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PT e a Social-Democracia – Parte IX – Final

E para encerrar a publicação do livro-ensaio “O PT e a Social-Democracia: de um programa de ruptura à administração do capitalismo”, escrito por mim em 2004 como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo – saiba mais sobre esse projeto clicando aqui –, publico dois anexos que acho interessantes, pois são relatos de um encontro do PT em Mogi das Cruzes que teve a presença de José Genoino, que mandava muito a época, em uma reunião que declarava interferência do diretório nacional do PT sobre a escolha do candidato do partido na cidade. Mostra bem como o PT atua de forma ditatorial dentro de suas entranhas para impor os interesses do grupo majoritário.

O outro texto é um relato sobre os meus dias em Brasília, quando tive a oportunidade de entrevistar algumas pessoas, conhecer outras e tomar vários “nãos”  É bacana para conhecer um pouco dos bastidores da produção jornalística e me lembra com satisfação e nostalgia daqueles três dias assustadores na capital federal. Boa leitura e fim de papo sobre o PT. Foi um prazer trazer esse assunto à tona e espero que ajude as pessoas a entender melhor o contexto que envolve o partido e a ter discernimento na hora de votar ou mesmo de cobrar os seus eleitos. E que a gente possa fazer algo para realmente mudar esse estado de coisas, que melhorou um pouco, mas, como o livro mostrou, preferiu-se administrar o capitalismo e ceder às suas ordens do que buscar uma nova alternativa e lutar por ela. Até a próxima!

Anexo 04: Mogi das Cruzes[1]

 

Para entender a questão das alianças dentro do PT, como em um partido qualquer, mostraremos um caso a seguir ocorrido no PT de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, que pretendia lançar candidatura própria na cidade, mas foi impedida pelo Diretório Nacional do partido, na pessoa do Presidente Nacional do PT, José Genoino Neto, para dar lugar a uma aliança PT-PL, solicitada por este segundo partido, que é aliado nacional do PT e tem no presidente da legenda, Waldemar da Costa Neto, um morador de Mogi das Cruzes, com interesse na eleição de um representante do PL.

Ele alegou à época que cedeu três capitais (Porto Alegre, São Paulo e Recife) para o PT e desejava uma compensação com o apoio do PT ao PL em Mogi. “Abri mão de muita coisa em respeito á aliança nacional que temos com o PT. Em Porto Alegre, por exemplo, o Diretório Municipal queria ir com o PDT, mas eu interferi para que fechássemos com o PT, desconsiderando, inclusive um apelo pessoal de Leonel Brizola”, disse Costa Neto para o Diário de Mogi.

No dia 22 de junho, o jornal Diário de Mogi publicou uma reportagem de nome “PT nacional insiste em aliança”, que dá conta sobre uma resolução do PT nacional recomendando que o Diretório Municipal do PT de Mogi das Cruzes fizesse a aliança com o PL, retirando a candidatura própria do sindicalista Iduigues Ferreira Martins, que havia sido confirmada na convenção municipal do domingo anterior (20). Pedia também que o PT local conversasse com seus aliados PV, PC do B e PSB para unir forças junto ao PL. No dia 19 Genoino já tinha ido até Mogi para fazer um apelo aos petistas da região que desistissem da candidatura própria, movendo forças para eleger o deputado estadual Luís Carlos Gondim, do PL, para prefeito.

A resolução citada foi lançada após a reunião ocorrida na segunda (21) na sede da Executiva nacional, na Sé, região central de São Paulo, em que estipulou-se que uma comissão especial seria criada para acompanhar a aliança com o PL em Mogi, formada por: Genoino, pelo líder do PT na Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, pelo secretário nacional de Formação Política, Joaquim Soriano e pelo secretário nacional de Mobilização, Francisco Campos.

Leia abaixo a “Resolução da Comissão Executiva Nacional” na íntegra, publicada no Diário de Mogi em 22/06/2004.

“A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) decide:

1 – O Diretório Municipal do PT de Mogi das Cruzes deve fazer aliança com o Partido Liberal (PL), retirando a candidatura própria e abrir entendimentos com o PV, PC do B e PSB para compor a coligação com o PL.

2 – Propor a realização de uma plenária municipal do PT para encaminhar a posição da Executiva nacional.

3 – A Executiva Nacional através de uma comissão instituída no dia de hoje acompanhará a implementação desta resolução.

4 – A tática eleitoral em Mogi das Cruzes está sob responsabilidade da Executiva Nacional para todos os encaminhamentos.

São Paulo, 21 de junho de 2004.

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores”

Em entrevista publicada no Diário de Mogi em 23 de junho de 2004, Genoino diz que a resolução “é uma decisão política para o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores”. Ele leva em consideração o apoio do PL em cidade “muito importantes” como as colocadas acima e outras como Guarulhos e Araraquara e por isso, recomenda que o PT se alie ao PL. “Precisamos reconhecer o apoio que recebemos do Valdemar (Costa Neto) em outras cidades. O deputado fez um grande esforço para convencer seus correligionários a abrir mão de suas pretensões pessoais para compor e ajudar o Partido dos Trabalhadores. Agora é a nossa vez de retribuir. A política é assim.”, afirmou.

Genoino chega a colocar na entrevista que essa aliança não enfraquece o Tt, pois pode fazer uma “ampla chapa de esquerda”, para derrotar o PSDB que hoje governa a cidade”. “Precisamos superar certas divergências em nome da tática nacional adotada pelo Partido dos Trabalhadores, que governa o Brasil”, reforçou. O repórter perguntou se havia alguma possibilidade de intervenção no PT de Mogi, caso o diretório municipal não acate as recomendações do Diretório Nacional, eis que Genoino respondeu: “Nada é impossível, embora a questão não esteja posta na agenda. Vou lutar até o último minuto para viabilizar a aliança com o PL. Iremos esgotar as vias amigáveis e, antes que elas cheguem ao fim, aposto no bom senso do PT de Mogi das Cruzes e no apoio do Diretório Municipal à nossa tática nacional”, concluiu.

Já Iduigues Ferreira Martins, candidato pelo PT em Mogi das Cruzes, considerou não abrir mão de sua candidatura para favorecer o PL, alegando que o pleito foi conquistado de “forma democrática, como manda o Estatuto do partido”. Iduigues afirma que Mogi também é importante e questiona a relevância do PL para a vitória nas eleições. Iduigues não acreditava numa possível intervenção, principalmente após as reuniões com a Comissão Executiva Nacional e a posição reforçada dos correligionários de Mogi contra a aliança.

“Não há como decretar intervenção sem desrespeitar o Estatuto do Partido. Essa possibilidade só pode acontecer caso não se cumpram as regras internas e nós a cumprimos rigorosamente,”  falou,a creditando na sua força de segurar o diretório local nessa oposição á direção nacional: “Claro que tenho força. Já defendi minha posição na frente do próprio presidente do partido, no sábado passado, e vencemos por unanimidade”, encerrou.

No dia seguinte (24/06) a matéria “PT quer convencer filiados” aparece o deputado federal Ivan Valente a criticar uma possível intervenção no PT de Mogi das Cruzes. “Caso ocorra uma intervenção, o Genoino estará estuprando o Estatuto do Partido dos Trabalhadores. Será uma violação á soberania da cidade”, disse. Valente concordou com a posição do diretório municipal em resistir a pressão: “A relação que eles querem impor em Mogi é puramente fisiológica. O ‘seu’ Valdemar Costa Neto é malufista e não merece crédito”, afirmou. A presidente municipal do partido, Ana Maria de Paula, disse à época que resistiria ao assédio, creditando a culpa a Costa Neto e não a Genoino: “Esse negócio de querer impor sua vontade goela abaixo dos outros é um jeito ultrapassado de fazer política. Vamos lutar até onde tivermos forças”, bradou.

Na matéria “Novo não. E Genoino deve intervir” publicada em 27 de junho (domingo) abordava a plenária ocorrida no dia anterior em Mogi para decidir a questão. Os 150 filiados ratificaram a decisão do diretório municipal, mesmo com Genoino presente tentando convencê-los do contrário, alegando que a questão das alianças é resolvida pelo PT de forma nacional: “É preciso compreender que o PL está nos apoiando em 22 capitais de Estado onde somos cabeça de chapa. Portanto, é legítimo que eles queiram algo em troca. Peço esse sacrifício para vocês, olhando olho no olho”, discursou.

O jornalista que vos escreve esteve presente a plenária e viu um Genoino muito vaiado em diversas passagens, com a platéia indignada e criticando a aliança com o Costa Neto, “cuja família domina esta cidade há mais de quatro décadas”, como disse a presidente municipal Ana Maria de Paula. O debate esquentou com as críticas de Ivan Valente e os argumentos políticos de Genoino sobre a discussão ser em torno apenas de projetos, idéias e objetivos. Iduigues criticou a decisão do PT nacional a respeito, dizendo: “Genoino, respeito muito a sua biografia. Admiro a sua luta no combate à ditadura e suas prisões em nome da democracia. Lembre-se entretanto, que as suas digitais ficarão impressas nesse golpe que o partido vai sofrer caso haja intervenção”, lamentou.

Não deu outra. Na matéria publicada em 29 de junho (terça-feira)o Diário de Mogi fala da intervenção executada pelo PT nacional em Mogi das Cruzes. A Executiva Nacional se reuniu no dia anterior e decidiu, por 10 votos a 2, que o PT local desista da candidatura própria e se alie ao PL. Genoino declara à reportagem do jornal que a decisão faz parte de um acordo entre os partidos: “Apesar de uma divergência com o Diretório Municipal em Mogi, nós fizemos reuniões para que os companheiros fizessem o acordo com o PL. Como isso não foi possível, a Executiva tomou essa decisão e vai tomar todas as medidas estatutárias para apoiar o PL”.

A resolução apresentada pela Executiva apela para o artigo 147 do Estatuto do PT, que garante às instâncias superiores anular os resultados e atos deliberados nas convenções. Isso porque, a decisão do referendo de Mogi à candidatura de Iduigues foi feito no dia 20. No dia 1º de julho saiu uma nota no Diário de Mogi que traz o advogado do Diretório Estadual do PT em São Paulo, reafirmando essa postura, já que Iduigues havia dito no dia anterior que sua candidatura estava mantida. O advogado Hélio Silveira enviou uma retificação de ata à Justiça eleitoral para retirar a candidatura de Iduigues e colocar no lugar a aliança com o PL: “Já está tudo acertado e não há mais o que falar. O PT de Mogi vai se coligar com o PL porque assim decidiu a direção nacional do partido”, justificou. Quanto as punições aos membros do diretório mogiano por tentarem manter suas posições, Silveira explicou: A senhora Ana Paula e o senhor Iduigues irão arcar com as conseqüências desse ato. Quais conseqüências? Serão desautorizados”, encerrou.

Anexo 05: Relatos de Brasília[2]

A viagem só foi confirmada na sexta-feira dia 10, com alterações nos horários das entrevistas: dia 14 às 11h00, com o deputado Babá e no dia 15 às 12h00, com a deputada Luciana Genro. Eram essas únicas confirmações, além das promessas de assessores para falar com a senadora Heloísa Helena e com o senador Eduardo Suplicy. Dia 13 é a data da viagem. Depois de trabalhar o dia todo com a cabeça longe, preocupado em o que perguntar aos entrevistados, bate 16h00 no relógio. É hora de partir para a rodoviária.

Minha mãe aguarda na rodoviária do Tietê para entregar as malas e me acompanhar até o ponto de partida. A expectativa toma conta e às 17h30 o ônibus parte. Uma alegria imensa toma conta de mim em meio ao trânsito da Marginal Tietê. Durante a viagem, leituras para me interar do assunto, além de aprontar a pauta da primeira entrevista numa folha de caderno, entre os solavancos das estradas brasileiras. Por sorte a poltrona vizinha estava solitária e tive um pouco mais de “folga”.

Um cheiro terrível vinha do banheiro do ônibus e impedia a concentração e o sono, mas tudo bem, o céu está repleto de estrelas… Após 14 horas de viagem e três paradas em Pirassununga (SP), Uberaba (MG) e Catalão (GO) chegamos em Brasília (DF) com uma ansiedade enorme saída pela minha boca. Por sorte uma amiga mineira que mora na cidade me buscou na “Rodoferroviária” (o local possui este nome pois abriga também uma ferroviária, esta, abandonada) e me levou a pensão de Dona Ira, uma senhora muito simpática, que me acolheu por três dias em sua casa. Após banho, café da manhã e troca de roupa eu estava transformado: Do jeans, da blusa de moletom e do tênis ficaram a  calça e camisa sociais, blazer e gravata, todos pretos.

Eram 10h00 quando resolvi me encaminhar até a Esplanada dos Ministérios. Sem problemas para achar o ônibus, a dificuldade foi encontrar o Anexo III, onde está localizado o gabinete do deputado Babá, o primeiro da lista. São vários prédios e anexos, o que dificulta localizá-lo. Cheguei no gabinete cedo e me pediram para aguardar um instante. “Pode entrar”, disse Flaviana, uma das secretarias. Encontro Silvia, a assessora mais próxima do deputado e o próprio, de camisa azul clara e indefectível bigode. Silvia nos deixa a sós e assim, fico frente a frente com o homem.

Um início tímido: algumas palavras e olhar sério dele e começamos, enfim. A conversa fluiu em mais de uma hora, com Babá muito solícito e falante, respondendo a todos os questionamentos, abordando a história do partido, foi um daqueles bate-papos longos e gostosos, com o interlocutor falando e o receptor apreciando as informações ouvidas. Após esse tempo todo a assessora Silvia aparece e pede para encerrarmos, peço mais 15 minutos. Ela faz cara feia, eu peço 10 e ela autoriza. Voltamos a entrevista, faço mais umas três perguntas e dou a conversa por encerrada. “Tem mais pergunta aí?”, diz Babá, olhando para o meu caderno de anotações. “Até tem algumas aqui”, respondo timidamente. “Pois então faça rapaz”, ordena Babá. Com isso, ficamos mais uns 10 minutos além do tempo permitido e mais umas 5 perguntas foram realizadas e a entrevista termina num clima amistoso. Saí de lá com a sensação de dever cumprido. Mas a batalha apenas começava.

Babá informou de uma reunião de setores de esquerda da CUT e outros movimentos sindicais, para debater as reformas sindicais e universitárias. Eu estava morrendo de fome, sem lugar para comer na Esplanada (só fui descobrir uma lanchonete no Senado Federal no 2º dia) e rumei para o auditório. Liguei para Antônio Jacinto, um dos assessores da senadora Heloísa que me confirmou que ela estaria lá. Antes, falei com Rosa, assessora do senador Suplicy, para ver a possibilidade de uma entrevista: “Vem aqui lá pelas 14h30 que ele deve passar por aqui nesse horário”, afirmou. Cheguei ao auditório e vi Babá, Genro, José Maria e Ivan Valente (“minha chance”, pensei), mas nada de Heloísa. Confundi-a com uma mulher, mas deu tempo de evitar a gafe de chamá-la.

Assisti o debate por uma hora, até me cansar e ver valente sair. Dirigi-me até ele que me atendeu, dizendo, porém, ser impossível falar naquele momento, pedindo para conversar com a assessoria que talvez arrumassem um horário à noite. Já estava perdido mesmo resolvi conversar com o Zé Maria, que estava sentado numa ponta do salão, prestando atenção no discurso dos sindicalistas. Ele aceitou conceder uma entrevista e assim, trocamos telefones e marcamos a conversa posterior para São Paulo. Ufa! Algo positivo, enfim.

Heloísa não apareceu na reunião e resolvi ir atrás do Suplicy. Depois de esperar uma hora o senador apareceu: sujeito alto e sério avistando no corredor. O interceptei antes que entrasse, pois tinha reunião com uns senhores que entraram logo antes dele. Expliquei o que desejava e ele nem sabia que eu existia, pois a assessora dele, Rosa Wasem, não teve tempo de falar sobre meu trabalho: “Não consigo falar com ele desde hoje cedo”, desculpou-se. Ele aceitou conversar, mas não naquele momento, pois ele tinha compromisso no Congresso e no dia seguinte viajaria à Barcelona, podendo dar certeza de conversa no dia 27, após sua volta de viagem (fiz contato por telefone duas vezes, sem retorno de contato): “Mesmo assim, passe aqui amanhã à tarde que a gente tenta ver um horário”, disse o senador.

Feito isso resolvi passar no gabinete da senadora Heloísa para deixar algum recado para seu assessor. Passei também na liderança do Governo no Senado que era ao lado para tentar falar com o senador Mercadante. Recebi um atencioso “te ligo amanhã” de um de seus assessores, o Fábio Gramer, e me retirei daquele lugar repleto de jornalistas sentados no chão em meio a câmeras e luzes, aguardando alguma “bomba” vinda do governo naquele período morno de esforço concentrado no Congresso Nacional em que nada acontecia, nenhum projeto polêmico era votado (era época da votação da Lei de Biossegurança que tratava dos transgênicos e foi adiada na época por falta de quórum).

Na volta dei de cara com a senadora Heloísa: “Será que é ela mesmo?”, desacreditei. Com uma blusa branca e curta, calça jeans e tênis e rabo de cavalo no cabelo… só podia ser ela! Heloísa estava ao celular e conversava, eu dei um “olá” para ela e resolvi acompanhá-la na caminhada. Quando ela desligou eu me apresentei e pedi uma conversa, prontamente respondido por ela: “Me liga neste celular aqui que eu retorno para você a ligação. Mas deixa recado que aí eu retorno”, falou. Saí feliz de lá, apesar da fome, eram 16h00. Passei na Casa Civil para tentar conversar com o assessor Ralph Lima que negou uma entrevista com o ministro José Dirceu, mas fui impedido de entrar no local. “Ele está numa reunião e como você não tem horário marcado ele não vai falar com você”, respondeu um dos cinco brutamontes que fica na porta, após entrar em contato com a sala do assessor.

Resolvi sentar num banco atrás da Esplanada e aguardar o horário de tentar uma entrevista com o deputado Valente, como seu assessor Marcos havia me dito por telefone. O Sol batia forte àquela hora e eu me sentia morto de cansaço, faminto, mas feliz. Fui até o gabinete de Valente, mas nada obtive de positivo: “Passa amanhã que talvez consigamos um espaço na agenda, mas ele viaja amanhã a tarde, vai ser difícil”, reconheceu o assessor. Fim do dia, hora de voltar para a pensão.

Segundo Dia. Resolvi ler o jornal Correio Braziliense do dia e fiquei aprontando a pauta de entrevista com Luciana Genro, pois o dia já me parecia folgado. Acabei chegando atrasado na entrevista com a deputada. A entrevista transcorreu tranqüilamente, com toda a normalidade desejável. Mesmo assim, talvez por eu não ter acordado bem, não estava num bom dia, só sei que não me sentia à vontade como no dia anterior. Mesmo assim, a deputada propiciou falas importantes ao meu trabalho.

Saí de lá sem chance de falar com Valente e Suplicy, pois ambos estariam para viajar e não teriam tempo para uma entrevista. Resolvi ligar para as assessorias de Heloísa e Mercadante, mas, na primeira o assessor José Antônio alegou problemas pessoais da senadora e o segundo assessor alegou “agenda lotada” de Mercadante, passando o contato de São Paulo para tentar um possível contato com sua assessoria paulistana (fiz também dois contatos, sem sucesso no retorno). No meio disso tudo passava pelas plenária da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, onde percebemos quem governa para quem.

Já sem muito espaço e entusiasmo o dia acabou só restava esperar a quinta-feira à noite para pegar o ônibus rumo de volta à São Paulo. Já sem esperança alguma na quinta, recebi novos “não” das assessorias, resolvi conhecer o shopping e a catedral locais e juntar material par ao livro, já que estava sem dinheiro até para almoçar. Era o fim da jornada à Brasília, repleta de alegrias, frustrações e resignações, como é a profissão de jornalista, satisfatória, no final das contas.


[1] Este relato sobre o processo de intervenção da Executiva Nacional do PT sobre o diretório municipal do PT de Mogi das Cruzes serve como compreensão da tática eleitoral do PT nacional e suas atitudes em prol de seu projeto político.

[2] Este relato é um lazer no meio de um livro teórico e serve como Diário de Bordo de Brasília, bem como perceber a tentativa de contato com parlamentares no Congresso Nacional. O texto faz parte, também, da compreensão de como é o jornalismo, razão deste trabalho.

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  1. claudia conceicao
    31/03/2012 às 10:55 AM

    SOU UMA PRE-CANDIDATA PELA PRIMEIRA VEZ TENHO DUVIDAS SOBRE HA ALIANÇA DA MINHA CIDADE, POR QUE ANTES EU ERA UMA DAS DELEGADAS, VOTEI COMO DELEGADA MS QUANDO FOI O DIA DA DECISAO ,ELES FALARAN QUE EU JA NAO ERA MAIS DELEGADA MAS SIM PARLAMENTAR, E POR FINAL,DE TANTAS REUNIOES,TANTOS ENCONTROS, NO MEIO DE TANTA CONFUSOA EU ACABEI SAINDO COMO UM NINGUEIM, DAI EU COMECEI A PENSAR ,SERA QUE ISSO E NORMAL?????

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    • rodrigoherrerolopes
      03/04/2012 às 9:24 PM

      Olá Claudia.

      Infelizmente, não saberia emitir uma opinião sobre a particularidade do seu caso por não conhecê-lo por completo. No entanto, é notória a dificuldade da participação popular nas decisões dos rumos do PT. Um abraço.

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