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Archive for abril \17\UTC 2010

Jornal, Instituto de Pesquisa, ou Instituto de Opinião?

Desculpem o sumiço, mas sigo em viagem pelo Brasil. Para saber mais, acesse o meu twitter: @rodrigoherrero.

Aproveito o ensejo sobre o twitter e reproduzo abaixo (com alguns acréscimos) pensamentos após ler a nova pesquisa Datafolha, que dá 38% para Serra e 28% para Dilma. Enquanto todos os outros institutos de pesquisa mostram evolução da candidata petista, o instituto da Folha de S. Paulo aponta estagnação e uma distância de quase 10%.

A cara de pau de jornalistas (e professores, mestres e doutores da área) em acreditar na “verdade acima de tudo” e na “isenção acima de qualquer coisa” é irritante. Como alguém pode acreditar em isenção jornalística se um jornal tem um instituto de pesquisa?

Parto do pressuposto tão claro como água de que os institutos de pesquisa no Brasil influenciam o brasileiro na hora de votar, muito mais que, por exemplo, na Europa. Quem nunca ouviu a expressão: “brasileiro vota em quem tá na frente”? Eu mesmo tive exemplos dentro da minha família disso inúmeras vezes.

Por outro lado, é necessário constatar que os institutos de pesquisa costumam servir a interesses diversos. O jogo de empurra é forte quando uma pesquisa “sem querer” distorce os fatos e acaba por influenciar uma disputa eleitoral – a História revela múltiplos exemplos.  Agora, alie-se isso a um instituto pertencente a um jornal…

Ou seja, temos um pandemônio. Enquanto o jornal “informa” e traz sua “opinião”, o instituto de pesquisa faz aquilo que seu nome manda: pesquisa a opinião das pessoas, no caso, dos eleitores.

A razão do pandemônio? Vamos lá: e se o jornal, ao invés de informar (quantos não desinformam todos os dias?), costuma, por meio de sua credibilidade, tentar convencer seu leitorado de alguma posição? Ou, pior, de que candidato A é mais preparado que B, mesmo que isso não se dê de forma declarada no veículo (e que seria bem mais honesto com os leitores e prestaria um grande serviço à sociedade, mostrando realmente de que lado cada um está – isso porque, ao desmerecer o papo de não há lado para tomar parte, proporciona que, nos meandros do poder, se coloque desta forma sem ônus)?

Será que não há no mínimo um conflito de personalidade de uma empresa que tem como compromisso a “isenção” fazer pesquisas de opinião que ajudam a influenciar os rumos de uma eleição? Não adianta dizer que ambas as empresas (jornal e instituto) são independentes. No cotidiano pode ser, mas qual é o primeiro jornal que divulga a pesquisa em sua primeira página?

Se estamos em uma sociedade que se diz compartimentalizada, em que o jornal informa e o colunista opina e o instituto de pesquisa, pesquisa, isso cai por terra quando uma empresa reúne tudo isso em seu conglomerado, podendo influenciar diretamente a opinião pública.

O fato mais próximo da realidade é que jornal nunca foi independente, pois as influências e disputas via jornal sempre existiram. Desde os tempos do The New York Times (o livro “O Reino e o Poder de Gay Talese é emblemático)  é perceptível o peso que o veículo pode colocar em favor ou contra uma causa. Conheci de perto outro exemplo esta semana em Goiânia, em que o editor do jornal Diário da Manhã, Batista Custódio, publicou durante seis meses reportagens contra as dragas, que acabavam com a reprodução de peixes no rio Araguaia e destruía toda a mata ciliar, prejudicando todo o ecossistema de uma Área de Proteção Ambiental doada pelo próprio, inclusive. Se há motivação para o bem comum ou para a natureza, há também para posições políticas e de poder. Sem falar em questões econômicas, um buraco mais complicado de provar, mas passível de investigação.

Percebo hoje, no entanto, que as posições nos jornais estão mais escancaradas, mesmo que as ações permaneçam revestidas de “jornalismo”. Isto é: as reportagens “batem” mais nos, digamos, desafetos do veículo, enquanto que afagam aqueles que estão mais próximos de suas convicções. Ocorre, no entanto, que isso não é declarado nas páginas do jornal, sendo perceptível mais aos olhos mais intelectualmente apurados, como, por exemplo, dos próprios jornalistas, ou mesmo de acadêmicos que estudam o jornalismo. Para a maioria das pessoas não faz tanta diferença. Só que não é bem assim: já dizia o ditado: uma mentira dita várias vezes vira verdade. Por mais que as pessoas tenham opinião própria e influam nos veículos e na sociedade, quem tem o poder de atingir mais e mais pessoas segue na frente das decisões do país.

Agora, quando é unido este cenário sórdido em um jornal que, ao mesmo tempo, possui um instituto de pesquisa, como fica a independência deste instituto e a lisura de seu trabalho? Só na credibilidade dos seus donos? E se uma pesquisa é direcionada, o quanto esta informação compromete a reportagem do veículo do mesmo grupo, embasada em números que não condizem com a realidade?

Estas perguntas nos remetem a outras, mais de cunho procedimental: em quem acreditar? Por quê acreditar? Como e onde o eleitor deve se informar? Por meio de propostas dos candidatos, através de um veículo de comunicação, por institutos de pesquisa? Há alguma outra forma de procurar se informar e abastecer de subsídios que possibilitem formar uma opinião que faça jus à democracia representativa que vivemos e não apenas uma democracia (não seria uma autocracia?) de eleições?

Andanças… discrepâncias…

Sorocaba - SP - 29.03.2010

Uma pequena ilustração de minhas andanças pelo interior paulista durante a série de reportagens do programa Rotary Brasil, que começa dia 10 de abril, às 21h30, na Rede Vida de Televisão. Foto tirada na periferia de Sorocaba, com suas discrepâncias entre uma carroça humilde e um carro importado. É perceptível a diferença entre quem tem muito e ajuda com migalhas e aquele que mais necessita. Alguns tipos de ajuda apenas mantém as diferenças em seus devidos lugares. Sem transformação, a desigualdade nunca será eliminada.

Seguir viagem…

“… tirar os pés do chão, viver a margem, correr na contramão. A tua imagem e perfeição segue comigo e me dá direção…” – Engenheiros do Hawaii.

Hoje eu gostaria de explicar meu sumiço deste blog nas últimas duas semanas.

Fui chamado para um free-lancer de repórter num programa de TV na Rede Vida, chamado Rotary Brasil, pela produtora que trabalhei anteriormente, a Videologia Comunicação. São oito programas no total, mas eu farei seis, pois os outros dois estão sendo finalizados com outro profissional. O objetivo do programa é mostrar as ações do Rotary no Brasil todo. Só que nossa idéia no projeto é ir além disso e tentar uma proposta mais jornalística, discutindo os temas de fundo desse trabalho social.

Em duas semanas viajei por boa parte do interior paulista: semana passada fiz matéria em Santo André, Santos, São Paulo, Jundiaí, Peruíbe e Campinas. Pela ordem e com contratempos de ir do interior ao litoral no mesmo dia e de ir no litoral outro dia, com duas matérias no ABC e capital, em horários distintos. Esta semana viajei segunda e voltei quinta, passando por Sorocaba, Avaré, Jaú, São José do Rio Preto e Guapiaçú, botando pés e rodas no barro e na grama, em busca da pauta. E na semana que vem a história se repete. E assim vai até o meio de maio.

Particularmente, serve para me dar uma oxigenada financeira, mental, profissional, pessoal, etc. Renova os ares, me faz sair de casa, vejo coisas novas, conheço pessoas. Tem sido bastante legal, enfim, pensar noutra coisa, trabalhar bastante e ver a recompensa final pelo bom serviço feito. E, também, claro, ganhar um trocado de vez enquando é bom, já que essa vida de estudante pendurado é, muitas vezes, difícil de aguentar.

É provável que, por isso, eu suma daqui por um tempo. Mas, sempre que possível, trarei um ou outro comentário, quiçá sobre as viagens, quando sobrar um tempinho entre uma pauta e outra. É difícil, pois já escrevo a reportagem no caminho, no hotel, no carro. Mas a gente sempre dá um jeito. Até mais!

Categorias:Carreira, Notícias

Vídeo do documentário sobre a Vila Maria Zélia

Como comentei anteriormente aqui no blog, estou desenvolvendo um documentário sobre a vila operária Maria Zélia, que fica na zona leste paulistana. E o teaser do documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre” está pronto e pode ser visto aqui.

Esse teaser está em nosso canal do You Tube, com mais informações a respeito deste trabalho.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui. Ou acesse nosso blog, aqui.

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