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4. Considerações finais

4. Considerações finais

Enquanto no discurso o smart power é a menina dos olhos da política externa do governo Barack Obama, sua prática fica restrita a seus objetivos mais prementes, o que Simon (2009) chama de “grande Oriente Médio”, que se estende do extremo oeste asiático à Índia. “É nessa região que se encontram os dois desafios dos EUA, o Irã – qualificado de ‘a maior ameaça’ por Obama, durante a campanha – e a fronteira entre Afeganistão e Paquistão, apelidada de ‘estação central do terror internacional’” (SIMON, 2009, p. 01), além de dar mais voz à Europa e abrir espaço par aa redução das armas nucleares em todo o mundo.  Voltando, o objetivo no grande Oriente Médio é compor arranjos regionais, fazendo com que todos os países ao redor atuem entre si por melhorias que inibam o desenvolvimento desses países como ameaças globais futuras.

Diante disso, qual o papel da América Latina na administração Obama? Como vemos diante do próprio episódio estudado neste trabalho final, os Estados Unidos têm se mostrado preocupado em repor sua base militar perdida no Equador, por meio de seu melhor parceiro atualmente na região, a Colômbia, numa época em que os países sul-americanos estão, em sua maioria, repleto de governos anti-EUA ou de, no mínimo ampliação de um tratamento horizontal, não tendo os “ianques” a prioridade nas relações com o subcontinente. No entanto, sua ansiedade é somente estratégica, não se tem proposto diálogo na região para resolver a questão das bases, nem quanto a um desenvolvimento sul-americano com esforço do gigante do Norte, apesar de Obama dizer que Lula “é o cara”, criticar declarações de Chávez ou iniciar conversações para o início da distensão do embargo a Cuba. Ou seja, o smart power não está sendo implantado na região, simplesmente porque a América do Sul é desimportante no momento, em comparação a outras prioridades mais evidentes para a política externa norte-americana. O que não quer dizer, entretanto, que a região esteja abandonada, como demonstra a instalação de bases na Colômbia.

Diante disto, a proposta de Lula de trazer Obama para a reunião da Unasul, do ponto de vista sul-americano é fabulosa para as pretensões desses países, uma verdadeira vitória fazer um presidente dos EUA discutir em pé de igualdade com seus vizinhos do Sul uma ação no plano externo. Agora, ao mesmo tempo, parece um tanto absurdo ou até surreal o presidente da maior potência do mundo vir ao subcontinente dar satisfação da instalação de bases militares. Mas, se a estratégia o smart power estiver realmente no centro da política externa de Obama, este é um bom teste para sabermos. Ou, então, a ausência de diálogo reforça que o foco não está na região do Atlântico Sul, pelo menos por agora.

5. Bibliografia

BAINES, Christian. Lula pede a Uribe que acordo militar com EUA fique restrito à Colômbia. Folha On Line. São Paulo, p. 01, 06 ago. 2006. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u606115.shtml>. Acesso em: 14 agosto 2009.

CHÁVEZ SUSPENDE convênio de fornecimento de combustível para a Colômbia. Folha On Line. São Paulo, p. 01, 09 ago. 2009. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u607300.shtml>. Acesso em 14 agosto.

COLÔMBIA VAI ceder 7 bases aos EUA. O Estado de S. Paulo. São Paulo, p. 01, 05 ago. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,colombia-vai-ceder-7-bases-aos-eua,413863,0.htm>. Acesso em 14 agosto 2009.

LA GORCE, Paul-Marie de. A nova doutrina militar americana. In: Le Monde Diplomatique, no 26, São Paulo: Le Monde Diplomatique, 2002.

MARREIRO, Flávia. Bases dos EUA na Colômbia incitam dúvidas legítimas, diz analista. Folha On Line. São Paulo, p. 01, 10 ago. 2006. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u607405.shtml>. Acesso em: 14 agosto 2009.

NÃO TEREMOS base na Colômbia, diz Obama em defesa de polêmico acordo. Folha On Line. São Paulo, p. 01, 07 ago. 2009. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u606617.shtml>. Acesso em 14 agosto.

NYE JR., Joseph S.. A arte de usar o ‘poder inteligente’. O Estado de S. Paulo, p. 01, 18 jan. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090118/not_imp308967,0.php>. Acesso em: 11 agosto 2009.

ROMPENDO COM a doutrina Bush. O Estado de S. Paulo. São Paulo, p. A3, 15 jan. 2009.

SANGER, David E.. Estratégia do presidente começa a se delinear. O Estado de S. Paulo, p. 01, 08 abril. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090408/not_imp351660,0.php>. Acesso em: 11 agosto 2009.

SIMON, Roberto. Obama impõe novo estilo de diplomacia. O Estado de S. Paulo, p. 01, 26 abril. 2009. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090426/not_imp360587,0.php>. Acesso em: 17 agosto 2009.

“VENTOS DE GUERRA começam a soprar”, diz Chávez sobre bases. Folha On Line. São Paulo, p. 01, 10 ago. 2009. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u607625.shtml>. Acesso em 14 agosto.

Texto em partes

1. Introdução

2. Smart power de Obama

3. Dilema das bases

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  1. JAYME LIMA BEZERRA
    23/08/2009 às 1:34 AM

    Sinceramente, não vejo tanta importância neste acordo americano com a Colombia, para ser tão exacerbado pelo Lula, a ponto querer trazer o Pres. Obama a, digamos, prestar esclarecimentos. Este acordo já é antigo e apenas foi reformulado,talvez até extrategicamente por Obama, em função das ameaças de Hugo Chaves, cujo reapalhamento do Exército Venezuelano, com armamento russo e iraniano, o PresChaves o fez com todo o estardalhaço. Aliás, nada se ouviu a propósito pelo Pres Lula, que ao contrário, sempre foi muito condescendente com o venezuelano. Também Nem sei se o Presidente Lula tem essa importância de um estadista junto a seus colegas sulamericanos, de vez que não dá às Forças Armadas Brasileiras o apreço devido e nem atribui à segurança interna o cuidado que deveria, porque, por exemplo,no Rio de Janeiro estamos sendo mortos nas esquinas, nos semáforos, dentro de casa, nas saidas dos bancos.”Esta MOLA INVISÌVELda INSEGURANÇA INTERNA está sendo comprimida”. E não se houve uma só palavra. Talvez o que o Pres Lula devesse pedir à Sua Excia o Pres Obama é que ele nos emprestasse o FBI para investigar os Atos Secretos do
    Senado “desconhecidos” pelo seu amigo Sarney (Presidente do Senado, Ex-Presidente da República), que, na “visão altaneira” “não pode ser investigado”.

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