Arquivos

Posts Etiquetados ‘viagem’

São Vicente

Como é bom passar o dia desligado de tudo. Sexta-feira tivemos que descer a Serra para resolver umas pendências burocráticas em Itanhaém e, na volta, passeamos por São Vicente, meio sem querer, mesmo com a chuva que ia e voltava, atrapalhando uma contemplação mais interessante da paisagem. Antes de voltar para São Paulo, ainda deu tempo de visitar meus pais na Praia Grande, já à noite.

Praia de Itararé - 16.03.2012

Praia de Itararé - São Vicente - 16.03.2012

 

Não sei porque, mas São Vicente me chama a atenção. Gosto dela, do clima de uma cidade que é mais que um simples local de veraneio, com seus prédios residenciais de cara urbana em frente ao mar, da movimentação, das vastas áreas verdes e de recreação entre a rua e a areia, já dando mostras de como é belo o maior jardim de frente pro mar do mundo, que percorre toda a orla santista. Gosto também de ver a sua paisagem repleta de ilhas, com a Praia de Itararé mais parecendo uma baía. Os quiosques de madeira, a ciclovia… A Ponte Pênsil com os pescadores a passar o dia por ali… Não sei, mas gosto de lá. Se um dia decidirmos ir embora daqui, lá – e Santos – será um lugar a ser pensado com carinho.

 

Praia de Itararé - São Vicente - 16.03.2012

Praia de Itararé - São Vicente - 16.03.2012

 

Por isso, publiquei estes dois cliques por aqui, apenas para relaxar no domingo e começar bem a semana. Até a próxima!

Curiosidades

Um dia em Caracas...

Outra coisa curiosa da Venezuela e que eu não havia contado ainda é o mercado, tanto formal quanto o informal. Em verdade, destaco uma coisa de cada um.

O mercado informal é repleto em Caracas, vende-se de tudo: roupas, badulaques, sorvetes (com seus sininhos terríveis tocados pelos vendedores), vídeos de matemática com musiquinha (engraçadíssimo!) e até chamada telefônica. Sim, no centro de Caracas, se você ver uma pessoa sentada num banquinho com outro com uma caixinha com alguns celulares – e, por vezes, cigarros – não se assuste. Aproveite, se aproxime e faça uma chamada, é bem barato. Eu não fiz porque tinha um ”móvil” à disposição para mim lá e também porque resolvi muitos dos meus problemas por e-mail. Além do que, as ligações para o Brasil eram feitas da casa ou do skype mesmo. Mas em uma das poucas vezes que usei o meu celular, falei por uns dois minutos com uma jornalista de lá e quando vio saldo tinha consumido uns três centavos.

Isso que dá ser um país rico em petróleo: algumas coisas são bem baratas, como também o metrô, já comentado neste espaço. Outra coisa bem barata é a gasolina: com seis bolívares, o que não dá três reais, é possível encher o tanque das SUV’s ou das possantes barcas gigantescas (aquelas banheiras norte-americanas, sabe?) bebedores de combustível. Em postos de conveniência de lá, a coca-cola chega a ser mais cara (sete bolívares) do que lotar o tanque do pujante.

Outra curiosidade é que é obrigatório os carros novos ter tanque de gás, que é gratuito, diga-se. No entanto, com o preço da gasosa, para que andar mais lento, né? Mas é um projeto do governo, para, no futuro, poder aumentar o combustível e incentivar o uso do gás, sem revoltas. Vale lembrar que na Venezuela não há carro novo para vender, a produção é fraca e a importação idem. Demoram uns quatro meses para chegar o carro. O que faz com que os veículos usados sejam vendidos a preços absurdos. E é uma cidade automotiva, com mais carro e concreto de avenidas e auto-pistas do que gente.

A outra coisa que eu queria dizer é que, no caso do mercado formal, na Venezuela há a tal da Nota Fiscal Paulista compulsória. Quer dizer, na verdade o cara não pode ganhar prêmios ou ter parte da grana de volta informando seu CPF a cada compra que fizer, como em São Paulo, mas em todo o lugar eles pedem o número da cédula de identidade – ou o passaporte no caso de estrangeiro – para cadastrar a compra. Isso é para evitar a sonegação fiscal, não tem nada de prêmio.

A primeira vez eu assustei, fiquei nervoso, achei que ia ser preso por fazer compras, não sabia direito o que responder. Mas é algo normal. No entanto, em uma loja de roupas não me pediram número de nada e eu fui ao lugar duas vezes.Perguntei para meu amigo brasileiro de lá e ele comentou: “os caras devem estar sonegando mesmo”. É estranho você ter que dar opbrigatoriamente o número de seu documento ao fazer uma compra, mas, pensando bem, é uma forma de garantir que o imposto chegue ao destino final e possa ser investido. Afinal, já que é pago, que seja revertido.

E o imposto não é barato não. Além do preço do produto, paga-se 12% do tal de IVA lá na Venezuela. Se você vai parar um bar ou restaurante, ainda tem mais 10% do garçom, a “propina”, e é obrigatório praticamente, ao contrário daqui. Tudo fica meio caro com tanto imposto. O bom é que muitas vezes o preço já vem calculado com o IVA, o que evita você ficar maluco tentando saber quanto você vai realmente pagar pelo produto.

Ah, Venezuela, suas contradições e peculiaridades. Outra hora eu volto.

Corrida maluca

Verde para todos

Eu voltei da Venezuela fazem uns dez dias, mas faltaram algumas histórias para contar daquele país especial e de sua capital Caracas, um tanto quanto maluca, mas também muito acolhedora e bacana.

A parte maluca daquele local é o trânsito. Os carros não respeitam absolutamente nada, nem farol, nem pedestre, nem faixa. Motoqueiro então, se tiver gente passando na faixa de pedestre com farol vermelho para ele, e daí? Ele segue mesmo assim. Só uma vez eu vi dois motoqueiros pararem, mas porque havia um guarda orientando o trânsito e ele mandou. Os carros fazem conversões absurdas, buzinam muito, travam as ruas, correm, andam em filas e transformam Caracas em um estacionamento gigantesco.

Como se vê na foto, chega-se ao cúmulo (e que não deixa de ser engraçado) do semáforo permitir que os carros virem à direita e o pedestre atravesse o mesmo caminho. Não sei como não vi um acidente nos meus 18 dias em Caracas. Se bem que no penúltimo dia eu quase vi uma tropelamento. Um dos pequenos ônibus que me levavam do metrô até a residência onde fiquei, entrou à esquerda (uma conversão muito maluca, mas permitida) e um homem com sua filha passava no mesmo local. O ônibus parou, os dois discutiram e o motorista praticamente jogou o ônibus sobre a criança, que, por sorte, não foi atropelada. O homem saiu correndo atrás do ônibus e jogou algo que parecia um pedaço de pau ou de metal, mas, depois, vi que era uma espada (!). O que o cara fazia com uma espada no meio da rua, eu não faço a mínima idéia. O vidro não quebrou, mas ficou marcado a ponto de estraçalhar. O ônibus voltou, houve mais discussão. E eu via aquilo tudo perplexo. Mas, confesso, não sei como não vi muitos acidentes, se é que eles não acontecerem, mas em outros pontos da cidade.

No entanto, no metrô há mais cordialidade. Não há assento preferencial como em São Paulo, exceção feita ao último e primeiro vagões, que tem o canto todo reservado. O que não impede das pessoas cederem seus lugares às mulheres, idosas, grávidas ou com crianças – aliás, como tem criança em Caracas.

A estação principal, a Sé de lá, chama-se Plaza Venezuela e interliga três das quatro linhas caraquenhas. No entanto, não há uma plataforma central que faria com que o trem abrisse duas portas. Abre-se só uma. E o feitiço: as pessoas que estão na plataforma ficam do lado da porta e esperam sair todas as que estão dentro do vagão para só então entrar. Quando o trem está superlotado é normal ocorrer um certo empurra-empurra para entrar, mas nada tão violento quanto o que eu já vivi inúmeras vezes em São Paulo.

Não sei se dá pra sentenciar, mas os pedestres parecem ser mais cidadãos do que os motoristas. Ou, lembrando a paródia do Pateta, é só botar ou tirar a pessoa do assento do motorista para que ela mude, para o mal ou para o bem.

Venezuela – Dia…

É, já perdi a conta dos dias, os posts não tem sido diários, então paremos com a numeração.  E vamos logo para o post de hoje.

Neste domingo aqui na Venezuela começou o Venezuelão 2011, ou o Bolivarianão 2011, ou ainda o Chavão 2011, como queiram. É o Clausura daqui que fecha a temporada 2010-2011. Pena que o Caracas estreou fora, ante o Monagas, em Maturín. O que me sobrou, em princípio, o clássico entre os “Deportivos”, o Petare, da capital, e o de Anzoátegui. “Pero”, hoje cedo, fuçei na internet para confirmar e descobri que o jogo a ser disputado no estádio Olímpico de Caracas, que fica na Universidade Central (ao lado do campo de beisebol (eu fui num jogo semana passada, preciso contar essa história), seria disputado a “puerta cerrada”, sem explicação aparente. Daí, me restou o outro jogo na capital caraqueña, de terceira linha: Real Esspor x Mineros de Guayana, no estádio Brígido Iriarte, zona sudoeste de Caracas.

E, após um dia com amigos dos amigos que me acolheram num clube “cerca” de Caracas, me deixaram de carro na volta na porta do estádio, uma moleza, considerando que estávamos fora da cidade e que o estádio fica numa região mais periférica. Para entender, imaginei um morro bonito, todo verde, alto, ondulado. Agora, imagine esse mesmo “cerro”, só que, ao invés do verde da mata, tá o vermelho do tijolinho, dos milhares de tijolinhos, das casas, dos “ranchos”, que formam várias e várias favelas pelos morros da capital venezuelana. Embaixo de um desses tinha até um túnel, por onde passamos (e outro depois) para chegar ao destino.

No Google Maps indicava que havia metrô perto, mas o meu novo amigo, Frank, me sugeriu pegar um “metrobus” (Sim, a pataquada igual a do Rio de chamar ônibus de metrô) que era mais seguro e fácil. Diante disso, dei uma volta no estádio, até a avenida, e voltei, só para me ambientar com o lugar e tirar umas fotos da fachada.

O detalhe bom é que a entrada foi livre, grátis, ou seja, não paguei um bolívar sequer. Eu li algo assim num site de notícias. Só não saquei a explicação, mas isso eu conto na sequência.

Entrei há uma meia hora do jogo começar e os dois times estavam aquecendo no gramado, na maior cordialidade. Engraçado que a torcida estava dividida, aepsar de Puerto Ordaz – cidade-sede do visitante – ser longe pacas de Caracas. Vieram uma meia dúzia de “hinchas” mais fanáticos que ficaram pulando e soltando fogo do outro lado. Mas na parte debaixo onde fiquei e estava repleta, tinha torcedores misturados e um número expressivo de torcedores com camisa do Caracas, curiosíssimo. Exceção feia a um grupo de 20 torcedores do Esppor, organizador, “por supuesto”, que batucavam vários instrumentos, pareciam uma mistura de Olodum com escola de samba, e não paravam. E toda hora um garçom ia lá levar cerveja e refrigerante. Moleza torcer assim. De qualquer forma, e de resto, era um clima meio amador, o pessoal comemorava gol dos dois times, me senti vendo futebol nos EUA nos anos 70 (um episódio de “Anos Incríveis” sobre futebol ilustra bem isso), meio estranho.

E a qualidade da peleja, “seguro”, foi fraquíssima, como já era esperado. Mesmo assim, saíram cinco gols, num 3 x 2 empolgante para os donos da casa. Empolgante porque eles saíram perdendo, em um golaço de jogada individual de um “minero”, que tabelou pela meia-esquerda, cortou para o meio, passando por dois e mandou no ângulo esquerdo do goleiro da casa. Mas antes do fim da primeira etapa, os donos da bola empataram em cruzamento após escanteio da ponta esquerda.

Aqui, um parênteses. No intervalo, resolvi dar uma volta, primeiro, para tomar uma cerveja (sim, os caras vendem cerveja no estádio, e a um dólar!), ver o estádio de outro ângulo, tirar umas fotos, essas coisas. Aí me dei conta de uma coisa. Mas antes, é preciso explicar que o Brígido Iriarte é tal e qual o Olímpico, do Grêmio. Quem não conhece, é assim: são dois lances de arquibancada com, na parte final das cadeiras um corredor e um espaço para venda de comida e banheiros. O detalhe é que no Iriarte esses espaços ao fundo estavam quase todos tapados com lençol ou plástico preto. Daí fui entender o que a mensagem do jornal dizia: que o presidente do Real Esspor liberou a entrada porque no estádio estão 1.200 “damnificados” pelas chuvas do fim de ano. Ou seja, parte dos desabrigados estão morando no estádio!!!!! Surreal! Não entendi a relação disso com ser gratuito o jogo, mas, enfim, me dei conta da informação, que havia lido com desdém, ser imaginar que, minutos depois da constatação, veria uma idosa na “porta” de sua “casa”, um lençol rasgado no meio, observando tudo, com mais umas pessoas ali dentro, vendo TV. Sim, havia desabrigados ali no estádio. Em um desses buracos não havia lençol e deu para fotografar as beliches – na verdade, foi nesse instante que me toquei do que havia ali. E logo ao lado, uma gritaria e uma multidão clamando por cerveja. Além desses desabrigados, há outros pessoas numa fortaleza militar, em um pequeno aeroporto central e outras em moradias provisórias afastadas, enfim, prédios. As coisas são meio malucas aqui na Venezuela, ainda mais Bolivariana, com Chávez no poder.

Voltando ao jogo. Logo no início do segundo tempo, o Esspor virou de cabeça novamente, após outro cruzamento, este vindo da esquerda. Era a jogada dos caras, chutão e cruzamento. O Mineros tentava por a bola no chão e chegar dessa forma, mas o que errava de passe… Mesmo assim, na base do abafa, já aos 30 e “picos”, empataram, com outro golaço. Após escanteio da esquerda, a zaga da casa rebateu mal para a entrada da área e o atleta visitante pegou do jeito que ela veio e mandou no canto alto esquerdo do goleirão.

Mas como as duas defesas eram uma porcaria, aos 44′, após um lançamento da defesa, um neguinho baixinho que corria o ataque todo, veio da direita para a esquerda atrás da bola. Os zagueiros do Mineros ficaram olhando e o atacante do Esppor tomou a frente, invadiu a área, virou o corpo e bateu de direita, à esquerda do goleiro. Festa dos batuqueiros e torcedores do Esspor. E deste que vos bloga, que teve melhor sorte desta vez, já que no jogo de beisebol, o time da casa perdeu. Mas essa é história para outro dia. Até lá.

Venezuela – dia 8

Olá meus amigos. Desculpas peço pelo meu sumiço. Muito trabalho, muito passeio e pouco tempo para visitar esse espaço com calma e empolgação para contar as várias aventuras que tenho passado por aqui. Teria o que falar sobre os últimos passeios, sejam do fim de semana, sejam dos últimos dias, mas há outras coisas para falar…

Por exemplo, a comida. Acho que não vou conseguir me habituar com a culinária venezuelana. Ontem comi uma tal de “cachapa” que me fez passar mal boa parte da tarde, tendo “resuelto” tudo após um eparema brasileiro com coca-cola. Cachapa é uma massa ala panqueca, feita de milho, que pode ir qualquer coisa salgada. Só que ela é meio doce. Eu pedi um doble queso y jamón, o sea, dois tipos de queijo (branco e mussarela) e presunto. Delicioso. Mas a massa, lá pela metade… fez um mal danado, tanto o paladar quanto o estômago  não gostaram e foi um “lío” comer aquilo.

Hoje comi um ”pabellón criollo”, comida típica daqui e bem parecida com a de Brasilç Arroz, feijão preto bem temperado e carne “mechada”, ou seja, dedfiada, e banana frita. Exceto a banana, um prato bem brasileiro, parecido. Gostoso, carne bem temperada, comida gostosa, mas nada demais.

Outro prato típico são as arepas. Elas são como um pão, de milho, que recebem recheios variados. Os caras comem de café da manhã, almoço, etc. Já comi arepitas pequeñas que não tem gosto de nada, argh. Mas, outro dia, num centro comercial bem bacana “cerca” de onde estou comi com recheio de pernil desfiado e queijo guaianes maravilhoso, uma delícia mesmo. Não pela arepa, que é de milho, meia boca (mas melhor que a cachapa, já que não é doce), mas pelo recheio maravilhoso que encobre qualquer outra coisa. Definitivamente, uma delícia! 

As coisas que não me fizeram mal e são parecidas com o Brasil, e muito gostosas, são os pastelitos e as empanadas. Os primeiros são pastéizinhos, com recheio de queijo, etc. Gostosos e bem basicões. Já as empanadas são risolões com os mais diferentes recheios: carne, pollo (frango), queijo, queijo y jamón, etc. Uma delícia. Se bem que comi uma domingo que estava tão oleosa que desisti de repetir. Mas, no geral, são bacanas, tais e quais os salgados paulistanos, os caras comem de manhã, à tarde, à noite, etc.

Mas como eu tô com saudade de um bifão de carne, não sei o que é isso aqui na Venezuela. Os caras não comem isso aqui, increíble…

Bien, hasta luego! Até a próxima história!

Venezuela – dia 4

Bem, na verdade é dia 5, mas eu faltei com um post e o dia 1 eu cheguei tarde e pouco fiz, nem fui à rua na labuta, então vamos do jeito que vai…

Mas não tô aqui pra discutir isso, mas sim, de início, explicar que eu descobri o que é o Panteão Nacional, consegui ir lá, a muito custo de minha saúde, mais fui. Por fora, parece uma igreja, por dentro, um mausoléu. Lá estão homenagens, quiçá os túmulos de todos os “libertadores de América”. Dos lados algo parecido como altares com estátuas dos “mártires” da independência da Grã-Colômbia. No corredor central, as bandeiras dos países correspondentes (Venezuela, Colômbia e Equador), de Cuba, Panamá, e acho até que bandeiras antigas, porque tinham bandeiras a mais com as cores tricolores que envolvem os três primeiros países citados.

Ao fundo, do lado esquerdo, Francisco Miranda, do direito, Sucre. No centro do panteão, um caixão envolto numa bandeira venezuelana: é de Simón Bolívar, o quase-deus da quase-religião bolivariana que seguem os venezuelanos. E detalhe: isso não tem nada a ver com Hugo Chávez, o povo cultua Bolívar – o “Libertador” -  desde sempre, Chávez apenas capitalizou a coisa. E convenhamos: ter um sarcófago à mostra num local público dá a mostra de como os locais são devotos de “São” Bolívar. Fantástico.

Ah, a entrada é franca, viu? Se tu tem “bolso” (bolsa, mochila) a senhora (que parece um cara) “cuida” pra você (deixa no chão do lado ou atrás delas), pois é proibido entrar com essas coisas lá. Tu assina o livro e tá liberado. Aliás, venezuelano tem sina com essa coisa de não poder entrar em locais com mochila, sacola, bolsa. Hoje fui numa livraria e se procedeu o mesmo. Outro dia, numa loja de vende-tudo e outro numa loja de roupas, que eu fui para comprar meias. Lembram da história né? Então… Até lá eu tive que deixar a mochila num guarda-volumes. Quando não tem nada de valor dentro, beleza. Mas quando tem seu notebook e passaporte, é duro né? Baita aflição.

Se a saúde deixar, vou visitar outros locais bacanas e escrever sobre eles aqui.

Até qualquer hora.

Venezuela – dia 3

Hoje o dia foi complicado. Uma gripe que se avistava desde segunda deu o ar de sua graça hoje, firme e forte. Isso porque, ontem, tomei uma baita chuva na saída da Biblioteca Nacional e, ao entrar no metrô, tive o azar de pegar o vagão com ar condicionado. Um frio de lascar. Já viu a combinação de corpo molhado e ar frio, né? Já senti frio, a garganta já foi pro vinagre, espirrei pra burro e me senti tão cansado que não sei como consegui completar as pesquisas de hoje.

Já estou no mês de abril de 2008, avancei quase um ano e meio em meros três dias. Desse jeito, poderia voltar para o Brasil daqui uma semana e meia. Mas há outras coisas por fazer, e curtir também. Além do quê, não há voos em profusão para isto. É um por dia e só. Mas só curtirei se minha alergia deixar… Mas isso é outra história.

A Biblioteca Nacional daqui de Caracas é bem organizada, dividida em setores, o pessoal é muito prestativo e gente boa, mas… é tudo uma zona. As pastas estão desorganizadas – na de “1 a 15″ estão os de 16 a 30″ e vice-versa -, os exemplares estão fora de ordem, muitos amassados, rasgados, alguns até com páginas faltando, cortadas por algum imbecil que poderia xerocar ao invés de ferrar com o próximao que fosse pesquisar.

Além disso, não há monitores te vigiando como, por exemplo, no Arquivo do Estado de São Paulo. Eu achava um exagero, mas entendia. Agora, compreendo bem mais. Não é a toa que em Sampa o pesquisador não pode manipular o jornal sem luvas, tocar com os cotovelos no material pesquisado, nem tirar da mesa onde está manipulando-o. Aqui é tudo livre. Convalescente como eu estou hoje, fiquei um pouco preguiçoso em organizar as coisas. Sentado mesmo, lia o periódico como se fosse em uma banca. E ninguém foi chiar comigo. Aqui o povo é mais low-profile.

Após este causo, vou em referir a outro, mais engraçado. Não é que o tonto aqui, por alguma razão misteriosa, esqueceu as meias no Brasil? Tô usando uma meia fedidaça até agora. Bem, menos ontem, que resolvi ir sem nada, para não feder e gastar muito a filha única. E bem ontem eu tomei chuva e molhei o pé. Inferno! Mas foi bom, porque hoje a minha única meia tava sequinha para segurar as agruras de um tênis ainda úmido – andar com os pés molhados é infernal, mas a meia segurou a onda.

A saída era sabida: preciso comprar meias. Ontem, em meio à chuva, passei por várias “zapaterias” e nada de ver “calcetines” nas lojas. Puta azar, sô. Aqui os caras não vendem junto. Mas porra, meia é pra calçar o sapato, então, tem que vender!

Mas hoje o tonto aqui foi mais esperto. Perguntei pra empregada onde tinha uma “tienda de ropa o calcetines cerca del metro” e ela me indicou uma a três estações de onde estou. Na volta da Biblioteca Nacional, mesmo combalido pela gripe, dei um pulo lá e consegui, ufa, comprar meias. E como eu já estava precisando – já que as outras que ficaram no Brasil estavam passando do ponto – comprei umas quatro, a 13 bolívares cada, uma pechincha. Isso porque era uma loja grande e não era “rebajas” ou uma loja qualquer, era uma C&A com Pernambucanas, essas coisas. Pra tu ter uma idéia, 13 bolívares não dá 4 reais no câmbio negro, chico!

Até que tô me virando bem, até resolver problema de celular… consegui hoje entravar um diálogo com a atendente da Movistar. Se bem que é naquelas, eu grunho umas duas ou três palavras e ouço e entendo o resto. Mas essa é uma história para outra hora. Hasta luego!

CategoriasCrônicas Tags:, , ,

Há quantas andam…

Olá amigos. Perdão pelo sumiço, mas o blog perdeu importância na lista de prioridades, já que tive de conciliar o mestrado uspiano com alguns trabalhos extras que serviram para complementar a renda e oxigenar o cérebro e aumentar o ânimo, ampliando ainda mais o horizonte de possibilidades profissionais. TV e jornal estiveram entre os trabalhos e foram experiências fantásticas e enriquecedoras. Já na reta final de 2010 me afundei no mestrado, que passa por alguns problemas, mas segue firme na sua busca por respostas e perguntas. Tirei apenas uns dias no fim do ano para descansar, estar junto aos familiares e recarregar as energias para seguir em frente.

Mais um ano acabou e 2011 começa com o sentimento de que 2010 ainda não terminou, pois o mestrado segue como a tarefa a ser concluída. Ao menos terei mais tempo para dedicar-me a ele e amanhã embarco em uma viagem que inaugura a fase final da pesquisa. Vou à Caracas realizar a pesquisa da parte venezuelana da dissertação, especificamente no que diz respeito à análise de um período de um jornal daquele país, juntamente com algumas entrevistas e impressões colhidas diretamente do local.

A ansiedade, a preocupação, a excitação e a saudade crescem à medida que o embarque se aproxima. Não há nada muito certo, os contatos foram apenas preliminares e muito confusos, a imprevisibilidade impera e as dificuldades se avolumam, começando com a língua, enferrujada para mim, e piorada, pelo fato de que lá o espanhol meio que foi adaptado para uma nova língua, pelo que andei lendo, devido às misturas que os caraqueños fizeram com as línguas indígenas e até outras de fora.

Mas, à parte isso, espero poder concluir a meta estipulada e encaminhar a parte final do mestrado da melhor maneira possível, para concluir o estudo, ser aprovado e abrir novas portas e possibilidades profissionais, e, além disso, poder voltar-me ao jornalismo de novo, profissionalmente, buscando novos desafios e novos espaços. Mas tudo isso vai depender do que eu fizer a partir de amanhã, então, este é o foco agora, a o topo da lista de prioridades neste instante. Se houver conexão com a internet, mandarei relatos da Venezuela sempre que possível, já como parte das impressões acerca deste pitoresco e importante país da América do Sul.

Bem, por enquanto é isto. Um ótimo 2011 para todos.

Andanças… discrepâncias…

Sorocaba - SP - 29.03.2010

Uma pequena ilustração de minhas andanças pelo interior paulista durante a série de reportagens do programa Rotary Brasil, que começa dia 10 de abril, às 21h30, na Rede Vida de Televisão. Foto tirada na periferia de Sorocaba, com suas discrepâncias entre uma carroça humilde e um carro importado. É perceptível a diferença entre quem tem muito e ajuda com migalhas e aquele que mais necessita. Alguns tipos de ajuda apenas mantém as diferenças em seus devidos lugares. Sem transformação, a desigualdade nunca será eliminada.

Centro Cultural Mário Quintana

Centro Cultural Mário Quintana - 24.07.2009

Acho esta foto muito bacana. Gostei desse lugar. Morada de Mário Quintana, um local onde a cultura aflora por todos os seus espaços, aliás, enormes. Cinema, café, exposições, poesia… Há muito o que ver e sentir ali.

Adorei a visita à Porto Alegre ano passado. Tinha ido duas vezes apenas para reuniões de trabalho e conhecia, portanto, muito pouco. Mas já imaginava que gostaria de lá. E o lugar é fascinante: bonito, bem cuidado nas suas áreas turísticas (que é onde eu posso comentar), aprazível demais, e com um povo cordato. Sem falar no frio de rachar, mesmo sendo inverno, sofri um pouco.

Gostei também do metrô de lá, que, na verdade, é um trem melhorado. Adoro trens, metrôs. Mas isso é papo para outro dia, outro post. Boa semana!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.