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Celac, União Europeia e o comércio internacional

Tem post novo no blog Notícias da América Latina!

Celac, União Europeia e o comércio internacional

As reuniões no Chile entre os membros da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE no fim de janeiro evidenciam o momento dos países do Sul estão em relação aos do Norte. Com crescimentos seguidos, medidas de distribuição de renda, atendimento social e forte participação popular em alguns casos, contrastam gritantemente com a quebradeira que assola a Europa. Só isso explica o interesse da UE nessa região e a tentativa de avançar nos acordos de livre comércio. E é isto que o artigo abaixo da Alai.net procura esmiuçar.

No entanto, acredito que esse tipo de acordo não tem como ser satisfatório aos países sulistas, devido à sua economia ainda exportadora de matérias-primas e de base agrícola. Do outro lado, o protecionismo europeu dificulta o envio dos produtos latino-americanos, enquanto que esses países correm o risco de perder competitividade e ainda verem a Europa tendo acesso a áreas comerciais estratégicas, como contratação pública, propriedade intelectual e serviços.

As bases de um possível acordo entre Celac e UE devem estar instauradas em um processo benéfico  aos países latino-americanos e não serem, mais uma vez, objetos de exploração das nações europeias. Acredito que este artigo dá um panorama sobre o interesse europeu em aprofundar as relações de livre comércio com a região e os percalços para alcançar este intento, já que há divisão, principalmente na América do Sul, sobre o objetivo de integração e relação comercial.

Por exemplo, Colômbia, Peru e Chile têm visões distintas do Brasil, Argentina e Venezuela quanto à integração e livre comércio. O primeiro trio já possui acordos de livre comércio com os Estados Unidos, enquanto que o segundo trio privilegia a multilateralidade em suas relações. Sem falar que as negociações entre Mercosul e UE, mencionadas no artigo abaixo, são antigas e de difícil conclusão e estão no bojo dessa reaproximação. À leitura, pois.

Para ler o artigo e o post completo, clique aqui!

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Unasur, un proyecto a largo plazo y de aceleración continua

Bom dia aos amigos do blog!

Informo a todos que tem post novo no Notícias da América Latina.

Publiquei hoje uma entrevista com o secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez Araque, originalmente postada pela Prensa Latina.

O conteúdo é bem interessante e aponta os caminhos do bloco no âmbito internacional, além de tratar que questões pontuais, como a disputa Equador x Reino Unido no caso Julian Assange e o gole parlamentar no Paraguai. Boa leitura e um ótimo domingo a todos nós!

Para ler o pingue-pongue, clique aqui!

Movimento dos Não-Alinhados valoriza processos de integração na América Latina

Oi amigos do blog!

Informo que postei um texto novo no Notícias da América Latina.

Abordo a respeito do término do Encontro do Movimento dos Não-Alinhados, no Irã, mas com foco em especial à participação da América Latina dentro do grupo e a importância concedida à região pelos países presentes.

Não deixe de ler! Está bem bacana, muitos pontos para debate.

Clique aqui e boa leitura!

‘Eleição de Humala é uma vitória para o Brasil’, diz cientista político

Por Rodrigo Herrero Lopes, para o Opera Mundi

A vitória de Ollanta Humala no Peru modificou as peças do cenário político da América Latina. Antes o Peru poderia ser enquadrado no grupo de países conservadores e mais alinhados aos Estados Unidos, distante dos processos de integração regional, mas conforme as primeiras declarações do presidente eleito, esse panorama deve mudar.

Para Carlos Antonio Romero, Doutor em Ciência Política professor titular no Instituto de Estudos Políticos da UCV (Universidade Central da Venezuela), além de a vitória de Humala reforçar o componente progressista latino-americano, é uma inquestionável vitória do governo brasileiro, que ganhou mais um aliado e parceiro.

Para ler a entrevista com o professor Carlos Romero, clique aqui.

Ajuda em pesquisa

Amigos,
Preciso da ajuda de vocês.
Preciso entrevistar leitores dos jornais escolhidos para a minha pesquisa de dissertação no Prolam/USP sobre as políticas exteriores de Brasil e Venezuela sob os governos de Hugo Chávez e Lula. Logo, preciso arrumar pessoas que leiam regularmente a Folha de S. Paulo.
Não precisa ser assinante, nem ler todo o santo dia. Mas o cara tem que acompanhar o jornal com certa regularidade. Não será uma amostra representativa, mas sim aleatória, só pra saber se a mensagem chega no leitor.
Se vocês puderem repassar isto para quem vocês conhecem e me indicar umas pessoas, agradeço muito.
É só mandar um e-mail apra: rodrigo.herrero@gmail.com.
Será uma entrevista aberta, não questionário fechado, mas é coisa simples, uns 15 minutos e tá ok.
Abraços!

Rodrigo Herrero

O primeiro tijolinho…

Olá.

Gostaria de compartilhar um momento de felicidade com vocês.

Ontem vi no site do Prolam (Programa de Pós-Graduação em integração da América Latina), no qual curso mestrado, que saiu na revista do programa um artigo de meu nome, em parceria com uma colega de estudos. É meu primeiro artigo acadêmico, oficial, produzido dentro do mestrado e reconhecido como tal. Foi uma alegria imensa, uma emoção realmente, enfim, mais um tijolinho colocado na construção desta casinha chamada mestrado/academia.

Já tomei muita porrada neste um ano e pouco de programa, a maioria com vistas a meu aprimoramento. Mas é sempre difícil você ver o lado positivo das críticas, ponderações e considerações e, ao mesmo tempo, se enturmar em um ambiente que você nunca participou. Sem falar na desesperança para ultrapassar metas, conseguir bolsa, etc. Angústias, medos, irritações, dúvidas, são bastante comuns nesse processo, em que se aprende e se sofre muito. Em contrapartida, são poucos os momentos de regozijo.

Portanto, a publicação deste primeiro artigo na Revista Cadernos Prolam/USP é o motivo de comemoração. É a coroação de um primeiro passo em muitos que precisarei dar ainda. Mas um de cada vez. E hoje é dia de estar contente com o trabalho feito até aqui.

Para acessar a edição eletrônica da revista, com os artigos e seus respectivos autores, clique aqui.

Para acessar diretamente o link do artigo, clique aqui.

Até mais.

3. Alba x Mercosul

Interessante notar, porém, que, enquanto tenta ingressar em uma união aduaneira direcionada para a América do Sul, fundamentada nos princípios do liberalismo que vigia na época do Consenso de Washington, a Venezuela impulsiona outro processo de integração, mais voltado à América Central e Caribe, que critica as bases do neoliberalismo, tentando implantar um processo de integração com princípios solidários, de cooperação entre os povos da região, anti-globalizante e anti-imperialista.

Trata-se da Alba, constituída em 14 de dezembro de 2004, com a assinatura da “Declaración Conjunta” e do “Acuerdo entre el Presidente de La República Bolivariana de Venezuela y el Presidente del Consejo de Estado de Cuba, para la aplicación de la Alternativa Bolivariana Para Las Américas”, primeiros documentos oficiais da Alba, que, pelo que nos pode ser percebido, não tem um tratado ou algum documento que possa ser considerado no direito internacional, muito menos que dê personalidade jurídica como uma organização internacional, pois a maioria dos documentos são apenas declarações, acordos, cartas de intenções, atas, memorandos. Seu caráter, portanto, é prático, pouco preocupado em constituir um marco jurídico para o bloco. E seu objetivo é político, de marcar posição e forjar uma aliança anti-capitalista na região, pois, enquanto o segundo documento citado sela vários acordos entre os dois países, o primeiro parte para os princípios que devem reger a Alba, entre outras coisas, promovendo a solidariedade e a cooperação entre os dois povos. E ataca a visão oposta disto:

El ALBA no se hará realidad con criterios mercantilistas ni intereses egoístas de ganancia empresarial o beneficio nacional en perjuicio de otros pueblos. Sólo una amplia visión latinoamericanista, que reconozca la imposibilidad de que nuestros países se desarrollen y sean verdaderamente independientes de forma aislada (…) para diferenciarla de la otra América, expansionista y de apetitos imperiales” (ALBA, 2004, p. 01).

Portanto, os projetos de integração apresentados pela Venezuela, caso mais puro da Alba, liderada juntamente com Cuba, possuem caráter prioritariamente político, sendo motivados por razões de poder, neste caso, aumentando o poder dos Estados do subcontinente e, conseqüentemente, diminuindo sua dependência, além de frear a dominação política e econômica dos EUA na região. Com isso, a Alba procura cumprir um primeiro papel que é fortalecer os países do Caribe e da América Central, histórica área de influência estadunidense, sempre fragilizados devido a seu tamanho e sua pobreza, criando uma rede de proteção em relação ao EUA. Não é a toa que a Alba está assentada em quatro elementos “impensáveis dentro dos parâmetros do capitalismo” (BOSSI, 2005, p. 01): complementaridade, cooperação, solidariedade e respeito pela soberania dos países, em oposição clara à Alca. Um documento chamado “¿Qué es el Alba?”, do próprio site da entidade, evidencia esse caráter político, social e, até mesmo, ideológico:

Mientras el ALCA responde a los intereses del capital trasnacional y persigue la liberalización absoluta del comercio de bienes y servicios e inversiones, el ALBA pone el énfasis en la lucha contra la pobreza y la exclusión social y, por lo tanto, expresa los intereses de los pueblos latinoamericanos. El ALBA se fundamenta en la creación de mecanismos para crear ventajas cooperativas entre las naciones que permitan compensar las asimetrías existentes entre los países del hemisferio” (ALBA, 2004).

Sendo a Alba uma reação à Alca e ao liberalismo, um projeto anti-capitalista que denuncia o imperialismo dos Estados Unidos e propõe uma integração regional baseada na cooperação, solidariedade e aproximação ideológica, como fica a co-existência de um projeto que, indiretamente, ataca o Mercosul, fundamentado em princípios liberais e mercantis? E o mais curioso, o principal líder e motor da Alba, a Venezuela de Chávez, ao mesmo tempo, tenta ingressar no Mercosul, para participar de uma zona de livre comércio e uma união aduaneira imperfeita.

Como já dissemos, a Venezuela precisa do Brasil e dos demais países do Mercosul, tanto para importar seus produtos, já que o país produz muito pouco e, ao mesmo tempo, exportar seu petróleo, diminuindo sua dependência dos Estados Unidos, principal comprador do óleo venezuelano. Além disso, Chávez necessita, para consolidar seu projeto bolivariano, tanto internamente, quanto no plano externo, promover uma integração sem retorno, baseada na questão energética, tendo a Argentina, mas, principalmente, o Brasil, como um ator vital para a continuação do andamento dos processos de integração no subcontinente, mesmo que não partilhando do teor bolivariano incrustado na retórica chavista.

Sendo assim, a Alba parece constituir um projeto dissociado do Mercosul, que Chávez tenta seguir em frente, como forma de criar uma rede de proteção também para si, a partir da América Central e Caribe, com parceiros próximos, trocando petróleo por influência e cooperação em áreas específicas. Trata-se de uma aposta importante para consolidar a Venezuela como um país influente naquela região, partindo dali a liderança de seu projeto bolivariano. Já no caso do bloco no subcontinente sul-americano, se torna vital sua aproximação ao Brasil e à Argentina, agregando forças numa possibilidade de uma união sul-americana (e a criação, até o momento incipiente, da Unasul parece apontar para isto) para que a região tenha autonomia para crescer, se desenvolver e negociar em pé de igualdade com os demais blocos e potências mundiais, como o próprio Chávez diz: “Hoy somos libres, como Brasil es libre y libres caminaremos de la mano, construyendo la gran potencia suramericana, porque todo lo indica: Suramérica va a ser una gran potencia mundial” (CHÁVEZ, 2009, p. 13). Sem deixar de lado seu desejo de “refundar” o Mercosul, até como forma de alcançar esse projeto, mas, de momento, ele não pode renegar um parceiro tão importante que ajude a legitimar suas ações dentro da Venezuela e fortaleça seu país externamente.

Amanhã: 4. Alca, União Européia, OMC e um impasse

Artigo em partes

Artigo em partes

1.Introdução

2. Breve e sintético histórico da integração latino-americana

2.1 Brasil x Argentina: do conflito à cooperação

2.2 O modelo liberal do Mercosul

2.3 Mercosul volta à cena

2.4 A Venezuela e o Mercosul

3. Alba x Mercosul

4. Alca, União Européia, OMC e um impasse

5. Conclusão

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