Início > Política e América Latina > A luta de classes na obra “O 18 de Brumário de Luis Bonaparte” – Introdução

A luta de classes na obra “O 18 de Brumário de Luis Bonaparte” – Introdução

Começo hoje mais um especial. Publico nos próximos dias o artigo que fiz para a disciplina Modalidades do Pensamento Político Moderno. O texto  aprofunda o post “18 Brumário de Luis Bonaparte” sobre o livro de mesmo nome, escrito por Karl Marx, e que acabou sendo meu trabalho final deste curso. Ele serve também como uma homenagem ao professor Gildo Marçal Brandão, morto semana passada.

1. Introdução

Este trabalho final da disciplina Modalidades do Pensamento Político Moderno tem por objetivo compreender, dentro da obra “O 18 Brumário de Luis Bonaparte”, como a luta de classes na França propiciou que Luis Bonaparte fosse guindado à condição de chefe da nação francesa, instaurando um período de ditadura semelhante ao que seu tio impôs aos franceses anos antes.

Para isso, será discutido o que Marx trabalha em sua obra, retirado e Hegel, a respeito da repetição de fatos e personagens de relevância na História, no qual ele acrescenta que a primeira vez que o acontecimento surge é como tragédia e a segunda como uma farsa, caso de Bonaparte, que tenta repetir os mesmos passos do seu tio para comandar a França. Tanto que Marx vai chamar o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851 de segundo 18 de Brumário, em referência à data do golpe dado por Napoleão em 9 de novembro de 1799, que o tornou cônsul da França. Essa data, no excêntrico calendário que o país adotara após a revolução de 1789, correspondia ao dia 18 do mês de Brumário. Ou seja, ao denominar a obra de “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Marx afirma que o golpe dado por Napoleão III fora uma reles cópia daquele impetrado antes por seu tio famoso [1].

Isso nos faz levar a outra reflexão que estará permeada durante este texto: a de que os homens fazem a sua própria história, mas não nas condições desejadas, isto é, eles resolvem os problemas como eles se apresentam, a partir de fatos ocorridos no passado. Para Marx, os atos individuais não movem a história, sendo que este papel é ocupado pela luta entre as classes sociais, estas sim as responsáveis pelas transformações de maior relevância.

Tanto o debate a respeito das condições históricas que impõem a luta individual dos homens, quanto à lógica dos acontecimentos que ocorrem, na visão de Marx, primeiro como tragédia e depois como farsa, estarão no início deste trabalho. O objetivo é entender melhor teoricamente estes fundamentos.

Após este prelúdio, será apresentado e refletido de forma mais profunda os caminhos e descaminhos na França que levaram a luta de classes a uma situação tal que acabaram por levar Luis Bonaparte ao posto de presidente. E, além disso, como a atuação da burguesia – e quem era essa burguesia para Marx – empurrou Bonaparte para a criação de um regime ditatorial três anos depois de sua vitória por sufrágio universal.


[1] CARLOS, Cássio Starling. O 18 Brumário de Luís Bonaparte: a discreta farsa da burguesia. In: Aventuras na História, São Paulo, s/d. Disponível em: <http://historia.abril.com.br/cultura/18-brumario-luis-bonaparte-discreta-farsa-burguesia-434656.shtml>. Acesso em: 18 de dezembro de 2009.

Amanhã: 2. História, tragédia, farsa e o homem

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. 01/03/2010 às 2:59 PM

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: