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Um dia chuvoso…

Buenas!

O primeiro dia de chuva aqui em Buenos Aires atrapalhou um pouco os planos para o domingo, que tinha na manga um passeio por San Telmo, Puerto Madero e Reserva Ecológica. Uma chuva que variava entre forte e garoa fez a gente se molhar um pouco. Mesmo assim, insistimos e fomos até o Mercado de San Telmo. Não tinha feria en las calles todavía por causa do aguaceiro. No mercado, algumas lojas ainda estavam cerradas, mas deu pra conhecer algumas coisas e comer o churros local, infinitamente inferior que, por exemplo, o da Praia Grande vendido em frente ao prédio da minha mãe, em Ocian. Sério. Duro, seco, com gosto do açúcar cristal, apenas (e a impressão vao continuar, já explico). Ao menos um que compramos era banhado em chocolate e esse sim era gostoso.

Feria de San Telmo

Feria de San Telmo

O mercado vende muito cacareco e quinquilharia, parece que o cara revirou o armário, sótão ou garagem, pegou umas velharias lá e levou para o mercado. Muita antiguidade que chama pouco a atenção. Quando a chuva parecia que ia diminuir, fomos à rua atrás da famosa feirinha para comprar os artigos turísticos tradicionais para levar à família. Mas a chuva ia e vinha. Ainda bem que tinha mais um passeio por ali e entramos na Igreja Nossa Senhora de Belém, com belas imagens e um refúgio da chuva. O Museu Penitenciário estava fechada, infelizmente. E voltamos à feirinha, que ganhava adeptos a cada instante, mesmoc om um tempo instável.

E como eu queria muito comer um lanche que a Folha disse que era famoso pelo lugar, fui, voltei e fiquei um tempão no Mercado de San Telmo, esperando o velho abrir o lugar. Mas aqui o povo é muito low profile. O bar estava aberto,  a carne estava assando, tinha dois caras lá dentro bebendo, mas o dono dizia estar cerrado. Na primeira, o portão estava fechado, mas dava para ver por dentro do mercado, pela porta. Depois, abriu o portão, mas botou cadeiras pra impedir a entrada. “Un ratito más”. Eu, que já tinha ido a uma lanchonete dcentyro do mercado tomar uma Isenbeck e comer empanada com papas fritas, desisti. E fomos para Puerto Madero, já que o tempo parecia melhorar.

E aos poucos o tempo foi firmando. Puerto Madero, apesar de ter criado uma área coxinha em Buenos Aires e matado a relação do povo local com o rio (como ainda acontece, felizmente, com o gaúcho no Guaíba), é um lugar bonito demais, com construções modernas. Mas é um lugar às moscas, pelo menos aos domingos. Ficamos ali passeando, rumo à Reserva Ecológica e também para comer o tal lanche que não consegui no mercado. Descobri que lá pela Reserva também tinha esse lanche graças a uma ex-professora de espanhol, que é argentina. E que grande dica!

E após atravessar o belo e verde parque, chegamos na ponta, onde era um balneário público – que hoje é só mato, seco – e queda allí trailers com churrasco de vários tipos. O mais famoso é o choripán, um pão com uma linguiça deliciosa. Pedimos também um churrasco, gostoso, mas não tanto como o choripán. E enormes os lanches.

Choripán y churrasco

Choripán y churrasco

O atendente do trailer, com aquela educação argentina costumeira. mas, depois, ele até que foi cordial. Parece entrevistado ao telefone, especialmente idoso: o cara atende com uma grossura sem igual, mas, quando você começa a falar com ele, ele vai te conhecendo, aí vira até amigo, às vezes.

Apesar de ter acompanhado o lanche com uma Isenbeck de um litro que tomei sozinho e me deixou meio torto, seguimos um pouco mais pelo passeio do parque. Ali, a tristeza do dia: a Reserva Ecológica estava fechada por causa da tormenta por la mañana.

Pegamos o caminho da roça de novo e, com o tempo até ameaçando sair sol, a feira de San Telmo (era nosso caminho para o hostel) já estava cheia, de gente caminhando pelas suas e de vendedores, que se multiplicaram magicamente. Conseguimos comprar mais algumas bobagens turísticas e tomar o melhor sorvete do mundo: de doce de leite. Argentino sabe das coisas. Manja de doce de leite, carnes, queijos, empanadas, vinho e cerveja. Precisa de mais?

Ah, ainda passei pelo mercado e o quiosque do velho que vende o tal famoso choripán. Famoso só pro cara da Folha, acho, porque só tinham no lugar alguns bêbados locais. Ainda bem que

À noite – após um laaaaargo descanso – ainda fomos ao Café Tortoni para uma ceia noturna. Que lugar bonito, histórico, repleto de sensações e sentidos. O café mais antigo de Buenos Aires é tudo isso e mais um pouco. Experimentei o tal chocolate com churros (e continuo achando os churros da Praia Grande melhor), enquanto a Patrícia mandou ver um café irlandés. Nos acompanhou dos media lunas con jamón cocido y queso. Un espetáculo! E aquele atendimento low profile dos argentinos: o cara me ouvia e mal balbuciava un “sí”. Tem que vir pra cá com espírito desarmado, ou passa muito estresse, principalmente em restaurantes, cafés etc.

Tango!

Tango!

Mas ainda deu pra gente desce para La Bodega do Tortoni e ver un ratito de presentación de Tango. Mais para conhecer, porque é preciso reservar com antecedência e pagar 140 pesos por pessoa! Carito, no? Talvez a gente vá, nesse ou em outro lugar. A ver.

Na volta, outro exemplo do low profile argentino. Perto do hostel, na Av. 9 de Julio, andando a esmo atrás de um lugar que vendesse água, vimos um cara limpando o vidro de um carro num cruzamento. Detalhe: o farol já tinha sido aberto e o cara continuava lá, trancando o trânsito de uns quatro coches atrás do “cliente”, que nem mandou o limpador sair dali. Ao terminar o serviço, o cara ainda ficou na faixa branca, entre os carros, esperando para passar. Ms é muito moringa fresca, como diz o meu pai.

En fin… A la calle!

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