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Novos destinos…

… ou gastando a sola, parte 2. O sábado foi de planos modificados. A ideia era passear por La Boca e Caminito, com uma visita no Museu Histórico Nacional na volta. Mas não deu certo.

Plaza Constitución

Plaza Constitución

Saímos do hostel devidamente uniformizados com camisas do Campeão da Copa Sul-Americana para uma leve provocação aos nossos rivais boquenses. Tomamos um ônibus para o bairro. Só que não tínhamos moedas e só paga assim o ônibus. Mas o motorista sacou que éramos brasileiros, tricolores e deixou a gente seguir viagem sin pagar.

O problema é que, ao chegar à Bombonera, a visita estava fechada porque haveria un recital à noite. Viagem perdida. Após alguns momentos de indecisão, decidimos mudar o itinerário do dia, mas antes, caminhar pouco mais de um quilômetro até o Museu Histórico Nacional e fazer o passeio completo de La Boca/Caminito outro dia. Passeamos por detrás de la cancha boquense, conhecemos um parque repleto de cachorros e vimos coisas diversas do passeio comum. Foi bem bacana.

Ao fim da larga calle que entramos, encontramos uma grande praça, com uma feria, com brinquedos às crianças e, ao subir o morro da praça, o museu, no qual abrimos, às 11h. Museu pequeno – ao se comparar com o de mesmo nome no Rio de Janeiro -, mas com muita coisa interessante. Documentos da independência, mapas, objetos pessoais de Juan Perón e outros e até móveis que formam o quarto do General San Martín, libertador e ídolo nacional. Tudo contando a história das lutas pela independência argentina. Pena que não podia sacar fotos.

De lá, caminhamos mais um tanto para tomar o metrô. No decorrer, o momento orgulho de ser são-paulino: encontramos um motoqueiro com camisa del San Pablo, listrada, com patrocínio da TAM ainda, ou seja, bem antiga. Poucos minutos à frente, um argentino de bicicleta começou a gritar e a nos saudar: “Aguante, San Paulo”. E ria. Certamente era rival da pequena equipe finalista do torneio sul-americano.

Encontramos o metrô na Plaza Constitución, a Central do Brasil deles. Enorme, com gente de um lado para o outro, o local reúne linhas de trens suburbanos (aqui esse termo faz sentido, as linhas de tren vão além da capital federal e ao redor desta) e o metrô.

Voltamos ao hostel para reconfigurar o passeio e decidimos antecipar a visita à Recoleta. Tomamos o metrô novamente e descemos em Pueyrredón, para pegar aa venida de mesmo nome e descer até Recoleta. São quase 1,5 quilômetro. Para piorar, errei o sentido e fomos para o lado errado. Só quando vi uma estação de metrô da linha amarela percebi o erro. E tome voltar quase um quilômetro a somar aos 1,5 km. Andamos. Andamos. E andamos. E morrendo de fome e cansaço, que começa a bater após tantas andanças nesta viagem.

Mas, enfim, chegamos ao Hard Rock Café Buenos Aires, local desejado pela Patrícia para que visitássemos (já que ela conheceu e adorou os de Los Angeles e São Francisco) e foi lá também que almoçamos, mais de três da tarde. Virou nossa janta também. Isso porque o hambúrguer é gigantesco. E delicioso. Para abrir ainda mais o apetite, dedos de mozarellas empanados, com chopp Quilmes, ainda melhor que a cerveja.

Da esq. para a dir.: violão do Dylan e guitarras de Jimmy Page e ZZ Top

Da esq. para a dir.: violão do Dylan e guitarras de Jimmy Page e ZZ Top

Uma atendente que sabia português (sem ser arrogante como o do dia anterior) nos fez companhia e foi bem legal com a gente. De postre, tomamos uma sobremesa que juntava sorvete, crema (chantilly) e um bolinho quente de chocolate embaixo. Uma refeição de morrer. Na saída, ao pagar com tarjeta, a atendente me solta essa: “Un autógrafo por favor, con cariño de Lula”. hehehehe… Isso também vale aos que preferem pisar ao invés de valorizar e reconhecer os feitos de un país vecino y hermano.

Esbodegados de tanto comer, fomos ao Cemitério da Recoleta e é sombrio como o local é atração turística. Mutia gente, com guias e sem guias, conhecem a história da Argentina por meio das famílias tradicionais que fizeram a história. E, claro, o túmulo de Evita é o mais visitado. Ao lado do cemitério h´a Iglesia Nuestra Señora del Pilar, do século 18, muito bonita, com um pequeno museu em sua parte interna, chamada de “claustros”, que serviam de acessos dentro da própria igreja. Muitos objetos e imagens antigas formam o acervo.

Por fim, a ideia era visitar el Museo de Bellas Artes. Mas uma exposição do Caravaggio levou muita gente a visitar o local, com filas enormes do lado de fora, desestimulando o nosso cansaço a ficar sob o sol em uma fila. Passeamos pela feria de la Recoleta, pelo seu gramado – muito usado pelos argentinos para tomar mate, comer algo, conversar – e descansamos um pouco – antes de retomar a caminhada estoica – enquanto assistíamos uma apresentação ao ar livre de umas bandas de pop-rock argentino. Uma molecada que fazia um som bem bacana, valeu para recarregarmos as energias.

Recoleta

Recoleta

Chegamos no hostel lá pelas oito da noite, quebrados, destruídos e ainda com o almoço nos lembrando de sua existência, o que nos fez ir para a cama mais cedo para começar hoje um novo dia. E ainda deu tempo para ver um documentário sobre o Niemeyer na TV, com declarações de Saramago, Hobsbwn, que nos leva a uma reflexão. Um prêmio a nosotros brasileños e uma reflexão: por que valorizamos tão pouco nossos fenômenos?

Hasta luego!

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