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Archive for julho \15\UTC 2015

Um panorama da internet no Brasil*

O mercado de internet no Brasil está cada vez maior e prova que é uma aposta a ser mais que considerada, a ser trabalhada urgentemente pelas empresas, com uma estratégia digital planificada e que leve em conta os personagens e vozes que transitam por esse meio.

Um primeiro dado para mostrar a amplitude e potencial da internet no Brasil é que o país terminou o ano de 2014 como o quarto país com mais acesso à internet. Segundo números levantados pela consultoria de tecnologia eMarketer, até o final do ano passado, somamos 107,7 milhões de internautas no país, contra 99,2 milhões de 2013. O Brasil está atrás apenas da Índia (215 milhões), dos Estados Unidos (252,9 milhões) e da China (643,6 milhões).

Outro dado que mostra o crescimento acelerado do acesso à internet nos últimos anos é que a proporção de domicílios brasileiros com computador passou de 25% em 2008 para 49% em 2013, de acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br)

Em uma pesquisa um ano mais antiga, o Brasil já era colocado como o quinto mercado para negócios na internet no mundo e o quarto no ranking de países que passam mais tempo por dia usando aparelhos eletrônicos, com uma média de 474 minutos diários em TV, laptop, PC, smartphone ou tablet, segundo números da Kleiner Perkins Caufield & Byers (KPCB), apresentados em reportagem da Exame.

Outro dado coloca os brasileiros à frente quando o assunto é consumir internet. De acordo com o estudo “Brazil Digital Future in Focus 2014”, feito pela ComScore (e extraído do site Pan American World), os brasileiros são, disparados, os mais ativos no planeta na web. Nós passamos, em média, 29,7 horas por mês na internet. Esse número é sete horas à frente da média mensal mundial de 22,7 horas.

Ainda segundo esta pesquisa da ComScore, 65% dos brasileiros que consomem internet têm menos de 35 anos e 51% são homens, contra 49% mulheres. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul possuem a maior quantidade de internautas. Para obter mais informações sobre o perfil do público da internet, uma visita ao site Teleco ajuda a incrementar os números, embora os últimos dados são de 2013. Ainda assim, a pesquisa indica um aumento no total de usuários de internet e uma consequente queda na porcentagem de pessoas que nunca acessaram.

E-commerce também cresce

Se aumenta o número de usuários e a oportunidade de negócios, o consumo de produtos adquiridos via web, o chamado e-commerce, também aumenta. Segundo o relatório sobre comércio eletrônico divulgado pela E-bit em fevereiro (e que pode ser visto neste link), o comércio pela internet cresceu 24% em relação a 2013. A receita alcançou R$ 35,8 bilhões em 103,4 milhões de pedidos feitos, 17% maior do que no ano anterior.

Dentro disso, há também uma brecha que vem sendo aberta pelo mobile commerce, que já mordia em 2014 uma fatia de 9,7% do mercado de internet brasileiro. A maior parte dessas transações originam de smartphones (56%), superando o uso dos tablets, que chegou a alcançar 60% no início do ano passado.

Com esses dados somados, o Brasil se posiciona como o único da América Latina entre os 10 maiores mercados de e-commerce do mundo, conforme estimativas recentes compiladas no varejo online e offline.

Dá para crescer mais, e o mobile já absorve parte disso

Outros números nos mostram, no entanto, que ainda há muito espaço para a internet crescer no Brasil. Segundo dados da Cetic, 24,2 milhões de domicílios com renda de até dois salários mínimos (cerca de R$ 1,5 mil) não estão conectados à internet. Outros 7,5 milhões de casas na área rural também não possuem acesso à web. Esses números, levantados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos mostram o que ainda falta avançar, por parte do governo e das empresas de telefonia, para alcançar todos os rincões do Brasil.

No entanto, vale considerar outro fenômeno, levantado pelo grande acesso à celulares, principalmente os smartphones, que possuem acesso à internet. Muitas pessoas não têm desktop, notebook ou tablet em casa, mas passam muito tempo conectadas por meio do celular, seja no ônibus, no carro, na escola, no trabalho, no lazer. A mobilidade proporcionada pelos smartphones amplia as possibilidades de utilizar a internet de qualquer lugar, tendo ou não 3G, já que há cada vez mais locais com wi-fi grátis – prefeituras, como a de São Paulo, têm investido nisso.

E mesmo quem tem computador em casa, justamente pelo fato de passar pouco tempo em sua residência, acaba conectada ao mundo virtual pelo seu aparelho celular, trocando mensagens via whatsapp, curtindo fotos no Instagram, compartilhando notícias no Facebook ou opinando no Twitter. Ou tudo isso junto e misturado. E muito mais.

Em recente pesquisa TIC Domicílios do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 42,5 milhões de pessoas acessam a internet usando celulares no Brasil. Esse número representa que 31% das pessoas que têm telefone celular no país (um total de 137 milhões) utilizaram a internet via aparelho, de acordo com números da pesquisa apresentados em matéria da Exame.

Em outro levantamento, realizado pela agência digital We Are Social, que divulgou o relatório Digital, Social e Mobile de 2015, o número de conexões móveis aumentou 3% em relação a 2014, alcançando 276 milhões de conexões. E atualiza os dados para 39% da população brasileira conectada via dispositivos móveis. Esse relatório mostra ainda que, enquanto o número de usuários ativos na internet aumentou 10%, a quantidade de usuários mobile cresceu 15%.

Outro indicativo a corroborar o espaço tomado pelo mobile, os sites de notícia também tem sentido esse impacto. Para ficar em duas grandes empresas de comunicação, o Grupo Abril informa que 65% de sua audiência digital vem do mobile. No Infoglobo, que reúne toda a carteira de sites Globo.com, os dispositivos móveis correspondem a 39,95% da audiência. Nos EUA, 39 dos 50 sites de notícias digitais mais populares acumulam mais visitantes via aparelhos móveis do que ddesktops, de acordo com o relatório anual State of the News Media.

Outro gráfico deste relatório é que passamos 5 horas e 26 minutos por dia na internet, quase o dobro em relação à televisão (2 horas e 49 minutos). E as mídias sociais nos consomem uma média de 3 horas e 47 minutos. E das mídias, a preferida pelos brasileiros é o Facebook, com 25%, seguida de perto pelo Whatsapp, com 24%, com Facebook Messenger com 22%, Skype, 14%, Google+ 13%, Twitter, 11%, e Instagram, 10%, entre as principais.

Os que nos remete a uma outra reflexão, para encerrar esse levantamento. A de que a conexão de internet via aparelhos celulares toma uma fatia importante atualmente das operadoras de telefonia. A chegada do Whatsapp, Viber, Skype, Facebook Messenger e de outros aplicativos de mensagens instatâneas praticamente inutilizaram o SMS.

E, mais recentemente, com a chegada do recurso de voz por IP, oferecido desde abril pelo Whastapp, bastando apenas ter uma conexão wi-fi, para falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo sem precisar pagar nada por isso, coloca em alerta as operadoras, que estão tendo que se aliar a aplicativos de mensagens e voz para dar a volta por cima.

Para se ter uma ideia do impacto, estudo feito pelo Ibope a pedido da Qualcomm, 26% dos brasileiros possuem smartphone e, desse total, 89% dizem se comunicar por meio de aplicativos de mensagens, o que representa uma alta de 164% em relação a 2013. Por outro lado, houve uma queda de 64% nas menções a chamadas telefônicas por parte dos usuários neste mesmo levantamento. É o futuro que já chegou e quem não se adaptar, vai ficar para trás.

* Material produzido para o curso de Planejamento Estratégico Digital, da Digitalks.
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