Archive

Archive for setembro \15\UTC 2012

São Paulo sofre com obras ineficazes contra enchentes

Olá.

Desculpem mais um sumiço.

Ocorre que surgiu mais um frila lá no Agora São Paulo e estou na equipe cobrindo eleições para o jornal. Uma pena que comprometeu o andamento do blog Notícias da América Latina. Mas não dá pra reclamar, já que o que manda nessa vida maldita é o dinheiro. E em breve eu volto com o outro blog.

Aproveito o retorno para indicar a primeira matéria que saiu das especiais que tô fazendo. O tema foi enchente e ela foi publicada na última segunda-feira. Abaixo publico os textos do especoal, sem a edição final, já que não a tenho aqui comigo (foi uma complicação o fechamento dessa matéria, fiquei doente, fiz de casa, as definições demoraram, um rolo) e certamente são menores que esses, até porque eu escrevi sem ter o tamanho das retrancas e o formato da página. Na próxima segunda, será publicado um especial sobre educação. Aguardem:

São Paulo sofre com obras ineficazes contra enchentes

Apesar do investimento crescente da prefeitura no combate as enchentes em São Paulo, os resultados tem se mostrado ineficazes. É o que dizem especialistas ouvidos pelo Agora, que criticaram as medidas como a construção de piscinões, canalização de córregos e demais ações como soluções superficiais e paliativas, que não atacam o problema de forma profunda.

Dados fornecidos pela Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras informam que, de 2005 a 2011 foram aplicados cerca de R$ 840 milhões. Entre as últimas obras estão as intervenções nas bacias dos córregos Aricanduva e Pirajussara e no Jardim Pantanal, e, também, da construção de nove piscinões – dois em parceria com o governo do Estado – 11 em execução e sete em licitação. Além de 106 córregos recuperados, em uma parceria com o Governo do Estado e com a Sabesp, segundo informações da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. A secretaria informa também que foram retirados do rio Tietê um volume de 3.280.266 metros cúbicos entre 2011 e junho deste ano e 4.390.367 metros cúbicos de seus afluentes.

No entanto, segundos especialistas, as medidas adotadas pela prefeitura e Estado não resolvem o problema das enchentes em uma cidade historicamente urbanizada de forma desordenada e de pouco solo livre para absorver a água das chuvas. “Costumam apontar o assoreamento, o acúmulo de lixo nos córregos, a falta de galerias e de manutenção nas existentes. Tudo isso é importante. Mas são apenas razões superficiais, pontuais, de curto prazo”, analisa o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis.

Os piscinões também são questionados. De acordo com o professor da disciplina de Urbanização e Meio Ambiente, Edilson Pissato, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo), o piscinão serve apenas em curto prazo, mas pode se tornar obsoleto, caso não haja uma manutenção frequente, e, principalmente, outras medidas para evitar as enchentes. “Os rios são poluídos, com sedimentos e dejetos que se acumulam nos piscinões, então isso precisa ser retirado, com transporte adequado para um aterro de resíduos perigosos. Tudo isso gera um custo muito alto”, diz.

A canalização de córregos, procedimento comum ao longo dos anos e ainda hoje, também é criticado, por apenas empurrar o problema para áreas mais baixas. “A canalização, que serve para escoar água mais rápido das regiões mais altas, acumula mais rápido essa água nas baixadas”, afirma o professor José Giroldo, do Departamento de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana).

Drama

Enquanto o problema não é resolvido, histórias crescem de pessoas que sofrem com as enchentes. É o caso da população da região próxima à confluência entre os córregos Águas Vermelhas e Oratório, na Vila Industrial, na divisa com São Caetano e Santo André. Segundo os moradores, quando o Oratório enche, o nível do córrego Águas Vermelhas também sobe, invadindo a rua e as casas.

O aposentado José Carlos da Silva, 56 anos, diz já ter feito diversas reclamações, inclusive com a entrega de abaixo-assinado, sem resposta. “Eles alegam que a obra já foi feita. Mas as canaletas colocadas nas ruas Fruta de Guariba e Jacarandá Preto não têm caída, a água não corre e o esgoto volta pela tubulação. Se minha casa não tivesse um portão alto, a água tinha entrado na minha sala. Mas muitas famílias aqui já perderam tudo”, reclama. (Rodrigo Herrero)

Resposta: ‘Fiscalização foi ampliada’

Além dos investimentos em obras no sistema de drenagem, a Prefeitura informa que promoveu alterações na legislação e aumentou a fiscalização para combater o descarte irregular de entulho na cidade. De acordo com a legislação vigente, o descarte irregular entulho é crime ambiental sujeito à multa de R$ 13,5 mil. As ações resultaram em 352 multas emitidas, com 297 veículos apreendidos. Como resultado, em 2010, foram descartados irregularmente 1,4 mil toneladas, contra 2,4 mil em 2009.

A SIURB (Secretaria de Infraestrutura Urbana) diz ainda que cresceu a procura pelos Ecopontos, locais destinados para o descarte voluntário de resíduos e grandes objetos. Outra ação para a coleta desses materiais é a Operação Cata-Bagulho, realizada pelas subprefeituras. Segundo a SIURB, foram realizadas 1.040 ações nas 31 Subprefeituras, que ao todo retiraram mais de 24 mil toneladas de inservíveis, recolhendo em média 500 toneladas de objetos sem utilidade por final de semana

Com relação à limpeza do córrego Aricanduva, a Subprefeitura de São Mateus informou que realiza operações de limpeza manual e mecanizada sempre que é constatada a necessidade. Ainda segundo a subprefeitura, esse ano foram retiradas 4.730 toneladas de detritos do córrego. Os novos trabalhos de limpeza e desassoreamento do local estão programados para serem realizados na segunda quinzena de setembro.

Com relação à ponte de madeira sobre o córrego Aricanduva, a SIURB explicou que a ponte não foi construída pela secretaria e que um técnico da SIURB irá fazer uma vistoria no local. Sobre a água com barro que desce pela avenida Ragueb Chohfi em dias de chuva, A SIURB informou que estão previstas obras de drenagem para a região.

Questionada a respeito das obras do córrego Águas Vermelhas, a SIURB explica que a obra de 2009 incluiu sim a canalização do córrego, que serviu para aumentar a vazão da água. De acordo com o órgão, “as cheias na região serão resolvidas com a construção de um piscinão”, que está sendo projetado para a região do córrego do Oratório. No entanto, o projeto encontra-se ainda em fase de elaboração e não tem previsão de execução (RH).

Especialistas defendem mudança de paradigma no combate às enchentes

Segundo especialistas ouvidos pelo Agora, um dos principais problemas apresentados por São Paulo é a ocupação das várzeas e a canalização dos córregos e rios, que cede lugar às vias marginais. A saída para alguns deles é a renaturalização desses locais.

“Muitos rios deveriam ser descanalizados e terem a sua várzea de volta. Essa é a tendência na Europa. Na Alemanha, por exemplo, eles não só devolveram o rio à cidade, como despoluíram suas águas, devolvendo o salmão a muitos córregos urbanos”, afirma o professor da disciplina de Urbanização e Meio Ambiente Edilson Pissato, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo).

O aumento da vegetação na área urbana, para proteger a infiltração da água no solo, também é bem visto pelos estudiosos. Os parques lineares são uma solução que tem sido adotada inclusive pela prefeitura. Mas o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, faz uma ressalva. “Quase metade das favelas estão na beira de rios e córregos. Então, não adianta tirar as famílias da favela e colocar no lugar um parque, senão eles vão voltar a construir favela ali ou em outro ponto. É preciso resolver também a demanda habitacional”, acrescenta.

