Arquivo

Archive for março \29\UTC 2009

Quando a escola é impotente…

Essa semana eu assisti ao filme francês “Entre os Muros da Escola”, após indicação da professora Cremilda Medina, da USP. Ela sugeriu a todos os alunos, pois a película trata sobre a falência da educação no seu formato atual, comparando com uma notícia que havia saído no dia sobre a bonificação em dinheiro aos professores do Estado de São Paulo  que apresentassem melhor desempenho em sala de aula, numa avaliação do ensino – sob o ponto de vista dela que eu compartilho – totalmente mecanicista, racionalista e positivista, que quer quantificar o total de conhecimento adquirido, como se isso fosse possível. E todos esses adjetivos, negativos, são pontos em que a professora tem criticado em seu trabalho acadêmico de mais de 30 anos e eu tenho tomado contato aos poucos, crendo ser bastante interessante para aplicar na minha pesquisa acadêmica, mas também no observar o mundo de uma outra forma.

O filme se passa numa escola de ensino fundamental em Paris, em particular uma classe de sétima série, e mostra a dificuldade diária de um professor de francês em “dar” aula para jovens que estão mais interessados em outras linguagens e formas de pensamento, demonstrando como está desgastada a tradicional forma de aprendizado.

E com um ingrediente ainda mais potencialmente explosivo no caso europeu: as diferentes nacionalidades e culturas que convivem, às vezes com dificuldade, dentro da classe. São chineses, antilhanos, malinenses, marroquinos, turcos, franceses, com suas tradições e peculiaridades, convivendo com góticos, tímidos, revoltados, rappers, preguiçosos, bocudos e personalidades de toda a sorte e singularidade. Cada um com sua gíria e forma de expressar, tanto na linguagem falada, quanto na corporal, numa sintonia totalmente distinta da do professor, que se esforça para tentar compreendê-los, mas se estressa, erra, sofre, com esse mundo diverso, disperso e difícil de se relacionar.

Guardei dois momentos que mostram, a meu ver, claramente isso. E chocam. O primeiro é quando o professor tentar ensinar o presente dooindicativo de um verbo e uma aluna pergunta porque se chama “indicativo”. Ele tenta explicar e começa a falar do presente do subjuntivo, um tanto quanto difícil e pouco usado. E é exatamente o questionamento de um dos alunos: “Isso é linguagem de fresco, não se fala assim nas ruas”.

O outro momento, já no fim do filme, quando o professor pergunta a todos o que eles aprenderam no ano, um deles comenta um experimento de Química e o professor indaga porque o aluno achou importante: “E porquê não seria? Se eu aprendi na escola, é porque deve ser importante”. Será mesmo?

Outro ponto muito forte é a estrutura rígida e autoritária, dita como autoridade, tanto do diretor para com os professores, quanto dos professores para com os alunos, a fachada democrática dos conselhos de classe, proibição disso, daquilo, quase não podendo respirar. Que jovem vai querer passar sua vida ali?

Infelizmente, essa realidade é bem semelhante, e até pior, no Brasil. Se não temos o componente cultural no sentido de países, temos a mistura entre regiões, a pobreza extrema como fator excludente e o (às vezes consequente) incentivo ao trabalho jovem, como impedidores de progressão escolar. Mas temos também a mesma falta de interesse, as mesmas disciplinas rígidas, estagnadas no século XIX, sem conecção com o terceiro milênio, as novas tecnologias, com as outras oportunidades de aprendizado, aproximando ao que se vive nos dias de hoje.

Enfim, mais do que ler minhas impressões, vale a pena assistir ao filme, ainda em cartaz em diversos cinemas de São Paulo e que, creio eu, deve estar em vários cinemas “intelectuais” brasileiros. Uma pena que uma película indicada ao último Oscar como melhor filme estrangeiro, que retrata tão bem a realidade escolar (não só na França), não esteja espalhada em todos os cinemas.

Para saber mais sobre o filme, indico aqui uma entrevista que o diretor de “Entre os Muros da Escola” concedeu ao UOL.

Sexta é dia de bar

Hoje vou postar aqui uma dica de bar. Ontem me reuní com alguns amigos que conheci graças à uma lista de discussão pela internet sobre os Smashing Pumpkins. Um deles veio de Sergipe pra ver o show do Radiohead e aí aproveitou para passar uma semana aqui e sugeriu um mini-encontro entre os mais próximos, que levaram uma certa amizade além da internet e além da banda moribunda. Foi bom porque fazia tempo que não nos víamos.

E o Bar Birô foi o nome do nosso destino. Um bar, aparentemente, comum: mesas na calçada, dois andares, aperto, muita gente devido ao happy hour. O mezanino é fechado com vidro, sendo possível a rua. Já no térrero, um balcão de bar tradicional, de madeira, alto. Mas o local não se assemelha a um buteco qualquer. O clima é agradável, o atendimento é ligeiro pelo número de garçons, a comida é boa, tem apresentações musicais e não é muito caro, levando-se em conta os bares paulistanos.

Ah, tem umas coisas esquisitas no cardápio: asinha de frango “bombada” com bacon, por exemplo. Eu comi e gostei, mas seria melhor se o bacon estivesse fritinho e não na gordura. Tem também pastel de feijoada, mas esse eu não tive coragem de provar! hehehe… Tem outras coisas interessantes e caseiras no cardápio.

E, agora, um detalhe: a cerveja no cardápio só tem Bohemia, Original e Serra Malte, mas se você pedir, tem as mais convencionais, como Brahma (que eu vi) e outras (presumo que tenha). Mesmo assim, fiquei na Original. Afinal, uma vez na vida não mata o bolso e eu só descobri essa traquitana do bar depois. Por isso, fica já a dica: peça a cerveja que quiser e, no máximo, o garçom dirá que não tem.

E para finalizar o raciocínio inicial deste post, acredito que o fato do lugar não ter nada de especial é que tenha me apetecido. Se não fosse tão apertado, seria perfeito. Mesmo assim, é sempre bom conhecer lugares novos. O bar fica na rua Vergueiro, 1889, perto do metrô Paraíso. O site é: http://www.barbiro.com.br.

Obs.: Esse post não é propaganda, hehehe, só achei interessante citar um lugar que gostei de visitar. Acho vou dar essas dicas mais vezes, afinal de contas, se tem um lugar em que eu me sinto à vontade, é em um bar.

Categorias:Bares Tags:, ,

A Casa do Grito

O Portal Colaborativo Boivoador publicou mais uma reportagem do especial que fiz sobre o Complexo do Parque da Independência.

A matéria publicada fala da Casa do Grito e a sua (falta de) relação com o famoso grito da Independência de D. Pedro I, do porquê ela ganhou projeção com esse episódio e também qual seria a razão mais provável para a existência da casa, provavelmente servindo de ponto de parada e comércio para viajantes rumo ao litoral paulista. E o mais interessante: dos últimos exemplares feitos em taipa de mão ainda existentes (e devidamente restaurados) em São Paulo.

A história é interessante, tem umas fotos que ilustram o texto. Enfim, vale a pena quem quiser conhecer o local.

Clique aqui para ler.

Conto “Dostoiévskiano”

Enquanto me “delicio”  com um texto sobre Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio, mais conhecido como GATT, mais um elemento do meu mestrado que me proíbe terminantemente de produzir qualquer outra coisa (nunca imaginei que seria ainda mais difícil do já complicado que me falaram), publico aqui um conto que escrevi para meu antigo blog pessoal. É é um texto bem bacana (gosto do resultado final), que vale a pena estar aqui, por ter clara influência do livro “O Idiota”, de Dostoiésvky. Eu estava lendo o livro na época, há cerca de um ano.  Não me refiro ao talento em literatura do autor russo, mas me inspirei nele pra escrever a historieta.

Bom apetite!

Uma doença, um sentimento

A tosse o deixava semelhante a um tuberculoso. Um escarro seco, a expulsar coisa alguma, vinha-lhe atormentando a vida há pelo menos três dias, desde uma virada de tempo trouxe garoa à cidade. O céu azul deu lugar a um cinza escuro, carrancudo, sem aparecer um fio de luz ou calor sequer, apenas frio, frio e mais frio. E aquela penumbra típica do inverno a enegrecer cada prédio, calçada, sombreando ainda mais os becos e cantos da grande metrópole.

Para piorar a situação de nosso herói, eis que na última terça-feira, enquanto voltava do cinema, resolveu caminhar pelas ruas sem tirar o guarda-chuva de sua mochila, enquanto aquele chuvisco gelado caia em seu corpo. Preferia ficar molhado a ter que disputar cada centímetro de calçada com outros guarda-chuvas, mais ignorantes que o dele. No entanto, tossia sem parar, com acessos cada vez mais longos. Parecia em alguns momentos Íppolit*, dada a gravidade do problema. Nessas horas devaneava: “que vontade de morrer até me recuperar dessa enfermidade maldita! Parar com tudo, fechar os olhos e assistir a escuridão total, sem existência, até chegar à cura”.

Era o momento mais alto do delírio que a febre poderia causar. Ali se poderia realmente pensar que o pobre coitado daria cabo da própria vida só para evitar aquele sofrimento. “Pra mim é bem melhor me trancafiar em meu quarto e dormir até passar todo e qualquer sinal que ela ainda está dentro e mim”, rangia com os dentes. Um torpor dominava seu corpo, que passara a ficar dolorido, tirando todas as forças para sair de casa, estudar, encontrar os amigos. Regressara a pouco do trabalho, permanecendo deitado por cerca de duas horas.

“Que filme esquisito aquele. À parte a questão do aborto feito de forma clandestina num país comunista. De qualquer forma, gostei do cenário gélido e triste de uma Romênia oprimida por uma ditadura que nada tinha a ver com o proletariado”, recordara a respeito da película “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, que vira no dia em que tomou a chuva que piorou seu estado de saúde. “Aquelas nuvens todas, a escuridão da noite, aquela menina andando por toda a cidade à guisa de solucionar o caos que um sexo feito sem cuidado provocou em sua amiga e que poderia muito bem ela ser a próxima. Mas o que realmente me chamou a atenção foi aquele ambiente melancólico de disputas diárias por um cigarro que não fosse comunista, por uma bala industrializada no país inimigo, por um sabonete de marca capitalista, brigas cotidianas por sobrevivência, nada mais.”

Após divagar, entre um cigarro e uma tossida que por vezes, esguichava sangue no lenço, cismara de levantar e ir ao mercado comprar chá para amenizar seu espírito. Decidido, pôs uma roupa qualquer, encapotou-se com um cachecol e sua boina favorita e rumou ao destino. No caminho foi abordado por uma idosa que pedia um trocado para tomar leite. Como sempre, negou, dizendo não ter dinheiro. Mais tarde, na fila do caixa, uma jovem moça negra pediu 0,50 centavos para comprar pão. E ele havia percebido que ela estava com outros jovens para comprar bebida alcoólica para farrear em algum lugar. Mesmo assim, nosso herói oposto cedeu a moeda e pôs-se a sorrir, satisfeito com a boa ação. Depois percebera o ato idiota que tomara, negando a quem precisava, oferecendo, em contrapartida, a quem não tinha porquê. Enrubesceu e franziu o cenho, demonstrando que se envergonhara do que fizera.

No caminho recebeu um telefonema de uma amiga que o chamara para tomar alguma coisa num bar cerca de meia hora de metrô de onde se encontrava. Aceitou o convite sem dizer como estava, apesar de que a tosse durante a conversa evidenciara seu estado. “Você está bem?” Perguntava a interlocutora. “Estou ótimo, só preciso de um chá e em uma hora estarei aí”, respondera nosso cavaleiro hipocondríaco.

Subiu as escadas do edifício cambaleando. Conseguiu, sofregamente, fazer o chá e tomá-lo com um remédio para melhorar um pouco e conseguir sair. Mas não foi possível. Desmaiou no chão da cozinha, acordando somente quatro horas depois, com o barulho distante de uma ambulância, que indicava que a ajuda se aproximava. E era verdade. Dois minutos depois a porta era arrombada com auxílio da equipe de resgate, erguendo o corpo que jazia no piso congelante para uma maca, iniciando o diagnóstico e tratamento. Graças a sua amiga que estranhou a voz ao telefone e, ainda mais, a demorar em mais de duas horas para aparecer ou dar qualquer retorno, sem sequer atender o celular.

Com o rosto lívido, acordara do desmaio, mas seus olhos arregalados e inertes demonstravam que ainda estava com a consciência distante. E realmente assim se sucedia. Sua mente estava em uma garota que vira no cinema na última terça-feira. Garota essa com quem trocara algumas palavras a respeito do filme, num banco verde que se encontrara numa espécie de sala de espera, ou ante-sala, onde se aguarda para a próxima sessão ou se conversa a respeito do filme visto, a base de café, salgados e tudo que seu dinheiro possa pagar. Mas ele tomara apenas um capuccino, já que a grana estava curta. Ela comera um pão de queijo e tomara um achocolatado bem quente para combater o frio que se apoderara daquele fim de tarde.

Bateram papo por cerca de uma hora, até ela pular da cadeira como quem recorda de algo e partir, num sobressalto, pela rua, sem se despedir do novo amigo. O rapaz, por sua vez, nem tivera tempo de objetar coisa alguma, ficando boquiaberto com a beleza da garota e surpreendido aquela atitude. Só percebeu que não possuía nenhum contato dela, muito menos sabia seu sobrenome somente cinco minutos depois, quando se refez da cena. Saiu atordoado, derrubando xícaras, cadeiras, sobre as pessoas. Correu feito um maluco, em vão. Ela já tinha partido. Ele, então, passara a acreditar nos dias subseqüentes que esse curioso evento contribuíra para a piora de sua situação, mas segredara em seu coração esse pensamento. Até aquele momento.

“Acorda homem!”, exclamava sua amiga, tirando-o das recordações recentes. “Você está sendo levado para um hospital. Você desmaiou, bateu a cabeça e quase teve traumatismo craniano com a queda. O que tens? Por que não me avisou que estava doente?”, reclamava, insistentemente. Ele, ao contrário, quase não conseguia pronunciar coisa alguma, balbuciando apenas o nome daquela que encontrara três dias antes no cinema: “Helena! Helena!”.

* Íppolit, personagem da obra “O Idiota”, de Dostoiévski. Um jovem tuberculoso à beira da morte, que aproveitava sua condição de quase-moribundo para se fazer de coitado e, ao mesmo tempo, acertar as contas com seus adversários e azucrinar quem quer que fosse. As descrições do autor sobre como eram os acessos de tosse do personagem são muito reais.

Juventus da Mooca

O post de hoje é um revival de um tempo em que havia mais maleabilidade com horários, obrigações, pressões, mas, mesmo assim, a eterna companhia da angústia de não ter o que fazer – enquanto Renato Russo cantava “Tédio”, eu “canto” angústia. Publico aqui o link de um texto que fiz sobre uma visita à mítica rua Javari, para ver o retorno, depois de alguns anos, do Juventus à série A1 do Campeonato Paulista de 2006.

É um texto solto, bem diferente do que costumo fazer, por isso achei que valia a pena publicá-lo aqui. E, após lê-lo para relembrá-lo, sinto que tomei a decisão certa. Ao contrário de ontem, sábado, que havia jogo entre Juventus x Catanduvense, pela série A2, mas que eu não pude ir, devido a estudos, textos e coisas que a gente dificilmente consegue lidar sem solavancos, atrapalhando uma tarde que certamente seria diferente com uma visita à Mooca.

Enquanto esse arrependimento corrói um pedaço da minha alma, insiro abaixo o link do texto, publicado originalmente no Rabisco, mas que acabou também por ter sido colocado na área de Crônicas e Poesias do Portal da Mooca, a pedido do responsável de lá que me mandou um e-mail certa vez. Surpreendente e gratiicante saber que te acompanham a ponto de eu ter um texto meu num site que zela por conservar a história moquense e juventina, tão rica e tão nostálgica.

Link Portal da Mooca (como registro)

Link Rabisco (melhor para ler)

Documentário Observação

Ano passado eu tive a oportunidade de fazer o documentário “Observação” (leia mais sobre na sinopse abaixo) em parceria com o Daniel Reis (direção), Marcio Vaz (edição e arte) e Theo Grahl (fotografia), companheiros na última empresa que trabalhei e parceiros de projetos que transcendem o exercício comum da profissão. Vale destacar que o projeto foi possível graças a estrutura, física e material, da produtora Videologia Comunicação, sem a qual não teríamos como ter concretizado este filho audiovisual.

Além de trabalhar na concepção da idéia, atuei na produção e fiz uma espécie de making of de fotos do documentário. Os momentos mais gostosos foram as saídas para a captação das imagens e dos personagens. Foram dias, noites, fins de semana, poucos, é verdade, mas intensos – afinal de contas, o projeto foi conciliado com a agenda da produtora, que cedeu todos os equipamentos e até mesmo com nossas horas vagas lá dentro.

