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Como fica a política comercial com a entrada da Venezuela no Mercosul?

O artigo de hoje “A adesão da Venezuela ao Mercosul”, é mais um que faz parte dos Cadernos Adenauer, citado ontem aqui no blog. Escrito pela consultora da Unidade de Negociações Internacionais (CNI) e diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (CINDES), Sandra Rios, e pela economista da CNI, Lucia Maduro, o texto não vai na linha crítica de Demétrio Magnoli, publicado ontem, trata mais de questões pontuais e factuais dos problemas reais da entrada da Venezuela no Mercosul, que precisarão ser superados para que essa parceria logre êxito.

De cara, aborda as diferenças entre a Venezuela e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), no que tange ao comércio exterior e a estrutura produtiva. Isso provoca um problema, de que a união aduaneira entre os países-membros “pode não ser trivial. Neste caso, o ingresso da Venezuela no Mercosul será um complicador adicional à já difícil tarefa de acomodar interesses divergentes dos atuais membros do Mercosul nas mesas de negociações externas”, afirmam.

Outro complicador é o fato de o Mercosul ser mais um símbolo ou um agente institucional do que prático.“A agenda externa do Mercosul tem se caracterizado por um elevado ativismo em termos do número de iniciativas de negociações lançadas, que contrasta com os modestos resultados alcançados em termos do número e da relevância dos acordos firmados. Desde 2003, somente três acordos foram concluídos, sendo que apenas os relativos ao comércio com os países andinos entraram em vigência”, escrevem.

Segundo as autoras, a falta de progresso provoca uma série de discordâncias entre os sócios do Mercosul quanto à política comercial externa do bloco. “Essas divergências são estimuladas pela constatação dos sócios menores de que o Mercosul não vem contribuindo para a expansão de suas exportações e para o seu crescimento econômico”, referindo-se ao Uruguai e Paraguai, nanicos perto do gigante Brasil e da forte Argentina.

Finalizando este breve apontamento, as autoras sustentam que, se não houver uma coordenação da política comercial dos países do Mercosul, “as divergências sobre a condução da agenda externa deverão estimular uma profunda reavaliação dos membros do Mercosul sobre o modelo de integração adequado às necessidades de cada um dos sócios do bloco”. Ou seja, põe em risco o aprofundamento deste processo de integração, emperrando, como tantos outros, em sua superfície, isto é, na questão comercial.

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