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Nem plano de saúde adianta

Volto a este espaço hoje para publicar um justo desabafo de um amigo perante a um péssimo atendimento de seu plano de saúde. Sim, plano de saúde, pago, privado. Se tratam assim quem paga religiosamente para ser bem atendido e quando preciso, imaginem o que não fazem com quem não tem dinheiro e precisa enfrentar a saúde pública. Nesse quesito, o país permanece abandonado: hospitais públicos caindo aos pedaços, profissionais mal remunerados, alguns despreparados, muitos desmotivados e outros mal humorados. E parece que no plano privado o mesmo ocorre, com quaisquer médicos pertencendo às carteiras das empresas, colocando os nomes destas mesmas no lixo com o seu mau atendimento e pouco cuidado. Sem falar na diminuição de consultórios em vários planos de saúde, limitando a opção das pessoas – o que se acentua na zona leste de São Paulo, que eternamente sofre de preconceito. É preciso que casos como esse sejam mais e mais denunciados. Vamos ao relato-desabafo do jornalista e amigo Daniel Reis.

Nem plano de saúde adianta

A dor moral é ainda maior que a dor física

Eu estou com um sentimento ruim que não passa. Antes de quarta-feira era uma dor no peito, que começou a me preocupar por ser crescente e com reflexos físicos aparentes. Odeio ir ao médico, consultórios me dão arrepios. Por insistência da família e amigos resolvi acionar o meu plano de saúde para o qual mensalmente pago R$155,00, Dix20 da Amil, isso há quase um ano e só o utilizei duas vezes (essa foi a segunda). E por essa necessidade sofri uma das maiores humilhações da minha vida e por eu ainda estar indignado é que compartilharei essa experiência com vocês. Temos que refletir e agir.

No meu primeiro contato com a atendente ela me informou que apenas teria agenda para duas semanas adiante.  Não vi muita alternativa e aceitei, marquei a consulta na Zona Leste, na Avenida Pires do Rio (próximo de onde moro). Para aquele dia precisei desmarcar tudo, queria apenas resolver essa dor, pois quando se trabalha com jornalismo você conhece pessoas com histórias de saúde fatídicas e mesmo você não sendo um hipocondríaco a sua mente começa a criar ideias nada agradáveis sobre a provável origem do problema.

O tempo passou e então chegou o esperado dia da consulta. Eram 14h e estava no meu carro ao lado da minha namorada, que hoje é meu braço direito  nos processos de captação de recursos para projetos culturais. No meio de um trânsito infernal, ao sairmos do Belém, o combinado seria ela me levar para o consultório e ir direto para a Avenida  Paulista para outra reunião. Então liguei para o médico JOSE TELLES CLARO (CRM: 24889) apenas para confirmar a consulta e o endereço.  Para a minha surpresa uma atendente chamada ISAURA, disse que o consultório (para o qual eu havia ligado há duas semanas) apenas atendia na Avenida Paulista e zombou do fato de precisar de um médico numa região tão afastada quanto São Miguel Paulista, que segundo ela é quase no fim de tudo.

São Paulo é uma cidade enorme e pela minha profissão circulo por todas as regiões, e conheço de mansões a favelas. Além disso, independente dos quilômetros de distância que são Miguel fique do centro isso não significa que a população daqui não mereça um atendimento de qualidade, seja lá em qual setor. Tenho orgulho da minha história ter iniciado nesse bairro, já viajei por todo o Brasil, mas amo esse lugar por meus amigos e família estarem aqui. Nesse local desenvolvi meus primeiros projetos, escrevi meus primeiros textos e conheci pessoas incríveis de projeção profissional e intelectual admiráveis. Artistas, professores de universidades públicas e particulares, escritores, documentaristas, poetas, arquitetos, pesquisadores, tantos que nem dá pra listar.

Senti raiva, mas não quis revidar, apenas disse tchau e desliguei. Confuso liguei para o número alternativo e a cidadã atendeu novamente. Riu, disse que eu já havia ligado e pergunto o que eu queria. Eu resolvi aceitar a realidade e marcar um consulta na Avenida Paulista, ela me tratou como se estivesse fazendo um grande favor, e reservou um espaço na agenda para mim às 15h45 daquele dia. Precisei desligar o telefone para não levar uma multa e liguei novamente apenas para confirmar o número da minha carteira do plano de saúde. Como eu quase não uso o plano senti dúvidas de onde estava o número que precisava falar para ela. Ai, o bicho pegou. A todo momento me chamando de “BEM”, disse que não tinha tempo a perder e então perguntei se ela estava nervosa. Ela retrucou dizendo que não tinha obrigação de marcar a minha consulta (esta que eu já havia marcado e pela qual esperei por duas semanas) e desligou na minha cara.

Achei que eu fosse explodir, na minha quarta ligação apenas desabafei. Apenas ressaltei a forma como estava insatisfeito com o atendimento. E ela gritou comigo. Vocês já viram uma atendente médica  gritar com um paciente. Então disse a verdade, que ela  era uma grossa e mal-educada e mais uma vez o telefone foi desligado. A minha dor naquele momento era outra, eu estava indignado me sentindo um lixo. Decidimos que iríamos ao consultório, no mínimo falar com o médico sobre o tipo de empregados com os quais ele trabalha.

O endereço era pomposo: Avenida Paulista, 2006, conjunto 1015. Uma bela recepção no hall de entrada, com um atendimento muito melhor do que o que encontramos no consultório. Subimos e a mulher mandou esperarmos. Vi indícios de grosseria com mais dois pacientes que estavam ali para retorno.  Incrível, se o endereço chamava a atenção, o consultório era uma saleta, com espaço claustrofóbico para espera e com algumas pessoas do lado de fora.

Quando essa secretária leu o meu nome nos documentos, os olhos dela saltaram e sua voz alterou de tal forma que parecia que a estávamos ameaçando. Sendo que a única coisa que eu queria era fazer a minha reclamação para o médico. Fomos insultados, disse que chamaria a polícia e ainda disse que bateria na minha namorada, tudo de forma gratuita. Algo que eu nunca passei nem em bares, não éramos bem-vindos pelo simples fato de estarmos insatisfeitos.

Mas a nossa decepção foi maior quando o médico saiu da sala dele, e ao nos dirigir a palavra disse que aquilo não era um hospital público e zombou do nosso plano de saúde na frente de todos. Quando tentamos argumentar o “doutor” virou as costas e bateu a porta na nossa cara. A secretária sorriu e minha namorada num ataque de raiva jogou os papéis da mesa dessa mulher para o alto. Um ato impensado, um impulso que surgiu por uma pressão social, por uma ridicularização perante a qual ficamos atônitos.

Eu denunciei esse médico para o Plano de Saúde e irei redigir uma carta para a ouvidoria do Conselho Regional de Medicina. Eu jamais passei por isso nem durante a produção de  documentários ou matérias políticas e de denúncia.  Jamais, quando o médico riu do meu plano de saúde o que ele quis dizer?  Será que foi: “Cara, faça um plano mais caro e ai eu te atendo melhor. Pois sou muito importante para receber tão pouco”. Aquela atendente desequilibrada é fruto de uma liderança pífia e preconceituosa, é o resultado de uma total falta de qualificação profissional e essa trupe de mal-educados são ícones do sucateamento da situação do setor de Saúde Brasileiro. No meio de todo esse barraco a minha dor física ficou até pequena, mas agora o problema é moral. E pensar que tudo isso poderia ser evitado pela bela e boa educação, mas isso vem de berço não se aprende na universidade.

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  1. Daniel
    06/11/2010 às 5:00 PM

    Obrigado pela força.

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  2. Hélio
    01/01/2012 às 1:32 PM

    Eu lamento muito este acontecido.
    Eu fui paciente do Dr. Jose Telles Claro. Posso dizer que foi o Responsável por salvar minha vida, passei por 30 meses em tratamento, isso foi em 1984. Tenho por ele o maior respeito profissional, competência não lhe falta. Por algumas vezes precisei (p/ mim e minha família) de indicações de para outras especialidades, e fui encaminhado a profissionais também muito competentes.

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