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Archive for the ‘Crônicas’ Category

Alguns rabiscos sobre a ácida comédia Special Correspondents

Acabei de ver Special Correspondents (Netflix, 2016) e achei que valia rabiscar (que Deus o tenha, Rabisco!) algumas linhas. Escrito e dirigido por Rick Gervais (The Office, O Primeiro Mentiroso, Uma Noite no Museu), a história se passa em Nova Iorque, em que um jornalista e um engenheiro de som são enviados para o Equador para cobrir uma suposta guerra civil no Equador. Só que Finch (Gervais), o técnico, está chateado pela sua recente separação e, sem perceber, acaba jogando fora as passagens, passaportes e dinheiro que estavam num envelope. Com isso, ele e Frank (Eric Bana) resolvem forjar a cobertura do conflito em estúdio improvisado em um apartamento em cima de um restaurante em frente à rádio na qual trabalham.

O cômico da história é que todos acreditam nos relatos e, a cada entrava ao vivo que passa, Frank inventa novos fatos para atender a seu chefe sedento por novidades. Assim, uma história totalmente falsa vai sendo costurada – o fato do Equador ter sido o país escolhido parece mais um item nesse castelo de cartas marcadas montado por Gervais, pois lá não há guerra, muito menos civil. E todos acreditam. Até repórteres que estão em Quito compram a história, não há checagem e, pela sede de audiência e por vaidade, passam para a frente. É uma crítica escancarada ao jornalismo feito nos Estados Unidos e que pode valer para qualquer parte do mundo. Inclusive se encaixando perfeitamente como uma luva no Brasil.

Uma passagem é peculiar: uma apresentadora pergunta ao enviado especial de uma televisão o porquê ele ninguém sabia antes que o suposto líder do suposto grupo guerrilheiro equatoriano seria Emilio Santiago (não é o cantor, já falecido), Alvarez, nome criado por Finch e Bana. O repórter respondeu que já sabia de rumores dele, mas não tinha noticiado confirmação das ações dele na guerrilha. Enquanto isso, Finch e Frank assistem e caem na gargalhada.

Além da incompetência jornalística e da espetacularização (e manipulação) da notícia, outra veia abertamente atacada por Gervais é a glamourização do acontecimento, das tragédias, enfim, de qualquer coisa, tudo para gerar audiência e fazer as pessoas consumirem – o conceito de “disfunção narcotizante” dos funcionalistas que analisam a comunicação não analisaria melhor isso.

Ao saber que o marido (Finch) havia sido sequestrado, a esposa Eleanor (Vera Farmiga) se aproveita da situação para se lançar como cantora e fazer uma campanha de arrecadação para o pagamento do resgate aos supostos sequestradores – e ficar com a grana, claro. Com isso ela emociona o país e passa a frequentar todos os talk shows e programas de auditório dos Estados Unidos, vira capa de várias revistas e jornais e se torna popular em todo o país. Uma crítica hilária a essa necessidade que a sociedade e a própria comunidade tem de criar ídolos e pessoas a quem consumir, admirar e mesmo em quem projetar uma outra vida, que às vezes acreditam ser melhor.

Enfim, como não poderia deixar de ser, uma comédia feita por um inglês não ficaria nas piadas rasas e simples, de duração instantânea. Há toda uma teia reflexiva em torno de como nossa sociedade está projetada nos dias de hoje, em que nada se verifica, tudo é vazio, frágil e fútil e ao mesmo tempo espetacular e glamouroso, pronto para ser consumido e esquecido no próximo tuíte, post ou link.

Ps: post escrito ao som de King Crimson. Conhecendo ainda a sonoridade citada pelo Renato Russo como influência na elaboração do álbum V, da Legião Urbana, lançado em 1991 e com uma baita pegada progressiva.

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Turismo: Governador Celso Ramos

Praia de Palmas - Gov. Celso Ramos - 9.11.2014

Praia de Palmas – Gov. Celso Ramos – 9.11.2014

Começo hoje uma nova/velha seção no blog. “Fotografia” tem uma categoria definida aqui do lado (láááá embaixo) e, de vez enquando, eu publicava algo com alguma foto, para dar uma quebrada nas publicações de textos. O maluco é que tem muitos outros posts com foto que não aparecem nessa categoria e deveriam, mas como eu fazia com outro intuito, não colocava. Ou seja: tenho que arrumar isto. Aos poucos, tentarei.

Dito este preâmbulo/justificativa, digo que vou aproveitar esta vinda à Santa Catarina para postar imagens de lugares maravilhosos que tenho conhecido neste um ano e três meses (e contando) que estou por aqui. A natureza é o ponto forte do Estado, com praias deslumbrantes, morros e serras lindíssimas, trilhas, passeios, enfim, muito o que fazer neste aspecto turístico. E basta ter sol para ter zilhões de opções nos fins de semana, ainda mais na temporada de calor. O céu azul chama para as praias e fica até difícil escolher para que lado ir, ou simplesmente ficar na faixa de areia perto de casa. Claro que uma dupla de paulistas não ia deixar de morar a poucos passos de uma praia, após anos em meio a prédios e poluição, sempre sonhando com o litoral a uma hora da capital. Aqui não, para onde se olha há praia.

Camarão é vida!

Camarão é vida!

E para retomar este espaço, escolho o último lugar que fomos, eu e a Patrícia, no caso. Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis. Uma cidade de 51 anos de emancipação e que seu primeiro nome era Ganchos, onde quem nasce ainda é chamado de gancheiro (achei massa a alcunha). Uma península com baías, braços de terra que saltam para o mar como ganchos e dezenas de praias maravilhosas. Demos apenas uma passeada por algumas, para depois ir com calma e ficar mais tempo em uma ou outra. O que nos motivou a ir até a cidade foi a 1ª Festa Regional do Camarão, que se encerrou ontem. Como vocês podem ver na foto, comemos camarão (um dos pratos favoritos da dupla) até dizer chega – o lugar é um dos grandes produtores de camarão do Estado, e olha, delicioso! Depois, foi bodear numa praia, depois conhecer e bodear em outra e observar o mar, ilhas, morros, pessoas curtindo o ambiente… Entre olhadas no celular para saber informações sobre a rodada do Brasileirão, o que deixou meu fim de tarde um pouco mais angustiante, confesso.

O bacana do lugar é que há praias e até uma baía de golfinhos, que um dia ainda queremos ver alguns desses animais (já tentamos com o barco pirata, mas eles não apareceram), mas também a estrada que circunda a península sobe e desce pela região de morros que caracteriza esse pedaço de terra que salta da geografia catarinense rumo ao Oceano Atlântico. Então, tem também momentos de um cenário rural, com vaquinhas e bois pastando sossegadamente na planície e muito verde ao redor da via pavimentada. Destaque também para os “mirantes”, uns acostamentos precários, mas que abrem espaço para cenários maravilhosos.

Enfim, um dia é pouco para Governador Celso Ramos. Isso quer dizer que iremos muitas vezes para lá. Nesse e nos próximos verões.

Baía dos Golfinhos - Gov. Celso Ramos

Baía dos Golfinhos – Gov. Celso Ramos

Uma noite pela 4ª divisão do Paulista

Fui nesta sexta-feira à noite ver E.C. São Bernardo 1 x 1 C.A. Diadema, pela 4ª Divisão do Campeonato Paulista. Sempre quis ver um jogo do Bernô original e dessa vez consegui conciliar a minha agenda com a do torneio. Eu e mais 81 abnegados pagamos ingresso que gerou uma fabulosa renda de R$ 720, que não deve pagar nem a água da privada. Contei por cima o público e não  tinha mais que 115 pessoas.

Visitantes classificaram com o empate, enquanto os dos da casa praticamente foram eliminados.  Mas não podem reclamar. Saíram atrás no placar, mostraram força, empataram na etapa final, mas perderam dois gols incríveis que poderiam ter dado a vitória. Não fez, amigo, bye-bye.

Bola rolou no Baetão nesta fria sexta-feira à noite

Bola rolou no Baetão nesta fria sexta-feira à noite

Legal de ver partidas assim é poder escutar jogadores e árbitro. Juizão mandou uma ótima no fim do jogo, após apontar lateral pro time visitante. Virou pro banco do Bernô e se desculpou: “não é sempre que eu acerto”. Depois, disse pros jogadores do Diadema, que faziam o manjado cai-cai pra passar o tempo: “depois não reclamem dos acréscimos que eu vou dar”. Deu quatro minutos.

No primeiro tempo, ouvi um torcedor gritar pro bandeira: “sai do Facebook”. Na hora não entendi, mas vi o bandeira mexer em algo no bolso. Não acreditei. Será que ele tem um celular no bolso? Não pude comprovar, a não ser fiar-me na zombaria do torcedor rival. O jogo começou atrasado porque duas traves de treinos estavam atrás de um dos gols e, segundo o árbitro, atrapalhariam o cotejo.

Gandulas retiram trave da cancha do Baetão

Gandulas retiram trave da cancha do Baetão


Transmissão ao vivo (!) e torcida organizada (?)

Uma coisa que me intrigou foi que tinham uns caras transmitindo (!!!!) o jogo via rádio. Devia ter perguntado que raio de emissora transmitia aquilo. Dois moleques na narração e comentários e um tiozão, lá pelos 50 anos, reportando no gramado. Até a NET local tava lá, pra fazer ibagens e entrevistar os artistas da bola.

Mas, transmitir o jogo ao vivo pelo rádio foi demais. Me arrependi agora de não ter perguntado. O comentarista parecia eu mais jovem: gordo, barbudo, desengonçado e com as calças lá no chão…

Organizado do Bernô  solitário

Organizado do Bernô solitário

A coisa é tão feia pro Bernô que nem organizada tem. Só o cara da foto acima com as faixas. Tinham umas garotas que gritavam qualquer coisa o tempo todo na social, uns moleques sub alguma coisa que mal viam o jogo e uns velhos que assistiam a peleja e ruminavam algo.

Já o Diadema tinha torcida que xingava o goleiro rival no tiro de meta e até a famigerada corneta. Cornetaram tanto o lateral do Bernô numa falta que, como castigo, saiu gol no mesmo lance. Voltaram para seus lugares com a corneta entre as pernas. Mas no fim eles festejaram a classificação e saudaram o ex-corintiano Ataliba, técnico da equipe visitante.

Ataliba sai de campo após classificar o Diadema á próxima fase da 4ª divisão do Paulista

Ataliba sai de campo após classificar o Diadema à próxima fase da 4ª divisão do Paulista

O que será?

Sentado no banco da praça, em frente à rodovia, ele observa o vai e vem dos carros, ônibus e caminhões, e pensa em como seria melhor sua vida se fosse um viajante itinerante, frequentemente perdido entre idas e vindas por cidades distantes, próximas, desconhecidas, irreconhecíveis, vazias, perdidas. Mas sempre novas e excitantes, por serem novas pra ele.

Mas ele cai em si após alguns instantes em devaneios e lembra-se que tudo se esvai em lembranças irrealizáveis, sonhos fracassados e memórias fragmentadas.

Sempre teve essa ânsia e essa saudade daquilo que nunca vivenciou ao olhar para uma estrada. Lembra de anos anteriores, em que mirava outra rodovia nas horas de almoço e projetava mil coisas para a sua vida, quando ainda era um jovem estudante e tentava injetar alguma droga fantasiosa em seu cérebro para fugir daquela rotina horrorosa de um trabalho horrorosamente distante de sua casa e de seus objetivos, interminável como todo e qualquer a fazer que não se deseja fazer.

Mas a vontade de seguir estrada continuava ali, presente, mais ou menos dez anos depois. Vivenciou por um tempo a experiência que nem imaginava que tanto sonhava. E por mais que sofresse com a rotina dura de muito trabalho e com as poucas noites e mal dormidas de sono, sentia-se completo por perambular de um destino a outro, ainda que lamentasse vivenciar por pouco tempo realidades tão distintas, e por vezes melhores, do que a sua.

Mas tudo que é bom, dura pouco e a salvação para a sua eterna dúvida de existência não seria respondida ali. Agora, de volta a uma rodovia como cenário, quadro de um cotidiano massacrante, observava sem tantos sonhos, mais como saudade daquilo que poderia ter tido, mas nunca teve chance para tê-lo. E ainda dizem que todos têm as mesmas oportunidades. Ao menos, podia dizer, viajava quando em vez para encontrar seus próximos e sentia o prazer e a adrenalina breve e passageira de seguir livre rumo ao infinito das paisagens e do asfalto de concreto.

Há tempos ele se acostumou a se contentar com pouco e já não sonha com a mesma ilusão de antes, já aprendeu que os limites da vida são maiores do que os da morte. Sim, viver lhe parece mais frustrante. Mas já faz parte do cotidiano, assim como conviver com a negação a seus prazeres, limitados cada vez mais pela saúde e pelo escasso dinheiro. A cada boa notícia, dez más notícias. Não há como ter paz assim. Não há como ver sentido a cada aprisionamento do corpo num coletivo alucinadamente cheio.

Só se completa quando ruma para outro destino, distante de tudo aquilo que lhe transtorna. Só assim imagina sentir sua alma livre de qualquer opressão, verdadeiramente leve e feliz. Mas como isso é impossível, se contenta com as migalhas diárias oferecidas pelos afortunados ou pelos acasos da vida. Não é assim, afinal de contas, que todos estão acostumados a viver? O que será do futuro senão uma repetição das mazelas do passado? O que será do futuro senão uma sequência de desacertos e frustrações, intercaladas com bálsamos esporádicos? O que será de tudo isso? O que será?

Categorias:Contos, Crônicas

Un día canchero

O último dia de passeio em Buenos Aires foi dedicado al fútbol. A meta do dia era conhecer o Monumental de Nuñez, do River Plate, e ir a San Martín conhecer a cancha do Chacarita Jrs., clube com torcida amiga a do campeão da Sul-Americana. E a meta foi cumprida com muito trem.

Primeiro, a Nuñez. Após chegar em Retiro, tomar o trem com destino a Tigre (todo pichado com motivos do vice-campeão Sul-Americano, hehehe…) e descer na terceira estação, Nuñez.No meio, um “brasileño puto” me recebeu dentro do vagão, ou de algum anti-imperialista (hehe) ou de algum torcedor com dor de cotovelo mesmo (hahahaha). As estações na Argentina são aquelas antigas que quase não mais existem em São Paulo (a exceção da Mooca, por exemplo). O cenário de uma estação é bem bucólico, com árvores, verde, praças no entorno, cenário calmo. E o mais curioso é que é toda aberta e o tipo pode entrar sem pagar, mas corre o risco de tomar multa caso alguém da empresa cobre o bilhete.

El Monumental de Nuñez

El Monumental de Nuñez

Nuñez tem um quê de Morumbi, uma região calma, majoritariamente residencial e com casas melhores. A caminhada até a Av. Libertador (uma das principais da cidade) foi tranquila. Ali já há um maior movimento, avenidas grandes com prioridades para carros.

O estádio do River é no estilo tradicional, redondo. E enorme, com uma vista imponente para quem chega ao local. Mas antigo. As cadeiras são de uma madeira bem desconfortável – semelhante às cadeiras amarelas do Morumbi até pouco tempo. Mas é histórico. Imagino aquilo lotado, deve ser fantástico. Infelizmente, o recorrido completo não estava disponível justo ontem. Ficamos só com a visita expressa, que a monitora permite que entremos num setor do estádio e fiquemos por ali uns dez minutos tomando fotos. Bem inferior do tour completo na Bombonera, com visita a várias partes do estádio e com um guia a explicar tudo.

Depois, al museu. Bacana, tem umas camisas antigas, uma reverência à seleção argentina bi-campeã mundial e aos atletas do River que foram campeões pela seleção. E as poucas taças internacionais expostas, com destaque às duas Libertadores e ao único Mundial que possuem. Vale mencionar, porém, que o museu é bem fraquinho, em comparação ao do Boca. Mas tem seu charme. Na entrada, uma locomotiva enorme e uma representação de uma estação antiga, com a placa “La Máquina”. Aproveitamos para almoçar ali, já que nos arredores não havia nada quase – tal e qual o Morumbi – e ficamos assistindo o noticiário sobre os saqueos a supermercados em várias cidades argentinas – a coisa aqui tá preta, não sei se vocês estão por dentro.

Dali, voltamos ao trem, para retornar à Retiro. Como a estação é aberta e eu não vi de cara a boletería, larguei o foda-se e não paguei a volta, 15 pesos duas passagens na ida já tinha sido cara. Só por que vai à Tigre? Ah, vá! Só na hora em que o trem chegou é que eu vi a boletería numa ponta da estação, mas o trem estava chegando. Era pagar e ficar mais 20 minutos esperando, ou entrar…

Em Retiro, fomos direto pro trem que vai à Suárez – nem me toquei que não deve haver esse lance de baldeação como em São Paulo. Dali, mais um martírio de trem lento e nove estações até chegar à San Martín, cidade próxima a Buenos Aires. E bem diferente da beleza e história da capital federal. San Martín, pelo pouco que vi, lembra um bairro da periferia da Zona Leste. Sendo específico, me lembrou o Jardim Marília, bairro que fica entre a Cohab-1 e o Shopping Aricanduva – quem é de lá sabe do que falo. Não geograficamente, mas as casas, a tranquilidade… e a pobreza. Para “ajudar”, todas as lojas praticamente estava fechadas as 3 da tarde, o que nos deu um certo medo, dadas as notícias de ondas violentas fora de Buenos Aires – na volta vimos um súper com as portas meio abaixadas.

Cancha del Chacarita Jrs.

Cancha del Chacarita Jrs.

Para chegar ao estádio é também preciso uma caminhada de umas boas quadras e é até difícil crer que há um estádio ali, já que só se vê casas pequenas, simples, uma área estritamente residencial, quando saímos da avenida que dá à estação San Martín. Mas, após muitas ruas, avistamos o estádio. o problema agora era entrar lá. Após quase uma volta completa no quarteirão do estádio, as esperanças diminuíram. Até que um portão minúsculo com uma campainha foi a salvação. Toquei o timbre e veio o seu Luiz com os três perros que o acompanham. Assim que ele abriu o portão e me viu com a camisa do atual campeão da Sul-Americana (em cima de um dos grandes rivais do Chacarita), ele abriu um sorriso e nos convidou a entrar, sem precisarmos falar quase nada. Foi ele quem disse: “Vocês não sabem a alegria que me deram ao ganharem deles”. Entramos na cancha Funebrera e foi muito foda (isso resume mais do que adjetivos pomposos, sorry) passear pelo estádio, tirar fotos e papear com o “administrador” do estádio, que fica durante o dia numa casa de madeira improvisada. Tinha um cara cuidando del cespéd (repleto de areia) com uma máquina, o canchero, como me explicou o seu Luiz.

Ele ainda nos deu dois pôsteres do Chaca e contou do sonho de ver o estádio de San Martín pronto e ampliado e das dificuldades inerentes a um time pequeno que tenta se levantar. Ficamos lá uns 15 minutos e tirei foto de tudo quanto foi jeito. Uma pena que ele não tinha uma camisa do clube lá para trocar, seria o mundo perfeito. Na saída, ele ainda retomou o assunto da final. Disse que soltaram muitos fogos com os gols, que gritaram bastante e festejaram. Eu disse, como um título? E ele abriu um largo sorriso, confidenciando como o São Paulo é querido por aquelas bandas. Por vários motivos que vão além da semelhança da camisa.

Na saída, ainda tentamos ir no bar dos hinchas do clube, mas o lugar era meio esquisito, só tinham dois bebuns (hehe) que mal entendiam o que a gente falava, então caímos fora. Mais à frente, em busca de água para combater o sol forte do dia, uma mulher nos atendeu e seu filho, com um short do Chaca, reconheceu a minha camisa. A mãe dele: “De quien és?”. E o moleque não titubeou: “San Paulo”. Além da água e de um adesivo do Chacarita que comprei, ela me deu vários outros, da inauguração do estádio, mostrando muita simpatia. Olha, foi dos momentos mais bacanas da viagem.

À noite, para fechar bem a viagem, finalmente fomos à San Juanino, uma empanadería que fica na distante Recoleta (distante para os pés já cansados, diga-se) para nos deliciarmos com a tipica e saborosa empanada local. Indicado por um amigo, o restaurante é pequeno e aconchegante, as empanadas são boas e o vinho é ótimo! Na saída, uma paradinha na sorveteria Volta, par ao último sorvete de dulce de leche de 2012. Melhor do mundo!

Bem, chega de papo. É hora de arrumar as malas, ir a um mercado comprar guloseimas argentinas e voltar à terra do atual campeão da Sul-Americana! Em breve mais relatos sobre a viagem, quem sabe, com mais impressões – gerais – sobre o que eu vi de Buenos Aires. Hasta luego, chicos!

Chau, Buenos Aires!

Chau, Buenos Aires!

Uma visita à terra do vice…

Ontem saímos de Buenos Aires rumo a novas experiências. E as tivemos, mas não de uma forma muito agradável. Recomendado por vários amigos e amigas, fomos à cidade do vice-campeão da Sul-Americana de 2012 conhecer o seu Delta e seus rios. O passeio em si é bacana, mas a tormenta é chegar até lá. E finalmente eu entendi que Tigre não tem nada a ver com Buenos Aires, ao contrário do que andei lendo na época da final do torneio de futebol.

Tren de La Costa - seria bom se ele saísse de Buenos Aires

Tren de La Costa – seria bom se ele saísse de Buenos Aires

Para chegar lá é preciso tomar um metrô, um trem de subúrbio e um trem turístico. O primeiro tardou 15 (!!!!) minutos para passar, lotando a estação – não é muito recorrente isso, mas ontem tivemos amargas experiências também en el SUBTE. Ao chegar em Retiro, estação que engloba os trens, uma zona. Cada plataforma tem um quadro de aviso que vai sendo atualizado. O trem estava marcado para chegar 10h29. Deu 10h40 e nada. Aí o quadro de avisos apagou e um recado no alto-falante sugeriria – porque não dava para entender aquele som abafado – que o trem iria sair não mais da plataforma 4, mas da 1. Mas o quadro da 1 não mudara. Ficamos no mesmo lugar. Até que o da plataforma 4 mudou para outro destino: Suárez. o trem chegou, todo mundo entrou, ficamos sem saber o que fazer. Até que o quadro mudou repentinamente para Mitre – destino para ir à Tigre. Entramos e aí virou um samba do criolo doido: gente perguntando para onde ia o trem, gente sentada saindo, gente entrando. Daqui a pouco se tocaram que não ia mais para Suárez e a galera que veio correndo pegar o trem saiu correndo também, até que só ficaram (e vieram) os que iam para Mitre. Um caos.

Depois de tudo isso, o trem demorou uns 15 minutos para sair, com pau na mecânica. Quando saiu, mais lerdo que os da CPTM. Ainda assim, em meia hora chegamos à estação Mitre, em Maipú. Aí, é pegar o turístico, que leva um tempo para chegar, mais uma meia hora até Tigre…  Chegamos lá mais de meio-dia e meia. Ao menos o passeio pelo Tren de La Costa é agradável, passa perto do Río de La Plata, por áreas verdes, muito gostoso.

Não sei se foi a época do ano, mas a cidade pareceu-me deserta, uma cidade fantasma mesmo. Parque de Diversões fechado, quase ninguém nas ruas, passeios vazios, sem filas para o barco, muito esquisito. O passeio de barco pelo rio (uma hora por 40 pesos) é legal, você passa por muitas casas (de veraneio ou residências mesmo) que ficam na margem do rio, com decks diretos na água. Em alguns casos até prainhas há, com o pessoal se banhando etc. Como o tempo mudou à tarde (de manhã, um frio terrível, à tarde, um sol escaldante), deu pra ver um pessoal de canoa, ou mesmo na margem curtindo o sol e a água.

Tigre

Tigre

Depois disso, fomos al Puerto de Frutos, um local amplo com vários comércios, gastronomia, artesanías, antiguidades etc. Tem uma parte que dá para ficar contemplando o rio, muito bacana. E como chegamos tarde, não deu para ver os museus do lugar, que são bem bonitos, mas longínquos do centro – o barco passa perto deles e a arquitetura do Museu de Arte, por exemplo, é belíssima.

Já eram quase 17h30 e resolvemos voltar. E mais demora com o tem, não o turístico desta vez, mas o suburbano, de novo. Espera longuíssima e lentidão. Tanto é verdade que só fomos chegar 19h15 em Retiro. E eu li em vários lugares que era perto. Tsc, tsc. Olha, não vale a pena ir para Tigre para passar o dia, com tanta demora para ir e voltar, e ainda um passeio, digamos assim, morno. Deve ser bacana quedar un fin de semana, para aproveitar outros passeios, com opções de banho e conhecer outros pontos do rio, isso sim. O passeio me fez lembrar e ter saudade de Foz do Iguaçu, onde fizemos passeios ótimos, seja de barco, a pé, de bote etc. Foi bem mais agradável.

Mas, voltando à realidade, chegar em Retiro às 19h15 não foi bacana. Pelo horário, decidimos ir jantar e só depois ir para o hostel. Em Retiro, estação lotada, um inferno para entrar e um inferno ainda pior para baldear para a linha vermelha (são três estações de três linhas que se interconectam, imagine a zona). Um espaço minúsculo com gente entrando na plataforma, sem ter como você fazer o caminho oposto. Revivi meus piores momentos na Sé às 18h. Mas muito mais apertado, claustrofóbico até.

Ao menos, o jantar da noite foi exquisito. Fomos ao Niña Bonita, um restaurante pequeno, nada badalado, mas com um bife de lomo delicioso, acompanhado de uma ensalada mixta e de uma boa e velha Quilmes, enquanto que a Patrícia mandou ver um talharim à bolonhesa.

Bem, é hora de ir à rua para o último dia de passeio em Buenos Aires! Hasta!

Zoo, Mafalda y otras cositas más…

Buenas!

Ontem o dia foi meio caótico, mas terminou bem demais. Sem grana local, no dia anterior havíamos encontrado um Banco de La Nación próximo do destino de ontem. Então, pensamos: “beleza, não vamos precisar rodar o centro atrás de uma casa de câmbio”. Só que, no dia, chegamos ao banco e: “no cambia”. Ótimo, e agora? Dale caminhar quadras e mais quadras, entrar em bancos e perguntar aqui e ali, até uma atendente do BBVA Francés indicar o Shopping Alto Palermo, onde tinha uma casa de câmbio. Só que ela indicou errado e eu tive que perguntar para um vendedor a localização correta. E minhas duas unhas encravadas doendo horrores – é, ponto negativo da viagem: fui cortar a unha com a mão e abri espaço para ambas encravarem, a mais zuada agora é a do pé esquerdo, do direito tá quase ok. Finalmente conseguimos, mas perdemos mais de hora com isso, sem falar nos 15 minutos esperando o metrô de manhã – nota mental: nunca mais reclamar do metrô de São Paulo.

Urso polar fazendo uma boquinha no zoo

Urso polar fazendo uma boquinha no zoo

Lá pelas 11 e cacetada iniciamos nosso primeiro passeio do dia: o Zoológico da cidade. Um passeio esplendoroso. O lugar é gigante e tem atrações diversas, muitos animais que nem sonhava em ver, como urso polar, urso pardo, urso de “anteojos” (presenciamos uma luta entre eles), lhamas (minhas favoritas desde sempre), cervos, bisontes, camelos, leão branco, macacos variados, lemores etc. E com uma vantagem: o parque vende comida para dar aos animais. E os patos, castores, ratos do mato e outro roedor que não descobrimos o nome circulavam pelo meio do zoo e comiam na nossa mão, o mesmo com os bichos presos. É possível dar peixe para os lobos marinhos que ficam no aquário, eles fazem um barulho danado pedindo comida.

O problema é que só fomos sair de lá umas quatro da tarde, de tão bom que é o lugar. E o resto do passeio foi devidamente cancelado. Só deu espaço para irmos ao Jardín Botánico Carlos Thays, pegao al zoo y a estación del SUBTE, pontos favoráveis a meu combalido pé. E a chuva ameaça vir também, então não dava para vacilar. E o parque é legal, não tem um jardinzão de flores como Curitiba, mas é uma grande área verde bem perto da bagunça – dá para ouvir buzinaços e passos lá dentro ao mesmo tempo em que se sente o forte aroma das distintas árvores.

Jardín Botánico Carlos Thays

Jardín Botánico Carlos Thays

Voltamos mais cedo para o hostel para que eu pudesse colocar um par de chinelos e visitarmos a Mafalda em San Telmo, que acabamos esquecendo no domingo. No caminho à San Telmo, a cidade parada. Acidente numa autopista e manifestação da Confederação Geral dos Trabalhadores daqui pararam a cidade. gente vinha de ônibus de longe, parava na 9 de Julio, trancava a avenida e saía com suas bandeiras, tambores e biritas rumo à manifestação. Um paro que parou a cidade.

Tabla de fiambres y quesos

Tabla de fiambres y quesos

Mas, voltando à San Telmo, a estátua de Mafalda sentada num banco numa esquina de seu barrio é muito simpática e chama a atenção de todo mundo, até dos manifestantes, que passavam, tiravam fotos, posavam com ela. O bacana da rua é que hay muchos bares con sillóns en la pasillo, o que nos chamou a atenção para curtir uma cerveja e uma tabla de fiambres y quesos, típica daqui – e como eu gostaria que tivesse desse jeito no Brasil. Ficamos até tarde por ali, mesmo com a chuva que nos mandou para dentro do bar e nos fez voltar de táxi. O dilúvio perdurou a noite toda e espero que hoje acalme e não me estrague o dia. hasta luego!

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