de fora pra dentro; tem que construir com os educadores. O primeiro desafio do projeto foi lidar com o diagnóstico de que os professores não se sentiam parte do meio ambiente”, conta Mônica Pilz Borba, coordenadora institucional do Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade.

O problema seguinte foi inserir o espaço externo da escola nas atividades das aulas. “Uma das escolas é muito arborizada, o espaço ao ar livre é maravilhoso. No entanto, diagnosticamos que os professores não saiam da sala de aula com os alunos, porque não entendiam que esse espaço da natureza, da grama, da terra, é um espaço educador. Então, a gente vem propondo uma série de atividades educativas com pais e professores, sempre ao ar livre, aproximando-os da natureza. É o andar descalço, plantar, conhecer as minhocas, o processo de decomposição, trazer a vida para o processo de aprendizagem”, detalha Mônica.

Projetos como esse mostram a importância de trabalhar com crianças e adolescentes as questões relativas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, com a intenção de formar gerações que tenham uma melhor consciência ambiental e uma maior participação e ação em prol do planeta. “As crianças amam as atividades. Propomos brincadeiras com a terra, com as plantas, com pequenos seres vivos; fazemos tintas com plantas e colagens com esse universo da natureza. As crianças são muito receptivas e temos mais dificuldade de trabalhar com os adultos”, finaliza Mônica.

Saiba mais!

Educação para o Desenvolvimento Sustentável: visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta, utilizando métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente, além de promover o respeito às necessidades humanas, compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta. Seu objetivo é fazer com que os cidadãos possam ter capacidade de agir por mudanças sociais e ambientais positivas por meio de uma ação participativa. Fonte: UNESCO.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Educação, meio ambiente e sustentabilidade

Olá pessoal. Publico mais um post da série de colaborações que estou fazendo para o Blog Educação www.blogeducacao.org.br. É uma grande reportagem dividida em duas que fala sobre educação, meio-ambiente e sustentabilidade. Boa leitura!

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Educação e desenvolvimento sustentável: uma união que o meio ambiente agradece


A Rio+20 termina no Rio de Janeiro esta semana, tendo retomado com força a temática da sustentabilidade em termos globais, na tentativa de avaliar as políticas em prol do meio ambiente, realizadas desde a Eco 92, e de intensificar a luta por um mundo que considere na prática o desenvolvimento sustentável. Dentro desta discussão, um ponto importante é o da Educação para o Desenvolvimento Sustentável – EDS, assunto que também faz parte dos encontros e palestras do evento carioca, e que ocorre desde as negociações da Rio+20, em março, quando mais de 70 representantes participaram de um painel específico organizado pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – UNESCO, em Nova Iorque. ambiente agradece

A educação já havia sido escolhida nas negociações da Rio+20 para estar no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs, independentemente das negociações em torno do texto final do encontro, fato comemorado pelo governo brasileiro. Esse trabalho faz parte de um processo mais amplo, que é a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, o que impõe ações diretas da UNESCO nesta área no período designado entre 2005 e 2014. O desejo é aumentar a qualidade e abrangência da educação e reorientar seus objetivos para reconhecer a importância do desenvolvimento sustentável.

No entanto, o assunto é conflitante, já que as críticas costumam recair na impossibilidade de conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, tendo em vista a forma com que o mundo cresceu nos últimos séculos à custa dos recursos naturais usados de forma desmedida. “A crítica é relevante, especialmente quando se foca nas formas cruéis de supervalorização do lucro e desvalorização dos trabalhadores e do ambiente, mas tende a nos jogar no buraco do pessimismo, como se a história e as possibilidades humanas tivessem acabado. A prática mostra que existem experiências a partir das quais é possível garantir emprego e renda para muitas pessoas com formas menos agressivas”, explica Swamy de Paula Lima Soares professor de Sociologia da Educação na Universidade Federal da Paraíba, que desenvolveu mestrado sobre escolas rurais sustentáveis em Vicência (PE). “Por exemplo, se o padrão de consumo dos cidadãos norte-americanos fosse universalizável, não existiria espaço no planeta para os detritos produzidos. Entretanto, também podemos vislumbrar, hoje, vários movimentos de consumidores que exigem um ‘selo verde’ em diversos produtos. Isso força as empresas a pensarem sobre a questão dos resíduos e novas tecnologias de produção que colaborem mais com a preservação ambiental”.

Outra dificuldade verificada por especialistas é o alcance dos resultados desses encontros entre agentes governamentais. “Embora todas estas possibilidades tenham apoio e incentivo pelos diversos níveis de governo, não há indicações de que elas sejam prioritárias. Isso porque a maioria dos governos ainda tem colocado em segundo plano a questão ambiental, frente à necessidade de crescimento econômico. Esta opção tem sido predominante de 2008 para cá, em nível internacional, com a crise das economias norte-americana e europeia. No Brasil, infelizmente, é notório que a questão ambiental não está no grupo de ações prioritárias do governo federal, mesmo com o Brasil sendo sede da Rio +20. Exemplos recentes são as alterações do Código Florestal, as construções de grandes hidrelétricas na região Norte e o incentivo ao consumo através da redução de juros nos empréstimos”, critica Maurício Anaya, professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Cidade de São Paulo.

Ações no Brasil

No âmbito nacional, o Brasil só passou, de fato, a ter uma Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA a partir de 2002. A regulamentação da lei que criou o PNEA, possibilitou a criação do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, que começou a tomar forma em 2004, por conta das várias reuniões e da consulta pública que recebeu contribuições de mais de 800 educadores ambientais de todo o país.

Segundo o Ministério do Meio ambiente, o ProNEA desempenha a função de orientar agentes públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que almejem a sustentabilidade, ressaltando o bom exemplo das boas práticas e experiências exitosas.

Uma ação dentro do ProNEA é o Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental – SIBEA, no qual é possível acessar informações sobre educadores ambientais e instituições ligadas à Educação Ambiental no Brasil, um ponto de contato importante para quem deseja incorporar esta ação em sua comunidade ou até mesmo em sua escola. Outro exemplo é o Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar, criado em maio por meio de portaria assinada pela ministra Izabella Teixeira, que tem como objetivos contribuir para o desenvolvimento sustentável e fomentar processos educacionais críticos e participativos, que promovam a formação, capacitação, comunicação e mobilização social em prol de práticas sustentáveis. Além dos Coletivos Educadores, iniciativa que almeja a reunião das instituições que atuem de forma articulada com a intenção de formar educadores ambientais populares na região aonde atuam.

Educação ambiental nas escolas

Em relação à escola, a Educação Ambiental pode ser abordada como tema ou conteúdo transversal desde o ensino infantil até a graduação, não podendo, no entanto, constar nos currículos como disciplina. “O problema dessa ideia é a execução. A educação ambiental nas escolas sofre com os mesmos problemas crônicos que a educação, de uma forma geral, sofre no país. Agora, com a implantação de uma cultura de avaliação, poderíamos verificar se a orientação oficial em EA é cumprida pelas escolas. Mas entendo que isso está em risco, pois não foi dada a ênfase devida à educação ambiental no Plano Nacional de Educação – PNE 2011-2020. Corretamente, este documento inseriu a promoção da sustentabilidade socioambiental como uma de suas diretrizes. O problema é que o incentivo a essas práticas desapareceu das metas e estratégias”, ressalta o professor Mauricio.

ma2Contudo, a cada dia, temas relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade se fazem urgentes na sociedade e, principalmente, nas escolas, com o envolvimento de pais, professores e alunos. “Hoje, mais do que nunca, educação ambiental é importante devido à superpopulação mundial, às elevadas concentrações urbanas e às múltiplas e extremas formas de exploração dos recursos naturais em toda parte. Quando eu era criança, no Nordeste do Brasil, escutava de pessoas de origem rural, acerca do descarte do lixo, a expressão: ‘joga no mato’. Ainda hoje, nas zonas urbanas, as pessoas seguem descartando o lixo em qualquer parte, mesmo com lixeiras próximas”, afirma Maria Eulina Pessoa de Carvalho, professora da Universidade Federal da Paraíba, que coordenou projetos de educação ambiental em bairros carentes de João Pessoa.

Para o professor Swamy, se faz necessário que esses atos que parecem naturais no cotidiano, como jogar um pedaço de papel na rua ou no córrego, sejam colocados no ambiente escolar e problematizados para que as crianças e jovens se conscientizem da consequência de suas ações para o meio ambiente. “A minha geração, por exemplo, não se preocupava de onde vinha a água encanada e para onde ela iria. Se a educação escolar contribuir para que as crianças e os jovens de hoje possam, pelo menos, questionar essas ações, dará uma grande contribuição para se repensar e praticar um desenvolvimento com sustentabilidade”, observa.

A professora Eulina concorda e vai além, ao sugerir a criação de coleta seletiva do lixo nas escolas, a criação de hortas ou um espaço em sala de aula para a criação de vasos, além de as próprias crianças ajudarem na manutenção da limpeza da escola. “Uma noção horrível que ainda temos no Brasil é que a minha casa é mais limpa e mais bem cuidada do que o espaço público”, comenta.

Esse tipo de iniciativa cresce em importância na medida em que a geração atual se preocupa com o tema meio ambiente, mas pouco faz, efetivamente. Pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional da Indústria – CNI, em maio deste ano, revela que é crescente a preocupação com questões ambientais, embora as mudanças sejam mais difíceis de se materializar. Dos 2002 entrevistados, 52% afirmaram que pagariam mais por produtos ambientalmente corretos, mas somente 18% declararam que modificaram seus hábitos de consumo em favor do meio ambiente.

Apesar desses números, aos poucos o cenário avança. “Em quase 20 anos como biólogo, tenho notado que a preocupação ambiental tem sido incorporada no dia a dia das pessoas, embora de maneira muito lenta, mas com mudanças perceptíveis. Considerei positivas a mudança comportamental e toda a movimentação que assistimos, inclusive pelas redes sociais, contra as mudanças no Código Florestal. No entanto, questões que mexem mais com o nosso cotidiano, como a obrigatoriedade da inspeção veicular, o fim da distribuição das sacolinhas plásticas nos mercados e a necessidade de adotarmos medidas de consumo consciente ainda são polêmicas e de aceitação mais difícil pela maioria da população”, constata o professor Maurício.

Fique atento! Na próxima segunda-feira, dia 25 de junho, publicaremos a segunda parte desta reportagem, com exemplos de boas práticas no ensino ambiental.

Saiba mais!

Educação para o Desenvolvimento Sustentável: visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta, utilizando de métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente, além de promover o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta. Seu objetivo é fazer com que os cidadãos possam ter capacidade de agir por mudanças sociais e ambientais positivas por meio de uma ação participativa. Fonte: UNESCO.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Texto bacana sobre iniciativa popular para a educação

Olá amigos. Publico aqui mais um post especial produzido para o site www.blogeducacao.org.br. Acompanhem.

População tem voz na construção do Plano Municipal de Educação em Caravelas (BA)

Democratizar os processos de construção de políticas públicas e dar ao poder popular voz para decidir os rumos da educação. É assim que Caravelas, cidade ao sul da Bahia, serve de exemplo para o Brasil, ao abrir a possibilidade da população participar da produção do Plano Municipal de Educação – PME, que vai nortear as ações da Secretaria Municipal de Educação – SME nos próximos dez anos.

O texto está em fase final de elaboração e reúne sugestões de toda a sociedade, colhidas no ano passado. Comerciantes, trabalhadores, políticos, diretores de escola, professores, pais e até os alunos falaram sobre o que poderia ser melhorado na Educação do município. E, mesmo nas regiões mais afastadas, comunidades ribeirinhas e rurais também foram ouvidas. “Foi uma consulta geral em todos os distritos. Mobilizamos a comunidade com antecedência e o público veio em massa”, conta a coordenadora pedagógica da SME de Caravelas, Edna Maria de Souza Azevedo.

Até mesmo crianças do ensino infantil puderam falar o que queriam mudar e melhorar em sua escola. “Foi muito importante, porque até criança pequena, com a intermediação do professor, dizia o que queria que melhorasse. Uma história que me marcou muito foi a de um menino de três anos que falou ‘tia, quero uma cadeira menor, porque essa é grande, meu pé não alcança, fica pendurado e dói”’, lembra.

caravelas3Após ser finalizado, o texto será apresentado em audiência pública. A consultoria do Parceria Votorantim pela Educação – PVE vai ajudar a moldar estratégias de comunicação para que o conteúdo do plano esteja acessível e compreensível para as pessoas. Um recorte com trechos do que os alunos escreveram está sendo produzido para uma possível exposição na cidade. A ideia é mostrar o passo a passo desse processo de construção democrática e popular. “Agora, só falta a audiência pública para confirmar se o resultado apresentado está de acordo com o que a população deseja. Após isso, ele será enviado para o prefeito avaliar e encaminhar para a votação na Câmara Municipal”, explica Edna.

O desafio é criar estratégias a partir do plano definido, que possam ser executadas pela SME, em acordo com a Secretaria de Finanças do município para obter a verba para as ações indicadas no PME. Muitos diálogos estão sendo realizados dentro da secretaria para transformar os anseios populares em políticas claras em prol da Educação. Esta etapa conta com suporte do PVE, no âmbito do apoio à gestão pública, que deverá dar sugestões e auxiliar no estabelecimento de metas e indicadores que possam facilitar a obtenção do aporte financeiro necessário. Nesse sentido, está prevista uma reunião com o conselho do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb para viabilizar os recursos.

