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Archive for dezembro \22\UTC 2012

Un día canchero

O último dia de passeio em Buenos Aires foi dedicado al fútbol. A meta do dia era conhecer o Monumental de Nuñez, do River Plate, e ir a San Martín conhecer a cancha do Chacarita Jrs., clube com torcida amiga a do campeão da Sul-Americana. E a meta foi cumprida com muito trem.

Primeiro, a Nuñez. Após chegar em Retiro, tomar o trem com destino a Tigre (todo pichado com motivos do vice-campeão Sul-Americano, hehehe…) e descer na terceira estação, Nuñez.No meio, um “brasileño puto” me recebeu dentro do vagão, ou de algum anti-imperialista (hehe) ou de algum torcedor com dor de cotovelo mesmo (hahahaha). As estações na Argentina são aquelas antigas que quase não mais existem em São Paulo (a exceção da Mooca, por exemplo). O cenário de uma estação é bem bucólico, com árvores, verde, praças no entorno, cenário calmo. E o mais curioso é que é toda aberta e o tipo pode entrar sem pagar, mas corre o risco de tomar multa caso alguém da empresa cobre o bilhete.

El Monumental de Nuñez

El Monumental de Nuñez

Nuñez tem um quê de Morumbi, uma região calma, majoritariamente residencial e com casas melhores. A caminhada até a Av. Libertador (uma das principais da cidade) foi tranquila. Ali já há um maior movimento, avenidas grandes com prioridades para carros.

O estádio do River é no estilo tradicional, redondo. E enorme, com uma vista imponente para quem chega ao local. Mas antigo. As cadeiras são de uma madeira bem desconfortável – semelhante às cadeiras amarelas do Morumbi até pouco tempo. Mas é histórico. Imagino aquilo lotado, deve ser fantástico. Infelizmente, o recorrido completo não estava disponível justo ontem. Ficamos só com a visita expressa, que a monitora permite que entremos num setor do estádio e fiquemos por ali uns dez minutos tomando fotos. Bem inferior do tour completo na Bombonera, com visita a várias partes do estádio e com um guia a explicar tudo.

Depois, al museu. Bacana, tem umas camisas antigas, uma reverência à seleção argentina bi-campeã mundial e aos atletas do River que foram campeões pela seleção. E as poucas taças internacionais expostas, com destaque às duas Libertadores e ao único Mundial que possuem. Vale mencionar, porém, que o museu é bem fraquinho, em comparação ao do Boca. Mas tem seu charme. Na entrada, uma locomotiva enorme e uma representação de uma estação antiga, com a placa “La Máquina”. Aproveitamos para almoçar ali, já que nos arredores não havia nada quase – tal e qual o Morumbi – e ficamos assistindo o noticiário sobre os saqueos a supermercados em várias cidades argentinas – a coisa aqui tá preta, não sei se vocês estão por dentro.

Dali, voltamos ao trem, para retornar à Retiro. Como a estação é aberta e eu não vi de cara a boletería, larguei o foda-se e não paguei a volta, 15 pesos duas passagens na ida já tinha sido cara. Só por que vai à Tigre? Ah, vá! Só na hora em que o trem chegou é que eu vi a boletería numa ponta da estação, mas o trem estava chegando. Era pagar e ficar mais 20 minutos esperando, ou entrar…

Em Retiro, fomos direto pro trem que vai à Suárez – nem me toquei que não deve haver esse lance de baldeação como em São Paulo. Dali, mais um martírio de trem lento e nove estações até chegar à San Martín, cidade próxima a Buenos Aires. E bem diferente da beleza e história da capital federal. San Martín, pelo pouco que vi, lembra um bairro da periferia da Zona Leste. Sendo específico, me lembrou o Jardim Marília, bairro que fica entre a Cohab-1 e o Shopping Aricanduva – quem é de lá sabe do que falo. Não geograficamente, mas as casas, a tranquilidade… e a pobreza. Para “ajudar”, todas as lojas praticamente estava fechadas as 3 da tarde, o que nos deu um certo medo, dadas as notícias de ondas violentas fora de Buenos Aires – na volta vimos um súper com as portas meio abaixadas.

Cancha del Chacarita Jrs.

Cancha del Chacarita Jrs.

Para chegar ao estádio é também preciso uma caminhada de umas boas quadras e é até difícil crer que há um estádio ali, já que só se vê casas pequenas, simples, uma área estritamente residencial, quando saímos da avenida que dá à estação San Martín. Mas, após muitas ruas, avistamos o estádio. o problema agora era entrar lá. Após quase uma volta completa no quarteirão do estádio, as esperanças diminuíram. Até que um portão minúsculo com uma campainha foi a salvação. Toquei o timbre e veio o seu Luiz com os três perros que o acompanham. Assim que ele abriu o portão e me viu com a camisa do atual campeão da Sul-Americana (em cima de um dos grandes rivais do Chacarita), ele abriu um sorriso e nos convidou a entrar, sem precisarmos falar quase nada. Foi ele quem disse: “Vocês não sabem a alegria que me deram ao ganharem deles”. Entramos na cancha Funebrera e foi muito foda (isso resume mais do que adjetivos pomposos, sorry) passear pelo estádio, tirar fotos e papear com o “administrador” do estádio, que fica durante o dia numa casa de madeira improvisada. Tinha um cara cuidando del cespéd (repleto de areia) com uma máquina, o canchero, como me explicou o seu Luiz.

Ele ainda nos deu dois pôsteres do Chaca e contou do sonho de ver o estádio de San Martín pronto e ampliado e das dificuldades inerentes a um time pequeno que tenta se levantar. Ficamos lá uns 15 minutos e tirei foto de tudo quanto foi jeito. Uma pena que ele não tinha uma camisa do clube lá para trocar, seria o mundo perfeito. Na saída, ele ainda retomou o assunto da final. Disse que soltaram muitos fogos com os gols, que gritaram bastante e festejaram. Eu disse, como um título? E ele abriu um largo sorriso, confidenciando como o São Paulo é querido por aquelas bandas. Por vários motivos que vão além da semelhança da camisa.

Na saída, ainda tentamos ir no bar dos hinchas do clube, mas o lugar era meio esquisito, só tinham dois bebuns (hehe) que mal entendiam o que a gente falava, então caímos fora. Mais à frente, em busca de água para combater o sol forte do dia, uma mulher nos atendeu e seu filho, com um short do Chaca, reconheceu a minha camisa. A mãe dele: “De quien és?”. E o moleque não titubeou: “San Paulo”. Além da água e de um adesivo do Chacarita que comprei, ela me deu vários outros, da inauguração do estádio, mostrando muita simpatia. Olha, foi dos momentos mais bacanas da viagem.

À noite, para fechar bem a viagem, finalmente fomos à San Juanino, uma empanadería que fica na distante Recoleta (distante para os pés já cansados, diga-se) para nos deliciarmos com a tipica e saborosa empanada local. Indicado por um amigo, o restaurante é pequeno e aconchegante, as empanadas são boas e o vinho é ótimo! Na saída, uma paradinha na sorveteria Volta, par ao último sorvete de dulce de leche de 2012. Melhor do mundo!

Bem, chega de papo. É hora de arrumar as malas, ir a um mercado comprar guloseimas argentinas e voltar à terra do atual campeão da Sul-Americana! Em breve mais relatos sobre a viagem, quem sabe, com mais impressões – gerais – sobre o que eu vi de Buenos Aires. Hasta luego, chicos!

Chau, Buenos Aires!

Chau, Buenos Aires!

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Uma visita à terra do vice…

Ontem saímos de Buenos Aires rumo a novas experiências. E as tivemos, mas não de uma forma muito agradável. Recomendado por vários amigos e amigas, fomos à cidade do vice-campeão da Sul-Americana de 2012 conhecer o seu Delta e seus rios. O passeio em si é bacana, mas a tormenta é chegar até lá. E finalmente eu entendi que Tigre não tem nada a ver com Buenos Aires, ao contrário do que andei lendo na época da final do torneio de futebol.

Tren de La Costa - seria bom se ele saísse de Buenos Aires

Tren de La Costa – seria bom se ele saísse de Buenos Aires

Para chegar lá é preciso tomar um metrô, um trem de subúrbio e um trem turístico. O primeiro tardou 15 (!!!!) minutos para passar, lotando a estação – não é muito recorrente isso, mas ontem tivemos amargas experiências também en el SUBTE. Ao chegar em Retiro, estação que engloba os trens, uma zona. Cada plataforma tem um quadro de aviso que vai sendo atualizado. O trem estava marcado para chegar 10h29. Deu 10h40 e nada. Aí o quadro de avisos apagou e um recado no alto-falante sugeriria – porque não dava para entender aquele som abafado – que o trem iria sair não mais da plataforma 4, mas da 1. Mas o quadro da 1 não mudara. Ficamos no mesmo lugar. Até que o da plataforma 4 mudou para outro destino: Suárez. o trem chegou, todo mundo entrou, ficamos sem saber o que fazer. Até que o quadro mudou repentinamente para Mitre – destino para ir à Tigre. Entramos e aí virou um samba do criolo doido: gente perguntando para onde ia o trem, gente sentada saindo, gente entrando. Daqui a pouco se tocaram que não ia mais para Suárez e a galera que veio correndo pegar o trem saiu correndo também, até que só ficaram (e vieram) os que iam para Mitre. Um caos.

Depois de tudo isso, o trem demorou uns 15 minutos para sair, com pau na mecânica. Quando saiu, mais lerdo que os da CPTM. Ainda assim, em meia hora chegamos à estação Mitre, em Maipú. Aí, é pegar o turístico, que leva um tempo para chegar, mais uma meia hora até Tigre…  Chegamos lá mais de meio-dia e meia. Ao menos o passeio pelo Tren de La Costa é agradável, passa perto do Río de La Plata, por áreas verdes, muito gostoso.

Não sei se foi a época do ano, mas a cidade pareceu-me deserta, uma cidade fantasma mesmo. Parque de Diversões fechado, quase ninguém nas ruas, passeios vazios, sem filas para o barco, muito esquisito. O passeio de barco pelo rio (uma hora por 40 pesos) é legal, você passa por muitas casas (de veraneio ou residências mesmo) que ficam na margem do rio, com decks diretos na água. Em alguns casos até prainhas há, com o pessoal se banhando etc. Como o tempo mudou à tarde (de manhã, um frio terrível, à tarde, um sol escaldante), deu pra ver um pessoal de canoa, ou mesmo na margem curtindo o sol e a água.

Tigre

Tigre

Depois disso, fomos al Puerto de Frutos, um local amplo com vários comércios, gastronomia, artesanías, antiguidades etc. Tem uma parte que dá para ficar contemplando o rio, muito bacana. E como chegamos tarde, não deu para ver os museus do lugar, que são bem bonitos, mas longínquos do centro – o barco passa perto deles e a arquitetura do Museu de Arte, por exemplo, é belíssima.

Já eram quase 17h30 e resolvemos voltar. E mais demora com o tem, não o turístico desta vez, mas o suburbano, de novo. Espera longuíssima e lentidão. Tanto é verdade que só fomos chegar 19h15 em Retiro. E eu li em vários lugares que era perto. Tsc, tsc. Olha, não vale a pena ir para Tigre para passar o dia, com tanta demora para ir e voltar, e ainda um passeio, digamos assim, morno. Deve ser bacana quedar un fin de semana, para aproveitar outros passeios, com opções de banho e conhecer outros pontos do rio, isso sim. O passeio me fez lembrar e ter saudade de Foz do Iguaçu, onde fizemos passeios ótimos, seja de barco, a pé, de bote etc. Foi bem mais agradável.

Mas, voltando à realidade, chegar em Retiro às 19h15 não foi bacana. Pelo horário, decidimos ir jantar e só depois ir para o hostel. Em Retiro, estação lotada, um inferno para entrar e um inferno ainda pior para baldear para a linha vermelha (são três estações de três linhas que se interconectam, imagine a zona). Um espaço minúsculo com gente entrando na plataforma, sem ter como você fazer o caminho oposto. Revivi meus piores momentos na Sé às 18h. Mas muito mais apertado, claustrofóbico até.

Ao menos, o jantar da noite foi exquisito. Fomos ao Niña Bonita, um restaurante pequeno, nada badalado, mas com um bife de lomo delicioso, acompanhado de uma ensalada mixta e de uma boa e velha Quilmes, enquanto que a Patrícia mandou ver um talharim à bolonhesa.

Bem, é hora de ir à rua para o último dia de passeio em Buenos Aires! Hasta!

Zoo, Mafalda y otras cositas más…

Buenas!

Ontem o dia foi meio caótico, mas terminou bem demais. Sem grana local, no dia anterior havíamos encontrado um Banco de La Nación próximo do destino de ontem. Então, pensamos: “beleza, não vamos precisar rodar o centro atrás de uma casa de câmbio”. Só que, no dia, chegamos ao banco e: “no cambia”. Ótimo, e agora? Dale caminhar quadras e mais quadras, entrar em bancos e perguntar aqui e ali, até uma atendente do BBVA Francés indicar o Shopping Alto Palermo, onde tinha uma casa de câmbio. Só que ela indicou errado e eu tive que perguntar para um vendedor a localização correta. E minhas duas unhas encravadas doendo horrores – é, ponto negativo da viagem: fui cortar a unha com a mão e abri espaço para ambas encravarem, a mais zuada agora é a do pé esquerdo, do direito tá quase ok. Finalmente conseguimos, mas perdemos mais de hora com isso, sem falar nos 15 minutos esperando o metrô de manhã – nota mental: nunca mais reclamar do metrô de São Paulo.

Urso polar fazendo uma boquinha no zoo

Urso polar fazendo uma boquinha no zoo

Lá pelas 11 e cacetada iniciamos nosso primeiro passeio do dia: o Zoológico da cidade. Um passeio esplendoroso. O lugar é gigante e tem atrações diversas, muitos animais que nem sonhava em ver, como urso polar, urso pardo, urso de “anteojos” (presenciamos uma luta entre eles), lhamas (minhas favoritas desde sempre), cervos, bisontes, camelos, leão branco, macacos variados, lemores etc. E com uma vantagem: o parque vende comida para dar aos animais. E os patos, castores, ratos do mato e outro roedor que não descobrimos o nome circulavam pelo meio do zoo e comiam na nossa mão, o mesmo com os bichos presos. É possível dar peixe para os lobos marinhos que ficam no aquário, eles fazem um barulho danado pedindo comida.

O problema é que só fomos sair de lá umas quatro da tarde, de tão bom que é o lugar. E o resto do passeio foi devidamente cancelado. Só deu espaço para irmos ao Jardín Botánico Carlos Thays, pegao al zoo y a estación del SUBTE, pontos favoráveis a meu combalido pé. E a chuva ameaça vir também, então não dava para vacilar. E o parque é legal, não tem um jardinzão de flores como Curitiba, mas é uma grande área verde bem perto da bagunça – dá para ouvir buzinaços e passos lá dentro ao mesmo tempo em que se sente o forte aroma das distintas árvores.

Jardín Botánico Carlos Thays

Jardín Botánico Carlos Thays

Voltamos mais cedo para o hostel para que eu pudesse colocar um par de chinelos e visitarmos a Mafalda em San Telmo, que acabamos esquecendo no domingo. No caminho à San Telmo, a cidade parada. Acidente numa autopista e manifestação da Confederação Geral dos Trabalhadores daqui pararam a cidade. gente vinha de ônibus de longe, parava na 9 de Julio, trancava a avenida e saía com suas bandeiras, tambores e biritas rumo à manifestação. Um paro que parou a cidade.

Tabla de fiambres y quesos

Tabla de fiambres y quesos

Mas, voltando à San Telmo, a estátua de Mafalda sentada num banco numa esquina de seu barrio é muito simpática e chama a atenção de todo mundo, até dos manifestantes, que passavam, tiravam fotos, posavam com ela. O bacana da rua é que hay muchos bares con sillóns en la pasillo, o que nos chamou a atenção para curtir uma cerveja e uma tabla de fiambres y quesos, típica daqui – e como eu gostaria que tivesse desse jeito no Brasil. Ficamos até tarde por ali, mesmo com a chuva que nos mandou para dentro do bar e nos fez voltar de táxi. O dilúvio perdurou a noite toda e espero que hoje acalme e não me estrague o dia. hasta luego!

De La Boca a los mosquitos…

Ontem voltemos a La Boca para finalmente conseguir visitar La Bombonera. Dessa vez, conseguimos. E de novo não pagamos o ônibus. Dessa vez, tínhamos as monedas, mas o autobús sólo aceptava tarjetas. Dureza. E, com o manto no corpo, éramos reconhecidos no ônibus, nas ruas, desde o estádio até Caminito. É bom esse respeito internacional ao Gigante Tricolor. Conto mais já, já.

La Bombonera

La Bombonera

Ao estádio. Um tour muito caprichado, com entrada no gramado, visita às cadeiras inferiores, arquibancadas populares que ficam em cima do vestiário visitante (e ali o cara explica como os visitantes são tratados no estádio, o que também explica muito da “cordialidade” porteña em Libertadores, por exemplo). Outro exemplo é o vestiário visitante, minúsculo e acanhado, bem distinto do time da casa, amplo, gigante, mas que não pode ser visitado por “cuestiones de seguridad”. Sei… Mas foi bacana ter a sensação de estar no mesmo lugar que o meu time há duas semanas atrás. E os caras comentando: “San Paulo empató aquí” etc.

Seria mais legal assistir um jogo no estádio, mas vale a experiência e as explicações do guia. Por exemplo, do último nível, que tiembla mucho por causa de sua forma de construção, que ocorreu da forma que foi por causa das construções do entorno… O passeio é ótimo. No meio dele, o guia perguntou sobre a final da Sul-Americana, da briga. Finalmente vi o papo tomar conta das pessoas, mas só quem é mais fanático mesmo, já que o atual vice-campeão do torneio é minúsculo por aqui. E, no fim, o museu com todas as conquistas, os jogos, vídeos das partidas, as taças, camisas, muito legal. Na saída, um monitor do estádio puxou papo comigo. Perguntou se o São Paulo estava na Libertadores e, quando disse que estava na primeira fase, ele disse “tem que classificar” e mostrou toda sua simpatia pelo Tricolor, dizendo que esperava que o time avançasse à fase de grupos e fizesse uma boa campanha: “Aguante, San Paulo”. E eu respondi: Nos vemos en la Libertadores”.

Dali fomos para Caminito, naquele momento beeeem turístico, em que as pessoas te apram na rua a cada centímetro, te puxando pro restaurante A, B, C, para a promoção D, E, F. Um saco. Mas, normal. Ali as tiradas contra nossos rivais foram empregadas para nos conquistar. Pediram até para trocar a camisa que eu vestia por uma do Boca. Se fosse uma do Chacarita, vá lá, mas o manto de 2005, no qual o time jogou o Mundial e já possuía o símbolo da Libertadores daquele ano eu não troco nem por um milhão de dólares.

Caminito

Caminito

Lá, encontrei o cara que falou comigo sobre o tricolor no autobús, ele tava trabalhando num restaurante. Paramos no Vieja História, o que tem mais atravessadores de rua e de clientes em Caminito, mas ao menos vimos apresentações de Tango, folclore gaúcho e conhecemos a cerveja Patagônia, vermelha, deliciosa. Pedimos um asado de tira que não estava lá 100%, mas desceu bem, e um vacío que estava ótimo. A contragosto do garçon que tentava empurrar bife de chorizo, lomo e outras coisas mais caras. Ao menos, o garçon era River e ficou tirando sarro do Boca, do estádio e pedindo que eu torcesse pro River. Mas como não torço pra ninguém na Argentina (e quase ninguém no mundo além do Tricolor…) disse que não, nenhum dos dois. Hehehe…

Após passear pelo bairro e conhecer as famosas casas e estruturas do local, tomamos um ônibus (que dessa vez aceitou nuestras monedas) e partimos para Plaza Constitución, a afim de tomar o SUBTE em direção à Plaza Itália e ir ao Planetário. Aqui começa a sessão mosquito. Os dois de bermuda e chinelo/sandália, pisando na grama de uma vasta área verde naquele setor de Buenos Aires. Não teve jeito. Pernilongos, borrachudos e tudo o mais aproveitaram de pernas e braços brasileiros. Um inferno. Mas ainda vai piorar.

Antes, uma visita belíssima ao Planetário, com uma sessão de “Un Viaje a las estrellas”, contando a história da formação das estrelas, bem bacana. Há um lago no entorno do planetário, com patos, marrecos… Vimos até filhotes de pato, muito legal.

Jardin Japonés: cinematográfico

Jardin Japonés: cinematográfico

Dali, tentamos achar o Jardin Japonés, o que nos obrigou a embrenhar numa praça, onde os mosquitos fizeram a festa de vez. Após uma tremenda volta, encontramos o espaço, belíssimo, com várias fotos de cartões-postais, um passeio para casais mesmo. Valeu a pena, apesar do massacre dos mosquitos.

À noite, uma visita desafortunada à região da avenida Callao, com umas empanadas de massa estranha no Farandula e el SUBTE cerrado antes das 11h, nos obrigando a andar quase meia hora até voltar ao hostel. Era melhor ter ficado lá.

Tour de compras e histórico

Segunda-feira é sempre um dia complicado em qualquer cidade do mundo, creio eu. A maioria dos locais de visitação se quedan cerrados el lunes e faltam opções de passeio. Mas a gente sempre dá um jeito. Fomos atrás do tal roteiro de compras que tanto se fala daqui. Começamos o passeio pela avenida Córdoba, com muita caminhada e a constatação de sempre: os tais outlets e lojas não têm nada de barato. É preciso andar e andar e pesquisar e pesquisar para encontrar algo. Como não era muito nosso objetivo, ficamos mais no passeio. Só comprei umas bermudas por necessidade mesmo e porque comprava duas e ganhava a terceira de regalo.

El Ateneo

El Ateneo

Depois, rumamos para o famoso El Ateneo, a livraria instalada dentro de uma antiga casa de espetáculos, como é possível ver facilmente na foto. Um lugar maravilhoso, muito bonito e com livros dos mais diversos. E uma trilha sonora ótima: tango e canções clássicas argentinas. Saí com “Ficciones” de José Luis Borges, só para não sair de lá de mãos abanando e para ajudar a praticar o meu combalido espanhol.

Dali fomos à calle Florida, una peatonal típica, como a rua Direita em São Paulo ou  a XV de Novembro em Curitiba, com lojas e mais lojas e gente demais e cambistas e vendedores de rua e mendigos e turistas, toda essa horda convivendo em um espaço por vezes apertado.

O fim da rua dá já no centrão de Buenos Aires, con Plaza de Mayo, Casa Rosada etc. Mas atravessamos tudo isso para conhecer um pequeno e curioso Museo de la Ciudad, com ambientaciones de cuarto y oficina antíguas e uma exposição de chapéus e perucas cômica. O museu fica num quarteirão bem antigo, com edificações do século XIX, igrejas, bares etc.

Próximo dali, tomamos el SUBTE na Plaza de mayo sentido Congreso Nacional. Já passavam das seis e o trem enchia, enchia. Trem de madeira, inclusive, parece que vai desmanchar na próxima curva – e como tem curva o metrô daqui, é um tal de nego “dançando” no corredor.  Mas conseguimos descer e nos deparamos com a imponente e belíssima edificação do Congresso, lindo demais. E sempre com as torres na frente, assim como a Catedral, as faculdades de Derecho e de Ingeniería, numa clara alusão europeia, especialmente grega.

À frente do Congresso tem uma praça ampla e bonita, onde as pessoas conversam, passeiam com seus cães, tomam mate, as crianças brincam… mendigos ficam por ali sem opressão policial. E, no entorno da praça, um trânsito infernal. Curioso tais coisas distintas conviverem normalmente aqui. E dá uma tristeza refletir que em São Paulo os espaços públicos estão cada vez mais abandonados pela população, que vive cada vez mais desconectada com a sua própria cidade. E isso é ainda mais acentuada no centro, que expulsa cada vez mais moradores das residências e das ruas da cidade.

Congresso Nacional visto do edifício Barolo

Congresso Nacional visto do edifício Barolo

Bem, como estamos aqui para passear e não para ficarmos deprimidos, volvemos con energía ao passeio máximo do dia: o edifício Barolo, com uma visita guiada para conhecer o prédio inspirado na Divina Comédia de Dante Alighieri. O benemérito argentino achou que poderia abrigar a obra de Dante no prédio – numa época em que se achava que a Europa ia ser varrida pela guerra- e em 1919 mandou construir o prédio que é dividido em inferno, purgatório e céu. A visita é ótima, fomos até o topo do edifício, onde fica o farol que serviria para guiar os barcos que chegassem pelo Rio de la Plata. Um passeio que vale a pena.

À noite, mortos de cansados – tá ficando cada vez mais difícil passear por aqui, hehehe – decidimos ir até uma pizzaria aqui perto. Lá, provamos uma pizza de jamón deliciosa e consegui comer novamente una porción de fugazzetta. Que delícia isso! A Patricia experimentou o fernet com coca, bebida tradicional local. Só que é ruim demais! Parece remédio e tem que por muita Pepsi e muito gelo para ficar razoavelmente aceitável! hehehe… Ainda bem que fui no chopp.

Pizza de jamón y queso, exquisita!!!

Pizza de jamón y queso, exquisita!!!

Bem, chega de papo. Hora de ir a la calle! Hasta!

Um dia chuvoso…

Buenas!

O primeiro dia de chuva aqui em Buenos Aires atrapalhou um pouco os planos para o domingo, que tinha na manga um passeio por San Telmo, Puerto Madero e Reserva Ecológica. Uma chuva que variava entre forte e garoa fez a gente se molhar um pouco. Mesmo assim, insistimos e fomos até o Mercado de San Telmo. Não tinha feria en las calles todavía por causa do aguaceiro. No mercado, algumas lojas ainda estavam cerradas, mas deu pra conhecer algumas coisas e comer o churros local, infinitamente inferior que, por exemplo, o da Praia Grande vendido em frente ao prédio da minha mãe, em Ocian. Sério. Duro, seco, com gosto do açúcar cristal, apenas (e a impressão vao continuar, já explico). Ao menos um que compramos era banhado em chocolate e esse sim era gostoso.

Feria de San Telmo

Feria de San Telmo

O mercado vende muito cacareco e quinquilharia, parece que o cara revirou o armário, sótão ou garagem, pegou umas velharias lá e levou para o mercado. Muita antiguidade que chama pouco a atenção. Quando a chuva parecia que ia diminuir, fomos à rua atrás da famosa feirinha para comprar os artigos turísticos tradicionais para levar à família. Mas a chuva ia e vinha. Ainda bem que tinha mais um passeio por ali e entramos na Igreja Nossa Senhora de Belém, com belas imagens e um refúgio da chuva. O Museu Penitenciário estava fechada, infelizmente. E voltamos à feirinha, que ganhava adeptos a cada instante, mesmoc om um tempo instável.

E como eu queria muito comer um lanche que a Folha disse que era famoso pelo lugar, fui, voltei e fiquei um tempão no Mercado de San Telmo, esperando o velho abrir o lugar. Mas aqui o povo é muito low profile. O bar estava aberto,  a carne estava assando, tinha dois caras lá dentro bebendo, mas o dono dizia estar cerrado. Na primeira, o portão estava fechado, mas dava para ver por dentro do mercado, pela porta. Depois, abriu o portão, mas botou cadeiras pra impedir a entrada. “Un ratito más”. Eu, que já tinha ido a uma lanchonete dcentyro do mercado tomar uma Isenbeck e comer empanada com papas fritas, desisti. E fomos para Puerto Madero, já que o tempo parecia melhorar.

E aos poucos o tempo foi firmando. Puerto Madero, apesar de ter criado uma área coxinha em Buenos Aires e matado a relação do povo local com o rio (como ainda acontece, felizmente, com o gaúcho no Guaíba), é um lugar bonito demais, com construções modernas. Mas é um lugar às moscas, pelo menos aos domingos. Ficamos ali passeando, rumo à Reserva Ecológica e também para comer o tal lanche que não consegui no mercado. Descobri que lá pela Reserva também tinha esse lanche graças a uma ex-professora de espanhol, que é argentina. E que grande dica!

E após atravessar o belo e verde parque, chegamos na ponta, onde era um balneário público – que hoje é só mato, seco – e queda allí trailers com churrasco de vários tipos. O mais famoso é o choripán, um pão com uma linguiça deliciosa. Pedimos também um churrasco, gostoso, mas não tanto como o choripán. E enormes os lanches.

Choripán y churrasco

Choripán y churrasco

O atendente do trailer, com aquela educação argentina costumeira. mas, depois, ele até que foi cordial. Parece entrevistado ao telefone, especialmente idoso: o cara atende com uma grossura sem igual, mas, quando você começa a falar com ele, ele vai te conhecendo, aí vira até amigo, às vezes.

Apesar de ter acompanhado o lanche com uma Isenbeck de um litro que tomei sozinho e me deixou meio torto, seguimos um pouco mais pelo passeio do parque. Ali, a tristeza do dia: a Reserva Ecológica estava fechada por causa da tormenta por la mañana.

Pegamos o caminho da roça de novo e, com o tempo até ameaçando sair sol, a feira de San Telmo (era nosso caminho para o hostel) já estava cheia, de gente caminhando pelas suas e de vendedores, que se multiplicaram magicamente. Conseguimos comprar mais algumas bobagens turísticas e tomar o melhor sorvete do mundo: de doce de leite. Argentino sabe das coisas. Manja de doce de leite, carnes, queijos, empanadas, vinho e cerveja. Precisa de mais?

Ah, ainda passei pelo mercado e o quiosque do velho que vende o tal famoso choripán. Famoso só pro cara da Folha, acho, porque só tinham no lugar alguns bêbados locais. Ainda bem que

À noite – após um laaaaargo descanso – ainda fomos ao Café Tortoni para uma ceia noturna. Que lugar bonito, histórico, repleto de sensações e sentidos. O café mais antigo de Buenos Aires é tudo isso e mais um pouco. Experimentei o tal chocolate com churros (e continuo achando os churros da Praia Grande melhor), enquanto a Patrícia mandou ver um café irlandés. Nos acompanhou dos media lunas con jamón cocido y queso. Un espetáculo! E aquele atendimento low profile dos argentinos: o cara me ouvia e mal balbuciava un “sí”. Tem que vir pra cá com espírito desarmado, ou passa muito estresse, principalmente em restaurantes, cafés etc.

Tango!

Tango!

Mas ainda deu pra gente desce para La Bodega do Tortoni e ver un ratito de presentación de Tango. Mais para conhecer, porque é preciso reservar com antecedência e pagar 140 pesos por pessoa! Carito, no? Talvez a gente vá, nesse ou em outro lugar. A ver.

Na volta, outro exemplo do low profile argentino. Perto do hostel, na Av. 9 de Julio, andando a esmo atrás de um lugar que vendesse água, vimos um cara limpando o vidro de um carro num cruzamento. Detalhe: o farol já tinha sido aberto e o cara continuava lá, trancando o trânsito de uns quatro coches atrás do “cliente”, que nem mandou o limpador sair dali. Ao terminar o serviço, o cara ainda ficou na faixa branca, entre os carros, esperando para passar. Ms é muito moringa fresca, como diz o meu pai.

En fin… A la calle!

Novos destinos…

… ou gastando a sola, parte 2. O sábado foi de planos modificados. A ideia era passear por La Boca e Caminito, com uma visita no Museu Histórico Nacional na volta. Mas não deu certo.

Plaza Constitución

Plaza Constitución

Saímos do hostel devidamente uniformizados com camisas do Campeão da Copa Sul-Americana para uma leve provocação aos nossos rivais boquenses. Tomamos um ônibus para o bairro. Só que não tínhamos moedas e só paga assim o ônibus. Mas o motorista sacou que éramos brasileiros, tricolores e deixou a gente seguir viagem sin pagar.

O problema é que, ao chegar à Bombonera, a visita estava fechada porque haveria un recital à noite. Viagem perdida. Após alguns momentos de indecisão, decidimos mudar o itinerário do dia, mas antes, caminhar pouco mais de um quilômetro até o Museu Histórico Nacional e fazer o passeio completo de La Boca/Caminito outro dia. Passeamos por detrás de la cancha boquense, conhecemos um parque repleto de cachorros e vimos coisas diversas do passeio comum. Foi bem bacana.

Ao fim da larga calle que entramos, encontramos uma grande praça, com uma feria, com brinquedos às crianças e, ao subir o morro da praça, o museu, no qual abrimos, às 11h. Museu pequeno – ao se comparar com o de mesmo nome no Rio de Janeiro -, mas com muita coisa interessante. Documentos da independência, mapas, objetos pessoais de Juan Perón e outros e até móveis que formam o quarto do General San Martín, libertador e ídolo nacional. Tudo contando a história das lutas pela independência argentina. Pena que não podia sacar fotos.

De lá, caminhamos mais um tanto para tomar o metrô. No decorrer, o momento orgulho de ser são-paulino: encontramos um motoqueiro com camisa del San Pablo, listrada, com patrocínio da TAM ainda, ou seja, bem antiga. Poucos minutos à frente, um argentino de bicicleta começou a gritar e a nos saudar: “Aguante, San Paulo”. E ria. Certamente era rival da pequena equipe finalista do torneio sul-americano.

Encontramos o metrô na Plaza Constitución, a Central do Brasil deles. Enorme, com gente de um lado para o outro, o local reúne linhas de trens suburbanos (aqui esse termo faz sentido, as linhas de tren vão além da capital federal e ao redor desta) e o metrô.

Voltamos ao hostel para reconfigurar o passeio e decidimos antecipar a visita à Recoleta. Tomamos o metrô novamente e descemos em Pueyrredón, para pegar aa venida de mesmo nome e descer até Recoleta. São quase 1,5 quilômetro. Para piorar, errei o sentido e fomos para o lado errado. Só quando vi uma estação de metrô da linha amarela percebi o erro. E tome voltar quase um quilômetro a somar aos 1,5 km. Andamos. Andamos. E andamos. E morrendo de fome e cansaço, que começa a bater após tantas andanças nesta viagem.

Mas, enfim, chegamos ao Hard Rock Café Buenos Aires, local desejado pela Patrícia para que visitássemos (já que ela conheceu e adorou os de Los Angeles e São Francisco) e foi lá também que almoçamos, mais de três da tarde. Virou nossa janta também. Isso porque o hambúrguer é gigantesco. E delicioso. Para abrir ainda mais o apetite, dedos de mozarellas empanados, com chopp Quilmes, ainda melhor que a cerveja.

Da esq. para a dir.: violão do Dylan e guitarras de Jimmy Page e ZZ Top

Da esq. para a dir.: violão do Dylan e guitarras de Jimmy Page e ZZ Top

Uma atendente que sabia português (sem ser arrogante como o do dia anterior) nos fez companhia e foi bem legal com a gente. De postre, tomamos uma sobremesa que juntava sorvete, crema (chantilly) e um bolinho quente de chocolate embaixo. Uma refeição de morrer. Na saída, ao pagar com tarjeta, a atendente me solta essa: “Un autógrafo por favor, con cariño de Lula”. hehehehe… Isso também vale aos que preferem pisar ao invés de valorizar e reconhecer os feitos de un país vecino y hermano.

Esbodegados de tanto comer, fomos ao Cemitério da Recoleta e é sombrio como o local é atração turística. Mutia gente, com guias e sem guias, conhecem a história da Argentina por meio das famílias tradicionais que fizeram a história. E, claro, o túmulo de Evita é o mais visitado. Ao lado do cemitério h´a Iglesia Nuestra Señora del Pilar, do século 18, muito bonita, com um pequeno museu em sua parte interna, chamada de “claustros”, que serviam de acessos dentro da própria igreja. Muitos objetos e imagens antigas formam o acervo.

Por fim, a ideia era visitar el Museo de Bellas Artes. Mas uma exposição do Caravaggio levou muita gente a visitar o local, com filas enormes do lado de fora, desestimulando o nosso cansaço a ficar sob o sol em uma fila. Passeamos pela feria de la Recoleta, pelo seu gramado – muito usado pelos argentinos para tomar mate, comer algo, conversar – e descansamos um pouco – antes de retomar a caminhada estoica – enquanto assistíamos uma apresentação ao ar livre de umas bandas de pop-rock argentino. Uma molecada que fazia um som bem bacana, valeu para recarregarmos as energias.

Recoleta

Recoleta

Chegamos no hostel lá pelas oito da noite, quebrados, destruídos e ainda com o almoço nos lembrando de sua existência, o que nos fez ir para a cama mais cedo para começar hoje um novo dia. E ainda deu tempo para ver um documentário sobre o Niemeyer na TV, com declarações de Saramago, Hobsbwn, que nos leva a uma reflexão. Um prêmio a nosotros brasileños e uma reflexão: por que valorizamos tão pouco nossos fenômenos?

Hasta luego!

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