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Archive for abril \30\UTC 2012

Face Leste na Penha será no dia 19.05

Data foi alterada para o dia 19 de maio!

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Cidadania e memória em Ermelino Matarazzo

Salão cheio durante apresentação do projeto Face Leste

Salão cheio durante apresentação do projeto Face Leste

Post escrito originalmente para o Blog da Bonita

Na noite desta sexta-feira a equipe da Bonita Produções visitou a Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, para apresentar o projeto Face Leste. O encontro aconteceu na Escola de Cidadania da Zona Leste, um curso semanal que recebe professores e estudiosos para conversar e levar conhecimento aos moradores.

O salão embaixo da igreja estava lotado, com pessoas de diversas regiões da Zona Leste. Após os informes tradicionais do curso, o jornalista Mauro Proença – que participou do livro contando a história de Ermelino Matarazzo e nos convidou a participar do encontro – fez a apresentação da nossa equipe. Após uma breve introdução do projeto, partimos para o documentário. Foi muito gratificante perceber as reações do público, as gargalhadas, os comentários, os sorrisos, bastante interessados na memória da Zona Leste.

Ao final da exibição, foi aberto o debate, um momento muito rico. Por mais de 40 minutos, as pessoas questionaram, opinaram, solicitaram, enfim, compartilharam as suas experiências com a gente. Foi um gostoso bombardeio no qual não nos furtamos em responder. O que abriu espaço para contar curiosas histórias sobre a pesquisa e a produção, tanto do livro quanto do vídeo, histórias que surgiram a partir da narrativa dos presentes, que compartilharam suas experiências.

No fim, todos levaram para casa algumas cópias do livro para proliferar esse trabalho nas regiões onde moram e atuam.

Esperamos que esse encontro seja um pontapé para esse grupo também ir atrás de sua história. Conhecer o seu passado é reconhecer-se no lugar onde vive e municiar-se de ferramentas de conhecimento para modificar o presente.

E as exibições continuam

No dia 04 de maio estaremos na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, às 20h30, para a grande exibição do Face Leste, a primeira em um cinema. Não perca essa chance de assistir a um registro vivo de uma São Paulo tão atual. E no dia 05, voltamos à Zona Leste, no Memorial da Penha, onde vamos levar livros e debater a memória e a história da querida ZL. Mais informações, clique aqui.

Jornalismo internacional no Brasil: um problema de perspectiva

Pingou no meu twitter há pouco esta notícia: Produtores globais de vinho se unem para questionar protecionismo do Brasil. A leitura me levou a escrever aqui no blog.

O título já indica o que nos espera.  Ao ler a reportagem, a premissa é confirmada. Parece que estamos lendo um jornal europeu ou estadunidense. A perspectiva é sempre do que o Norte acha do posicionamento do Brasil, indicando que o país estaria exagerando, fazendo errado, etc., e o que as nações de cima pensam e o que vão agir para combater.

A reportagem não ouve o lado brasileiro, não aprofunda as razões das salvaguardas, só faz copy paste do que a agência do Norte escreveu sobre um assunto nosso. Alguém vai dizer que a matéria é assinada por um correspondente, não é de agência. Tanto pior: para quê ter um correspondente na Europa com uma visão de lá e não do ponto de vista do Brasil? O jornalista vive há tanto tempo lá que deve ter perdido a conexão com a realidade brasileira, vendo as coisas muito mais com os olhos de lá do que daqui. Visão não quer dizer defender o Brasil, mas compreender a perspectiva tupiniquim, coisa que não houve no texto.

Independentemente de quem produziu, o que estou discutindo aqui é que o jornal produziu um conteúdo que não possui jornalismo na sua raiz, embora tenha todas as técnicas sobrepostas ali. Mesmo dizendo, breve e parcamente, os motivos brasileiros, a reportagem mais parece de uma assessoria do Norte, ao escrever sob o olhar dos interesses econômicos dos países produtores de vinho e que estariam sendo prejudicados pela atitude brasileira de desejar proteger o seu próprio mercado.

Enfim: se o Brasil e o SUL em geral tivessem agências de notícias que produzissem seu próprio conteúdo, que não tivessem a perspectiva das elites na sua linha editorial e fossem preferencialmente populares – tudo muito difícil, pois quem detém o poder e o dinheiro, detém a informação, caso da elite atual – duvido que porcarias europeizadas como essa saíssem por aqui. Mas a grande imprensa, representando sua elite, segue comprando o que o Norte oferece, como se aquilo fosse mais importante do que o que é feito aqui.

Enquanto essa mentalidade pequena e discriminatória não mudar, jornalismo internacional de notícias não existirá no Brasil. Só assessoria do Itamaraty, a partir do jornalismo declaratório, formal e ritual em Brasília (e que um CQC outro dia quebrou o tal rito protocolar de puxação de saco e saiu escorraçado do lugar por jornalistas “horrorizados”), ou assessoria do Norte, baseada em cobertura de agências de notícias que falam inglês e de correspondentes e perspectivas editoriais elitizadas, europeizadas e atrasadas.

O que salva são as análises e artigos de muitos estudiosos – e poucos jornalistas – que se dignificam a ir mais a fundo do que o raso jornalismo internacional vai. Jornalismo de foco internacional não pode ficar na borda do fato, precisa mergulhar, compreender e esmiuçar para ser entendido em toda a sua complexidade.

Em uma sala de aula…

Li no perfil de uma amiga no Facebook, que é professora no Rio de Janeiro, a seguinte mensagem. Pasmem, é real:

“E ontem, antes da prova, a turma me pediu licença, se levantou e orou, com as mãos no coração, pedindo que Deus ajudasse na prova. Deixei, enfim. Afinal, fé é fé, não é? Logo depois, a turma inteira quis colar. Acho que a “fé” não valeu”.

A molecada precisa de umas aulas de ética, coerência… Não dá pra para aliar duas coisas dessa forma, pedir ajuda divina e colar na prova. Cada vez menos as pessoas recebem educação em casa, as referências se limitam à escola, que não dá conta de tantos “filhos”. Aí, ao invés de aprenderem com os pais e terem o complemento com os professores, são educados pela rua, que não diferencia certo e errado… dá nisso e em coisas bem piores.

E enquanto nos indignamos com Cachoeiras da vida, jogamos no bicho – e os jornais, hipócritas, publicam e dizem que é uma forma de vigilância, quando se beneficiam da publicação de algo contra a lei. Enquanto xingamos o prefeito ou vereador de nossa cidade pelo não cumprimento da promessa de corredores de ônibus (paulistanos sabem do que falo), não cumprimos a promessa de levar nosso filho a um passeio, ou de amar e estar realmente junto da pessoa amada quando ela precisa, de realmente procurar ser melhor a cada dia e não apenas no primeiro dia do ano, quando prometemos mundos e fundos, meio inebriados pelo álcool ou pelos fogos de artifício da “festa da virada”. De que adianta reclamar dos corruptos de Brasília, se vira e mexe tiramos vantagens dos outros no dia-a-dia, se sacaneamos os velhos, as crianças, se viramos as costas a quem pede uma ajuda na rua. Que merda de sociedade e mundo estamos criando? Cada vez menos acredito naquele papo cristão de que o ser humano é bondoso e que sua humanidade pende para a preocupação e amor com o próximo. Cada vez mais vejo que o ser humano age de acordo com os seus interesses, independentemente do que isso vai causar ao próximo.

Voltando ao cerne do post. Enquanto as pessoas treparem sem pensar nas consequências de ter um filho e enquanto não cuidarem da educação deles, jogando o papel prum professor que é surrado, humilhado, mal pago e sugado pelo Estado e não tem condições de educar tanta gente ao mesmo tempo, o cenário só tende a piorar…

Olha, não tive uma infância gloriosa, fantástica, com todos os meus desejos atendidos. Mas uma coisa, primordial, eu tive e vou levar para todo o sempre graças a meus pais: educação, saber distinguir o que é certo e o que não é, saber observar as pessoas e saber quem está comigo mesmo e quem quer me prejudicar, e a buscar sempre o melhor, sem fazer coisas erradas – e para os religiosos, não fui educado em igreja nenhuma, apesar de ter tido embasamento católico em boa parte da vida, mas nada assíduo. Esse tipo de educação de valores, de ética, não se oferece numa sala de aula, muito menos não se vende em uma loja de departamentos ou de internet.

Face Leste em Guaianases

Post escrito originalmente para o Blog da Bonita

A equipe da Bonita Produções esteve em março no Espaço Cultural Paulo Freire, em Guaianases, para exibir o documentário e bater um papo com os presentes a respeito da experiência de descobrir e revelar uma Zona Leste tão diversa.

Convidados pelo professor Beto Custódio, pudemos também distribuir dezenas de livros para os participantes da apresentação naquela calorosa noite de sexta-feira. Alguns exemplares foram deixados no local para serem compartilhados com ativistas sociais e moradores da comunidade interessados pela história do bairro e da região leste de São Paulo.

O que mais chamou a atenção no debate após a exibição do documentário foi a ânsia das pessoas pela história de Guaianases, saudando o livro e o documentário, por serem documentos que contribuem na busca dessas informações.

Outro momento de satisfação para a equipe foi a presença da Dona Francisca Pereira de Souza, personagem do capítulo sobre Guaianases, que esteve no Espaço Cultural e recebeu um livro e um abraço da nossa equipe.

A próxima exibição acontecerá no dia 27 de abril, na Paróquia São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, às 20h. E no dia 04 de maio acontecerá a grande exibição do Face Leste na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, às 20h30. Não perca essa chance de assistir a um registro vivo de uma São Paulo tão atual.

Face Leste na Cinemateca

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