Caravelas dá exemplo de que a mobilização popular pode render bons frutos não só para a Educação, como para a própria democracia. “Tem sido bastante positivo esse processo de construção do plano feito pela SME junto com a comunidade, absorvendo a sugestão de todo mundo. O PVE disponibiliza consultoria para orientar e partilhar seus conhecimentos e experiências. É muito bom para a gente e para a cidade”, diz a mobilizadora de Caravelas, Fernanda Gabrielle Dias Braga.

Saiba mais!

Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb: fundo que financia todas as etapas da educação básica e reserva recursos para os programas direcionados a jovens e adultos.

Plano Municipal de Educação – PME: integrado ao Plano Estadual de Educação e ao Plano Nacional de Educação – PNE, visa apoiar políticas públicas do município e determinar metas e estratégias de ações na educação escolar.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Mais um frila da série…

Mais um post especial publicado hoje para o www.blogeducacao.org.br e que compartilho aqui no meu blog.

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Apoio à gestão ajuda a obter verba para a construção de creche em Capão Bonito

A persistência e a união de esforços podem render muitos frutos. Exemplo claro está em Capão Bonito (SP), que fica a cerca de 220 quilômetros de São Paulo. A cidade, após muito trabalho, foi contemplada com verba do Plano de Ações Articuladas – PAR, destinada pelo Ministério da Educação – MEC, para a construção de uma creche em um bairro carente. E a atuação da frente de apoio à gestão do Parceria Votorantim pela Educação – PVE pode ser apontada como um dos fatores importantes nesse processo, por sua atuação junto à Secretaria Municipal de Educação – SME, prestando suporte na elaboração dos processos necessários para obter o recurso tão sonhado.

Mas para alcançar esta realidade a luta foi árdua. Até 2011, nenhum dos pedidos feitos pela secretaria passaram pelo crivo do MEC. “O que a secretaria contou muitas vezes é que não havia nem um retorno por parte do Ministério de o porquê o projeto não ter sido contemplado”, lembra o mobilizador Israel Batista Gabriel, da Fíbria de Capão Bonito. Tanto que o objetivo de construir cinco creches via recursos do PAR acabou sobreposto por outra verba federal, vinda do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb, que chegou mais rápido e permitiu a construção de três creches.

A iniciativa ganhou impulso quando a prefeitura criou um comitê – com dez pessoas – responsável por cuidar da elaboração do PAR. Além disso, ocorreu um forte trabalho da frente de gestão pública do PVE, focado em prestar consultoria e suporte para a realização dos diagnósticos sobre a situação educacional, necessários para cumprir as exigências do MEC e obter a verba.

Resultado da ação conjunta: a aprovação de quase R$ 600 mil do PAR para a construção de uma creche no Bairro Boa Esperança, local da periferia da cidade que se formou ao redor de um antigo lixão. Hoje, as casas de madeira deram lugar às de alvenaria, existe água e esgoto, e o lixão foi desativado “É importante essa aprovação porque a população desse bairro é muito carente e a creche deverá ser o primeiro prédio público do local”, afirma Alexandrina Citadini, supervisora de ensino e responsável pela elaboração do PAR em Capão Bonito. A primeira parcela para a construção da creche já está na conta da prefeitura, que deverá começar os trabalhos em breve.

“Trabalhamos com duas frentes no PVE: a frente de mobilização e também a de apoio à gestão. Na mobilização, você vê facilmente o resultado: a pessoa propõe a ação, realiza e o retorno aparece logo. Agora, no apoio à gestão, às vezes, as coisas acontecem em longo prazo, porque é um processo mais burocrático. E isso aconteceu muito rapidamente: a SME tinha dificuldade do retorno do MEC e, em um ano, teve um resultado muito bom. Para a gente, é muito compensador saber que trabalhos como esse junto à secretaria dão resultados”, finaliza Israel.

Saiba mais!

Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb: fundo que financia todas as etapas da educação básica e reserva recursos para os programas direcionados a jovens e adultos.

Plano de Ações Articuladas – plano que articula municípios e federação, propondo ações na área da Educação que visem a melhoria do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Indeb. O PAR é operado por um sistema informatizado que armazena todas as ações que o governo propõe para a destinação de verbas, tais como capacitação e formação de professores, aquisição de materiais, reforma, construção e transporte.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

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