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Corrida maluca

Verde para todos

Eu voltei da Venezuela fazem uns dez dias, mas faltaram algumas histórias para contar daquele país especial e de sua capital Caracas, um tanto quanto maluca, mas também muito acolhedora e bacana.

A parte maluca daquele local é o trânsito. Os carros não respeitam absolutamente nada, nem farol, nem pedestre, nem faixa. Motoqueiro então, se tiver gente passando na faixa de pedestre com farol vermelho para ele, e daí? Ele segue mesmo assim. Só uma vez eu vi dois motoqueiros pararem, mas porque havia um guarda orientando o trânsito e ele mandou. Os carros fazem conversões absurdas, buzinam muito, travam as ruas, correm, andam em filas e transformam Caracas em um estacionamento gigantesco.

Como se vê na foto, chega-se ao cúmulo (e que não deixa de ser engraçado) do semáforo permitir que os carros virem à direita e o pedestre atravesse o mesmo caminho. Não sei como não vi um acidente nos meus 18 dias em Caracas. Se bem que no penúltimo dia eu quase vi uma tropelamento. Um dos pequenos ônibus que me levavam do metrô até a residência onde fiquei, entrou à esquerda (uma conversão muito maluca, mas permitida) e um homem com sua filha passava no mesmo local. O ônibus parou, os dois discutiram e o motorista praticamente jogou o ônibus sobre a criança, que, por sorte, não foi atropelada. O homem saiu correndo atrás do ônibus e jogou algo que parecia um pedaço de pau ou de metal, mas, depois, vi que era uma espada (!). O que o cara fazia com uma espada no meio da rua, eu não faço a mínima idéia. O vidro não quebrou, mas ficou marcado a ponto de estraçalhar. O ônibus voltou, houve mais discussão. E eu via aquilo tudo perplexo. Mas, confesso, não sei como não vi muitos acidentes, se é que eles não acontecerem, mas em outros pontos da cidade.

No entanto, no metrô há mais cordialidade. Não há assento preferencial como em São Paulo, exceção feita ao último e primeiro vagões, que tem o canto todo reservado. O que não impede das pessoas cederem seus lugares às mulheres, idosas, grávidas ou com crianças – aliás, como tem criança em Caracas.

A estação principal, a Sé de lá, chama-se Plaza Venezuela e interliga três das quatro linhas caraquenhas. No entanto, não há uma plataforma central que faria com que o trem abrisse duas portas. Abre-se só uma. E o feitiço: as pessoas que estão na plataforma ficam do lado da porta e esperam sair todas as que estão dentro do vagão para só então entrar. Quando o trem está superlotado é normal ocorrer um certo empurra-empurra para entrar, mas nada tão violento quanto o que eu já vivi inúmeras vezes em São Paulo.

Não sei se dá pra sentenciar, mas os pedestres parecem ser mais cidadãos do que os motoristas. Ou, lembrando a paródia do Pateta, é só botar ou tirar a pessoa do assento do motorista para que ela mude, para o mal ou para o bem.

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  1. Evandro Marques
    04/02/2011 às 4:41 PM

    Fazia muito tempo q não passava por aqui… vim e acabei de ler todos os posts sobre a venezuela. Q pela experiência hein! E parabens pelos textos.

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  2. rodrigoherrerolopes
    04/02/2011 às 7:16 PM

    Opa, quanto tempo! Espero que esteja tudo bem. Valeu pela presença aqui. E, sim, foi uma grande experiência. Valeu!

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