Por razões alheias à minha vontade, não estive próximo da finalização do mesmo, a cargo do Daniel e do Marcio, com ajuda providencial do Jean Garcia, Editorzaço de TV (parceirão) que contribuiu e muito em detalhes que poderiam nos escapar. Ligava sempre que possível para ouvir o andamento e debatia algumas coisas (afinal, o conceito já estava definido), mas sabia que o projeto estava em boas mãos.

Foi uma experiência fantástica, nunca havia trabalhado diretamente com cinema, mesmo que em formato documental, e senti uma grande satisfação de ajudar a produzir algo tão bem feito e diferente, já que experimentamos bastante, sem texto, apenas algumas falas entrecortadas nas imagens, que dizem tudo que se objetiva fazê-lo.

Fizemos para participar do Festival Internacional de Curtas de São Paulo. Infelizmente, não fomos chamados. Entretanto, muitos que viram gostaram, inclusive num Cineclube na rua Augusta que abriu as portas pra gente exibir o documentário, com direito a um debate polêmico sobre as escolhas de nossa equipe na construção do discurso do “Observação”. Foi bastante rico e mostrou que tínhamos acertado a mão, à parte recusas em eventos oficiais.

Abaixo estão a sinopse e o próprio documentário, dividido em três partes para caber no You Tube. Em breve eu trago mais novidades no campo do cinema, pois há outros trabalhos para mostrar aqui.

Sinopse

Estar em São Paulo é se lançar num mar de gente, é ser guiado por um fluxo alucinante de informações sonoras e visuais aparentemente caótico. “Observação” surge inspirado por esse caos, pela realidade de uma cidade que em sua essência é diversa. Andar pelo coração dessa metrópole, o centro velho, é descobrir vida nova a cada esquina e em todos os ângulos. São artistas, mendigos, religiosos e pessoas comuns que se misturam ao ar denso e ao amálgama arquitetônico, este capaz de levar o observador mais crítico a séculos variados num passeio curto.

Caminhando por essas ruas e ouvindo aqueles que nelas transitam, trabalham e vivem é fácil perceber a dualidade extrema de sentimentos: amor e ódio; loucura e sanidade; grandiosidade e pobreza. São Paulo é via de passagem, lotada e barulhenta durante períodos comerciais; e um deserto à noite e durante finais de semana, onde impera o descaso, o abandono. Porém, aqui também se descobre a alegria nas faces mais maltratadas e vê-se a crítica brotar de bocas aparentemente insanas.

Enfim, o documentário “Observação” traz em si a necessidade de experimentar e se descobrir em tal contexto. É uma viagem.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

América do Sul em pauta

Ainda respirando o mundo acadêmico, trago para o blog um artigo meu publicado na edição 40 da Revista de Ciência Política Achegas.net, produzida no Rio de Janeiro.

Trata-se de um material que resume o início de minha pesquisa na área das Relações Internacionais, pois é um artigo-síntese de meus estudos durante especialização em Política e Relações Internacionais na Fundação Escola de Sociologia Política de São Paulo (FESP-SP) que fiz entre 2005 e 2006.

Desse estudo ampliei a pesquisa para América Latina e sofistiquei para não apenas uma mera disputa de liderança via integração regional, incorporando os projetos de integração formulados em acordos comerciais (ALBA e MERCOSUL são oos mais evidentes e que citei ontem) como fonte central da análise e os rumos para onde Brasil e Venezuela, nas mãos de Lula e Chávez, respetivamente, estão levando (ou querem levar) o subcontinente com esses projetos.

Apesar desse aprofundamento no meu projeto de mestrado, o artigo não está desatualizado, ele ajuda sim a acompreender o contexto latino-americano a partir da história do século XX e as relações políticas dos últimos anos, que alçaram novamente os dois países ao protagonismo regional.

Para quem quer um recorte reflexivo da realidade, que busca compreender esse fenômeno crescente de solidarismo mesclado com esquerdismo ou popularismo (e não populismo, bem entendido) de alguns governantes, o texto abre um caminho importante nesse sentido.

Para ler o artigo, é só clicar no título abaixo:

A Política Externa de Chávez e Lula na América do Sul: Integração Regional ou Consolidação de Liderança?

%d blogueiros gostam disto: