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Archive for abril \30\UTC 2009

Virada Cultural

Olá.

Mais sumiços, mais desculpas. As coisas estão apertando. Disciplinas, textos das disciplinas, visita à banca de qualificação, reunião de trabalho, idéias de pautas, projeto de curta-metragem, anotações de método de abordagem jornalística, sugestões de leituras, torças de e-mails. Uma verdadeira corrida ao espaço. Uma odisséia. E eu estou adorando.

Escrevo estas linhas diretamente da biblioteca da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras (FFLCH) aqui da USP (pena que não tenho como publicar aqui, não há conexão sem fio pública e aberta), acabei de chegar para me dedicar às leituras relativas exclusivamente ao mestrado, pois não tive muito tempo para isso e como amanhã é feriado…

Como eu comentara na segunda-feira, este fim de semana tem Virada Cultural em São Paulo. São 24 horas de eventos espalhados por toda a capital paulista, mas concentrados em quantidade absurda na região central, onde, modéstia a parte, este escriba está instalado.

Portanto, curto e grosso: me dei bem!

Já é a segunda vez, na verdade, pois ano passado fiz a maratona cultural (você pode ler um texto sobre, que escrevi pro Digestivo Cultural, clicando aqui) de 12 horas seguidas (das 18h do sábado às 6h do domingo) e ainda, na tarde dominical, o resto de mim curtiu uns três shows ainda. É sempre bacana eventos como esse, porque você tem a oportunidade de ver uma centena de atrações musicais, artísticas, circenses, cinematográficas, de dança, etc.

O problema é a multidão que sempre complica e, por vezes, inviabiliza qualquer divertimento. Ano passado, após o show do Zé Ramalho na avenida São João (a duas quadras de casa, invejem!) chegou ao cúmulo dos celulares não funcionarem na região, devido ao congestionamento de linhas – todos tentando encontrar alguém no meio daquele mar de pessoas.

Este ano não estou muito motivado a aglomerações e acotovelamentos, por isso, escolhi atrações menos apelativas ao público ou mesmo show das antigas, como Camisa de Vênus, Velhas Virgens, uma apresentação de piano na praça Dom José Gaspar (que vale um post só para relata esse ambiente), algo mais tranqüilo e animado como o Cordel do Fogo encantado.

Somente Nação Zumbi e Nasi estão entre os atrativos mais conhecidos e que deverão ter mais platéia. Interessante mesmo vai ser a abertura do palco da São João, com o tecladista do Deep Purple, Jon Lord, com a Orquestra Sinfônica Municipal. Estou curioso para este encontro.

Além disso, pode surgir uma experiência nova de observação no meio do divertimento da Virada Cultural. Mas vamos aguardar alguma confirmação futura. Daí, certamente, eu contarei a experiência.

Até amanhã.

Mobilefest

Olá.

Publico hoje um texto que fiz sobre o II Prêmio Mobilefest, que ocorreu no último sábado (25) e que fiz a cobertura jornalística.

Para ler o texto, é só clicar aqui.

Foi uma noite bem bacana, trabalho duro, mas que faz bem. O evento foi legal, o momento da premiação foi interessante. Deu pra recarregar as energias profissionais. Eu estava precisando.

Esse fim de semana tem Virada Cultural aqui em São Paulo. São 24 horas de arte espalhadas pelos quatro cantos da cidade. Fantástico. Acabei de fuçar a programação e me perdi na quantidade de eventos. Mas vai ser bem legal. Amanhã eu escreveo mais sobre isso. Pois agora eu vou me arrumar pra ir pra aula.

Até mais.

Praia, sol…

… e mais nada.

Rio das Ostras - 08.04.2007

Rio das Ostras - RJ - 08.04.07

Páscoa de 2007. Após um convite da minha amiga do Rio de Janeiro Paula, passei três dias gostosos com ela e seus amigos nesta cidade carioca, graças a hospitalidade da Raquelzinha e de sua família. Um lugar especial que eu nunca imaginei que fosse visitar e que valeu a pena. Um dia espero voltar.

Ps: ontem foi difícil, cheguei tarde e cansado, sem pique pra escrever nada, e ainda tendo que fazer alguns retoques na cobertura pro site. E ainda agora de manhã escrevendo o texto final da retrospectiva do evento, antes de fazer aquela visitinha quinzenal aos pais, então, nos falamos novamente durante a semana. Até mais e bom domingo.

On line

Oi gente.

Desculpem-me a falta de post hoje, mas o dia está corrido. Passei toda a parte da manhã e metade da tarde digitando umas anotações de um livro sobre a Venezuela que terminei de ler no início da semana, para meu projeto de pesquisa, claro. E neste momento (e até à noite) estou no Museu da Imagem e do Som, trabalhando na cobertura do II Prêmio Mobilefest.

Se ainda der tempo, posto alguma coisa bacana. Quem sabe até do evento, se rolar algo interessante.

Até mais.

Venezuela – parte II

Olá. Aqui está mais um texto relativo à Venezuela. Perdão pelo hiato de ontem, mas estive na rua o dia todo: resolvendo questões particulares pela manhã, participando de um seminário sobre crise internacional e América Latina na FEA/USP à tarde e tomando vinho em um lugar bem agradável à noite, que deverá ser tema de um post em breve.

O texto abaixo aborda a segunda fase da política externa chavista, em curso. Talvez tenha continuidade este especial, depende de umas interpretações de texto que ainda não terminei de um livro recente sobre a Venezuela.

Até amanhã. Sábado, folga para muitos, não para mim. Como diria o outro, faz parte.

A Política Externa de Chávez – Segunda fase

Hoje o texto trata do artigo “Limites do ativismo venezuelano para América do Sul”, também do professor de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI/USP), Rafael Duarte Villa.

Este artigo é de 2007, portanto, mais atual que o anterior, e trata da política externa de Chávez pós-golpe sofrido em 2002. A partir deste evento, o líder venezuelano toma posições mais radicais em sua política externa, colocando-se na centralidade da mesma, dispensando profissionais de carreira especializados na área. O objetivo agora é implantar o “socialismo do século XXI” na Venezuela e a criação do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), no primeiro semestre de 2007, demonstra claramente isto.

Segundo Villa, essa radicalização interna se dá ainda mais forte após sua reeleição em 2006, com 63% dos votos, tendo 19 dos 23 governos estaduais e toda a Câmara Legislativa chavista, já que a oposição se absteve. Fica clara uma concentração de poder para aprofundar seu projeto e, por consequência, desenvolver uma política externa mais ideológica, relacionada com a base política que conseguiu formar em seu país. No entanto, os vizinhos podem ver como um problema, sobretudo o Mercosul, pelas “dificuldades futuras de lidar com um governante que toma medidas internas sem levar em conta os impactos sobre o processo de integração”.

O autor aponta para onde foi direcionada a política externa chavista, voltada à América Latina e, ainda mais prioritariamente, à América do Sul, resultando numa dupla relação de cooperação e conflito com alguns países sul-americanos, em especial o Brasil. “O ponto de inflexão do distanciamento venezuelano-brasileiro seria a participação da Venezuela na decisão boliviana de renacionalizar o gás e o petróleo em maio de 2006”. Outro ponto que incomoda, principalmente o Brasil, é a intervenção venezuelana nos assuntos dos vizinhos, como exemplo, as eleições no Equador e Peru, sem falar nas condicionalidades que Chávez vira e mexe fala para entrar no “velho Mercosul”, referindo-se ao aspecto meramente econômico que o bloco teria se focado até os dias de hoje.

Um dos pontos centrais da minha pesquisa é mencionado por Villa. Trata-se da criação da Alba, ao lado de outros governos de esquerda mais radical (palavras dele) na América Latina, como Cuba, Nicarágua, Equador e Bolívia, defendendo também uma agenda mais ampla, de aliança entre empresas estatais latino-americanas, como a Petrosul, o Banco do Sul, o Gadosuto do Sul, e as já formadas no Caribe, Telesul e Petrocaribe.

Uma das causas do que Villa chama de ativismo da diplomacia venezuelana estaria na já costumeira tradição da democracia no país, de querer se lançar no cenário internacional, o que, devido ao fato do país não ter recursos de uma política externa, não ser uma potência média, nem ter recursos de poder, nem tamanho geográfico para tal, não corresponde ao desejo de ser um ator regional, sem falar nos problemas internos. Ou seja, mesmo investindo o petróleo numa maior aproximação com a América Central e o Caribe, praticando um voluntarismo crescente na América do Sul – que confronta com a agenda de política externa brasileira –, a falta de um maior peso geopolítico dificulta qualquer projeção maior da Venezuela.

O autor critica o personalismo de Chávez no comando da política externa, tendo trocado, até a metade de 2007, seis chanceleres no comando da Casa Amarela, a chancelaria venezuelana. Isso faz com que Villa traga um pensamento comum na teoria liberal das relações internacionais, em que “governos de países com regimes de natureza política parecida tendem a ser mais cooperativos entre si, e que governos com regimes de natureza diferente tendem a ser mais conflitivos nas suas relações”. Essa teoria é mais conhecida como “paz democrática”.

Num item seguinte, o autor destaca, em contraposição, as proximidades entre Brasil e Venezuela na política externa enumeradas pelo professor Amado Luiz Cervo: a) conceito de globalização assimétrica como correção ao conceito de globalização benéfica; b) o conceito político e estratégico da América do Sul; c) o reforço do núcleo central robusto da economia nacional como condicionante da interdependência global; d) prévia integração da América do Sul como condicionante da integração hemisférica; e) a percepção da nocividade da Alça, caso se estabeleça sem os condicionantes anteriores e sem a reciprocidade comercial efetiva; f) reservas ante o aspecto militar do Plano Colômbia; g) o repúdio a qualquer presença militar-norte-americana e a seus vôos na Amazônia; h) a decisão de não privatizar o setor petrolífero.

No entanto, Villa relata que houve mudanças que produziram um distanciamento entre os dois países: o Brasil passou a reivindicar seu lugar como potência média dentro da “globalização assimétrica” e o congelamento praticamente definitivo da Alca. No entanto, ele aprofunda em outras discrepâncias ainda mais substanciais para esse distanciamento: primeiro, que não há um projeto de política externa comum. Para isso, ele cita os três projetos em andamento: Mercosul, liderada pela aliança argentino-brasileira; a relação bilateral de países como Chile e Colômbia com os EUA; e a Alba, sob liderança cubano-venezuelana.

Outra diferença é de natureza política do processo de integração regional: “Venezuela concebe um processo de integração em bases não só econômicas, mas também profundamente políticas. Também concebe o processo de integração como um processo anticapitalista, coerente com sua visão do ‘socialismo do século XXI’’, o que dista da visão centro-esquerda e moderada, com forte ênfase na natureza econômica do processo de integração, sustentada tanto pelo Brasil quanto pelo resto dos países originais do Mercosul”.

Villa critica a Alba, ao dizer que “o órgão é uma espécie de clientelismo de política externa que funciona na base da troca de influência por petróleo”, sem deixar de ter razão, ao alfinetar o crescimento econômico e a barganha política da Venezuela estarem fundamentadas somente no petróleo. Tanto que não convence atores como a Argentina, mesmo com Chávez tendo comprado 5% da dívida externa daquele país.

Mesmo as relações com o Brasil se mostram um iô-iô de distanciamento-proximidade, com a demora da aprovação pelo Senado da entrada da Venezuela, fortemente criticada por Chávez, mas, depois, atenuada por seu chanceler. Villa analisa essa variação de posição por diversos aspectos: pressões de Chávez sobre as instituições políticas, mal vistas na Europa e EUA, aliando uma imagem negativa ao Brasil (distanciamento); questão comercial, já que o Brasil aumentou e muito seu mercado com a Venezuela (proximidade); liderança regional (distanciamento). Neste último, Villa cita a questão do gás, já mencionada acima, explicada pelo interesse realista da Venezuela em internacionalizar seu petróleo, vendo com bons olhos a nacionalização do gás boliviano, seu mais profícuo parceiro ideológico em território sul-americano. Para sintetizar essa guinada realista, uma frase do autor: “como ensina qualquer teoria básica das relações internacionais, Estados são atores racionais e egoístas, e, mesmo pregando o discurso da cooperação e da integração (ganhos absolutos), podem ao mesmo tempo perseguir objetivos individuais (ganhos relativos)”.

Outro aspecto também é citado: “Chávez tem mostrado uma boa capacidade de iniciativa diplomática e econômica, e que se choca bastante com as aspirações brasileiras da liderança sul-americana. Esse fato parece a chave para o Brasil passar a perceber que Hugo Chávez leva a sério o projeto de construção de uma liderança regional, que em perspectiva tinha como vizinho não um aliado mas um concorrente em potencial”, fazendo com que aumentasse “sua influência política” e fosse “uma referência constante em assuntos políticos domésticos, em países da região andina e do Mercosul”.

Outro problema é a crise política interna que afetou o Brasil a partir de 2005, tirando um pouco da diplomacia brasileira sua “capacidade de iniciativa política regional”. Além disso, a falta de ações concretas em relação ao discurso brasileiro, repleto de iniciativas que não chegam a se realizar. Enquanto isso, a Venezuela tem levado sua agenda social para os outros países, legitimando internacionalmente suas políticas públicas, apresentando suas melhoras e mostrando o que pode fazer para desenvolver e ajudar a integrar.

Na conclusão, Villa coloca que “o ativismo venezuelano para a América do Sul fortemente carregado de nacionalismo e de referências a lugares comuns da esquerda tradicional, encontra nas resistências de alguns países da região seu ‘mecanismo de reverso”. Isto é, sua intromissão em assuntos internos nos países pode prejudicar sua projeção no subcontinente, devido ao afã chavista, denominado de ativismo pelo autor.

Ele acredita que o principal dilema da diplomacia de Hugo Chávez “é decidir se opta por ser a liderança de um grupo com pouca capacidade de influenciar de maneira substantiva as agendas externas sul-americanas, como é a Alba, ou se aceita participar de um bloco de países, como o Mercosul, em que suas metas de liderança e sua capacidade de iniciativa passarão pelo crivo da aceitação de atores e de táticas dilatórias regionais de maior peso como Brasil e Argentina. Ou, em último caso, lhe restaria ser a liderança moral dos movimentos sociais na América do Sul, opção de limitadas ambições não só para o governante venezuelano, mas para a liderança venezuelana histórica, tão dada a lances de grandeza em política externa regional”. Estão aí postos, os problemas e os rumos da política externa venezuelana e, conseqüentemente, a relação com o Brasil nesse jogo políticos no subcontinente.

Especial Venezuela

Olá. Como estou desenvolvendo a pesquisa, a Venezuela se tornou parte mais frequente no meu estudo neste momento, portanto, acabo por fazer alguns resumos, reflexões, de textos sobre o tema.

E devido ao acúmulo de textos relativos a este assunto, faço uma espécie de especial Venezuela, com tentativas de compreensões deste fenômeno único na América do Sul, de tentativa de rearranjo democrático em outros moldes, impactando de várias formas, no nosso continente. E o primeiro artigo está abaixo, uma busca para compreender um texto de um grande teórico contemporâneo, principalmente quando se fala em venezuela e relações internacionais, que é o Rafael Duarte Villa.

Amanhã tem mais.

A Política Externa de Chávez – Primeira fase

O artigo “Política externa na administração Hugo Chávez”, do professor de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI/USP), Rafael Duarte Villa, aborda a política externa do período Chávezaté 2004, quando o texto foi escrito. A título de esclarecimento, a política externa venezuelana está fundamentada em dois temas muito caros à política interna e que tem tudo a ver com o passado do país: petróleo e democracia. Isto advém ao pacto entre as elites que acalmou os ânimos nos fins dos anos 50, após anos de ditadura e instabilidade interna, e trouxe a democracia à Venezuela, calcando as ações do Estado no peso do petróleo (descoberto no país nos anos 20) como propulsor das políticas de governo. Para ver mais, clique aqui.

Desse texto interessa à minha pesquisa destacar o segundo momento das relações com os EUA, em que o autor aponta uma mudança significativa no trato de Chávez com esse país, um ano após o atentado de abril de 2002 que depôs, por 48 horas, o presidente venezuelano do poder. Um ano porque foi quando o Conselho de Segurança Nacional da Venezuela (CNS) tornou pública a conclusão de que a tentativa de golpe de Estado teve a participação dos EUA.

Se durante o primeiro momento da política externa chavista (1999-2002) as relações eram marcadas por um “atrito moderado”, a partir de meados de 2003, o discurso passou a ser anti-Estados Unidos: “A escalada do conflito discursivo atingiu seu ponto mais crítico no início de 2004, quando o próprio presidente Chávez em pessoa, deixando de lado a mediação de funcionários médios do governo, acusou os Estados Unidos de terem participado diretamente do golpe de 11 de abril de 2002 e de intervenção nos assuntos internos da Venezuela por meio de financiamento de grupos políticos e de organizações não-governamentais opositores a seu governo”, afirma Villa.

O autor aponta as possíveis razões para esta mudança. Uma, mais conjuntural, por conta da realização de um plebiscito à época, numa forma de distrair a população da discussão em âmbito interno para um clamor no campo externo. Isso adviria da “clássica explicação segundo a qual governantes, sejam autoritários, sejam democráticos, tendem a utilizar assuntos de política externa como fator de coesão nacional em momentos de crise”.

Outra hipótese seria mais estratégica, chamando a atenção da opinião pública estadunidense para a tentativa de golpe em seu país, tentando dificultar a eleição de George W. Bush (2000-2008) em seu segundo mandato, arranhando a imagem deste perante seus eleitores. Essa possibilidade é considerada fraca por Villa, devido ao, segundo ele, pouco interesse da opinião pública dos EUA no tema da política externa e a pouca ressonância que um tema como esse tivesse nas eleições.

Para o autor, essa mudança surge mais de uma razão que norteia a atual administração, que “movimentou-se de uma perspectiva instrumentalista ou pragmática em relação à superpotência do Norte para um viés carregadamente ideológico”, atendendo aos interesses da elite governante. Isso não seria nada diverso de governantes anteriores, ou seja, é comum na Venezuela as preferências políticas de cada elite no poder se alinharem à política externa.

As tensões entre EUA e Venezuela se acentuaram em duas frentes: na volta do país sul-americano a uma posição de protagonista junto à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reativando-a como condutora do mercado de petróleo bruto; e na defesa de seu modelo de democracia junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2001 – retumbantemente derrotado –, propondo o aprofundamento da cláusula democrática numa democracia participativa, com participação popular mais ativa, como em assembléias, plebiscitos, em oposição ao modelo tradicional de democracia representativa, embasada nas eleições, defendida pelos EUA e aceita pela OEA. Só um aparte: grosso modo, esse debate remete a 1991, quando da aprovação da cláusula democrática dentro da OEA, prevendo a suspensão do sistema interamericano ao país que rompa com a ordem institucional democrática.

Mais à frente, Villa trata das “fachadas diplomáticas” que Chávez começará a atuar com mais força, seguindo o segundo mandato de seu antecessor, Rafael Caldera (1994-1998): andina (Colômbia) e amazônica (Brasil). Isso finda os quatro nortes da política externa venezuelana, focada no Caribe (quase não citado no texto, a não ser sobre as relações com Cuba), Estados Unidos e os dois últimos citados neste parágrafo e que serão desenvolvidos a seguir.

A questão da Colômbia, mesmo com toda a tensão com o atual presidente Álvaro Uribe, que fez cortar uma maior colaboração diplomática venezuelana na questão do conflito das guerrilhas na região que remetia ao governo Pastrana, não é de enfrentamento ou conflito. Talvez pela extensa fronteira e a influência, por todos os lados, dos Estados Unidos no vizinho, de ser seu segundo mercado (só perde para os EUA), a Venezuela se preocupe em confluir, mais que divergir.

No caso brasileiro, a busca pelo “aprofundamento de seus vínculos comerciais, energéticos e políticos com o Brasil e com o Mercosul” se tornou mais intensa com Chávez, ainda durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (1998-2002), tendo apenas se intensificado com Lula. O objetivo é “especialmente por sua significação estratégica e nas aspirações nacionais de ingressar no Mercosul”, como atesta documento oficial do governo da Venezuela. Trata-se de uma procura por diversificar mercados, diminuir a dependência à Colômbia e, principalmente, aos Estados Unidos, atitude até elogiável pelo autor, mas que não é vista com bons olhos pela oposição, que é pró-EUA e pró-Colômbia e rechaça esse tipo de aproximação com o Brasil e o Mercosul, abandonando, entre outras coisas, a Comunidade Andina de Nações (CAN).

Na conclusão do artigo, Villa afirma que a continuidade prevalece quando falamos em política externa do governo Chávez em relação aos anteriores. “O máximo que se observa de ruptura localiza-se no âmbito conceitual ou em temas mais ou menos conjunturais. No entanto, o que realmente diferencia esta administração da anterior é que tal continuidade, pela própria ruptura conceitual ensaiada pelo MRE [Ministério das Relações Exteriores da Venezuela], cria tensões permanentes na relação com sócios comerciais e políticos do passado, como os Estados Unidos e a Colômbia”.

Essa não-mudança profunda se deu, inclusive, conforme o autor, no que tange ao sistema político, ao manter a democracia, fazendo com que tenha ocorrido no país “uma troca de elites e não um processo revolucionário e, mesmo que tal processo inquiete algumas vezes por seu tom nacionalista e alarmista, é limitado não apenas pelo ambiente, mas também pela continuidade dos interesses nacionais e pela continuidade dos traços essenciais da maneira tradicional de fazer política na Venezuela”.

Aqui se nota claramente um impeditivo, analisando a atual conjuntura, para a expansão da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), dentro dos conceitos bolivaristas defendidos por Chávez, já que, como citado acima, a própria Venezuela não desenvolve tal processo em seu território. No entanto, isso precisará melhor análise, já que o processo “revolucionário” foi aprofundado por Chávez e será preciso entender o contexto interno da Venezuela hoje, 2009, para saber se mudou alguma coisa nessa limitação de câmbios estruturais externos, devido à manutenção do âmbito interno.

Sem falar na dependência do petróleo como fator complicador de qualquer projeto de integração levado somente pelo esforço venezuelano, já que, a variação do preço do petróleo, bem como de sua capacidade de extração, podem interferir na verba de investimentos nos países integrantes da Alba. São questões importantes que o texto do professor Villa levantou e que serão de importante reflexão no desenvolvimento da pesquisa.

II Prêmio Mobilefest

Essa semana está mesmo para a divulgação de eventos. Hoje eu vou falar do II Prêmio Mobilefest, organizado pelo Marcelo Godoy e Paulo Hartmann, meus parceiros lá do Mobilefest.

Esse prêmio é uma forma de conscientizar as pessoas para a necessidade de se pensar o uso das tecnologias móveis para o bem da sociedade, fazendo com que todos entendam as múltiplas possibilidades dessas tecnologias. O tema deste ano é Meio Ambiente Real e Virtual.

E a forma de participar, logicamente, foi via celular. Haviam quatro categorias para envio de conteúdo: foto, vídeo, poesia e micro conto. Várias pessoas participaram e a premiação acontecerá no próximo sábado, dia 25, às 18h, no Museu da Imagem e do Som, aqui em São Paulo. Haverá, além da entrega dos prêmios aos vencedores de cada categoria, além de debates com pesquisadores e artistas, mostrando já como vai ser o IV Mobilefest, em setembro deste ano.

Fica a dica: se você gosta das tecnologias móveis e quer conhecer um pouco mais do Mobilefest, faça uma visita. Estarei por lá também.

Até amanhã.

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