Há também formas menos radicais de intervenção urbana apontadas pelos especialistas. A implantação de legislação ambiental e o aumento da fiscalização são algumas medidas práticas, que podem trazer o cidadão para contribuir no combate às enchentes, como incluir caixas e cisternas nas casas e condomínios. “Tinha que implantar a lei de piscininhas, obrigando aos empreendimentos imobiliários de recolherem a água no próprio lote, ajudando a diminuir a água que escorre pelo meio fio durante as fortes chuvas”, aponta Nakano. Pissato vai mais longe e defende que nos códigos de obra conste uma taxa de permeabilidade de 30%, 40%.

Onde a ocupação já está consolidada e não há como criar áreas permeáveis, a geógrafa Katia Canil, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), defende a realização de estudos da bacia para buscar alternativas ao problema.

Outra frente de ataque é o combate à erosão de encostas nas áreas de cabeceira, que acabam por assorear os rios e córregos. “Nas áreas periféricas, onde não há infraestrutura e o loteamento ocorre em altos declives, em terrenos íngremes, isso faz com que a cobertura vegetal da área seja retirada, deixando o solo exposto. É preciso estabilizar a erosão e recuperar essas áreas”, diz a geógrafa. (RH)

Moradores reclamam de enchentes no Aricanduva

Quando chove no Jardim São Benedito (zona leste), os moradores sofrem com a invasão de água de dois lugares. Por cima, a enxurrada com lama desce da avenida Ragueb Chohfi e atinge as casas que margeiam a avenida e também as da rua Ilha Caviana. Por baixo, eles reclamam que o córrego Aricanduva enche com qualquer chuva mais forte.

“Um dia fiquei segurando o portão para evitar que a água chegasse, mas mesmo assim ela invadiu a casa e foi os andares debaixo, derrubou o muro. Meu marido tem refeito tanto essa casa”, conta a dona de casa Gedalva de Lima Romão, 67 anos, enquanto mostra os canos levantados e os cômodos aterrados para evitar enchentes futuras.

Um de seus filhos que moravam na parte debaixo da casa se mudou para fugir do prejuízo. “Tinha um computador em cima de um hack que ficou boiando e só parou na parede. Meus netos quando viam a chuva já choravam. Perdemos o gabinete da cozinha. Olha, eu já perdi tanta coisa. A gente nem sabe mais o que fazer”.

Os moradores reclamam que não há limpeza naquele trecho do córrego Aricanduva há anos e que, toda vez que chove, a água leva tudo o que vê pela frente “Minha família veio para cá em 1988, a gente pescava nesse rio, era limpo. Agora botaram a favela em cima e deixou o rio estreito”, critica o mecânico Edvaldo Ievenes, 42 anos.

Obstáculo

O jovem Danilo Ribeiro Gomes, 19 anos, vive na cadeira de rodas há dois anos, quando tomou um tiro nas costas. Desde então é paraplégico e necessita dos vizinhos para sair de casa. Ele mora do outro lado do córrego Aricanduva e, para ir à rua, a ponte de madeira dificulta o trajeto. “Para o meu filho passar do outro lado da ponte tem que chamar quatro pessoas pra carregá-lo. A maca da ambulância não passa, precisa pegá-lo no colo”, conta a mãe de Danilo, Rita de Cássia Ribeiro, 36 anos. Sem ter mais condições de caminhar, a rotina de Danilo é ficar o dia dentro de casa. “Passo o dia deitado no sofá assistindo televisão”, lamenta Danilo. (RH)

Unasur, un proyecto a largo plazo y de aceleración continua

Bom dia aos amigos do blog!

Informo a todos que tem post novo no Notícias da América Latina.

Publiquei hoje uma entrevista com o secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez Araque, originalmente postada pela Prensa Latina.

O conteúdo é bem interessante e aponta os caminhos do bloco no âmbito internacional, além de tratar que questões pontuais, como a disputa Equador x Reino Unido no caso Julian Assange e o gole parlamentar no Paraguai. Boa leitura e um ótimo domingo a todos nós!

Para ler o pingue-pongue, clique aqui!

%d blogueiros gostam disto: