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Archive for fevereiro \04\UTC 2011

Curiosidades

Um dia em Caracas...

Outra coisa curiosa da Venezuela e que eu não havia contado ainda é o mercado, tanto formal quanto o informal. Em verdade, destaco uma coisa de cada um.

O mercado informal é repleto em Caracas, vende-se de tudo: roupas, badulaques, sorvetes (com seus sininhos terríveis tocados pelos vendedores), vídeos de matemática com musiquinha (engraçadíssimo!) e até chamada telefônica. Sim, no centro de Caracas, se você ver uma pessoa sentada num banquinho com outro com uma caixinha com alguns celulares – e, por vezes, cigarros – não se assuste. Aproveite, se aproxime e faça uma chamada, é bem barato. Eu não fiz porque tinha um “móvil” à disposição para mim lá e também porque resolvi muitos dos meus problemas por e-mail. Além do que, as ligações para o Brasil eram feitas da casa ou do skype mesmo. Mas em uma das poucas vezes que usei o meu celular, falei por uns dois minutos com uma jornalista de lá e quando vio saldo tinha consumido uns três centavos.

Isso que dá ser um país rico em petróleo: algumas coisas são bem baratas, como também o metrô, já comentado neste espaço. Outra coisa bem barata é a gasolina: com seis bolívares, o que não dá três reais, é possível encher o tanque das SUV’s ou das possantes barcas gigantescas (aquelas banheiras norte-americanas, sabe?) bebedores de combustível. Em postos de conveniência de lá, a coca-cola chega a ser mais cara (sete bolívares) do que lotar o tanque do pujante.

Outra curiosidade é que é obrigatório os carros novos ter tanque de gás, que é gratuito, diga-se. No entanto, com o preço da gasosa, para que andar mais lento, né? Mas é um projeto do governo, para, no futuro, poder aumentar o combustível e incentivar o uso do gás, sem revoltas. Vale lembrar que na Venezuela não há carro novo para vender, a produção é fraca e a importação idem. Demoram uns quatro meses para chegar o carro. O que faz com que os veículos usados sejam vendidos a preços absurdos. E é uma cidade automotiva, com mais carro e concreto de avenidas e auto-pistas do que gente.

A outra coisa que eu queria dizer é que, no caso do mercado formal, na Venezuela há a tal da Nota Fiscal Paulista compulsória. Quer dizer, na verdade o cara não pode ganhar prêmios ou ter parte da grana de volta informando seu CPF a cada compra que fizer, como em São Paulo, mas em todo o lugar eles pedem o número da cédula de identidade – ou o passaporte no caso de estrangeiro – para cadastrar a compra. Isso é para evitar a sonegação fiscal, não tem nada de prêmio.

A primeira vez eu assustei, fiquei nervoso, achei que ia ser preso por fazer compras, não sabia direito o que responder. Mas é algo normal. No entanto, em uma loja de roupas não me pediram número de nada e eu fui ao lugar duas vezes.Perguntei para meu amigo brasileiro de lá e ele comentou: “os caras devem estar sonegando mesmo”. É estranho você ter que dar opbrigatoriamente o número de seu documento ao fazer uma compra, mas, pensando bem, é uma forma de garantir que o imposto chegue ao destino final e possa ser investido. Afinal, já que é pago, que seja revertido.

E o imposto não é barato não. Além do preço do produto, paga-se 12% do tal de IVA lá na Venezuela. Se você vai parar um bar ou restaurante, ainda tem mais 10% do garçom, a “propina”, e é obrigatório praticamente, ao contrário daqui. Tudo fica meio caro com tanto imposto. O bom é que muitas vezes o preço já vem calculado com o IVA, o que evita você ficar maluco tentando saber quanto você vai realmente pagar pelo produto.

Ah, Venezuela, suas contradições e peculiaridades. Outra hora eu volto.

Corrida maluca

Verde para todos

Eu voltei da Venezuela fazem uns dez dias, mas faltaram algumas histórias para contar daquele país especial e de sua capital Caracas, um tanto quanto maluca, mas também muito acolhedora e bacana.

A parte maluca daquele local é o trânsito. Os carros não respeitam absolutamente nada, nem farol, nem pedestre, nem faixa. Motoqueiro então, se tiver gente passando na faixa de pedestre com farol vermelho para ele, e daí? Ele segue mesmo assim. Só uma vez eu vi dois motoqueiros pararem, mas porque havia um guarda orientando o trânsito e ele mandou. Os carros fazem conversões absurdas, buzinam muito, travam as ruas, correm, andam em filas e transformam Caracas em um estacionamento gigantesco.

Como se vê na foto, chega-se ao cúmulo (e que não deixa de ser engraçado) do semáforo permitir que os carros virem à direita e o pedestre atravesse o mesmo caminho. Não sei como não vi um acidente nos meus 18 dias em Caracas. Se bem que no penúltimo dia eu quase vi uma tropelamento. Um dos pequenos ônibus que me levavam do metrô até a residência onde fiquei, entrou à esquerda (uma conversão muito maluca, mas permitida) e um homem com sua filha passava no mesmo local. O ônibus parou, os dois discutiram e o motorista praticamente jogou o ônibus sobre a criança, que, por sorte, não foi atropelada. O homem saiu correndo atrás do ônibus e jogou algo que parecia um pedaço de pau ou de metal, mas, depois, vi que era uma espada (!). O que o cara fazia com uma espada no meio da rua, eu não faço a mínima idéia. O vidro não quebrou, mas ficou marcado a ponto de estraçalhar. O ônibus voltou, houve mais discussão. E eu via aquilo tudo perplexo. Mas, confesso, não sei como não vi muitos acidentes, se é que eles não acontecerem, mas em outros pontos da cidade.

No entanto, no metrô há mais cordialidade. Não há assento preferencial como em São Paulo, exceção feita ao último e primeiro vagões, que tem o canto todo reservado. O que não impede das pessoas cederem seus lugares às mulheres, idosas, grávidas ou com crianças – aliás, como tem criança em Caracas.

A estação principal, a Sé de lá, chama-se Plaza Venezuela e interliga três das quatro linhas caraquenhas. No entanto, não há uma plataforma central que faria com que o trem abrisse duas portas. Abre-se só uma. E o feitiço: as pessoas que estão na plataforma ficam do lado da porta e esperam sair todas as que estão dentro do vagão para só então entrar. Quando o trem está superlotado é normal ocorrer um certo empurra-empurra para entrar, mas nada tão violento quanto o que eu já vivi inúmeras vezes em São Paulo.

Não sei se dá pra sentenciar, mas os pedestres parecem ser mais cidadãos do que os motoristas. Ou, lembrando a paródia do Pateta, é só botar ou tirar a pessoa do assento do motorista para que ela mude, para o mal ou para o bem.

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