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Glauco, Geraldão e nossa desumanidade

Como você pode ver, caro leitor, esta semana dei folga para o blog. Falta de assunto, indisposição para escrever e muito trabalho no mestrado foram algumas das razões para este breve hiato.

Mas há pouco tive uma vontade súbita de escrever. Pena que a motivação é inversa à razão desse post. Hoje morreu o cartunista Glauco, autor de várias tirinhas da Folha de S. Paulo, onde ficou mais conhecido pelo público em geral, com Geraldão, Geraldinho, Casal Neura, Dona Marta, Netão, Zé do Apocalipse, e muitos outros. Se destacou ao lado de Laerte e Angeli no conturbado período de abertura política do Brasil, vivendo resquícios de ditadura e de censura, mas soube driblar tudo isso com um humor crítico, inteligente e sagaz.

Não posso ir além. O que está acima eu li hoje na internet. A verdade é que nunca fui muito ligado em ler quadrinhos (mesmo gostando de muitos personagens) e como eu parei há tempos de ler o jornal em seu estado físico, deixei de acompanhar as tradicionais tirinhas dos jornais. Mas conhecia a maioria dos personagens do Glauco. E os adorava. Todos têm um traço (único do Glauco) que remete na minha cabeça os anos 80, e, consequentemente, à minha infância. Mas achava meio absurdo o Geraldão com tudo aquilo nas mãos, cabeça, até pés – minha racionalidade me impede muitas vezes de ver a beleza no absurdo, na poesia, é terível, eu sei. Mesmo assim, gostava demais quando tinha a oportunidade de ler.

Acontece que pelo meu desinteresse crônico por quadrinhos fez com que eu nunca me preocupasse a quem era o autor daquilo. Devo ter visto aqui e ali, mas nunca guardei o nome. Desafortunadamente, hoje descobri quem é. Era. De uma forma trágica, péssima. A morte de Glauco, da maneira estúpida como foi, seja por uma tentativa frustrada de sequestro, assalto ou por uma morte imbecil causada por um conhecido da família, apenas revela a forma futil e desprezível com que nós tratamos nossa própria humanidade, há muito transformada em desumanidade.

A cada hora que passa deste dia 12 de março a ficha vai caindo, caindo, caindo… E tudo vai desabando… Ficando mais feio, triste, chato.

Tudo o que dá neste momento é para prestar homenagens a um grande cartunista, que alegrou milhares de pessoas, sem deixar de criticar o que lhe incomodava, de forma leve, sutil, alegre. E desejar, mais uma vez, que nosso desapego por nós mesmos e pelo próximo seja substituído, algum dia, por alguma coisa que deixamos perdido em algum buraco do tempo.

Vale a pena visitar o Blog Universo HQ, que faz uma homenagem linda, tocando e emocionante. Para ver, clique aqui.

O site do Glauco também é uma forma de conhecer mais seu trabalho e rir um pouco com sseus personagens eternizados por seus desenhos. Clique aqui.

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