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3. Cultura dentro de um projeto

3. Cultura dentro de um projeto

A cultura não pode ser somente uma mera palavra importante, mas sem compreendida, muito menos uma simples editoria de jornal. É preciso mais, tanto nos periódicos, quanto na pesquisa acadêmica. Por isso, no texto “Relação entre cultura e projeto de pesquisa” entregue durante o curso, exponho como a questão da cultura foi e ainda é meu calcanhar de Aquiles no projeto. Saliento as dificuldades em relacionar esta dentro de um projeto de política, voltado à análise das relações internacionais.

O mais engraçado é que, naquele texto mesmo eu comecei a enxergar que era possível começar a enxergar aspectos culturais dentro da minha pesquisa, senão em seu cerne, com certeza no seu entorno. Como eu cito naquele texto: Elementos da política interna; composição social da sociedade; questões históricas, econômicas, e, claro, culturais; Tudo isso as relações de um país com os outros.

Assim, eu percebi ser uma questão cultural a forte tradição democrática na sociedade venezuelana, desde os tempos do Pacto de Punto Fijo em 1958, em que a Venezuela foi, por anos, o único país democrático da América Latina. E, na atual governança, essa questão pode ser exemplificada no debate entre democracia representativa x democracia participativa que a Venezuelana chavista travou com os Estados Unidos no início da década na Organização dos Estados Americanos (OEA). Sem falar nos diversos plebiscitos e referendos que pedem a participação popular para confirmar ou negar as ações do governo venezuelano.

No caso brasileiro, a permanência por décadas de Celso Amorim, atual Ministro das Relações Exteriores, no Itamaraty, reforça a cultura de continuidade e fidelidade de um projeto brasileiro no âmbito da política externa, simbolizado numa certa liderança na América Latina e um protagonismo no âmbito mundial. Além da palavra-chave “diálogo”, característica latente desta chancelaria, tratando com governos das mais variadas estirpes ideológicas, tendo clara ligação com o presidente Lula, que tem essa característica em seu gene desde seus tempos de sindicalista, mais evidenciado, porém, agora como mandatário máximo do país.

Ou seja, os exemplos citados aqui podem ser considerados de forma abrangente de que há elementos históricos, sociais, e, porque não culturais, que compõem uma pesquisa focalizada numa análise da política internacional de dois países numa região continental específica. A base social que elegeu cada governo, o impacto interno de cada medida no âmbito externo também pode ser avaliada e inserida no caldo do projeto como um elemento a mais de análise e compreensão dos (des)caminhos de cada projeto político. Ainda mais com a mudança de metodologia proposta pelo orientador e que trato no item a seguir, tais variáveis poderão fazer parte ainda maior desta pesquisa.

Diante disso, portanto, a cultura se coloca de várias formas numa produção acadêmica, no jornalismo, na comunicação em geral. Mas, para isto, é necessário que se abra a mente para essas perspectivas que diferem do que é exposto por aí. Por exemplo, no já citado texto “Riquezas e injustiças do Brasil”, de Sinval Medina, ao cunhar termos como Holambra, Brasiguai (que se tornou real com os ciudadanos brasiguaios que pularam a fronteira rumo ao vizinho) e Periferistão, ele desafia nossas mentes a serem mais que manuais científicos, jornalísticos, acadêmicos. Como escrevi numa reflexão sobre este texto, o autor incita-nos a colocar uma pitada do tempero brasileiro nos nossos textos, pesquisas, reportagens, dissertações, teses, dando uma cara, uma identidade, nossa cultura, enfim, em relação ao que observamos e vivemos. Pois, como ele mesmo diz:

“(…) no mundo unificado ou globalizado economicamente, a nação subsistirá como cultura, as identidades nacionais serão marcadas mais pela produção simbólica do que pela produção material. A riqueza cultural, aliás, é o grande patrimônio brasileiro para enfrentar os desafios do próximo milênio” (MEDINA, S., 1998, p. 219).

Para isso, é preciso sonhar, transcender, acreditar ser possível: é preciso imaginação, fantasia William Ospina em La decadencia de los dragones:

“Creo que la imaginación humana no ha perdido su vigor, pero sí ha cambiado sus temas y sus símbolos. Ese siglo tremendo que acada de irse abundó en obras fantásticas y en creadores asombrosos, y pretender agotada nuestra imaginación sólo evidenciaría que carecemos de ella; pero, al menos en las artes y en las creencias populares, mucho se ha modificado en los últimos tiempos” (OSPINA, 2006, P. 201).

E caminha nessa possibilidade: “Tal vez ése sea el sentido profundo de nuestra literatura fantástica: ser el refugio de la imaginación de escepticismo, pero también la región donde se gesta la salud emocional del futuro” (OSPINA, 2006, P. 213).

Mas agora tratemos das idas e vindas do projeto propriamente dito, importantes por compreender as nuances que foram sendo transformadas ao longo da pesquisa, com alguma influência das disciplinas cursadas, especialmente a referida neste trabalho final.

Amanhã: 4. Caminhos e descaminhos no projeto de pesquisa

Texto em partes

1. Introdução

2. Paradigmas em crise

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