Arquivo

Archive for junho \28\UTC 2009

Peruíbe azul

Peruíbe - SP - Dezembro de 2006

Peruíbe - SP - Dezembro de 2006

Uma foto do fim de tarde em uma praia em Peruíbe. “Mas ela está azul”, alguém pode perguntar. Sim, utilizei um efeito da minha máquina digital (caçei aqui na máquina pra lembrar, mas não consegui, acho que foi o “Tungstênio”) para brincar um pouco com as cores daquele dia. Estava nublado, com algumas nuvens, já havia tirado a foto normal, mas resolvi brincar e acho que o resultado ficou, no mínimo, curioso. Um bom domingo para você.

Anúncios
Categorias:Fotografia Tags:, , ,

Jazz Club

A dica de bar retorna a este blog, após um longo e tenebroso inverno. Ontem fui a um aniversário de um grande amigo e ele comemorou num jazz club chamado Syndikat, que fica na rua Moacir Piza, 64, próximo à av. Paulista, entre as alamedas Itu e Jaú. É uma viela, um tanto difícil achar essa rua, sem falar no lugar, já que se trata de uma casa.

Mas lá dentro o ambiente é muito bacana: agradável, simples, sem frescuras, mas com sofás, cadeiras, um balcão logo na entrada e uma escada à direita para o andar abaixo, com uma passagem com mesas e, do outro lado, uma pequena sala aberta em um canto (onde ficamos) e, de frente a esta, uma área maior com mesas e o mini-palco dos tocadores de músicas. Ontem um trio de blues (denominado Samblues), com violas, gaita e guitarra, proporcionou um verdadeiro e aprazível som ambiente, sem atrapalhar as conversas, mas preenchendo o espaço com blues de qualidade.

Lá tem cerveja de tudo quanto é tipo, o que é bom. O que não é bom é o preço. Por exemplo, uma Quilmes argentina (que eu adoro!) que tu pagava R$ 2,20 mês passado no Sonda da Barra Funda tá R$ 6,40. Ao menos a Heineken está R$ 4,90. Mas tem cerveja alemã, holandesa, artesanal brasileira, nos copos específicos, que dão todo o charme para quem adora degustar uma boa cerveja!

Mas também tem vinho, caipirinhas, coquetéis e ouras bebidas. Só que não dá pra você exagerar muito, senão o arrependimento vem na hora de pagar a conta.

Para comer, além dos tradicionais petiscos (a batata frita com queijo por cima é curiosa!), eles fazem alguns lanches de pão de forma deliciosos. Posso dizer do que comi, o Toastex Jardim, com 3 pães de forma, (muito) salame, queijo, tomate, mais especiarias, enfim, uma delícia. Há um tal de Diablo que é bastante quente, segundo o aniversariante da noite, mas explica-se: na composição dos ingredientes, destaque para a ardidíssima pimenta jalapeño. Não tive coragem de experimentar.

Detalhe: não paga para entrar, mas tem o couvert da banda, que ontem foi uns 11 reais.

Apesar do preço, o local vale a pena a visita, ao menos uma vez ou outra. O som, a cerveja, o sanduíche, o ambiente que possibilita o papo, compensam o precinho meio salgado. Momento Caras: tanto é agradável que até o jornalista Caco Barcellos e (corro o risco de apanhar por falta de conhecimento) a filósofa Marcia Tiburi, que tem (ou tinha?) um programa na Multishow, estavam por lá, na mesma mesa, inclusive.

Site: http://www.syndikat.com.br.

Ps: Criei a categoria bares, acho que vale a pena. Pretendo escrever mais sobre eles por aqui.

Categorias:Bares Tags:, , ,

Anatel suspende venda de banda larga em SP

Como se sabe, a Agência Nacional de Telecomunicações Anatel publicou no Diário Oficial na última segunda-feira (22) uma notificaçãao que proíbe a Telefônica em vender seu serviço de banda larga, conhecido como Speedy, para todo o Estado de São Paulo, que é onde a empresa atua.

A causa foram as quatro panes ocorridas no serviço só neste semestre, prejudicando milhares de pessoas, que ficaram sem acessar a banda larga e tiveram que recorrer à conexão discada ou, simplesmente, aguardar o retorno do sistema.

Eu mesmo sofri isso em três oportunidades, tendo uma em que fiquei uma semana quase sem banda larga. Usei a conexão discada e ainda me oobraram por ela, dando, por outro lado, um desconto ridículo por apenas algumas horas de pane no serviço.

Voltando ao desdobramento do fato. Apesar da notificação ter sido publicada no Diário Oficial, a Telefônica parou de vender o Speedy somente às 0h da terça-feira (23), alegando que teria que ser notificada oficialmente, o que ocorreu às 18h da segunda. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou carta à Anatel reclamando de tal descumprimento, que poderia acarretar uma multa de 15 milhões de reais mais mil reais a cada nova venda.

O presidente da operadora, Antônio Carlos Valente, que, curiosamente, foi vice-presidente da Anatel entre 2001 e 2004, foi à Brasília e ameaçou com demissão de 20 mil pessoas devido à medida, o que fez o ministro das Comunicações, Hélio Costa, entrar na história, mostrando ser contrário à medida da agência reulgadora, pedir que a medida seja flexibilizada, revista, em reuniões com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg.

À parte o jogo de interesses, a Telefônica precisará apresentar, em até 30 dias, um plano de ação que inclua medidas de planejamento de contingência, gerenciamento de mudanças, implementação de redundância de redes e sistemas críticos, planejamento operacional e cronograma correspondente, como informa comunicado divulgado pela Telefônica na última terça-feira. Detalhe: este plano precisará ser aprovado pela Anatel. Até lá, a suspensão das vendas do Speedy seguem e serão motivo de investigação da agência, que quer saber quais são as causas dessas panes.

Em princípio, a Telefônica entrou com um pedido de efeito suspensivo contra a medida. No entanto, o discurso de crítica e ameaças dos primeiros dias mudou para um tom maior de aceitação em relação ao problema, numa busca para resolvê-lo. Em nota enviada ontem (25) à imprensa, a operadora “descarta totalmente” recorrer à Justiça contra a decisão e se mobiliza para apresentar o plano de ações para melhorar seus serviços de banda larga.

A Telefônica tem hoje cerca de 2,6 milhões de usuários do Speedy no Estado de São Paulo. As novas assinaturas alcançaram a marca de 100 mil no primeiro trimestre, segundo a empresa de consultoria Teleco.

Reunião*

Os citados presidentes da Telefônica e da Anatel se reuniram hoje, em que a operadora apresentou um plano informando as medidas que a empresa pretende tomar, num prazo de 30 dias, para melhorar o serviço de banda larga Speedy. Serão gastos, em três etapas, um total de R$ 70 milhões. Para ler mais sobre, clique aqui e aqui.

* Informação atualizada às 20h35.

Com Uol, Folha On Line, Agência Estado e Reuters

Twitter

Bem, eu aderi ao Twitter.

Quem quiser me acompanhar por lá e saber inutilidades da minha vida, é só ser um seguidor (nossa, que coisa mais messiânica!).

http://twitter.com/rodrigoherrero.

Mas eu vou ver se (pra variar) faço algo de útil com pensamentos e reflexões nesse novo espaço.

Esse negócio tá realmente virando uma febre e um verdadeiro vício!

Categorias:Notícias Tags:

Visto para pesquisas no Mercosul

Essa é interessante para os amigos do Prolam.

Li no Uol ontem que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um Projeto de Decreto Legislativo (PDC) que permite que estudantes e professores do Mercosul possam ter seus vistos gratuitos para realizar pesquisas na região. O objetivo é fortalecer o intercâmbio entre estudantes, pesquisadores, acadêmicos do bloco.

Eu achei muito interessante, pois o que falta também para que os países vizinhos se integrem é mais investimento na área de educação e cultura, além de facilidades para quem quer desenvolver pesquisas sobre e para a região.

Vale destacar dois trechos da nota, que esclarecem um pouco melhor o que representa este PDC:

“O compromisso internacional estabelece que sejam gratuitos os vistos para nacionais dos países do Mercosul que vão realizar, de forma temporária, as atividades de pesquisa e estudos.

Estão na lista as atividades vinculadas a graduação ou a pós-graduação em universidades ou estabelecimentos de educação oficialmente reconhecidos no país receptor; a cursos secundários no âmbito de programas de intercâmbio de instituições governamentais e não-governamentais oficialmente reconhecidas no país receptor; e a docência ou a pesquisa em estabelecimentos de educação ou universidades também oficialmente reconhecidos”.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

Diário de blog

A dica de hoje é pra quem gosta de futebol e cinema. Está em montagem um documentário sobre a vida de Telê Santana, dos técnicos mais vitoriosos e lembrados do futebol brasileiro.

E para quem quiser acompanhar sua construção, os bastidores, os responsáveis pelo documentário criaram um blog, no qual contam o andamento das gravações, das entrevistas, as dificuldades, vídeos com trechos do audiovisual, trailler, etc.

O endereço é: http://documentariotelesantana.blogspot.com.

Vale a pena, primeiro, por acompanhar um diário de bordo de uma produção cinematográfica, que eu, particularmente, acho uma ótima idéia esse making of.

Segundo, porque é um trabalho bem interessante e arriscado, contar um pouco quem foi o batalhador, ranzinza e fechado Telê Santana, que, depois das Copas do Mundo de 1982 e 1986 fora chamado de pé-frio, mas, após o Bi-mundial pelo São Paulo, em 1992-93, formando a equipe mais vitoriosa da história do clube, foi alçado ao topo pela imprensa e opinião pública. E é sempre lembrado no Morumbi pela torcida tricolor, aos gritos mais que conhecidos “Olê, olê, olê, Telê, Telê”.

A Partida

Após sete horas de viagem, o ônibus se aproxima do seu destino pontualmente às seis horas da matina de uma segunda-feira. Sentado no banco, Márcio acorda e sente o frio arrepiar sua pele, coberta apenas por uma camiseta e uma bermuda, afinal de contas, o sol teimava em arder em Cascavel naquele mês de janeiro e agora, em Curitiba, o tempo nublado, cinza e gélido predomina no clima e na paisagem. O garoto pega a sua mala marrom do bagageiro com os olhos repletos de lágrimas. O motorista percebe, mas prefere não se meter: “Já me basta os problemas que eu tenho”, pensa. Enquanto isso, Márcio caminha em direção aos bancos de espera, já que sua estada na capital paranaense irá durar cinco horas. Isso porque, ele encontrou vaga no ônibus que o levará até sua casa em Paranaguá somente às onze e meia. “O que vou fazer nesse intervalo? Já não basta essa tristeza a tomar conta de mim?”, dizia Márcio para si mesmo.

O jovem de 16 anos havia passado um mês na casa se sua avó Olinda, em Cascavel. Mas o que importava mais era Silvia, sua namorada de mesma idade, que mora há pouco mais de cem metros da casa de sua avó. Dona Olinda, de 88 anos, era o motivo da visita do garoto até três anos atrás, quando Márcio conheceu e se apaixonou por Silvia, iniciando um namoro que dura até hoje. Agora ele usa a casa da avó apenas como morada para ficar próximo de Silvia. Duas vezes por ano ele visita sua amada, nas férias de fim de ano e em algum feriado prolongado que ele pega uma folga extra para ir até lá. Já Silvia consegue ir somente uma vez, nas férias de julho da escola. E agora, início de janeiro, em que findam suas férias, ele se vê obrigado a voltar para casa e retomar sua vida, seu trabalho, sua solidão.

Mesmo com pouca idade ele já trabalha, para ajudar a tia Selma, que cuida dele desde que os pais do garoto morreram em um acidente automobilístico, há cinco anos. Sua tia tem 65, está doente e sobrevive com uma aposentadoria miserável. E para complementar a renda, Márcio trabalha como aprendiz num escritório de advocacia. Ele também guarda um pouco que recebe para fazer a tão sonhada faculdade de Agronomia, quando concluir o ensino médio. Daqui dois anos. Vive só com a tia em Paranaguá, pois seus irmãos Téo e Mateus, com 27 e 28 anos respectivamente, dividem apartamento em São Paulo. E lá Márcio não quer chegar nem perto, pelo menos por enquanto. Talvez quando precisar arrumar emprego ele se dirija ao interior desse estado, mas ele não gosta muito do ambiente feroz de cidade grande.

O pensamento tristonho foi-se embora por um reclame persistente do estômago que necessitava digerir algo. Márcio andou pelos corredores da rodoviária antiga curitibana, que mais parece um retângulo furado, pois são quatro corredores de dois andares, em que, no andar de cima, as empresas de viagem se instalam, além das lanchonetes, lojas de doces, presentes, jornais e revistas. No térreo ficam os bancos de espera e as plataformas dos ônibus. Os veículos que chegam e partem a todo o momento ficam na parte central. Mesmo assim, naquele instante a rodoviária estava tranqüila, pelo menos na visão de Márcio que, do segundo andar, percebia poucos ônibus saindo.

Enfim achara um lugar para comer. Pediu um leite com achocolatado e um pão na chapa. Comeu vagarosamente, já que tinha tempo sobrando, enquanto observava as pessoas da lanchonete: dois homens de uns 30 anos de idade, mais ou menos, tomando café e comendo coxinha, conversavam calorosamente sobre um trabalho de servente de pedreiro que iriam fazer. Na outra ponta, uma mulher de uns quarenta anos brigava com o filho, que devia ter uns 10, sobre o que ele devia comer àquela hora da manhã: ele queria um salgadinho e ela desejava dar-lhe pão. Márcio pensou na loucura de fixar-se em cada cena e lembrou-se de Silvia. Nunca imaginou que pudesse namorar tão cedo e por tão longo tempo. Quando tinha uns 12 anos costumava dizer pra todo mundo que só ia querer saber de brincar, farrear e trabalhar, só pensando em namoro depois dos 18. Achava que deveria curtir mais a vida do que se prender com uma garota.

Esse pensamento maduro para uma criança vinha de experiências de seus dois irmãos, que acabaram largando suas esposas depois de um tempo de casados, pois haviam se juntado cedo e viviam reclamando da falta de liberdade. E sempre alertavam o irmão mais novo de que “casar cedo é furada”, “o importante é curtir a vida antes de se amarrar com alguém”. Mas aí ele conheceu Silvia.

Foi engraçado como tudo aconteceu. Era julho, fazia frio e chovia em Cascavel. Os garotos jogavam bola num terreno baldio atrás da casa de Dona Olinda. De repente caiu um raio, que fez todos correrem para suas casas. Ao chegar na sua, Márcio viu uma menina no fim da rua chorando e foi até lá. Ele nunca a tinha visto, parecia ter se mudado recentemente. Ela estava com medo dos trovões e raios, mas seus pais não estavam em casa. Márcio a levou para a avó, que cuidou da menina. Desde então, eles ficaram bastantes amigos e brincavam sempre. Mas, com o passar dos anos as coisas mudaram, a idade dos treze anos já começa a indicar outras coisas, as brincadeiras logo passaram para flerte e, quando viram, já estavam se beijando, começando um namoro puro e infantil, mas que permanecia até hoje.

As lágrimas rolaram pela sua face novamente. Mas dessa vez não esperou que lhe perguntassem nada. Pagou a conta rapidamente e foi ao banheiro mais próximo. Chorou por uns 10 minutos. Depois se lavou na pia e se olhou no espelho. Sentia-se só, perdido numa cidade estranha, desconhecida para ele, que parava de passagem entre uma viagem e outra. Tinha medo. Por isso, nunca saía da rodoviária. Uma vez, durante um fim de ano, precisou ter que esperar 14 horas para tomar o outro ônibus e, mesmo assim, ficou o tempo todo dentro daquela rodoviária bucólica. Já se acostumara àquele cenário triste de pessoas chegando, indo embora, felizes, tristes.

Ao voltar para o corredor de espera, lembrava-se da cena de despedida em Cascavel, com sua amada aos prantos, sempre com o mesmo discurso: “Será que vamos nos ver de novo, Márcio? Eu tenho medo de que nós não possamos manter nosso namoro tão à distância”. Duas cidades, dois corações, separados por aproximadamente 600 quilômetros. Contudo, ele costumava responder com aquelas frases que só jovem mesmo para dizer, sem saber o que os espera pela frente. Ou até para afugentar o futuro. “Acalme-se Silvia. Nós nos amamos e nunca vamos nos separar”, dizia. Mesmo assim, ele lamentava e a sucessão de choros, abraços e beijos desesperados prosseguia até o momento em que o motorista gritava pela última vez, avisando que o ônibus partiria naquele instante.

Voltava os sentidos para a realidade. Uma garoa fina, mas intensa, descia do carrancudo céu curitibano, levando mais melancolia para a escura rodoviária e para os corações dos viajantes. Já eram quase onze e meia e Márcio se via aliviado pelo momento do embarque para sua cidade se aproximar. Apesar de não ter desejado sair da cidade de Silvia, detestava essa angustiante espera entre a chegada e a partida, que se transformava numa verdadeira tortura, por lembrar tudo o que saboreara nos últimos trinta dias e agora se resignava a voltar à sua rotina, distante de seu amor.

Márcio caminha até a plataforma dezessete, em que o ônibus para Paranaguá partirá em instantes. Observa as pessoas que adentram no veículo, entrega o tíquete ao motorista, sobe as escadas e se dirige ao seu lugar. Coloca sua grande mala marrom, que guarda suas coisas e sua história, e senta na poltrona 14. Abre a janela e vê pela última vez aquela cidade ameaçadora. Aconchega-se e fecha os olhos, como que expulsando toda a tristeza de seu interior, numa tentativa de reter apenas as coisas boas e a vã esperança de que um dia essa distância será menor e que ele poderá viver ao lado de sua amada.

Ps: Digitado no computador em maio de 2007, mas escrito, acho, entre janeiro e fevereiro do mesmo ano, com a mente ainda avivada pelo cenário bucólico da rodoferroviária de Curitiba e o coração aplastado por uma longa viagem e uma dolorosa despedida no verão daquele ano.

Categorias:Contos Tags:, , , ,
%d blogueiros gostam disto: