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Crítica a Nheengatu, dos Titãs

Olá. Hoje publico um texto que escrevi há alguns meses para o Diário Catarinense, mas que acabou não sendo aproveitado. Uma crítica ao álbum Nheengatu, lançado este ano pelos Titãs. Aliás, um baita trabalho. Abaixo está o texto. Aproveito e indico o link do canal da banda para ouvir todas as músicas. Vale a pena.

Nheengatu

O rock brasileiro dos anos 80 continua vivo nos corações e mentes de velhos e jovens que buscam em melodias e letras a resposta para suas frustrações e a animação para suas festas. Acontece que as bandas vivem de seus sucessos antigos e poucas parecem ter o que dizer atualmente. Bem, era assim até o Titãs resolver lançar o Nheengatu (Som Livre, preço médio R$ 24,90). O primeiro álbum desde o fraco Sacos Plásticos (2009) traz de volta a vitalidade do rock do conjunto titânico, com letras com uma visão crítica e bem atual da nossa sociedade, relembrando os melhores momentos da carreira da banda.

Tudo isso sem soar um cover de si mesmo. As referências ao clássico Cabeça Dinossauro, de 1986, existem, assim como ao pesadíssimo Titanomaquia, de 1994, mas apenas compõem o mosaico diversificado e roqueiro de Nheengatu. O quarteto que restou (Paulo Miklos, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Belotto, completados pelo baterista Mario Fabre, como convidado) do que um dia foi uma mega banda com nove membros vai além do passado e traz um conjunto de canções pesadas, mas com ritmos e referências à música brasileira, ao mesmo tempo em que apresenta um retrato dos dias atuais.

Esse diagnóstico começa já no encarte do álbum e no nome dele. Nheengatu é uma língua derivada do tupi-guarani, criada pelos jesuítas no século XVII para unir as tribos nativas do Brasil e os portugueses recém-chegados. Por outro lado, a capa traz a imagem da Torre de Babel, mito bíblico sobre a falta de comunicação entre os homens.

O álbum começa com “Fardado”, composta em meio às manifestações de junho de 2013 e vai fundo na crítica quanto ao papel da polícia na relação com a sociedade. “Mensageiro da Desgraça” é um hino da São Paulo urbana e visceral na visão de um mendigo, que retrata os males que a selva de pedra causa a quem não conseguiu vencer na vida.

“Fala, Renata” é um bate-estaca característico dos Titãs, com uma guitarra intermitente e o vocal raivoso de Britto que critica os verborrágicos que poderia muito bem ser transportada às redes sociais. Parceria entre Miklos e o eterno titã Arnaldo Antunes, “Cadáver sobre Cadáver” é o ponto alto do disco, com sua letra ácida e sombria. Vale uma menção à épica “Canalha”, cover de Walter Franco, que cresce até irromper no nome da faixa em um grito marcante de Mello. “Pedofilia” é a mais polêmica do CD, pois toca num tema delicado, na visão da vítima e do agressor.

“Flores pra Ela” tem mudanças de tempo e de ritmo. Em alguns momentos, algo bem dançante e brasileiro, em outros, veloz e agressivo. E a letra acerta o estômago ao falar da violência doméstica. “Senhor” traz uma visão da banda em relação ao papel da religião no Brasil hoje em dia, com tentáculos cada vez mais influentes na política.

O disco termina com “Quem são os animais?”, uma música baseada numa guitarra hardcore e com uma letra que vai direto no preconceito: “Te chamam de viado e vivem no passado/Te chamam de macaco e inventam o teu pecado”.

Nheengatu pode ser considerado o melhor disco dos Titãs nos últimos 18 anos. Não é difícil, levando em consideração que nesse período foram lançadas mais obras ao vivo, disco de covers e o estrondoso sucesso do Acústico MTV no final dos anos 90, que levou a banda a trilhar o caminho pop por quase uma década. Independentemente disto, o disco recoloca a banda no patamar dos grandes, mas com uma vantagem: continua atual, sem ser panfletário e sem precisar recorrer apenas a seus sucessos.

O conjunto mostra que ainda tem o que dizer e se fazer ser ouvido em meio ao deserto que o rock brasileiro vive, voltado ao passado e à falta de reflexão social, deixando de ser a referência que foi nos anos 80 e parte dos 90 justamente por sua conexão com a sociedade. Coisa que o Titãs resgata, para o bem do BRock.

Oasis no Brasil

Fiquei muito contente na última quarta-feira, ao saber da notícia da vinda do Oasis ao Brasil em maio pela segunda turnê consecutiva. A última visita da banda inglesa ao Brasil fora em 2006, para divulgar Don’t Believe the Truth, disco anterior ao Dig Out Your Soul, lançado em 2008, razão da nova turnê ao Brasil. É um pouco raro este fato, já que no último hiato entre álbuns eles passaram cinco anos sem vir pra cá, sendo que em 2001 foi no Rock and Rio, ou seja, show único (e morno) no Rio de Janeiro, platéia grande e diversa. Em São Paulo mesmo eles não vinham desde 1998, durante a turnê do estrondoso Be Here Now.

O fato da banda vir já no disco seguinte desta vez mostra que o trabalho está sendo bem divulgado aqui (a grana deve estar boa) e a banda deve ter gostado do show único de 2006 no estacionamento do Credicard Hall, debaixo de um dilúvio e sob efeito um fedor horroroso do rio Pinheiros. Eu estive no show, tendo sido inesquecível para mim, como fã da banda que sou.

Não tenho mais costume de ir em shows (sinal da idade: aquela multidão, falta de conforto e empurra-empurra me irritam), são pouquíssimas as bandas que vêem pro Brasil que eu me empolgo a ver a tal ponto de pagar as fortunas que são os ingressos. Mas com o Oasis é diferente: só foi saber que eles viriam, fiquei feliz, procurei saber as datas e já me programei para ir. Das bandas em atividade, só faria algo semelhante com The Smashing Pumpkins. Nem com o Foo Fighters estou mais tão certo, banda que já frequentou meu Top 5 tempos atrás.

E para quem estiver interessado, eis as datas da turnê no mês de maio. Sim, datas: serão quatro shows em território tupiniquim, recorde, em se tratando de Oasis no Brasil (em 1998 foi Rio e Sampa; 2001 Rio; 2006 Sampa). O primeiro show acontece dia 7, no Rio de Janeiro; o segundo, dia 9, em São Paulo; o terceiro, dia 10, em Curitiba; e o quarto, dia 12, em Porto Alegre. Ainda não há informação de preços, mas a Ticketmaster indica que a venda começa para os clientes Citibank no dia 20 deste mês. Já para a plebe, a projeção é dia 27. As informações são do Portal Uol.

E como forma de carregar as baterias para esta turnê, posto aqui um link para uma matéria que escrevi para o Rabisco (um site independente onde eu exerci as funções de colaborador, colunista e editor) sobre o show do Oasis em 2006. Para ler o texto, basta clicar aqui.

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