Início > Carreira > Educação, meio ambiente e sustentabilidade

Educação, meio ambiente e sustentabilidade

Olá pessoal. Publico mais um post da série de colaborações que estou fazendo para o Blog Educação www.blogeducacao.org.br. É uma grande reportagem dividida em duas que fala sobre educação, meio-ambiente e sustentabilidade. Boa leitura!

rio-20-2

Educação e desenvolvimento sustentável: uma união que o meio ambiente agradece


A Rio+20 termina no Rio de Janeiro esta semana, tendo retomado com força a temática da sustentabilidade em termos globais, na tentativa de avaliar as políticas em prol do meio ambiente, realizadas desde a Eco 92, e de intensificar a luta por um mundo que considere na prática o desenvolvimento sustentável. Dentro desta discussão, um ponto importante é o da Educação para o Desenvolvimento Sustentável – EDS, assunto que também faz parte dos encontros e palestras do evento carioca, e que ocorre desde as negociações da Rio+20, em março, quando mais de 70 representantes participaram de um painel específico organizado pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – UNESCO, em Nova Iorque. ambiente agradece

A educação já havia sido escolhida nas negociações da Rio+20 para estar no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs, independentemente das negociações em torno do texto final do encontro, fato comemorado pelo governo brasileiro. Esse trabalho faz parte de um processo mais amplo, que é a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, o que impõe ações diretas da UNESCO nesta área no período designado entre 2005 e 2014. O desejo é aumentar a qualidade e abrangência da educação e reorientar seus objetivos para reconhecer a importância do desenvolvimento sustentável.

No entanto, o assunto é conflitante, já que as críticas costumam recair na impossibilidade de conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, tendo em vista a forma com que o mundo cresceu nos últimos séculos à custa dos recursos naturais usados de forma desmedida. “A crítica é relevante, especialmente quando se foca nas formas cruéis de supervalorização do lucro e desvalorização dos trabalhadores e do ambiente, mas tende a nos jogar no buraco do pessimismo, como se a história e as possibilidades humanas tivessem acabado. A prática mostra que existem experiências a partir das quais é possível garantir emprego e renda para muitas pessoas com formas menos agressivas”, explica Swamy de Paula Lima Soares professor de Sociologia da Educação na Universidade Federal da Paraíba, que desenvolveu mestrado sobre escolas rurais sustentáveis em Vicência (PE). “Por exemplo, se o padrão de consumo dos cidadãos norte-americanos fosse universalizável, não existiria espaço no planeta para os detritos produzidos. Entretanto, também podemos vislumbrar, hoje, vários movimentos de consumidores que exigem um ‘selo verde’ em diversos produtos. Isso força as empresas a pensarem sobre a questão dos resíduos e novas tecnologias de produção que colaborem mais com a preservação ambiental”.

Outra dificuldade verificada por especialistas é o alcance dos resultados desses encontros entre agentes governamentais. “Embora todas estas possibilidades tenham apoio e incentivo pelos diversos níveis de governo, não há indicações de que elas sejam prioritárias. Isso porque a maioria dos governos ainda tem colocado em segundo plano a questão ambiental, frente à necessidade de crescimento econômico. Esta opção tem sido predominante de 2008 para cá, em nível internacional, com a crise das economias norte-americana e europeia. No Brasil, infelizmente, é notório que a questão ambiental não está no grupo de ações prioritárias do governo federal, mesmo com o Brasil sendo sede da Rio +20. Exemplos recentes são as alterações do Código Florestal, as construções de grandes hidrelétricas na região Norte e o incentivo ao consumo através da redução de juros nos empréstimos”, critica Maurício Anaya, professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Cidade de São Paulo.

Ações no Brasil

No âmbito nacional, o Brasil só passou, de fato, a ter uma Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA a partir de 2002. A regulamentação da lei que criou o PNEA, possibilitou a criação do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, que começou a tomar forma em 2004, por conta das várias reuniões e da consulta pública que recebeu contribuições de mais de 800 educadores ambientais de todo o país.

Segundo o Ministério do Meio ambiente, o ProNEA desempenha a função de orientar agentes públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que almejem a sustentabilidade, ressaltando o bom exemplo das boas práticas e experiências exitosas.

Uma ação dentro do ProNEA é o Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental – SIBEA, no qual é possível acessar informações sobre educadores ambientais e instituições ligadas à Educação Ambiental no Brasil, um ponto de contato importante para quem deseja incorporar esta ação em sua comunidade ou até mesmo em sua escola. Outro exemplo é o Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar, criado em maio por meio de portaria assinada pela ministra Izabella Teixeira, que tem como objetivos contribuir para o desenvolvimento sustentável e fomentar processos educacionais críticos e participativos, que promovam a formação, capacitação, comunicação e mobilização social em prol de práticas sustentáveis. Além dos Coletivos Educadores, iniciativa que almeja a reunião das instituições que atuem de forma articulada com a intenção de formar educadores ambientais populares na região aonde atuam.

Educação ambiental nas escolas

Em relação à escola, a Educação Ambiental pode ser abordada como tema ou conteúdo transversal desde o ensino infantil até a graduação, não podendo, no entanto, constar nos currículos como disciplina. “O problema dessa ideia é a execução. A educação ambiental nas escolas sofre com os mesmos problemas crônicos que a educação, de uma forma geral, sofre no país. Agora, com a implantação de uma cultura de avaliação, poderíamos verificar se a orientação oficial em EA é cumprida pelas escolas. Mas entendo que isso está em risco, pois não foi dada a ênfase devida à educação ambiental no Plano Nacional de Educação – PNE 2011-2020. Corretamente, este documento inseriu a promoção da sustentabilidade socioambiental como uma de suas diretrizes. O problema é que o incentivo a essas práticas desapareceu das metas e estratégias”, ressalta o professor Mauricio.

ma2Contudo, a cada dia, temas relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade se fazem urgentes na sociedade e, principalmente, nas escolas, com o envolvimento de pais, professores e alunos. “Hoje, mais do que nunca, educação ambiental é importante devido à superpopulação mundial, às elevadas concentrações urbanas e às múltiplas e extremas formas de exploração dos recursos naturais em toda parte. Quando eu era criança, no Nordeste do Brasil, escutava de pessoas de origem rural, acerca do descarte do lixo, a expressão: ‘joga no mato’. Ainda hoje, nas zonas urbanas, as pessoas seguem descartando o lixo em qualquer parte, mesmo com lixeiras próximas”, afirma Maria Eulina Pessoa de Carvalho, professora da Universidade Federal da Paraíba, que coordenou projetos de educação ambiental em bairros carentes de João Pessoa.

Para o professor Swamy, se faz necessário que esses atos que parecem naturais no cotidiano, como jogar um pedaço de papel na rua ou no córrego, sejam colocados no ambiente escolar e problematizados para que as crianças e jovens se conscientizem da consequência de suas ações para o meio ambiente. “A minha geração, por exemplo, não se preocupava de onde vinha a água encanada e para onde ela iria. Se a educação escolar contribuir para que as crianças e os jovens de hoje possam, pelo menos, questionar essas ações, dará uma grande contribuição para se repensar e praticar um desenvolvimento com sustentabilidade”, observa.

A professora Eulina concorda e vai além, ao sugerir a criação de coleta seletiva do lixo nas escolas, a criação de hortas ou um espaço em sala de aula para a criação de vasos, além de as próprias crianças ajudarem na manutenção da limpeza da escola. “Uma noção horrível que ainda temos no Brasil é que a minha casa é mais limpa e mais bem cuidada do que o espaço público”, comenta.

Esse tipo de iniciativa cresce em importância na medida em que a geração atual se preocupa com o tema meio ambiente, mas pouco faz, efetivamente. Pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional da Indústria – CNI, em maio deste ano, revela que é crescente a preocupação com questões ambientais, embora as mudanças sejam mais difíceis de se materializar. Dos 2002 entrevistados, 52% afirmaram que pagariam mais por produtos ambientalmente corretos, mas somente 18% declararam que modificaram seus hábitos de consumo em favor do meio ambiente.

Apesar desses números, aos poucos o cenário avança. “Em quase 20 anos como biólogo, tenho notado que a preocupação ambiental tem sido incorporada no dia a dia das pessoas, embora de maneira muito lenta, mas com mudanças perceptíveis. Considerei positivas a mudança comportamental e toda a movimentação que assistimos, inclusive pelas redes sociais, contra as mudanças no Código Florestal. No entanto, questões que mexem mais com o nosso cotidiano, como a obrigatoriedade da inspeção veicular, o fim da distribuição das sacolinhas plásticas nos mercados e a necessidade de adotarmos medidas de consumo consciente ainda são polêmicas e de aceitação mais difícil pela maioria da população”, constata o professor Maurício.

Fique atento! Na próxima segunda-feira, dia 25 de junho, publicaremos a segunda parte desta reportagem, com exemplos de boas práticas no ensino ambiental.

Saiba mais!

Educação para o Desenvolvimento Sustentável: visão da educação que busca equilibrar o bem-estar humano e econômico com as tradições culturais e o respeito aos recursos naturais do planeta, utilizando de métodos educacionais transdisciplinares para desenvolver uma ética para a educação permanente, além de promover o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do planeta. Seu objetivo é fazer com que os cidadãos possam ter capacidade de agir por mudanças sociais e ambientais positivas por meio de uma ação participativa. Fonte: UNESCO.

Colaborou Rodrigo Herrero / Blog Educação

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: