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Oasis em São Paulo

Mais um texto que era pro Boivoador, mas que não foi. Espero que gostem, aapesar de datado.

Uma champagne supernova no céu

Com chuva e tudo, Oasis faz apresentação inesquecível para fãs de São Paulo

E mais uma vez choveu. Assim como havia ocorrido na última vinda do Oasis ao Brasil, em show único em São Paulo, em 2006, a noite 9 de maio no Anhembi reservou um pé d’água antes da apresentação da banda inglesa. Não foi como em 2006, que chegou a inundar o palco e espantar algumas pessoas, mas os raios e os relâmpagos assustaram por vezes, confirmado inclusive pelo guitarrista Noel Gallagher em seu blog.

Público toma chuva antes do show

Capas de chuva para aguentar temporal durante show do Cachorro Grande

Dessa vez, porém, a chuva incomodou somente o show de abertura da banda Cachorro Grande, que acompanhou o Oasis por toda a perna brasileira da turnê pela América do Sul. Mesmo assim, os gaúchos seguraram bem o público – apesar de um problema no som que tornou impossível ouvir uma de suas músicas –, com o vocalista Beto Bruno dizendo ser fã do Oasis e encerrando o aquecimento com “Helter Skelter”, dos Beatles.

Mas o que todo mundo esperava mesmo veio pontualmente às 22h com o já conhecido tema “Fuckin’ the Bushes”, que abre o disco Standing on the Shoulder of Giants, de 2000, agitando o público, ansioso por horas na fila, prensado contra a grade, sem comer, beber, nem mesmo respirar. Em seguida, começa o bom tumulto: “Rock ‘n’ Roll Star” (Definitely Maybe, de 1994) e “Lyla” (Don’t Believe the Truth, de 2005) chacoalham o chão do Anhembi, num pula-pula que mais parecia show de banda punk.

Iluminação foi um dos pontos fortes da apresentação, interagindo nas músicas

Iluminação foi um dos pontos fortes da apresentação, interagindo nas músicas

Aqui vale uma menção específica para o novo baterista Chris Sharrock e sua performance no palco, atirando a baqueta para o alto enquanto finalizava a música. O ex-integrante da banda do Robbie Williams é um show à parte do Oasis, um momento alegre na sisudez de Manchester.

A se destacar também o megahit “Cigarettes and Alcohol”, que praticamente encerrou o setlist mais pesado, empurrado para o começo do show, a divertidíssima “The Importance of Being Idle”, levada por Noel e pelos fãs do trabalho anterior, e “The Masterplan”, que deve ser a música lado-B mais conhecida dos últimos 15 anos, cantada em uníssono pelo público.

Germ Archer, Andy Bell e Chris Sharrock: integrantes de luxo da banda de dois irmãos

Germ Archer, Andy Bell e Chris Sharrock: integrantes de luxo da banda de dois irmãos

Outro ponto alto da apresentação foi a psicodélica “To Be Where There’s Life” (Dig Out Your Soul, de 2008), apresentada numa versão mais longa, com um solo de guitarra inesquecível de Noel Gallagher, de tirar o fôlego. Na sequencia, a canção mccartneyana “Waiting for the Rapture” executada ao vivo é de tirar o chapéu para o compositor Noel, aclamado pela platéia.

Porém, em “Shock of the Lightning”, assim como em “Slide Away” – do álbum de estréia da banda, é grata surpresa nesta turnê, já que se trata de um hit esquecido nos shows – e “Supersonic”, que encerrou a primeira parte, o clima deu uma esfriada, pois as versões apresentadas eram mais lentas que as originais, tirando aquela força natural das canções que empolga os fãs.

Apesar disso, a apresentação foi profissional e simples, como são os irmãos Gallagher, de poucas palavras e gestos. Sem falar na dupla Gem Archer (guitarra) e Andy Bell (baixo), ótimos instrumentistas, mas verdadeiras múmias de palco. Mesmo demonstrando que se divertiram, eles ficaram mais reclusos, afinal de contas, eles não precisam aparecer, as estrelas são mesmo os irmãos de Manchester.

E eles não decepcionaram, a seu modo. Noel brincou com a chuva de novo (“O que aconteceu com a gente a chuva em São Paulo?”), citou o tecladista Jay Darlington, uma mistura de Jesus com John Lennon. Liam bateu muitas palmas, interagiu com o público que o ovacionou algumas vezes, e, no fim, jogou sua meia-lua como fez em todos os shows do Brasil. Um momento tenso ocorreu quando alguém que estava na pista VIP, próximo ao palco, atacou um objeto em Liam, o que fez o vocalista oferecer “Morning Glory” ao agressor e, no intervalo entre esta e a canção seguinte, fez Noel ameaçar: “Senão pararem de jogar coisas, nós vamos embora”.

Com Liam no palco, banda se toca Champagne Supernova

Com Liam no palco, banda toca Champagne Supernova

Mas logo o clima festivo voltou ao normal e o público soltou a voz em “Wonderwall”, que preparou a saída estratégica do palco para o bis. Na volta, somente Chris Sharrock, Gem Archer e Noel com um violão, para tocar “Don’t Look Back in Anger”, verdadeiro hino da juventude, cantada em coro pela platéia, com direito a céu aberto e lua cheia, com várias cabeças se contorcendo para ver a beleza poética do momento. Depois de “Falling Down”, do último álbum, muito mais empolgante ao vivo, Liam voltou para cantar “Champagne Supernova” e dizer “até logo”, encerrando a 1h40 de apresentação com o cover “I Am the Walrus”, dos Beatles.

Enfim, novamente a chuva. E mais uma fez o show foi inesquecível para os fãs, que, como disse o Noel no blog, “não dão a mínima” para a tempestade e qualquer outra intempérie que os impeça de ver os irmãos Gallagher em ação.

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