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Archive for outubro \29\UTC 2012

PT vai ter que negociar com o “centrão” para aprovar projetos na Câmara

No último dia de cobertura das eleições no Agora São Paulo, uma das matérias que foi publicada foi essa daqui abaixo. Não tem link no site porque não foi a matéria principal da página, embora tenha recebido um espaço significativo. A seguir eu coloco no blog a versão inteira, até com um parágrafo sobre oposição, que não entrou no jornal por falta de espaço.

PT vai ter que negociar com o “centrão” para aprovar projetos na Câmara

O prefeito eleito Fernando Haddad (PT) não deverá ter problemas para governar a cidade de São Paulo nos próximos quatro anos. Mas vai ter que negociar com o chamado “centrão” para formar a maioria na Câmara Municipal e ter uma vida mais fácil na aprovação de projetos para a cidade.

Os partidos que formam o arco de alianças eleitoral (PT-PP-PSB-PC do B) somam 16 vereadores. Caso essa aliança se confirme em apoio em 2013, Haddad precisará de pelo menos mais 12 vereadores para configurar maioria absoluta na Câmara. Para isso, deverá consolidar no plano municipal a aliança federal com o PMDB e negociar o apoio de partidos menores, como o PR, PV e PRB, que poderão ser o fiel da balança nestas eleições.

“O centrão é um grupo que se reelegeu de maneira expressiva, com alguns entre os mais votados. É um grupo que está fortemente representado e tem fortes características governistas. Mas vai ser preciso demonstrar habilidade para lidar com esses vereadores”, avalia o cientista político Humberto Dantas, professor do Insper.

A dúvida fica por parte do PSD, partido do atual prefeito Gilberto Kassab, contará a partir de 2013 com uma bancada de sete vereadores e pretende reunir os partidos menores em torno de si para poder fortalecer o “centrão”. O partido, que apoiou o candidato derrotado José Serra (PSDB), deverá ser cobiçado para fazer parte da administração municipal.

“O PSD é uma incógnita. Embora o PSD seja aliado de Geraldo Alckmin [PSDB] no Estado de São Paulo, no plano federal eles são mais fieis à presidente Dilma Rousseff”, diz o professor do departamento de política da PUC-SP, Pedro Fassoni Arruda.

Dantas crê que Kassab deverá manter o perfil governista do partido. “O PSD tem grandes possibilidades de fechar com o Haddad. O Kassab está flertando com o PT não é de hoje, só não fechou com o Haddad porque Serra foi candidato”, diz.

Já a oposição terá vida difícil. Com nove vereadores, o PSDB deverá sofrer para compor uma bancada oposicionista forte, que ajude a brecar o ímpeto do Executivo dentro do Legislativo.

“O PSDB e o PPS foram aliados nesta eleição, o que não significa que permanecerão coesos. Além disso, dentro do PSDB tem alguns vereadores identificados ao Serra e outros ao Alckmin, o PSDB está bastante dividido. Se continuar essa cooptação do PSD é provável que ocorra troca de partido durante a legislatura”, afirma Arruda. (Rodrigo Herrero)

Ps: Nos próximos dias eu vou desovar os demais textos publicados no jornal nesse período eleitoral, em especial as matérias especiais. Porque tem uns que tiveram o prazo de validade vencido e nem faz mais nexo colocar aqui. No jornalismo é assim, o que saiu num dia já mudou para o dia seguinte.

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Em busca de uma agulha no palheiro…

Este pequeno texto abaixo foi publicado na semana após o primeiro turno como parte de uma matéria maior que levantou em quais zonas eleitorais foi registrado o maior índice de abstenção e em quais regiões mais ocorreram votos brancos e nulos. E a parte que me coube foi passar a tarde sob o sol intenso do centro da cidade atrás de uma agulha no palheiro, isto é, em busca de uma pessoa que não votou porque não quis.

Só depois que surgiu essa de ir atrás em alguém que votou em branco ou nulo (a pauta mudou durante o dia, para ajudar). Foi um verdadeiro sofrimento. Falei com mais de 50 pessoas e a maioria tinha votado e, quem não o fez, foi porque não vota aqui ou porque não morava no bairro. Eu já estava em desalento, quando o fotógrafo apareceu e num passe de mágica, e muita sorte, encontrou uma pessoa que eu consegui tirar, num sei como, algumas palavras dela e conseguimos a personagem!

Aí surgiu o papo de ir atrás de alguém que votou em branco e, mesmo extenuado, rodei e achei a outra personagem do texto. O último parágrafo acabou cortado pelo espaço ínfimo que tinha de texto. É bem comum, tu se mata pra apurar a informação e mal tem espaço para escrever. É o dilema de nossa profissão (risos).

Moradora da Bela Vista diz estar cansada dos políticos

A monitora de caixa Gabriela Victorino, 24 anos, disse cansada da forma como é feita a política. Moradora da Bela Vista, ela decidiu justificar o voto.

“Estou desacreditada com a política. Você dá um voto de confiança em um candidato achando que vai mudar e não melhora nada. Você vê que as propostas deles não ajudam o povo. É prefeito que larga mandato, vários aí sendo julgados”, afirma.

Voto branco
Já a dona de casa Helena Maria Oliveira, 54 anos, votou em branco. Mas, se dependesse dela, nem iria ao local de votação. “Eu fui porque tem que ir, senão nem iria. Dá até desânimo.”

Com a obrigatoriedade do voto, ela preferiu fazer um manifesto pessoal. “Votei em branco porque nenhum deles [candidatos] me interessou”, disse.

Seu marido, Valter Uliari, 80 anos, que sempre fez questão de votar, dessa vez preferiu ficar em casa. “Ele gostar de votar, sempre vai. Mas dessa vez ele não foi, me disse: ‘Cansei desse pessoal, não vou mexer com isso aí não, é tudo bandido.” (Rodrigo Herrero)

Santuário de Santa Edwiges recebe 45 mil pessoas*

O Santuário Santa Edwiges recebeu na terça-feira (16) no Sacomã (zona sul)  quase 45 mil devotos da pa­droeira dos pobres e endivi­dados.

O casal de namorados Paulino Geraldo Alves, 20 anos, e de Raissa Martins, 20 anos, foi a uma das sete missas do dia para agradecer. “Eu estava com 20 prestações do carro atrasadas, mas saí do serviço e paguei tudo. E logo arrumei outro trabalho, nem precisei pegar seguro-desemprego”, conta Paulino, que agradeceu também o apartamento da prefeitura que saiu após cinco anos de obras atrasadas. “A chave já tá na mão”, conta, aliviado. Raissa, que perdeu o empre­go há duas semanas, conta com a intercessão da santa para conseguir um novo tra­balho.

O motorista Rovílson de Oliveira, 48 anos, pediu ajuda à santa. “Um cliente me pas­sou um cheque furado de R$ 1.300,00 e não consigo rece­ber. Meu carro foi roubado mês passado e não consigo acionar o seguro porque te­nho multas que não sei como vou pagar”, diz.

A Sebastiana de Campos Antoniassi, 73 anos, visita o santuário há 30 anos para agradecer uma graça alcançada. “Eu tinha um tumor no útero que quando tiraram ex­plodiu. Mas ficou um nylon dentro de mim na cirurgia que gerou feridas no corpo. Eu vim à igreja, o padre aben­çoou e quando eu cheguei em casa o nylon saiu inteiro”, afirma.

Santa Edwiges viveu no século 12 e usava a sua ri­queza para pagar a dívida e li­bertar as pessoas da prisão. “Como a santa ajudava as pessoas com o que ela tinha, a mensagem é de que hoje nós podemos ajudar as pes­soas mutuamente para que todos vivam num mundo melhor”, afirma o frei José Al­ves de Melo Neto, do Santuá­rio de Santa Edwiges.

*matéria publicada no Agora São Paulo do dia 17.10.2012. Aqui está a primeira versão, não plenamente editada, e maior daquela original publicada no jornal.

O canto do dinossauro

Ontem eu fui na Câmara Municipal acompanhar os trabalhos dos vereados – aliás, isso vale um post específico, espero ter tempo de, em breve, escrever um – e entrevistar o Wadih Mutran (PP), que não foi eleito após quase 30 anos de Legislativo em São Paulo. Como sempre, o texto que saiu foi uma notinha, o que cortou um bom espaço para alguns pontos que acho que vale a pena trazer aqui no blog.

Mutran não consegue nova eleição

Com quase 30 anos de Câmara Municipal, o vereador Wadih Mutran (PP), 76 anos, não conseguiu se eleger para mais um mandato. Ele teve 27.429 votos e ficou em 56º, fora de uma das 55 cadeiras municipais.

De andar calmo e fala firme, Mutran não demonstrou tristeza por não ter sido reeleito. Perguntado sobre a razão de sua saída do Legislativo, ele disse que é um direito da população. “Não sei filho [qual a causa para a não reeleição], o povo é quem sabe, o povo quer trocar. Quem sabe não vem coisa melhor? Eu trabalhei os quatro anos, fiz muito por São Paulo, em especial para a região da Vila Maria [zona norte]”, afirmou em seu gabinete.

Mutran preferiu destacar o trabalho realizado ao longo de quase três décadas. “Todos os meus projetos são importante para a cidade. Sou autor de aproximadamente 600 projetos, mais de 70 viraram lei em São Paulo. Outros tantos se tornaram obsoletos e outros foram arquivados porque não tinham mais interesse”, falou, lamentando que a população não reconheceu o seu trabalho. “O povo só reconhece como importante quando põe o metrô, o ônibus perto da casa dele. Não vão valorizar aquilo que você faz para administrar a cidade, para fiscalizar o governo, punir quem erra.”

Apesar de não ter sido reeleito, Mutran deverá voltar à Câmara em breve, já que é o primeiro suplente da sua bancada, além de ter sido o primeiro vereador mais votado, excluindo os 55 eleitos.

Resta um

O PP elegeu apenas um vereador na cidade, o pastor Edemilson Chaves, que teve 45.858 votos. Hoje a sigla tem dois vereadores – Attila Russomanno, também não conseguiu reeleger-se. Segundo Mutran, a razão para a queda foi a falta de candidatos conhecidos.

“Nós não tivemos candidatos para puxar voto. Eu achava que o partido elegeria pelo menos quatro. Mas fez só um, o pastor da igreja. Possivelmente, se não tivesse pastor, não teríamos eleito nenhum”, sutentou.

Creches são o principal desafio na educação

Ressurjo das cinzas de meu inferno particular para publicar mais uma matéria que saiu no Agora São Paulo mês passado. Tá meio antigo, mas vale a pena, porque debate a educação e o déficit de vagas em creche na cidade. O bom é que aqui dá pra por os textos inteiros, maiores, e até uns personagens que acabaram cortados da página, que teve muita “arte” com detalhamento de outras informações, infográficos, etc.

Creche é o maior desafio na educação para SP

A fila das creches é o grande desafio da área da educação para o próximo prefeito de São Paulo. Com mais de 145 mil crianças na espera, Gilberto Kassab (PSD) não cumpriu a promessa de zerar a fila.

A Secretaria Municipal da Educação se defende: afirma que uma das marcas da gestão é ter investido bastante e gerado vagas em creches em número recorde.

Na campanha eleitoral de 2008, Kassab disse: “Estamos dando prioridade a esse tema para a próxima gestão e é evidente que vamos eliminar o problema de vagas em creche em São Paulo. Esse é um compromisso nosso.’

Ao longo da administração, o discurso mudou: “Tínhamos compromisso de elevar de 60 mil para 100 mil as vagas em creche, ultrapassamos em muito e sabemos que o número de vagas precisa ser ainda mais aumentado”, falou na última quinta-feira, em inauguração de creche no Itaim Paulista (zona leste).

Propostas

Os candidatos estão mais “precavidos” neste ano. Nenhum fala em acabar com a fila. José Serra (PSDB), por exemplo, diz que vai “trabalhar firme para atender a demanda”. Celso Russomanno (PRB) promete aumentar as vagas. Fernando Haddad (PT) fala em acabar com a fila _mas somente para alunos de quatro e cinco anos.

A procura por uma vaga é grande na capital. Em 2010, por exemplo, a população de crianças de zero a quatro anos era de 711 mil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Naquele ano, foram matriculadas 130 mil crianças.

Soluções

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a espera pela creche não é um problema só de São Paulo e que zerar a fila é um trabalho difícil, a longo prazo _não só para quatro anos.

“O déficit nacional é enorme. É um atendimento caro e nenhum país no mundo tem um atendimento 100% realizado”, afirma o especialista em política educacional Rubens Barbosa de Camargo, professor da USP (Universidade de São Paulo).

Segundo especialistas, a solução é investimento pesado, com prioridade à administração direta de creches, já que unidades administradas pela prefeitura têm mais qualidade do que a rede conveniada. “Os convênios deveriam existir como transição enquanto as creches estão sendo construídas e não se tornarem política central da prefeitura”, afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP.

A sociedade civil também reclama. “A prefeitura amplia os convênios e corre o risco de não considerar aspectos importantes para o atendimento, superlotando as salas”, critica Antonia Almeida Barros, do Movimento de Mães sem Creche. Para Denise Carreira, da ONG Ação Educativa, é necessário que a prefeitura retome a expansão da rede direta, com foco nas áreas mais carentes. (Rodrigo Herrero)

CEU não é para todos

Os 45 CEUs (Centros Educacionais Unificados) atendem mais de 84 mil alunos e recebem 60 mil pessoas por mês nas demais atividades. Porém, especialistas afirmam ser necessário aumentar a abrangência a toda a rede. “Vejo os CEUs com bons olhos, mas deveriam ser para todos”, defende Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP.

“A iniciativa de instalar unidades sofisticadas em áreas mais carentes não é política curricular do ensino municipal como um todo. Tem muita escola que não tem acesso direto ao CEU. Nem mesmo a proximidade física garante o incremento das atividades curriculares”, afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP.

A autônoma Francisca Alves, 39 anos, celebra que o filho Marcelo Alves do Rego, 13 anos, está no CEU Caminho do Mar, no Jabaquara (zona sul). “Duas vezes por semana ele faz futsal e natação. Se ele não estudasse lá não teria como fazer, porque é caro”, diz.

Quando esse CEU foi aberto, em 2008, a dona de casa Márcia de Brito Rabelo, 36 anos, achou melhor manter a filha Ana Beatriz de Brito Freitas, dez anos, na Emef Cacilda Becker. Mas admite: “Se tivesse como minha filha fazer essas atividades e cursos que existem no CEU seria bom.”

Os CEUs foram criados no governo de Marta Suplicy (PT) em 2003 e ampliados na gestão Gilberto Kassab (PSD). (RH)

Resposta: “Meta foi cumprida”, fiz prefeitura

Segundo a Secretaria Municipal da Educação, a meta de zerar a fila da creche feita na campanha de 2008 foi cumprida. Segundo a secretaria, a promessa de Gilberto Kassab (PSD) levava em conta a fila registrada em dezembro daquele ano (57 mil crianças). Até junho deste ano foram matriculadas mais de 207 mil crianças até quatro anos. Ou seja, são quatro vezes mais vagas do que a fila de 2008.

De acordo com a secretaria, em 2004 foram aplicados R$ 170 milhões, enquanto que o orçamento de 2012 aponta mais de R$ 1 bilhão em creches. Hoje são 1.505 creches.

Sobre a qualidade da rede conveniada, a secretaria diz exigir os mesmos padrões da rede direta, e informa aumento do investimento às conveniadas em mais de 100% em relação à 2004. A pasta justifica que a expansão dos convênios se deu pela dificuldade em obter terrenos nas áreas de maior demanda.

Quanto a crítica de que o CEU não inclui toda a rede de ensino, a pasta afirma que os CEUs estão abertos a toda comunidade e que, eventualmente, um morador do entorno pode não encontrar vaga em alguma atividade.

Com relação à queda na Prova São Paulo e a distância da meta do Ideb, a pasta destaca o crescimento no Ideb no 5º e no 9º ano: 63,3% das escolas tiveram médias entre 4,6 e 5,5. Em 2005, 15,3% da rede alcançou tal marca.

Sobre os uniformes, a pasta informa que as escolas estão coletando as fichas com as medidas dos alunos para 2013. A aquisição das peças tem início previsto para outubro. O investimento com uniforme, em 2012, foi de R$ 80 milhões, diz a secretaria.

Com respeito ao Plano Municipal de Educação, a secretaria diz valorizar o plano e que este será enviado à Câmara Municipal assim que “equacionadas algumas questões técnicas e financeiras ainda pendentes”. (RH)

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