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Golpe tira Fernando Lugo da presidência do Paraguai

Bem, como muitos sabem, a noite desta sexta-feira foi negra para os povos latino-americanos, com a consolidação do impeachment do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, num claro golpe de Estado perpetrado pelos parlamentares oposicionistas, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Até os liberais que foram eleitos na coalizão de Lugo – incluindo o então vice-presidente Fernando Franco, que assumiu a presidência após o impedimento de Lugo – se voltaram contra o presidente e, por isso, permitiram a ação impetrada pelo partido Colorado de formular e dar andamento ao processo de julgamento político de Lugo.

Após a confirmação da troca de comando no Paraguai, os governos da Venezuela, Equador, Argentina e Bolívia declararam oficialmente que não vão reconhecer o presidente Fernando Franco, instituído pelos congressistas paraguaios, como mandatário do país vizinho. Até o momento, o Brasil não divulgou a sua posição oficial, embora alguns endereços de twitter e alguns sites de notícias da América Latina (caso da @teleSURtv) tenham informado de que a presidenta Dilma Roussef teria dito durante a Rio+20 de que o Paraguai deveria ser afastado do Mercosul e Unasul caso consolidasse o golpe. Por enquanto, prevalece a posição da Unasul de ressaltar a importância do respeito às cláusulas democráticas dos dois organismos de integração e que seriam avaliadas a possibilidade de continuação da cooperação entre os países no marco da integração sul-americana. Por outro lado, os Estados Unidos reconheceram o processo de impeachment no Paraguai e pediram calma aos manifestantes. Em retaliação ao golpe por parte do grupo Anonymous, desde a tarde desta sexta, o site da Presidência do Paraguai está fora do ar.

Um julgamento expresso, que não durou mais que 30 horas, em que Lugo foi acusado, mal pôde se defender e sua destituição do cargo foi votada de forma ultra veloz, impedindo qualquer articulação dos movimentos sociais contra essa ação, muito menos alguma movimentação por parte dos países vizinhos que, por meio de seus chanceleres e em nome da Unasul, estiveram em Assunção para tentar reverter um quadro já bem orquestrado, tornando impossível qualquer reviravolta.

Por mais que a ação esteja plenamente de acordo com a Constituição do país, não é legítima, como bem disse Rafael Correa, presidente do Equador, tanto por permitir a defesa de Lugo – sem a presença do mesmo no Congresso – de forma protocolar, quanto pela rapidez do processo e, inclusive, das razões que levaram a esse julgamento político apartado do povo. O que só corrobora a mando e a interesse de quem esse impeachment foi executado.

Fernando Lugo teria acusado o empresário Horacio Cartes, pré-candidato do partido Colorado, de estar por trás desse golpe. Só para ficar mais claro, as eleições vão acontecer este ano no Paraguai e o Colorado estava no poder há de 60 anos antes da vitória de Lugo e é o partido que representa as elites paraguaias, comprometidas com o latifúndio, que tem provocados conflitos como o que ocasionou a morte de policiais e sem-terra, e que os partidos Colorado, Liberal e outros contra Lugo o acusaram de ser responsável. E sim, pessoal, é golpe, por mais que esteja disfarçado de um verniz constitucional e por mais que boa parte da imprensa brasileira tente negar.

Até por esse motivo, resolvi publicar uma série de links que procuram explicar o que aconteceu no Paraguai de ontem para hoje, na tentativa de auxiliar aos interessados o conhecimento de fatos que certamente vão passar ao largo dos noticiários tupiniquins. Ao final, um artigo quentinho do pensador argentino Atilio Boron, escrito ainda no calor dos acontecimentos, após a confirmação do impeachment do presidente Lugo.

Notícias em tempo real no twitter sobre o golpe a Lugo: @teleSURtv

Senado paraguaio destitui Lugo e golpe relâmpago é consolidado

Fernando Lugo acata decisión del Senado y se despide de los paraguayos

Lugo aceita decisão do Senado e diz que “democracia paraguaia foi ferida”

Federico Franco assume Presidência do Paraguai dizendo que mudança é legítima

Reprimen a manifestantes frente al Congreso tras destitución de Fernando Lugo

OEA se surpreende com “sentença rápida” no Paraguai

Comunicado da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) sobre a situação no Paraguai

Alba: movimentos sociais condenam golpe no Paraguai e pedem mobilização por Lugo

Lugo colocou o dedo na ferida da oposição, diz partidário do presidente

Parlamentares paraguaios fazem cinco acusações contra Lugo

O impedimento de Lugo é um ataque contra a democracia

Golpe contra Lugo pode provocar expulsão do país do Mercosul, diz cientista político

Impeachment de Fernando Lugo foi, sim, um golpe

¿Por qué derrocaron a Lugo?

 Por Atilio Boron

Hace unos minutos se acaba de consumar la farsa: el presidente del Paraguay Fernando Lugo fue destituído de su cargo en un juicio sumarísimo en donde el Senado más corrupto de las Américas -¡y eso es mucho decir!- lo halló culpable de “mal desempeño” de sus funciones debido a las muertes ocurridas en el desalojo de una finca en Curuguaty.

Es difícil saber lo que puede ocurrir de aquí en más.Lo cierto es que, como lo dice el artículo de Idilio Méndez que acompaña esta nota, la matanza de Curuguaty fue una trampa montada por una derecha que desde que Lugo asumiera el poder estaba esperando el momento propicio para acabar con un régimen que pese a no haber afectado a sus intereses abría un espacio para la protesta social y la organización popular incompatible con su dominación de clase.

Pese a las múltiples advertencias de numerosos aliados dentro y fuera de Paraguay Lugo no se abocó a la tarea de consolidar la multitudinaria pero heterogénea fuerza social que con gran entusiasmo lo elevó a la presidencia en Agosto del 2008.

Su gravitación en el Congreso era absolutamente mínima, uno o dos senadores a lo máximo, y sólo la capacidad de movilización que pudiera demostrar en las calles era lo único que podía conferirle gobernabilidad a su gestión.

Pero no lo entendió así y a lo largo de su mandato se sucedieron múltiples concesiones a una derecha ignorando que por más que se la favoreciera ésta jamás iría a aceptar su presidencia como legítima. Gestos concesivos hacia la derecha lo único que hacen es envalentonarla, no apaciguarla.

Pese a estas concesiones Lugo siempre fue considerado como un intruso molesto, por más que promulgara en vez de vetarlas las leyes antiterroristas que, a pedido de “la Embajada”, aprobaba el Congreso, el más corrupto de las Américas.

Una derecha que, por supuesto, siempre actuó hermanada con Washington para impedir, entre otras cosas, el ingreso de Venezuela al Mercosur. Tarde se dio cuenta Lugo de lo “democrática” que era la institucionalidad del estado capitalista, que lo destituye en un tragicómico simulacro de juicio político violando todas las normas del debido proceso.

Una lección para el pueblo paraguayo y para todos los pueblos de América Latina y el Caribe: sólo la MOVILIZACIÓN y ORGANIZACIÓN POPULAR sostiene gobiernos que quieran impulsar un proyecto de transformación social, por más moderado que sea, como ha sido el caso de Lugo.

La oligarquía y el imperialismo jamás cesan de conspirar y actuar, y si parece que están resignados esta apariencia es enteramente engañosa, como lo acabamos de comprobar hace unos minutos en Asunción.

Fonte: http://www.atilioboron.com.ar/2012/06/por-que-derrocaron-lugo.html

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