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Un día canchero

O último dia de passeio em Buenos Aires foi dedicado al fútbol. A meta do dia era conhecer o Monumental de Nuñez, do River Plate, e ir a San Martín conhecer a cancha do Chacarita Jrs., clube com torcida amiga a do campeão da Sul-Americana. E a meta foi cumprida com muito trem.

Primeiro, a Nuñez. Após chegar em Retiro, tomar o trem com destino a Tigre (todo pichado com motivos do vice-campeão Sul-Americano, hehehe…) e descer na terceira estação, Nuñez.No meio, um “brasileño puto” me recebeu dentro do vagão, ou de algum anti-imperialista (hehe) ou de algum torcedor com dor de cotovelo mesmo (hahahaha). As estações na Argentina são aquelas antigas que quase não mais existem em São Paulo (a exceção da Mooca, por exemplo). O cenário de uma estação é bem bucólico, com árvores, verde, praças no entorno, cenário calmo. E o mais curioso é que é toda aberta e o tipo pode entrar sem pagar, mas corre o risco de tomar multa caso alguém da empresa cobre o bilhete.

El Monumental de Nuñez

El Monumental de Nuñez

Nuñez tem um quê de Morumbi, uma região calma, majoritariamente residencial e com casas melhores. A caminhada até a Av. Libertador (uma das principais da cidade) foi tranquila. Ali já há um maior movimento, avenidas grandes com prioridades para carros.

O estádio do River é no estilo tradicional, redondo. E enorme, com uma vista imponente para quem chega ao local. Mas antigo. As cadeiras são de uma madeira bem desconfortável – semelhante às cadeiras amarelas do Morumbi até pouco tempo. Mas é histórico. Imagino aquilo lotado, deve ser fantástico. Infelizmente, o recorrido completo não estava disponível justo ontem. Ficamos só com a visita expressa, que a monitora permite que entremos num setor do estádio e fiquemos por ali uns dez minutos tomando fotos. Bem inferior do tour completo na Bombonera, com visita a várias partes do estádio e com um guia a explicar tudo.

Depois, al museu. Bacana, tem umas camisas antigas, uma reverência à seleção argentina bi-campeã mundial e aos atletas do River que foram campeões pela seleção. E as poucas taças internacionais expostas, com destaque às duas Libertadores e ao único Mundial que possuem. Vale mencionar, porém, que o museu é bem fraquinho, em comparação ao do Boca. Mas tem seu charme. Na entrada, uma locomotiva enorme e uma representação de uma estação antiga, com a placa “La Máquina”. Aproveitamos para almoçar ali, já que nos arredores não havia nada quase – tal e qual o Morumbi – e ficamos assistindo o noticiário sobre os saqueos a supermercados em várias cidades argentinas – a coisa aqui tá preta, não sei se vocês estão por dentro.

Dali, voltamos ao trem, para retornar à Retiro. Como a estação é aberta e eu não vi de cara a boletería, larguei o foda-se e não paguei a volta, 15 pesos duas passagens na ida já tinha sido cara. Só por que vai à Tigre? Ah, vá! Só na hora em que o trem chegou é que eu vi a boletería numa ponta da estação, mas o trem estava chegando. Era pagar e ficar mais 20 minutos esperando, ou entrar…

Em Retiro, fomos direto pro trem que vai à Suárez – nem me toquei que não deve haver esse lance de baldeação como em São Paulo. Dali, mais um martírio de trem lento e nove estações até chegar à San Martín, cidade próxima a Buenos Aires. E bem diferente da beleza e história da capital federal. San Martín, pelo pouco que vi, lembra um bairro da periferia da Zona Leste. Sendo específico, me lembrou o Jardim Marília, bairro que fica entre a Cohab-1 e o Shopping Aricanduva – quem é de lá sabe do que falo. Não geograficamente, mas as casas, a tranquilidade… e a pobreza. Para “ajudar”, todas as lojas praticamente estava fechadas as 3 da tarde, o que nos deu um certo medo, dadas as notícias de ondas violentas fora de Buenos Aires – na volta vimos um súper com as portas meio abaixadas.

Cancha del Chacarita Jrs.

Cancha del Chacarita Jrs.

Para chegar ao estádio é também preciso uma caminhada de umas boas quadras e é até difícil crer que há um estádio ali, já que só se vê casas pequenas, simples, uma área estritamente residencial, quando saímos da avenida que dá à estação San Martín. Mas, após muitas ruas, avistamos o estádio. o problema agora era entrar lá. Após quase uma volta completa no quarteirão do estádio, as esperanças diminuíram. Até que um portão minúsculo com uma campainha foi a salvação. Toquei o timbre e veio o seu Luiz com os três perros que o acompanham. Assim que ele abriu o portão e me viu com a camisa do atual campeão da Sul-Americana (em cima de um dos grandes rivais do Chacarita), ele abriu um sorriso e nos convidou a entrar, sem precisarmos falar quase nada. Foi ele quem disse: “Vocês não sabem a alegria que me deram ao ganharem deles”. Entramos na cancha Funebrera e foi muito foda (isso resume mais do que adjetivos pomposos, sorry) passear pelo estádio, tirar fotos e papear com o “administrador” do estádio, que fica durante o dia numa casa de madeira improvisada. Tinha um cara cuidando del cespéd (repleto de areia) com uma máquina, o canchero, como me explicou o seu Luiz.

Ele ainda nos deu dois pôsteres do Chaca e contou do sonho de ver o estádio de San Martín pronto e ampliado e das dificuldades inerentes a um time pequeno que tenta se levantar. Ficamos lá uns 15 minutos e tirei foto de tudo quanto foi jeito. Uma pena que ele não tinha uma camisa do clube lá para trocar, seria o mundo perfeito. Na saída, ele ainda retomou o assunto da final. Disse que soltaram muitos fogos com os gols, que gritaram bastante e festejaram. Eu disse, como um título? E ele abriu um largo sorriso, confidenciando como o São Paulo é querido por aquelas bandas. Por vários motivos que vão além da semelhança da camisa.

Na saída, ainda tentamos ir no bar dos hinchas do clube, mas o lugar era meio esquisito, só tinham dois bebuns (hehe) que mal entendiam o que a gente falava, então caímos fora. Mais à frente, em busca de água para combater o sol forte do dia, uma mulher nos atendeu e seu filho, com um short do Chaca, reconheceu a minha camisa. A mãe dele: “De quien és?”. E o moleque não titubeou: “San Paulo”. Além da água e de um adesivo do Chacarita que comprei, ela me deu vários outros, da inauguração do estádio, mostrando muita simpatia. Olha, foi dos momentos mais bacanas da viagem.

À noite, para fechar bem a viagem, finalmente fomos à San Juanino, uma empanadería que fica na distante Recoleta (distante para os pés já cansados, diga-se) para nos deliciarmos com a tipica e saborosa empanada local. Indicado por um amigo, o restaurante é pequeno e aconchegante, as empanadas são boas e o vinho é ótimo! Na saída, uma paradinha na sorveteria Volta, par ao último sorvete de dulce de leche de 2012. Melhor do mundo!

Bem, chega de papo. É hora de arrumar as malas, ir a um mercado comprar guloseimas argentinas e voltar à terra do atual campeão da Sul-Americana! Em breve mais relatos sobre a viagem, quem sabe, com mais impressões – gerais – sobre o que eu vi de Buenos Aires. Hasta luego, chicos!

Chau, Buenos Aires!

Chau, Buenos Aires!

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  1. 22/12/2012 às 4:11 PM

    Na primeira vez que fui a Buenos Aires, em 2006, ainda não conhecia a amizade com o Chaca. Já na segunda, em 2010, eu queria de toda maneira ir a um jogo deles. Dei o azar de, com rodadas programadas com apenas uma semana de antecedência, justamente o deles foi o único da quinta-feira, começando exatamente no momento em que eu pousava em Ezeiza. Em conversa com o pessoal de um fórum, descobri que nem adiantava ir ao estádio, que estava fechado durante o auge da reforma, tanto é que o time estava mandando os jogos em outros estádios. Uma pena. Ao menos, consegui achar uma camisa do time em um shopping (!). Imagine aqui em São Paulo achar uma camisa do Nacional em loja de shopping! E o San Juanino foi dica que também nos deram dessa última vez. E também concluímos que valeu a pena.

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    • rodrigoherrerolopes
      25/12/2012 às 3:50 PM

      É San Juanino vale bem a pena! hehehe… Chaca eu curti o estádio, mas fiquei sem a camisa… felicidades incompletas, hehehehe… Vale a experiência do passeio coisas distintas do turismo.

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