Início > Crônicas > Venezuela – dia 1

Venezuela – dia 1

A viagem de São Paulo a Caracas foi tranquila. O que doeu foi a despedida. Mesmo que por pouco mais de uma quinzena apenas, a saudade bateu e o até logo foi chorado. O voo em si foi sem sobressaltos e a novidade foi se acostumar com o fuso horário de duas horas e meia (e meia sim, não estou brincando).

A primeira coisa que fiz quando saí do avião foi tirar uma foto do morro do lado esquerdo, atrás do aeroporto (do lado direito fica o mar do Caribe). Nem deu tempo de respirar e sentir o ar úmido e quente de Maniqueíta, cidade que acolhe o aeroporto Internacional Simón Bolívar, repleto de referências ao socialismo bolivariano em seus banners e frases.

Após a burocracia da imigração, tal e qual no Chile há três anos, a ida até o desembarque das malas, quando os ajudantes se oferecem para um táxi, um “câmbio” de dinheiro e o que mais você quiser. Cheguei meio assustado, atrapalhado, perdido em meio a uma língua estrangeira e à total falta de noção do que fazer e de para onde ir.

Um desses ajudantes externos me auxiliou na saída para trocar alguns bolívares e me indicar a fazer uma ligação telefônica.  A empresa é Movistar e o esquema é parecido com uma lan house brasileira: tu entra numa cabine, fala o quanto quiser e paga o valor utilizado. Fantástico. E econômico. Fiz duas chamadas para o Brasil e uma interna e gastei quase oito bolívares, o que não dá nem dois dólares no câmbio oficial. O ruim é que no aeroporto estão cheios de abutres, como a taxista os chamou, pedindo dinheiro por uma indicação, uma mala carregada sem um pedido, ou qualquer outro auxílio.

O táxi é engraçado: não tem taxímetro e você negocia na hora de embarcar com uma espécie de fiscal, nem com o motorista é. Isso porque são táxis autorizados pelo aeroporto. A taxista (sim, uma mulher) foi de uma gentileza gigantesca: me explicou várias coisas, me ofereceu CD’s para escolher a música no carro, jornal para ler, enfim, conversou bastante e deu sua visão a respeito da Venezuela de hoje e de Chávez, suas críticas, seus medos com relação à cidade, a informação de ter trabalhado na PDVSA na época do Paro Petrolero e que sua família ficou marcada como os “ex-PDVSA” e que foram expulsas da petroleira após a retomada do poder por Chávez, depois de quase ter sido apeado do poder. “É una lista negra”, disse a taxista, acrescentando que estes não podem emprestar dinheiro e fazer outras transações. A conferir esta história posteriormente.

Zonia é o nome dela. Sim, com “z”, ou “la zeta”, incomum aqui e um erro no caso dela, tanto que ela entrou com pedido para mudança. Zonia que achava que no Brasil se escrevia com “z” porque tem uma amiga brasileira que se chama assim. Mas não, Zonia, lá é com “s” mesmo.

Após chegar no destino, o acolhimento dos amigos Verena e Pedro, seu filho e sua avó. Já, já, mais alguns bate-papos e informações importantes e o derradeiro descanso, antes da peleja começar de verdade. Mas, antes, uma coisa: as tomadas aqui são em retângulo fino e não arredondadas, logo, se vier aqui, arrume um adaptador. Ou vá na loja “Ferro Total”, disse minha amiga Verena. Irei em uma amanhã para comprar um “chufo” (?) desses. Até qualquer hora.

Atualização às 17h45, hora local, desta terça-feira (o martes)

Ontem ainda deu tempo de mais umas historietas. O casal que me acolheu aqui resolveu dar uma volta comigo pelas redondezas, para me mostrar um pouco do lugar e me tranquilizar quanto à segurança: “as pessoas têm medo de tudo aqui, mas não é nada disso”, me garantem os amigos Verena e Pedro. Até tomamos umas “birras” em um buteco que tocava só rock internacional antigo e que ficava em cima de umas “escaleras” (escadas) em um espaço aberto entre prédios comerciais. Há muitos espaços assim em São Paulo, mas nenhum com bares como aqui. Bem pensado, o bar parece suspenso no ar, olhando de fora dele.

Cuidado com a cerveja. Me disseram que a melhor é a Solera. Ainda vou tomar todas aqui para descobrir, mas ontem tive uma péssima experiência. Minha amiga perguntou se eu queria uma cerveja amarga ou normal. Votei na normal, achandoque amarga seria mais forte. Daí me veio uma Solera de garrafa azul, light. É horrorosa, não percam seus tempos com ela. Peguem a pseudo amarga, que é a Solera verde, uma cerveja bem boa, melhor até que nossas Pilsen, posso chutar. Mas ainda vou tomar mais desta também para ver se a opinião é mantida. Agora sim: até qualquer hora!

Anúncios
  1. thiago
    04/01/2011 às 9:47 AM

    Sensacional, meu velho!! suas impressões transformadas em palavras são como um vídeo, me senti desembarcando no aeroporto… Boa viagem e grande abraço!

    Curtir

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: