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Nova Luz x as pessoas

Vale a a pena assistir a este ótimo documentário que publico abaixo, que desnuda o que está por trás da “Nova Luz” e da “cracolândia”. Mostra o embate entre as pessoas que moram lá versus o projeto de gentrificação buscado pela Prefeitura e Estado. Sim, há gente que ali vive, ao contrário do que é feito para pensarmos. Não é só pessoas em situação de rua, muito menos viciados em crack. Há comerciantes, moradores de baixa renda, ocupantes que não têm para onde ir e residem em prédios vazios e inúteis por anos, inquilinos, etc.

Vendo este vídeo eu lembrei de uma entrevista que eu fiz com um professor de Geografia da USP, ex-morador do Brás, a respeito deste célebre bairro da Zona Leste. Ele disse que a tentativa de gentrificação não deu certo lá porque as classes altas não iam querer morar num bairro que tinha na sua alma uma vocação operária. Iam buscar bairros novos, mais próximos aos seus perfis. Ou seja, nem com o fraco pretexto de que a “Nova Luz” vai trazer progresso e crescimento para a região e vai melhorar as condições do bairro estão garantidas; é provável que não aconteçam e uma classe social mais bem nutrida não se mude para lá também, afinal, a Luz tem um ar pobre, com suas muambas da Santa Ifigênia, sua sujeira, sua tradição imigrante. Quem ia querer morar lá, não é mesmo?

Ou seja: podem expulsar milhares de pessoas que já moram na Luz para fazer um bairro fantasma, ou um bairro de escritórios, voltados apenas para negociações imobiliárias de compra e venda e para empresas de serviços que poderiam se instalar em qualquer oura parte. Enfim, tudo pelo negócio,  nada pelas pessoas.

Uma coisa que me chamou muito a atenção a respeito dessa disputa poder “público” (que atua em prol do privado) e a população foi a declaração de um policial militar no embate contra as pessoas em situação de rua que estão viciadas em crack (isto é, nem todo morador de rua é drogado, lembrem-se disto – e viciado não é, ele está): “você trabalha com o social, mas o fardamento é repressivo, não tem como conversar…” Casa perfeitamente com a minha opinião: enquanto a PM não largar o M de seu nome, as menções opressivas de seu passado e seu uniforme e principalmente sua conduta repressiva e opressiva, isto aqui não será um lugar bom para se viver. Não há resquícios da ditadura, a ditadura é muito mais presente do que imaginamos e é cristalizada nos abusos da PM no cotidiano.

LUZ from Left Hand Rotation on Vimeo.

PS: Eu acabei de escrever o post e vejo no Facebook este vídeo de um estudante negro sendo agredido arbitrariamente por um policial militar. É elementar, meu caro Kassab: http://www.youtube.com/watch?v=iNAolrMSioU.

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  1. Paty
    10/01/2012 às 4:08 AM

    Passei por aqui e li seu post. Te amo, querido!

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    • rodrigoherrerolopes
      10/01/2012 às 10:11 AM

      Obrigado meu amor! Te amo! Beijos!

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  2. 10/01/2012 às 11:52 AM

    Muito obrigado por falar do nosso trabalho. Temos tudo o projeto em http://www.lefthandrotation.com/museodesplazados/ficha_luz.htm

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