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Os arautos da hipocrisia

Tudo o que você disser poderá ser usado contra você no tribunal. Nunca essa frase, tão comum em filmes ou em flagrantes policiais se encaixou tão perfeitamente nos dias de hoje, principalmente na internet.

As redes sociais transpuseram o limite do público e do privado e muita gente ainda não entendeu que o que você escreve na internet (desde os tempos do blog) poderá ser lido por milhares de pessoas e, consequentemente, alvo de opiniões contrárias e, muitas vezes, críticas.

Logo, tudo aquilo que você escrever em sua rede social será avaliado e, certamente, criticado, com grande risco de você ser escorraçado pela opinião pública, com grande repercussão na imprensa. Há também situações que suscitam embate entre o direito de dizer o que bem entender e as possíveis consequências daquilo. Como exemplo, há casos e mais casos de tweets preconceituosos contra os nordestinos, negros, judeus, gays, mulheres, etc.. Muitos exemplos bastante recentes, que nem se faz necessário ficar recordando.

Esse é um ponto, que evidencia o outro: o mundo sempre foi cercado de pré-conceitos que, muitas vezes, se transformaram em preconceitos, que foram alvos de crítica. Ocorre que, com uma maior visibilidade do que ontem era restrito a um bate papo pessoal entre amigos, sua repercussão ganhou ares de Big Brother.

Diante disso, vivemos atualmente o boom do politicamente correto, que abre espaço apenas para os bons moços, que nunca se posicionam, apenas douram a pílula e utilizam de frases feitas para agradar os amigos ou o seu público em algum canal de TV ou em algum blog.

O que não invalida o fato de que há muita gente falando bobagem, destilando todo o seu preconceito em seus perfis sociais, revelando o quanto ainda é preciso evoluir a humanidade para poder conviver com a tal harmonia que os profetas da felicidade tanto apregoam estarmos próximos.

Enfim, não é só o mundo que anda chato demais. São algumas pessoas que usam as redes sociais para patrulhar a vida dos outros. Como sempre foi. Só que antes as donas de casa ficavam nas janelas olhando a movimentação na rua, na praça. Hoje, as pessoas vasculham na internet o que as outras dizem e passam a criticar, assumindo para si o papel de arauto dos preceitos do universo. De qualquer forma, a patrulha é a mesma.

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