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Memorial do Imigrante

Olá.

Extraordinariamente, publico um segundo post no mesmo dia. Mas como o outro foi só para dizer como as coisas iam, eis o motivo. Então, aproveito uma pausa para almoçar em casa, antes de ir pra PUC, pra comentar como foi o passeio no Memorial do Imigrante.

Fachada do Memorial do Imigrante/Divulgação

Fachada do Memorial do Imigrante/Divulgação

Pena que esqueci de levar minha máquina fotográfica. Pior: esquecer que meu celular tira fotos. Por isso vai uma foto de divulgação, retirada da internet. Na verdade, encarei como um passeio, aí fujo à esquizofrenia jornalística de ter que registrar tudo. É bom de vez enquando.

De qualquer forma, foi um passeio bastante interessante. O lugar está bem cuidado, com muitas salas, exposições temporárias, melhor do que vi da vez que fui lá a trabalho, em 2005. Também porque daquela vez eu fora quando em um dia que local estava fechado, que impossibilitava ver algumas coisas.

É um espaço para você sentir como chegavam os imigrantes e como eles viviam seus primeiros dias aqui no Brasil, mais especificamente na Hospedaria dos Imigrantes. Motivados por promesas ilusórias (o ouro brotava das árvores, o ouro cafeeiro, era só esticar os braços e pegar, dizia um cartaz japonês), eles chegavam ao Brasil de veleiro e depois navio a vapor até o Porto de Santos, deppois subiam a serra de trem até a região do Brás, onde está instalada a hospedaria que funcionou até 1978. Lá, passavam uma média de seis dias até serem encaminhados para alguma fazenda no interior paulista.

E lá eles tinham de tudo, tudo que era próprio da época, com seus limites: comida, cama, barbearia, cinema, enfermaria. Mas não podiam deixar a hospedaria, para evitar contato com os “nativos”. Questões sanitárias ou econômicas? Foi uma dúvida levantada durante a visita monitorada. Há que se considerar ambas as coisas, creio. No fim das contas, a hospedaria servia meramente de um entreposto de pessoas, havendo no local uma “agência de colocação” – como essas agências de emprego de hoje – em que os imigrantes procuravam saber onde tinha emprego, quase sempre na lavoura.

A hospedaria vivia um caldeirão cultural, com lituanos, romenos, italianos, espanhós, japoneses, russos, húngaros, poloneses, portugueses, e até índios brasileiros e nordestinos. A dificuldade com a língua era somente um dos entraves. A alimentação era outro problema. O mais próximo de peixe que os japoneses viam era bacalhau, o que lhes fazia muito mal e quase não comiam. No trajeto da hospedaria até a fazenda, eles ganhavam um saco com carne seca, farinha e um mingau para fazer um tal de “engrossadinho”. Agora, imagina um lituano, um japonês, vendo um alimento tão exótico quanto este, para dizer o mínimo.

Quem tem parentes que vieram de outro continente se emociona com essa busca de suas raízes culturais. A professora Cremilda (que veio de navio ainda menina, em 1953, não para trabalhar numa fazenda, mas para viver no país) conta o caso de uma estudante da terceira idade, de um projeto em que ela coordena na USP, chegar às lágrimas na sala dos dormitórios, e confessar que chegara a viver ali quando menina, vindo de seu país: “Eu dormi nessa cama”, exaltava-se aos prantos.

Eu mesmo tenho dúvidas de minhas raízes genealógicas, minha avó por parte de pai, a única sobrevivente, não se lembra de muita coisa, nem para confirmar se seus pais vieram, quando vieram, etc. As certidões de nascimento dos meus avós são daqui, o sobrenome “Herrero” está no masculino (coisas do Brasil), então fica difícil a pesquisa. Mas quando tiver um tempo vou atrás disso. E é possível saber se algum parente seu se hospedou ali, porque o local guarda um acervo de desembarque dos navios do período de fins do século XIX a 1950, quando mais ou menos durou essa imigração, que era tratada via acordos entre Estados, que subsidiavam isso. Eles imprimem até um diploma com os dados de quem veio, quando, qual idade tinham, em que navio estavam. Quem tem esse tipo de curiosidade, ou mesmo necessidade de saber de onde veio, vale a pena.

Para fechar, publico abaixo uma foto, tirada do celular, da Maria Fumaça que resiste no memorial como mais uma atração turística, funcionando nos finais de semana com um papsseio de 20 minutos nos antigos trilhos em que ela mesma percorria para deixar os imigrantes.

"Maria Fumaça" trazia os imigrantes de Santos até São Paulo

"Maria Fumaça" trazia os imigrantes de Santos até São Paulo

Quem quiser saber mais, só acessar o site: http://www.memorialdoimigrante.org.br.

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