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Viva a crise!

Hoje é feriado, um dia mais tranqüilo para todos (por mais que eu trabalhe aos tubos neste), um post leve e, ao mesmo tempo, reflexivo.

Lendo um livro me detive com a seguinte frase:

“Em realidade, o que chamamos de crise outra coisa não é senão um processo de aceleração da história. Nesses períodos, um número maior de decisões assumem o caráter de irreversibilidade. Querendo ou não, consciente ou inconscientemente, somos forçados, nesses períodos, a tomar decisões que modificam a fundo a matriz estrutural do sistema econômico“.

A frase pertence ao famoso economista, ex-ministro, grande teórico brasileiro influente, Celso Furtado, já falecido, e está no livro Cultura e Desenvolvimento em Época de Crise, da editora Paz e Terra, publicado em 1984.

Retire os termos econômicos e transporte a frase para um contexto humano, social e até mesmo político. Temos uma frase que diz que nos momentos de crise é que o ser humano aprende e cresce enquanto pessoa. Os piores momentos, em que nada parece dar certo nos empurram a encontrar uma saída que, invariavelmente aceleram nossa evolução, tal e qual Furtado escreve. São nesses momentos que encerramos ciclos e, ao mesmo tempo, iniciamos novos, diferentes, que sempre acrescentam e, na maioria das vezes, nos fazem evoluir positivamente.

Eu incluí essa concepção de vida no último ano, aprendendo a viver de um modo diferente ao qual todos estão acostumados, aprendendo coisas diferentes a cada momento. E passei a observar que os maus momentos são terras férteis para semearmos bons frutos. E pode ser um momento também de investir naquilo que realmente deseja e está obscurecido, esquecido, no âmago da alma. Pois podemos nos desprender de nossos medos e amarras e arriscarmos mais, para mudar nosso modus vivendi daquele momento.

E o que me chamou a atenção e até me emocionou foi, ao ler na semana passada essa passagem, ver uma similaridade tão grande entre o que um importante pensador brasileiro colocou e o que eu penso. Fazendo as devidas adaptações, as crises, de qualquer monta, são os motores da história: nelas que as revoluções acontecem; as pessoas participam mais; os governantes são obrigados a mudar mais do que gostariam; a tomar certas atitudes que em um momento cômodo geraria sérias divergências; e é nas crises que encontramos nosso caminho, mudamos interiormente e evoluímos.

Ainda mais no atual momento em que vivemos, em que não se fala de outra coisa além da crise internacional, que, voluntária ou involuntariamente, tem afetado todo o planeta, nada mais oportuno refletir o que pode ser feito a partir de um momento tão complicado e difícil. É bem provável que se encontre uma solução que mude completamente o estado das coisas. Afinal de contas, como se diz popularmente: “do chão não passa” ou “pior do que está não pode ficar”.

Portanto, viva a crise!

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