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La decadencia de los dragones

Mais um texto relacionado às leituras e aulas da professora Cremilda Medina, na USP.

Reflexões acerca do texto La decadencia de los dragones, de William Ospina

Achei interessante a relação entre os tempos antigos e os tempos modernos que William Ospina faz no texto La decadencia de los dragones, em que ele coloca que antigamente tinha-se o sonhar, o criar, o fantasiar, enfim, era algo mais comum, aproximando mito e religião ao cotidiano dos homens. Enquanto hoje o que impera é a ciência, a informação, a racionalidade, a comprovação dos dados, a impossibilidade de devanear pelas nuvens da imaginação e bebericar da fonte da inspiração da história oral, do descompromisso, “incongruentes” com a suposta verdade ou precisão dos fatos, dos acontecimentos, dos números, da vida.

Se antes o homem precisava cavalgar, andar, para encontrar novos povos, territórios, descobrir os mistérios dos monstros escondidos em florestas, agora basta tomar um avião para cruzar continentes; a fogueira de São João foi substituída pela confortante lareira artificial de casa em pleno país tropical. Parece que tudo ficou fácil demais, organizado demais, certinho demais, e basta que tudo isso exista para que sejamos felizes.

E o Boi-tatá, os deuses gregos, a mula sem cabeça, os coloridos dragões chineses que Ospina cita, são de uma época longínqua, amadora, em que “não éramos evoluídos”. Como se ter um carro veloz, um secador de cabelo e uma TV a cabo fosse sinal de progresso, ou mesmo de libertação, de felicidade. Poucas vezes se viu a humanidade tão perdida, sem norte, questionando seus valores, seus objetivos, seus produtos, suas metas. E distante de suas histórias que são o que chamam a atenção e emocionam: basta ver que os documentários e filmes de sucesso partem de histórias, de personagens, que tem relação carnal com o cotidiano humano. No entanto, a sanha de tecer panoramas e cenários, de ter certeza das coisas, de precisar ter aquela história como exata, joga-nos no abismo do engano, já que nada precisa ser preciso, pois nada é possível ser preciso.

E uma citação no livro que comenta a questão da literatura ser toda ficção chega a ser incoerente no mundo de hoje, pois, se as histórias são apenas histórias, porque relatos míticos, fantasiosos, são mal vistos, sendo empurrados ao mundo infantil, como somente as crianças possuíssem o direito de sonhar? Mas aí, quando elas crescerem, tudo aquilo terá sido tempo perdido, pois não compõem a realidade do mundo de hoje. Enfim, até que ponto o incentivo à fantasia é prejudicial à realidade? Mais, em contraponto: em que grau a realidade nos esvazia enquanto seres humanos?

Apesar de tudo isso, Ospina comenta que, mesmo com todo esse aparente ar anti-fantasia dos dois últimos séculos, grandes produções literárias realizadas no século XX, por exemplo, mostram que o ser humano não se desconectou deste mundo, apesar de tê-lo distanciado de sua práxis diária. O contato com as artes, outras culturas, com as fantasias, enfim, são as inspirações necessárias para todas as pessoas fugirem da massacrante rotina do cotidiano. E no caso do jornalista, escritor, acadêmico, são elementos importantes que arejam nossa mente na produção intelectual.

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